Empreendedorismo na Prática: Mitos e Verdades do Empreendedor de Sucesso
11. Sócios
seu próprio talento e que não deixa de ser bastante egocêntrico. É difícil definir o empreendedor
nato, mas é fácil identificá-lo. Em nosso estudo, alguns dos empreendedores entrevistados são
bastante conhecidos dos brasileiros e enquadram-se na definição do empreendedor nato.
Como a minoria dos empreendedores encaixa-se nesta definição, não deixa de ser um mito
o fato de achar que apenas os natos conseguem ter sucesso. Nosso estudo comprovou isso,
mostrando que qualquer um, a princípio, pode ser um empreendedor de sucesso e que muitas
variáveis influenciarão os resultados da empreitada. Aqueles que não tiveram o privilégio de já
nascer com este dom podem adquirir habilidades empreendedoras com o passar do tempo,
mudar suas atitudes em direção a um comportamento mais empreendedor, aprender técnicas
de gestão essenciais para aplicar no negócio próprio e utilizar-se da própria experiência de vida
para fazer acontecer. Tanto isso é verdade que muitos empreendedores de sucesso começaram
suas atividades empresariais depois dos 50, 60 e até 70 anos. Ou seja, nunca é tarde para
empreender! Apesar do fascínio que os empreendedores natos causam na maioria das pessoas e
do fato de que realmente são indivíduos diferenciados, a generalização de que para
empreender é necessário ser nato é mais um mito que uma constatação, pois estes são exceções
à regra.
11. Sócios
Nos casos de sucesso, os empreendedores buscam sócios que complementam suas habilidades, agregando valor ao negócio, e não apenas para dividir seus riscos.
Sócios
(Admite mais de uma opção)
Critério Absoluto Relativo (%)
Complementam as habilidades 134 47,69
Sociedade prosperou 115 40,93
Outros 90 32,03
Amigos/familiares 85 30,25
Sociedade não prosperou 57 20,28
Sócio capitalista/investidor 26 9,25
Não teve sócios/sócios apenas “no papel” 15 5,34
Não complementam as habilidades 14 4,98
Total de entrevistas 399 100,00
Entrevistas válidas 281 70,43
“Eu gosto de tecnologia, mas não como meu sócio, que é fanático por
isso. Eu faço o balanceamento, levo para o lado prático, enquanto ele
leva para o lado tecnológico.”
(Empreendedor do setor de Softwares e Tecnologia da Informação)
“A incapacidade de admitir sócios poderá ser, desde logo, uma
demonstração de não saber dividir, de egoísmo, que não pode nem
deve estar presente em negócios; afinal, comércio é a arte de trocar
com ganhos de valor. Saber escolher sócios não é uma ciência exata,
mas é fundamental verificar a compatibilidade pessoal, de princípios
morais e éticos. O resto acontece normalmente. As relações humanas
sempre são muito cansativas para não se observar o mínimo de
fundamentos que permitirão uma relação se sustentar.”
(Empreendedor do setor de Serviços de Internet Corporativa)
“Em um primeiro momento, começamos o negócio com três sócios.
Depois de lançado o site convidamos ainda um amigo com mais
experiência financeira.”
(Empreendedor de Portal Eletrônico)
“Na empresa de consultoria, minha sócia controlava a administração
das finanças, funcionários e contabilidade. Na empresa de
desenvolvimento de softwares, meus sócios contribuíram com suas
habilidades em desenvolver softwares.”
(Empreendedor do ramo de Telemarketing)
O estudo mostra ainda que um número maior de sociedades prosperou
nos empreendimentos de sucesso. Em apenas cerca de 20% dos casos houve problemas e cisão de sociedade. Cabe acrescentar a esta análise que a questão de prosperidade entre os sócios não foi estimulada, ou seja, os apontamentos pelos entrevistados foram espontâneos, de modo que nem todos responderam a este quesito.
“Sem sócio seria inviável uma pequena empresa com recursos
limitados poder atingir seus objetivos.”
(Empreendedor do setor Imobiliário)
“Os sócios podem contribuir para o crescimento do negócio, pois
cada um tem uma visão diferente sobre o mesmo assunto e isto
contribui fortemente para uma tomada de decisão, além de
compartilhar os riscos.”
(Empreendedor do ramo de Assessoria Jurídica)
“Mais cabeças pensantes, melhores ideias e melhor desenvolvimento.”
(Empreendedor do ramo de Assistência Técnica em Informática)
“A minha sócia é fundamental para gerenciar a empresa nas minhas
muitas viagens e diferentes projetos.”
(Empreendedor do setor de Calibração de Equipamentos)
“Pode parecer atípico, mas o fato de sempre existir uma divisão de
comando nos negócios foi benéfico tanto para o lado profissional
quanto para o lado pessoal, o que possibilitou um pouco mais de
qualidade de vida para os envolvidos.”
(Empreendedor do ramo de Turismo)
Outro aspecto bastante comum é a participação de parentes nas
sociedades e isso ocorre, em grande medida, por se tratarem de pessoas de confiança. Nesta categoria de sociedade, cerca de 43% complementam habilidades com os empreendedores entrevistados.
“É fundamental identificar sócios com os mesmos valores pessoais.
Isso assegura a longevidade da relação.”
(Empreendedor do setor de Entretenimento)
“Hoje somos quatro sócios. A sociedade, como tudo na vida, é muito
boa desde que bem estruturada, com regras claras, com respeito. Isso
tudo cria uma sinergia muito forte, além de dividir decisões em
conjunto, o que dá mais segurança.”
(Empreendedor serial: diversos negócios)
“Começamos eu e meu irmão do meio e, então, houve a necessidade
de trazermos meu sobrinho para trabalhar na parte de sistemas... Eu
cuidei da parte financeira, meu irmão do meio ficou com a parte
comercial, nosso irmão mais velho cuidou da parte contábil e nosso
sobrinho ficou responsável pelo sistema da empresa.”
(Empreendedor que atua em diversos setores)
“Os meus sócios são os meus filhos, cada um se direcionou para uma
área, e assim completaram minhas deficiências e otimizaram os
processos com os conhecimentos técnicos adquiridos nos cursos de
graduação e extensão.”
(Empreendedor do ramo de Produtos Promocionais)
Cai o mito de que ter sócios não é bom...
Um grande mito que envolve os empreendedores é o de que estas pessoas diferenciadas, que
assumem riscos, que não se contentam com a mesmice, são autossuficientes, não precisam de
sócios, ou seja, são “super-homens” ou “mulheres maravilha”.
Isso ocorre porque é comum observarmos exemplos de empreendedores de sucesso em
jornais, revistas, livros, programas televisivos, internet, entre outras mídias, com foco excessivo
no empreendedor de forma individual. É claro que as empresas de sucesso sempre tiveram em
sua gênese alguém especial que vislumbrou o que a empresa seria um dia e acreditou que
poderia construir uma grande organização. Mas ninguém faz isso sozinho e nosso estudo
comprova esse fato.
Na verdade, o que diferencia o empreendedor de sucesso dos demais que tentam e não
atingem grandes patamares de desempenho é que os primeiros se cercam de pessoas especiais,
também empreendedoras, e que formam uma equipe que faz acontecer.
O trabalho em equipe é essencial para o sucesso em empreendedorismo e isso não é
discurso, é fato. O empreendedor que pretende construir uma empresa com grande potencial de
crescimento deve, em primeiro lugar, buscar responder às perguntas: quais são meus pontos
fortes? Quais são meus pontos fracos? Que pessoas devo trazer para o negócio que
complementem meu perfil, ou seja, que tenham pontos fortes que supram meus pontos fracos?
É claro que não é simples formar uma sociedade, que não é fácil encontrar sócios com
perfis complementares aos seus, mas esta é uma das primeiras “lições de casa” do
empreendedor. Se você não identificar pessoas com perfis complementares aos seus para
formar uma sociedade, tome cuidado, pois muitos negócios têm problemas no relacionamento
entre sócios justamente pelo fato de a sociedade ter sido determinada não por critérios de
complemen-tariedade, mas por questões apenas de empatia, por laços familiares,* entre outros
motivos.
Sociedade é importante, é essencial e determinante para o sucesso de qualquer negócio.
Por isso, deve ser tratada como assunto sério, recebendo a devida atenção do empreendedor.
Não cometa o erro da maioria, que acredita que sócio é algo complicado, que sempre está