Empreendedorismo na Prática: Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso

2. Tipos de empreendedores

Como foi adiantado no capítulo anterior, não existe um único tipo de empreendedor ou um modelo padrão que possa ser identificado, apesar de várias pesquisas sobre o tema terem como objetivo encontrar um estereótipo universal. Por isso é difícil rotulá-los. Por outro lado, este fato mostra que tornar-se empreendedor é algo que pode acontecer a qualquer um.

É bastante comum uma pessoa, ao ser questionada a dar um exemplo de empreendedor, lembrar-se daqueles

mais famosos, que têm exposição na mídia, que lideram grandes empresas e que em geral são bem-sucedidos financeiramente. Exemplos como Silvio Santos, Abílio Diniz, Samuel Klein, Luisa Helena são recorrentes. Mas a pergunta seguinte é se eles são natos ou se podem se preparar para ser empreendedores. E depois, se são influenciados pela família, se atuam no mundo corporativo, se são empreendedores sociais, profissionais liberais etc.

Portanto, há vários tipos de empreendedores, mas, como o tema empreendedorismo está em franca expansão e

disseminação, é provável que, com o passar dos anos, novas denominações surjam. Adiante, no Quadro 2.1, alguns exemplos e considerações para cada denominação de empreendedor são apresentados, tendo como pano de fundo

algumas possíveis categorizações, tais como: área ou setor de atuação, comportamento, objetivo financeiro etc.1

O empreendedor do negócio próprio é o tipo mais comum e, por isso, durante muitos anos, rotulou-se designar

o empresário, dono de uma empresa, como sinônimo de empreendedor e vice-versa. As várias definições apresentadas anteriormente mostraram que empreender vai além da criação e gestão da própria empresa. Mas como um dos objetivos deste livro é entender como pensa e age o empreendedor do negócio próprio, cabe analisar seus subtipos.

Assim, o empreendedor do negócio próprio pode ainda ser classificado em subtipos ou perfis que constituem

os vários grupos de indivíduos que buscam realizar seus sonhos criando e gerindo uma empresa. A maioria dos subtipos mais comuns é listada a seguir.

 

Quadro 2.1 Classificação de tipos de empreendedores

Empreendedor informal (necessidade)

Há vários exemplos que se enquadram nesta categoria, tais como pessoas que vendem mercadorias nas esquinas das ruas, em barracas

improvisadas, nos semáforos etc.; vendedores ambulantes; autônomos que prestam serviços diversos. O típico empreendedor informal é conhecido

na literatura como empreendedor de necessidade, pois cria o próprio negócio por não ter alternativa. Geralmente não tem acesso ao mercado de

trabalho ou foi demitido. Não resta outra opção a não ser trabalhar por conta própria. Envolve-se em negócios informais como os citados

anteriormente desenvolvendo tarefas simples, prestando serviços e conseguindo como resultado pouco retorno financeiro. É um grande problema

social para os países em desenvolvimento, pois, apesar de ter iniciativa, trabalhar arduamente e buscar de todas as formas a sua subsistência e a dos

seus familiares, não contribui para o desenvolvimento econômico. Na verdade, os empreendedores de necessidade são vítimas do modelo capitalista

atual, pois não têm acesso a recursos, à educação e às mínimas condições para empreender de maneira estruturada. Suas iniciativas

empreendedoras são simples, pouco inovadoras, muitas vezes não contribuem com impostos e outras taxas e acabam por inflar as estatísticas

empreendedoras de países em desenvolvimento como o Brasil. Sua existência em grande quantidade é um problema social. Empreendedor cooperado

Artesãos que se unem em uma cooperativa; catadores de lixo reciclável que criam uma associação para poder ganhar escala e negociar a venda do

que produzem/reciclam com empresas; o indivíduo que empreende seu pequeno negócio/propriedade rural e que se associa aos demais

empreendedores do mesmo ramo para, em conjunto, suprir a demanda de um laticínio, por exemplo. Ser um empreendedor cooperado é um

possível caminho a ser seguido para deixar de ser um empreendedor por necessidade.

Empreendedor individual

É o antigo empreendedor informal e de necessidade que, agora legalizado, começa a ter uma empresa de fato, contrata funcionários, pode crescer e,

quem sabe, deixará de ser um empreendedor individual para ser dono de um negócio maior. Ser um empreendedor individual pode transformar o

empreendedor de necessidade em empreendedor de oportunidade.

Empreendedor franqueado

O empreendedor franqueado é aquele que inicia uma empresa a partir de uma marca já desenvolvida por um franqueador; sua atuação é

local/regional e alguns dos setores que mais se destacam são alimentação, vestuário e educação/treinamento. O franqueador é um empreendedor

visionário que vê no modelo de negócio de franquias uma maneira de ganhar escala e tornar sua marca conhecida rapidamente.

Empreendedor social

O empreendedor social tem como missão de vida construir um mundo melhor para as pessoas. Envolve-se em causas humanitárias com

comprometimento singular. Tem um desejo imenso de mudar o mundo criando oportunidades para aqueles que não têm acesso a elas. Suas

características são similares às dos demais empreendedores, mas a diferença é que se realizam vendo seus projetos trazerem resultados aos outros e

não a si próprios. São um fenômeno mundial e principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil, têm um papel social extremamente

importante, visto que por meio de suas ações e das organizações que criam preenchem lacunas deixadas pelo poder público. Esses empreendedores

geralmente criam ou se envolvem com uma organização sem fins lucrativos para cumprir determinado objetivo social: educação a quem não tem

acesso, melhoria na qualidade de vida das pessoas, desenvolvimento de projetos sustentáveis, arte, cultura etc. O típico empreendedor social não

aufere lucro com a iniciativa, mas pode ser remunerado como um funcionário ou associado; mais recentemente, surgiu um modelo intermediário,

conhecido como setor dois e meio, no qual o empreendedor social busca cumprir seu objetivo de mudar e melhorar a sociedade em que vive e ainda

consegue auferir lucro com a iniciativa.

Empreendedor corporativo

São funcionários conscientes de seu papel na organização na qual trabalham e que trazem ideias e executam projetos que visem ao crescimento da

empresa no longo prazo; pessoas que inovam na empresa estabelecida, em todos os níveis hierárquicos. O empreendedor corporativo tem ficado

mais em evidência nos últimos anos, devido à necessidade das grandes organizações em se renovar, inovar e criar novos negócios. Em geral, são

executivos muito competentes, com capacidade gerencial e conhecimento de ferramentas administrativas. Trabalham de olho nos resultados para

crescer no mundo corporativo. Assumem riscos e têm o desafio de lidar com a falta de autonomia, pois nunca terão o caminho 100% livre para agir.

Isso faz com que desenvolvam estratégias avançadas de negociação. São hábeis comunicadores e vendedores de suas ideias. Desenvolvem seu

networking dentro e fora da organização. Convencem as pessoas a fazerem parte de seu time e sabem reconhecer o empenho da equipe. Sabem se

autopromover e são ambiciosos. Não se contentam em ganhar o que ganham e adoram planos com metas ousadas e recompensas variáveis. Se

saírem da corporação para criar o próprio negócio podem ter problemas no início, pois estão acostumados com as regalias e o acesso a recursos do

mundo corporativo.

Empreendedor público

São pessoas comprometidas com o coletivo, que não se deixam cair na monotonia por ter estabilidade no emprego; pelo contrário, querem melhorar

os serviços à população e propõem maneiras de utilizar os recursos públicos com mais eficiência; apesar do rótulo totalmente oposto ao

empreendedorismo que comumente é atribuído aos funcionários públicos, na verdade há muitos empreendedores públicos que fazem a diferença e

trabalham por um país mais justo e igualitário; não se pode confundir este empreendedor com os políticos que utilizam o conceito do

empreendedorismo para a autopromoção.

Empreendedor do conhecimento

Há inúmeros exemplos que se enquadram nesta categoria, tais como um atleta que se prepara com dedicação, planeja a melhor estratégia para

otimizar seu desempenho e executa com perfeição o que planejou realizando seu sonho em uma olimpíada; o advogado, dentista, médico, enfim, o

profissional liberal que quer fazer a diferença; o maestro que rege a orquestra com perfeição e entusiasma a audiência com o resultado obtido; o

escritor que estimula as pessoas a sonhar e viver o papel do protagonista da história.

Empreendedor do negócio próprio

O típico dono do próprio negócio é o indivíduo que busca autonomia, quer ser patrão e cria uma empresa “estilo de vida”, sem maiores pretensões de

crescimento, para manter um padrão de vida aceitável, que lhe atribua o status de pertencente à classe média. O problema é que o negócio “estilo de

vida” é de alto risco, visto que há muitos concorrentes fazendo o mesmo e tentando conquistar os mesmos clientes. O empreendedor do negócio

próprio que pensa grande também arrisca, mas pode construir algo duradouro e que eventualmente muda o mundo, ou pelo menos a sua região,