Empreendedorismo na Prática: Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso
10. Modelos de referência
“Meu avô era proprietário de uma alfaiataria, talvez
inconscientemente ele tenha me influenciado.”
(Empreendedor do ramo Odontológico)
“Meu pai veio de uma família bastante humilde e conseguiu, mesmo
sem os mínimos recursos, se estabelecer e prosperar.”
(Empreendedor do ramo de Comércio e Serviços de Informática)
“Meu pai era um grande empreendedor. Comprou um sítio com duas
cabeças de gado no interior de Minas e, quando morreu, deixou 50
alqueires de terra, com 1000 cabeças.”
(Empreendedor do ramo Publicitário)
“Eu sou o único empreendedor da família.”
(Empreendedor do ramo de Construção)
10. Modelos de referência
Em um primeiro olhar sobre os resultados deste tópico, nota-se que os principais modelos de referência, ou seja, pessoas que representaram fonte de inspiração aos empreendedores iniciantes, são familiares ou empreendedores de sucesso amplamente reconhecidos. Observando-se, porém, com mais cautela, atrai a atenção o fato de que os empreendedores de sucesso buscam, na verdade, referências em pessoas próximas a seu conhecimento e/ou convívio. Basta atentar para a soma das respostas relacionadas com “familiares” com as respostas associadas a “empreendedores da região/círculo de convívio”, que supera a marca de 56% dos casos.
Modelos de referência
(Admite mais de uma opção)
Critério Absoluto Relativo (%)
Familiares 39 43,82
Empreendedores de sucesso 28 31,46
Não teve 11 12,36
Empreendedores da região/círculo de convívio 11 12,36
Outros 7 7,87
Amigos 4 4,49
Sócios 3 3,37
Total de entrevistas 399 100,00
Entrevistas válidas 89 22,31
“Eu sempre fui empreendedor e cresci vendo meu pai liderando o seu
próprio negócio.”
(Empreendedor do ramo de Assessoria de Marketing)
“Principalmente meu pai, pela rara combinação de perseverança e
honestidade.”
(Empreendedor de Comércio de Produtos de Informática)
“Quem realmente me inspirou foram meus sócios e meu ex-chefe.”
(Empreendedor do setor Financeiro e Câmbio)
Entre os grandes empreendedores que foram citados como modelo de
referência, nomes como os de Antônio Ermírio de Moraes, Silvio Santos, Lee Iacocca, Akyo Morita e Samuel Klein ganham destaque. Este fato ilustra a importância e responsabilidade que empreendedores de sucesso nacional e internacional passam a carregar involuntariamente, servindo de exemplo para aqueles que iniciam a jornada empreendedora.
“Fui inspirado também por grandes empresários brasileiros: Silvio
Santos e Antônio Ermírio de Moraes, entre outros, além de uma
constatação de que todas as empresas tipo S.A., um dia, foram apenas
ideias na cabeça de um empreendedor.”
(Empreendedor do setor de Máquinas Inteligentes)
“Valorizo os que se arriscam e são determinados. Esqueci o nome do
dono da GOL, mas gostei muito de suas ideias e atitudes.”
(Empreendedor do setor de Bebidas e Entretenimento)
“Eu me inspirei em Antônio Ermírio de Moraes, tenho vontade de
conhecê-lo pessoalmente.”
(Empreendedor do ramo de Paisagismo)
Cai o mito do empreendedor nato...
Para ser empreendedor a pessoa precisa nascer com este dom? Nem sempre... O empreendedor
nato já foi definido no capítulo anterior, mas o que chama a atenção sobre este tipo de
empreendedor é que ele geralmente não possui um modelo de referência a ser seguido, mas, ao
contrário, parece que “nasceu pronto” e torna-se um modelo para os outros seguirem. Em nosso
estudo, pouco mais de 12% dos empreendedores enquadram-se na categoria dos que não
possuíam nenhum modelo de referência, o que não nos permite dizer que são natos apenas por
esta constatação.
Por outro lado, quanto ao empreendedor que não tem uma referência clara a seguir, nem
da família nem do mercado, é muito provável que seja o self-made man ou o nosso
empreendedor nato, que se impõe desafios, que cria as próprias referências, que se inspira no