Empreendedorismo na Prática: Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso

Prefácio

 

 

O homem, na sua presunção de conquistador da Terra, está montado na consciência de que pode compreender todos os fenômenos físicos e os desígnios da Mãe Natureza. Todavia, a moderna ciência, dotada de instrumentos tecnológicos avançados, vem demonstrando todos os dias que isto não é verdade, insistindo por meios indiretos de que a raça humana deveria ser mais humilde, mais modesta, quando tenta qualquer interpretação mais generalizada.

Do mesmo modo, focando os homens e mulheres deste mundo imenso

também em cada dia compreendemos que a sociedade humana é extraordinariamente complexa, cabendo, do mesmo modo, respeito e cuidado, pensar muito e buscar entender que precisamos de atenção e cautela para abordar qualquer comportamento ou aspiração desenvolvida pela vontade de um único ser humano.

Isto posto, podemos arguir e perguntar:

Por que algumas nações, grupos sociais, instituições e empresas

avançam e prosperam? E por que outras não?

Respostas, sabemos, existem! No entanto, a constatação é a de que

ainda não tem sido possível colocar tudo em simples fórmulas ou em mecanismos comuns, facilmente adaptados às diferentes condições operativas encontradas neste mundo diversificado, cada vez mais rápido.

O Professor José Dornelas, neste seu livro, procurou ir fundo,

entrevistando muitos e pensando acentuadamente em como poderia generalizar métodos e processos para materializar uma das iniciativas, possivelmente a mais importante no sentido de gerar riquezas e oportunidades: o empreendimento. Sabendo que os esforços para empreender estão na raiz da resposta da pergunta “por que alguns prosperam e crescem”, colocou seu esforço em consolidar algumas regras básicas e práticas que poderiam ajudar aqueles que, desejando correr riscos, tentam criar seu próprio espaço nos amplos espaços abertos pelas modernas sociedades implantadas nos países desde o início da idade moderna.

Com o imenso progresso da tecnologia das comunicações, o mundo

parece hoje menor do que ontem. Sabemos o que está acontecendo no outro lado do Globo de modo instantâneo e com informações completas como não se conseguia há alguns anos. Uma nova ideia aqui pode já ter sido posta em prática acolá, implementando algo que se consagrou chamar de “competitividade” e que se apresenta entre nós de forma intensa e direta. O tremendo impacto da competição pode ser medido e sentido como resultado da enorme dinâmica da troca das riquezas entre nações e empresas. O resultado disso é que, neste mesmo momento em que estas frases estão sendo lidas, uns ficam mais ricos e ganham; outros, perdem.

São muitos os estudos que geraram os conceitos de base para estas

ideias e muitos deles – consagrados intensamente pelos estudiosos – concentram-se na identificação das chamadas “vantagens competitivas” que podem ser conseguidas e exercidas pelo setor produtivo, por pessoas ou países. Aqueles que coletaram e puderam concentrar um maior número dessas vantagens, operando com eficiência e qualidade em nichos de oportunidade e de mercado identificados, chegaram a conquistar uma boa parcela de sonhados e perseguidos sucessos.

No entanto, a maior vantagem competitiva de qualquer nação ou

organização sem dúvida é o ser humano, educado com qualidade, preparado e motivado. De sua cabeça saem ideias de êxito ou caminhos que levam ao sucesso. Daí a importante necessidade da educação e do treinamento dos cidadãos e dos povos, em quantidade e em qualidade. O poder avassalador do conhecimento tem sido decantado, de todos os modos e por todos. Surge, no entanto, a frustração de que, a despeito de tudo o que se procurou fazer ou materializar no setor do ensino, sempre tem sido insuficiente. Realmente, se isto efetivamente se constitui em um problema, sem dúvida, ao mesmo tempo, abre espaço para enormes oportunidades.

É exatamente neste insumo fundamental para o progresso humano que

se concentrou o Professor José Dornelas, quando decidiu produzir este livro. Ele não se limitou a produzir informações, mas procurou, com carinho e dedicação, identificar métodos, processos, comportamentos das e para as pessoas, analisando e buscando passar à compreensão do leitor alternativas para a concepção e montagem de cenários, com base em uma impressionante quantidade de experiências vividas.

Em cada página foi colocado esforço para construir caminhos na

direção do sucesso. Mais do que isto, fornecer argumentos para a “fabricação” de pessoas que, entendendo como outros conseguiram, pudessem criar empreendimentos duradouros e contributivos ao êxito de sua região e do próprio país. O nosso autor fez a si próprio uma proposta nada fácil! No entanto, conseguiu dar uma contribuição significativa.

A prosperidade das nações mais ricas, e que concedem aos seus povos

melhor qualidade de vida, logrou-se devido à indução e à preparação dos seus cidadãos para que fossem mais ricos via discernimento e capacidade de empreender. Isso somente foi possível como consequência de significativos investimentos em educação, cultura e desenvolvimento científico e tecnológico. O contínuo poder de criação e da geração de novos produtos e serviços, identificado nos países de êxito social e econômico, mostra que, quando há um contexto para o trabalho em ambiente de liberdade e de estimulantes incentivos à inovação, os resultados são muito melhores do que aqueles encontrados em sociedades, como a nossa, ainda muito dependentes de conhecimento externo e de intenso dirigismo governamental. Estudos realizados por diferentes pesquisadores mostram expressiva conexão entre a liberdade de criar e prosperar e o êxito econômico das nações.

Se tentarmos olhar para o futuro, embora considerada uma proposta

difícil, não seria uma extrapolação visionária dizer-se que o Mundo, mesmo com as dificuldades econômicas que parecem colocar pesado véu de fumaça ante os nossos olhos, está vivendo uma fase de prosperidade, claramente sem precedentes no passado. A humanidade conseguiu entrar em um período de geração de conhecimentos que poderá dobrar a cada década, ou menos, e que pode abrir perspectivas para trazer progresso para bilhões de pessoas em todo o planeta, desde que se alterem padrões básicos de comportamento e de caráter cultural.

A partir de anos recentes tem sido possível identificar transformações

realmente espetaculares e que já estão moldando o futuro. Nos países mais desenvolvidos, novas tecnologias trouxeram grande aumento da produtividade e determinaram altos valores de crescimento absoluto. Tudo indica que a evolução do conhecimento humano vai continuar a dar dramáticas contribuições ao crescimento e ao progresso econômico de regiões extensas e de suas populações. Países, como o nosso, populoso e de grandes dimensões geográficas, não podem ficar à margem desse processo que pode ser considerado de mudanças realmente alucinantes. Muito ao contrário, temos as melhores condições de superar outras nações menos aquinhoadas.

Temos de confiar que podemos enfrentar o desafio e participar deste

cenário estimulante e provocante. Dizem os chineses que o melhor momento para se buscar oportunidades é durante as crises. Assim, neste início de novo século, as nações mais desenvolvidas estão forjando trajetórias baseadas nos avanços da cultura, da ciência e da tecnologia, mostrando com clareza que o desenvolvimento vem da liberdade para empreender e do crescimento do cidadão. O papel reservado para o Estado deve ser o de estimular e garantir as condições operativas de uma sociedade eficiente e parceira dos criadores de riqueza.

Em resumo, abertura, liberdade econômica, reestruturação,

planejamento de longo prazo, respeito aos cidadãos e estímulos aos geradores da riqueza nacional, em qualquer dos seus segmentos, são com clareza a regra do jogo mundial. As nações que adotaram as fórmulas da desregulamentação, da privatização, facilitação aos investimentos e corte do tamanho do Estado – atingindo, por consequência, a eliminação ou a redução dos déficits públicos – tiveram sucesso. Infelizmente, no nosso país ainda não fomos capazes de encontrar tal caminho. No entanto, sejamos otimistas e vamos trabalhar duramente, cada um contribuindo com sua parte – por menor que seja – para que possamos mudar este quadro e ver o Brasil prosperar e crescer.

O Professor José Dornelas, com seu imenso trabalho de pesquisas e de

coletânea de experiências, agora nos oferece muito. Posso, portanto, agradecer a honra que me concedeu de redigir este prefácio. Espero que, nas mãos daqueles que venham ter a oportunidade de lê-lo, ele possa ser útil. Do mesmo modo, como o autor, desejo que o esforço feito – mesmo para aqueles leitores que encontrem lacunas, que certamente existirão –, sirva para que pelo menos suas reflexões sejam usadas e que os pensamentos delas gerados persuadam os leitores a prosseguir com seus empreendimentos, no objetivo de coletar maior concórdia, harmonia e competência, usando tudo isto como ferramentas e instrumentos para ligar milhões de homens e mulheres permanentemente à luta e ao trabalho para vencer.

 

Ozires Silva

 

Reitor da Unimonte e presidente do Conselho de

Administração da Anima Educação. Engenheiro formado

pelo ITA. Já ocupou a presidência de empresas como

Embraer (da qual também foi fundador), Petrobras e Varig.

Também ocupou o Ministério da Infraestrutura.

 

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