Como o Futebol Explica o Mundo: Um Olhar Inesperado sobre a Globalização
Friedmana
Quando Portella e eu nos sentamos, ele não esconde seu pessimismo quanto ao futuro do esporte. Nem mesmo a indiciação de Eurico Miranda, diz ele, poderia aliviar a profunda crise no futebol. Mas observar Portella jogando derruba seu argumento. Até mesmo esse grupo de homens fora de forma joga com estilo. Eles giram o corpo para passar a bola em direções totalmente inesperadas, chutam de calcanhar e exibem suas habilidades no drible. Apesar da persistência da corrupção, a paixão dos brasileiros pelo futebol não diminuiu, seus recursos esportivos naturais não parecem estar perto da exaustão. Trata-se de uma parte essencial do caráter nacional. Quando o time de Portella faz um gol, aqueles homens de meia-idade beijam a insígnia do clube em seus uniformes e também se beijam uns aos outros, se amontoam numa pilha sobre o gramado. No Brasil, mesmo entre contadores, motoristas de táxi e tecnocratas do governo, há momentos que os fazem desejar ajoelhar-se e dar graças a Nossa Senhora das Vitórias.
a Jornalista norte-americano, colunista do New York Times e forte defensor da globalização.
(N.T.)