É assim que se perde a guerra do tempo
Capítulo 6
Querida Red, em Dente, em Garra,
você estava certa, eu ri. Sua carta foi muito bem-vinda. Me disse muito. Você me imaginou cuspindo fogo; sabendo como você repara em cada detalhe, pensei em pôr um diabinho para morar nele.
Talvez eu devesse começar com desculpas. Receio que este não seja o agouro que você estava esperando; enquanto ouve minhas palavras, talvez queira pensar um pouco sobre de quem eram os ossos flauteados que ecoam esta carta. O pobre peregrino com tanto futuro! Por que deixar um rastro de papel incriminatório quando podia desfrutar de destruir uma vantagem sua em uma sessão de entalhamento, e depois deixar o vento roçar um pouco de marfim?
Não se preocupe — ele viveu uma boa vida primeiro. Não a vida que você queria para ele, talvez — infeliz, mas útil à posteridade, abrigando os vulneráveis, batendo o ponto do futuro, uma nova vida por vez. Em vez de construir um eremitério, ele se apaixonou! Fez músicas gloriosas com seu companheiro, viajou largamente, tirou lágrimas de uma imperadora, derreteu seu coração de pedra, empurrou a história de um trilho para outro. O Filamento 22 cruza o Filamento 56, se não estou enganada, e em algum lugar fio abaixo um botão desabrochou tão belamente que é possível prová-lo.
Me sinto lisonjeada por toda a sua atenção. Tenha certeza de que a observei demoradamente enquanto você montava meu pequeno projeto de arte. Você vai ficar parada ou se virar bruscamente quando souber que estou lhe observando? Você vai me ver? Imagine que estou acenando, caso não veja; estarei longe demais para que você veja a minha boca.
Brincadeira. Já terei ido embora quando o vento fizer a curva. Mas fiz você olhar, não fiz?
Também imagino você rindo.
Espero a sua resposta,
Blue
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