É assim que se perde a guerra do tempo

Amal El-Mohtar e Max Gladstone · Capítulo 10 de 49

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É assim que se perde a guerra do tempo

Capítulo 10

Minha perfeita Red,

quantas tábuas a horda mongol ordenaria se os mongóis soubessem tabuada? Talvez você possa me dizer, depois que terminar sua missão nesse filamento.

A ideia de que você podia ter me prendido (ou me filamentado, talvez? Nossa, essa foi péssima) é tão deliciosa que eu me confesso até meio vencida. Você sempre prefere jogadas seguras, então? Calcula tudo tão precisamente que rejeita de antemão qualquer projeto com uma taxa de sucesso menor que oitenta por cento? Me dói pensar que você daria uma jogadora de pôquer tão chata.

Mas aí eu imagino que você trapacearia, e isso é um conforto.

(Eu nunca ia querer que você me deixasse vencer. Que ideia!)

Eu estava de óculos, mas imagine, por favor, meus olhos se arregalando diante das suas doces perguntas no Filamento 8827. Se minhas chefes me mandaram para lá! Se eu tenho chefes! Uma sugestão de corrupção na minha cadeia de comando! Uma preocupação encantadora pelo meu bem-estar! Você está tentando me recrutar, querida Cochonilha?

“E então estaríamos uma ainda mais em cima da outra.” Ah, flor. Você fala como se fosse uma coisa ruim.

Fico pensando em como somos um microcosmo da guerra como um todo, você e eu. Uma ação e uma reação oposta e igual. Meu mundo élfico de vinhas-colmeias, como você disse, versus a sua distopia tecnomecânica. Nós duas sabemos que nada é tão simples, assim como a resposta a uma carta não é seu oposto. Mas qual ovo precedeu qual ornitorrinco? Os fins nem sempre se assemelham aos nossos meios.

Mas chega de filosofia. Deixe-me dizer o que você me disse, sendo direta: você podia ter me matado, mas não matou. Você agiu sem o conhecimento ou a sanção da sua Agência. Sua visão da vida em Jardim é tão cheia de estereótipos bobos que posso ler isso como uma tentativa calculada de provocar uma resposta mordaz e imprudente (o que é hilário, visto o tempo que demorei para fazer crescer essas palavras), mas dita com uma beleza tão cuidadosa que pareceu uma confissão verdadeira de ignorância e curiosidade.

(Nós temos mesmo um mel esplêndido: melhor se comido na densidade do favo, espalhado em pão quente com queijo macio, em uma parte fresca do dia. O seu povo ainda come? Ou são apenas tubos e nutrição intravenosa, metabolismos otimizados para comidas de filamentos distantes? Você dorme, Red, ou sonha?)

Também quero falar diretamente, antes que se acabem os anos dessa árvore, antes que os bons camaradas sob o seu comando façam armas de cerco com as minhas palavras: o que você quer com isso, Red? O que você está fazendo aqui?

Me diga alguma verdade ou não diga nada.

Atenciosamente,

Blue

PS. Eu fiquei emocionada com você ter se dado ao trabalho de pesquisar por minha causa. O guia da Sra. Leavitt é muito bom. Agora que você descobriu os pós-escritos, estou imaginando o que vai inventar com tinta aromatizada e lacres!

PPS. Não há truques aqui, nenhuma provocação. Mande lembranças minhas ao Genghis deste filamento. A gente ficava deitado observando as nuvens juntos quando éramos jovens.

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