Empreendedorismo na Prática: Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso

Análises Cruzadas

 

Além das análises individuais por características, algumas análises cruzadas foram realizadas a partir dos resultados do estudo e são apresentadas a seguir.

 

Planejamento (geral)

 

O gráfico a seguir traça um comparativo geral entre os empreendedores entrevistados que utilizaram algum tipo de planejamento (formal ou informal) e aqueles que apenas seguiram a intuição. Foram escolhidas para esta análise as principais variáveis que eventualmente poderiam ser influenciadas pelo planejamento ou pela falta dele.

O que se percebe no gráfico é que a maioria das variáveis não se

mostrou tão sensível ao planejamento. Nota-se claramente que as variáveis analisadas não divergem muito entre os que planejaram e os que seguiram puramente a intuição.

A principal diferença está relacionada com a “visão de longo prazo”,

indicando que o planejamento contribui para este aspecto. Entre os empreendedores que seguiram apenas a intuição, apenas cerca de 1% considera possuir visão de longo prazo, enquanto aproximadamente 14% dos que planejam possuem esta característica.

Aqueles que planejaram também estudam mais o mercado em que

pretendem atuar (19% contra apenas 8%) e, em mais de 41% dos casos, avaliaram a oportunidade identificada, enquanto, entre os que seguiram puramente a intuição, aproximadamente 33% fizeram a avaliação.

O empreendedorismo de necessidade,* por sua vez, está mais presente

entre os que não planejaram, em 12,22% dos casos, contra cerca de 4% entre os que fizeram algum tipo de planejamento. O planejamento contribui também para a formação de uma visão de negócios e estimula o empreendedor a calcular riscos, já que estes estão mais presentes nestas variáveis com vantagem de 6,60% e 6,14% perante os que não planejam.

Considerando as mesmas variáveis do anterior, este gráfico traz um

recorte das diferenças entre os que planejaram informalmente e os que utilizaram o plano de negócios ou alguma outra ferramenta de planejamento.

Neste caso, percebe-se que o planejamento informal destaca-se

levemente (3,9%) entre os que identificaram oportunidades, mas um plano formal contribui mais para sua avaliação (7,3%). Os que planejam formalmente possuem mais apetite para risco e têm maior propensão a calculá-los (8%).

Os empreendedores que não elaboraram um plano formal são também

mais bem relacionados e possuem mais experiência no ramo de atuação, condições que provavelmente lhes permitem menor grau de dedicação ao planejamento. A visão de negócios, por sua vez, parece mais consolidada entre os que elaboraram um planejamento estruturado, possivelmente por fazê-los estudar e compreender melhor as questões relativas ao novo negócio. Os que planejam formalmente são também mais visionários e antecipam-se aos fatos em mais casos do que aqueles que possuem o plano “na cabeça”.