Empreendedorismo na Prática: Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso
3. Oportunidade
“Fiquei surpreso. Fui visitar um amigo e voltei com uma proposta que
poderia mudar minha vida: eu, desempregado, e ali estava, além da
oportunidade de trabalhar, a de viabilizar meu sonho de futuramente
ter meu negócio próprio. Voltei para casa, estudei a proposta e,
rapidamente, respondi que sim.”
(Empresário de Revistaria)
“Quando percebi que a burocratização nestes órgãos era muito
grande e que existia demanda por esses serviços, resolvi usar a minha
rede de contatos para montar o meu empreendimento. Tinha certeza de
que o relacionamento seria essencial para que eu tivesse sucesso e
não errei.”
(Empresário de Assessoria Jurídica)
“Em uma conversa com amigos, surgiu a proposta de associação, com
aporte de capital que proporcionaria o investimento em um Software
de Gestão de Apólices, fator este que otimizaria os trabalhos e
minimizaria erros, perdas de prazo, entre outros.”
(Empresário de Corretora de Seguros)
3. Oportunidade
A percepção e aproveitamento de oportunidades são características marcantes do empreendedor de sucesso. Apenas cerca de 1% crê que a “sorte” de estarem no lugar e momento certos foi propulsora do empreendimento. Na maior parte dos casos, os empreendedores não só identificaram e aproveitaram oportunidades, como se mostram sempre atentos a elas.
Oportunidade
(Admite mais de uma opção)
Critério Absoluto Relativo (%)
Aproveitou a oportunidade 244 77,71
Está sempre atento a oportunidades 132 42,04
Avaliou a oportunidade 128 40,76
Outros 93 29,62
Amigo/familiar ofereceu oportunidade 27 8,60
Necessidade gerou oportunidade 23 7,32
Estava no lugar e momento certos 5 1,59
Total de entrevistas 399 100,00
Entrevistas válidas 314 78,70
“Cada pessoa se depara com uma possibilidade na vida e, não tendo
outra, dedica todos os esforços naquele único trajeto disponível,
principalmente se o caso é a sobrevivência. Meus familiares
caminharam dessa mesma forma. As oportunidades estão por aí,
soltas no tempo e no espaço. Perceber estas oportunidades,
associando-as a um sonho e ao desejo de transformá-las em realidade
é que faz do empresário um empreendedor.”
(Empresário de Indústria de Máquinas Inteligentes)
“A oportunidade bateu à minha porta e eu não a deixei passar. Sabia
das necessidades dos sitiantes e fazendeiros, sabia se tinham ou não
dinheiro e, como estava na cidade, conhecia onde e como satisfazer as
suas necessidades.”
(Empreendedor de Concessionária de Veículos)
Apesar da vocação em encontrar e tirar proveito das oportunidades, sua
avaliação nem sempre é possível e, nesses casos, para não deixá-las passar, o empreendedor assume riscos e encara o mercado:
“O ideal é você planejar e estudar antes a respeito do negócio no qual
vai entrar; o que ocorreu comigo e ocorre em vários casos é que a
oportunidade apareceu antes de um estudo, de um planejamento, e aí
a decisão é arriscar ou não; não há muito tempo para se decidir;
essas oportunidades escapam rapidamente. Eu contava com meu
antigo conhecimento, afinal, já havia trabalhado no ramo. Confiei na
minha intuição, de que daria certo...”
(Empreendedor de Revistaria)
Apesar de não aparecer com tanta ênfase na amostra pesquisada, os
familiares e amigos contribuem diretamente para a configuração e uso da oportunidade. Tanto a sucessão natural quanto o bom relacionamento geram e/ou potencializam oportunidades. Foi possível perceber ainda que situações de necessidade também motivaram empreendedores a buscar identificar oportunidades reais no mercado:
“A oportunidade surgiu a partir da ideia de um amigo, até então ‘não
empreendedor’, mas muito criativo e interessado por tecnologia.”
(Empreendedor de Lan House)
“Após alguns meses de busca por oportunidades, conseguiu fechar seu
primeiro contrato com uma rede de restaurantes que chegava ao
Brasil para um front light na parede de um prédio por um período de
dois anos.”
(Empreendedor do setor de Comunicação)
“A oportunidade surgiu de um amigo, que me fez a seguinte proposta:
‘tenho um cliente que confia em minhas atitudes e proponho que você
seja o responsável em desenvolver para ele um projeto que venha a
surpreender os pontos de que necessita. O seu aceite e sucesso no
desenvolvimento desse projeto poderá transformar este nosso encontro
em um grande negócio no futuro’.”
(Empreendedor do setor de Agenciamento Marítimo)
“Como não apareceu nenhum emprego, o jeito foi montar um negócio.
Conversando com um colega da academia, surgiu uma oportunidade:
a de montar uma loja de roupas, moletom, com a marca Jai-Alai,
nome de um jogo de pelota basca, jogado nos Estados Unidos.”
(Empreendedor do setor de Comércio de Confecções)
“A hora faz o empreendedor; a minha oportunidade foi a
necessidade.”
(Empreendedor do setor de Máquinas e Equipamentos)
Cai o mito da sorte...
Talvez este seja um dos mitos mais conhecidos e pouco explicados sobre os empreendedores. É
comum ouvirmos que “sorte” é essencial... Mas nossa pesquisa mostra que a maioria dos
empreendedores não considera a sorte um diferencial ou ainda algo que os fez bem-sucedidos.
A sorte está ligada à probabilidade, como o que ocorre em jogos de azar, a algo que não
depende da pessoa para acontecer. É claro que contar com sorte não é ruim e pode até ser
importante, mas o empreendedor não pode depender da sorte para fazer acontecer.
Para ganhar na loteria é preciso jogar na loteria e contar com a probabilidade. Tem gente
que reclama que não ganha nunca, mas também nunca joga e, dessa forma, a probabilidade
não só é pequena (como ocorre para os que jogam), mas nula.
Para conseguir um bom emprego não basta apenas pensamento positivo; há que se
preparar, ter um bom currículo, vencer a concorrência... E a sorte? A falta de sorte é sempre o