Como o Futebol Explica o Mundo: Um Olhar Inesperado sobre a Globalização
Abramovich, Roman, 1,
Alan chegou para a entrevista com 20 minutos de atraso e me cumprimentou de modo grosseiro.
— Legal – disse ele, apertando minha mão sem se desculpar pelo atraso. Eu o levei a uma mesa no canto.
— O que quer beber?
— Uma coca. Eu não bebo – respondeu ele. — Aprendi da pior maneira que isso é uma desvantagem numa briga.
Não demorou para que ele alardeasse ostentosamente os seus antecedentes.
— A polícia já me pegou 21 vezes … Sou viciado em violência … Já tentei parar, mas não consigo.
Mostrou-me cicatrizes das batalhas. Um calombo no pulso, de um osso quebrado que se consolidou de modo estranho; um braço que se dobra numa direção que desafiaria um conjunto saudável de juntas e tendões. Ao fazer essa apresentação, contudo, Alan começou a minar a imagem pretendida. Ele é um falastrão compulsivo, com infindáveis opiniões a respeito de uma série infindável de assuntos. Minha caneta lutou para acompanhar o ritmo de suas pontificações sobre as deficiências dos governos autoritários, a moralidade da guerra anglo-americana contra o Iraque, o gênio de Alexandre o Grande e a seriedade dos californianos.
Essa prodigalidade só se interrompeu quando ele chegou ao tema de seu amado time, o Chelsea.
— Este é um bom lugar para você visitar, por causa de seu simbolismo – disse ele, referindo-se ao bar.
O nome do bar vem do antigo e famoso Shed, que um dia abrigou os valentões do Chelsea. Na verdade, o bar fica exatamente naquele ponto. Só que agora se pode entrar no Shed pelo saguão de um hotel de luxo – parte da ampla melhoria implementada na área do estádio. Dobrando-se a esquina, pode-se comer uma lagosta na King’s Brasserie. No interior do Shed, profissionais liberais vestidos de terno riem enquanto bebem canecas de cerveja. Uma TV com tela de plasma mostra o anúncio de massagens e outras terapias no Chelsea Club and Spa, do outro lado do estádio.