É assim que se perde a guerra do tempo

Amal El-Mohtar e Max Gladstone · Capítulo 3 de 49

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É assim que se perde a guerra do tempo

Capítulo 3

Água ferve em uma jarra de vidro dentro de uma máquina de ressonância magnética. Desafiando provérbios, Blue fica observando.

 

Quando Blue vence — o que ocorre sempre —, ela passa para a próxima. Saboreia suas vitórias em retrospecto, entre missões, lembra-se delas somente enquanto viaja (fio acima, para o passado estável, ou fio abaixo, para o futuro em frangalhos), como alguém recordando versos de poesias favoritas. Ela alisa ou enrola os filamentos da trança do tempo com a delicadeza ou a brutalidade requerida, e vai embora.

Ela não tem o hábito de se demorar, porque não tem o hábito de falhar.

A máquina de ressonância magnética está em um hospital do século XXI, notavelmente vazio — evacuado, Blue observa —, mas que também nunca foi extraordinário, aninhado no coração verde de uma floresta dividida por fronteiras.

Era para o hospital estar cheio. O trabalho de Blue era uma delicada questão de infecção — despertar o interesse de uma médica em particular para uma nova cepa de bactérias, fazê-la lançar as bases para guiar seu mundo para dentro ou para longe de uma guerra biológica, a depender de como o outro lado respondesse à jogada de Jardim. Mas a oportunidade sumiu, a brecha se fechou, e a única coisa que Blue encontra lá é a jarra rotulada LEIA AO FERVER.

Então ela espera ao lado da máquina de ressonância magnética, refletindo sobre as agonias da simetria na aleatoriedade da água — os ossos magnéticos assentados como óculos de leitura na face termodinâmica do universo, registrando cada florescer e cada explosão de moléculas antes de se transformarem. Uma vez traduzido todo o vapor d’água para números, ela pega a impressão com a mão direita, a chave, e encaixa na folha em sua mão esquerda, uma carta dispersa que é a fechadura.

Ela lê, e seus olhos se arregalam. Ela lê, e fica mais difícil extrair os dados das profundezas de seu punho cerrado. Mas ela ri também, e o som ecoa pelos corredores vazios do hospital. Não está acostumada a ser contrariada. Isso a diverte um pouco, mesmo enquanto medita sobre como deslocar uma fase de fracasso para oportunidade.

Blue rasga a folha de dados e o texto cifrado, depois ergue um pé de cabra.

No seu encalço, uma rastreadora entra nos escombros da sala do hospital, encontra a máquina de ressonância magnética e a invade. A jarra de água esfriou. Ela vira seu tépido líquido goela abaixo.

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