Empreendedorismo na Prática: Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso

Caracterização da amostra

Neste capítulo, os resultados principais do estudo são apresentados e, com isso, há o esclarecimento de alguns mitos e muitas verdades sobre o empreendedor de sucesso brasileiro. O estudo de campo, a partir de entrevistas individuais com cada empreendedor, resultando em relatórios específicos de 5 a 15 páginas cada, foi realizado ao longo de quatro anos com 399 empreendedores.

Como já salientado, o objetivo central do trabalho foi levantar os

principais aspectos relacionados com o comportamento empreendedor e classificá-los de modo a permitir constatações sobre a existência ou não de características e comportamentos comuns nos casos de sucesso.

As várias questões abordadas com os empreendedores permitiram o

agrupamento de dados e informações em 18 diferentes categorias ou comportamentos considerados relevantes para a análise.

Uma das premissas do estudo para a realização de entrevistas em

profundidade foi o sigilo da identidade dos entrevistados, pois, em muitos casos, informações confidenciais foram apresentadas. Assim, nenhuma informação específica de um empreendedor em particular é apresentada. Isto, no entanto, não prejudicou a análise dos resultados e as conclusões aqui apresentadas.

 

Caracterização da amostra

 

A amostra conta com os vários tipos de empreendedores definidos no capítulo anterior. A maioria dos empreendedores está envolvida no próprio negócio (92%), mas há ainda empreendedores corporativos e aqueles envolvidos com negócios sem fins lucrativos e organizações não governamentais (ONG). Além disso, a amostra conta com personalidades nacionalmente reconhecidas, bem como profissionais não tão conhecidos. Porém, todos são considerados bem-sucedidos. O critério principal para esta classificação, no caso de empreendedores envolvidos no próprio negócio, foi um misto de objetividade e subjetividade.

A regra objetiva para a escolha desses empreendedores foi simples, mas

eficaz: o empreendedor deveria ser sócio ou o responsável principal pela gestão do mesmo negócio há pelo menos cinco anos. Este período foi escolhido com base em outros estudos internacionais sobre a maturidade de

empresas. Como muitos estudos internacionais1 e nacionais2 mostram que a taxa de mortalidade de empresas é alta nos primeiros cinco anos de sua existência, considerou-se este período como uma data de corte para empresas bem-sucedidas e, por consequência, gerenciadas por empreendedores bem-sucedidos. Ou seja, se o negócio possuía mais de cinco anos de existência, provavelmente tratava-se de um empreendimento de sucesso.

O outro critério, mais subjetivo, permitiu ao entrevistador definir se o

empreendedor à frente do negócio apresentava, aparentemente, características de um líder empreendedor ou apenas estava administrando sua empresa sem se preocupar em fazê-la crescer, mais preocupado com a sobrevivência que com a expansão. Este critério também foi aplicado no caso dos empreendedores corporativos. Assim, alguns empreendedores previamente selecionados foram desconsiderados para participar do estudo quando se verificou que um ou outro critério não estava em conformidade. Não houve restrições com relação à localização ou porte da empresa, desde que fossem identificados traços de comportamento empreendedor e os critérios citados fossem atendidos.

A maioria dos empreendedores entrevistados possui negócios de micro

e pequeno porte, atuando predominantemente em atividades de serviços e comércio. A amostra é formada também, em maior grau, por empreendedores com níveis avançados de educação formal, o que mostra a relevância da formação educacional para o sucesso.