É assim que se perde a guerra do tempo

Amal El-Mohtar e Max Gladstone · Capítulo 32 de 49

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É assim que se perde a guerra do tempo

Capítulo 32

Querida Blue,

eu queria poder te ver triunfar. Sabendo um pouco da sua missão, da natureza da sua integração, tendo gravado o som dos seus passos no coração, eu pressinto a mudança que você infligirá sobre nós. As estações mudam. Você estará livre… da sua recuperação e da sua tarefa. Eu serei enviada, sem dúvida, para desfazer o estrago que você causou. E nós vamos correr de novo, nós duas, fio acima e fio abaixo, bombeiras e incendiárias, duas predadoras saciadas apenas pelas palavras uma da outra.

Você ri, espuma do mar? Você sorri, gelo, e observa seu triunfo com a indiferença de um anjo? Uma fênix de chama safira, ressurgida, você ordena mais uma vez que eu contemple suas obras e me desespere?

Estou me distraindo. Falo sobre táticas e sobre métodos. Falo sobre como eu sei como eu sei. Crio metáforas para abordar pela tangente o enorme fato que é você.

Eu te envio esta carta de uma estrela cadente. A reentrada atmosférica vai marcá-la e testá-la, mas não vai derretê-la. Eu escrevo com fogo no céu, um mergulho para combinar com a sua ascensão.

Seus elogios me abalam, porque embora eu fale tão facilmente de certas coisas, embora eu corra por um terreno que para você parece minado, para mim é apenas terra. Mas sua última carta… eu sou tão boa em deixar passar certas coisas. Em me fazer não enxergar. Eu estou à beira de um precipício, e… que inferno.

Eu te amo, Blue.

Sempre te amei? Não?

Quando isso aconteceu? Ou sempre aconteceu? Como a sua vitória, o amor se espalha pelo tempo. Ele clama nossos contatos mais antigos, nossas batalhas e derrotas. Execuções se tornam declarações. Houve, com certeza, um tempo em que eu não te conhecia. Ou eu sonhei comigo, como tantas vezes sonhei com você? Nós sempre nos completamos, durante essa perseguição? Eu me lembro de caçar você em Samarcanda, emocionada em pensar que poderia tocar a ponta dos seus cabelos.

Eu quero ser um corpo para você.

Quero te perseguir, te encontrar, quero ser enganada e provocada e adorada; eu quero ser derrotada e vitoriosa… quero que você me corte e me afie. Eu quero beber chá ao seu lado daqui a dez anos ou mil. Flores crescem em um planeta longínquo que será chamado de Céfalo, e essas flores desabrocham uma vez a cada século, quando as estrelas vivas e seus buracos negros binários entram em conjunção. Eu quero fazer um buquê delas para você, juntá-las ao longo de oitocentos mil anos, para que você possa inalar todo o nosso compromisso em uma só respiração, todas as eras que formatamos juntas.

Estou divagando em rapsódia; minha prosa arroxeando. E ainda assim acho que você não vai rir, mas se risse, eu adoraria sua risada. Talvez eu tenha dado significado demais à palavra simples com a qual você fechou sua carta. (Mas eu nunca poderia dar significado demais a você, e a palavra que você escolheu não é simples.) Talvez eu esteja ultrapassando seus limites. E, para ser sincera, o amor me confunde. Eu nunca tinha sentido isso antes — já tive prazer no sexo; já tive amizades rápidas. Nada se compara a isso, que parece maior do que as duas coisas. Então me deixe dizer o que eu penso, da melhor maneira que posso.

Eu procurei a solidão quando era jovem. Você me viu lá: no meu promontório, paciente e ignorante.

Mas quando penso em você, eu quero ficar sozinha junto. Eu quero lutar contra e a favor. Eu quero viver em contato. Quero ser um contexto para você, e que você seja para mim.

Eu te amo, e eu te amo, e quero descobrir juntas o que isso significa.

Com amor,

Red

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