Flores de Chumbo

Aj Tolissano e Elis Barroso · Capítulo 14 de 30

Páginas do PDF

Flores de Chumbo

Capítulo 13

 

Olhei a estação à procura do passado para o último aceno.

NA ESTAÇÃO

Mal dormi naquela noite com medo de perder a hora, não podia pedir a Bá para me acordar porque ela poderia dar alguma bandeira, além de correr o risco de sobrar para ela depois. Eu precisava estar às 5h30 na estação, levantei às 4h, me vesti rapidamente, deixei uma carta sobre o criado mudo e desci pé ante pé pela casa ainda escura. Na saída minha mala esbarrou em um porta-retratos que espatifou-se no chão, fiquei apavorada, mas ninguém apareceu. Continuei meu caminho até a estação. Cheguei às 05h27, de longe avistei Matias que andava de um lado para o outro demonstrando total nervosismo.

— Glorinha do céu! Você quer me matar do coração, já se passaram mil coisas na minha cabeça, o trem sai em três minutos.

Pude perceber que suas mãos tremiam e ele estava molhado de suor mesmo com o frio de julho.

— Desculpe querido! Fique calmo, em breve estaremos longe daqui.

Matias pegou minhas malas e entramos no trem à procura de nosso lugar, nós íamos de segunda classe, no momento tínhamos que economizar o máximo possível.

— Eu trouxe as joias que eram de minha avó, temos que procurar por lá um lugar que pague um preço aceitável senão vamos perder dinheiro.

Eu estava com as joias em uma bolsa de mão, não deixei no compartimento de bagagem com receio de fosse extraviada.

— Só iremos vendê-las caso haja uma emergência.

—Eu preciso ajudar de alguma forma, não quero ser um peso.

— Minha querida Glorinha, você nunca será peso para mim, ainda não entendeu que te amo?

Matias beijou minha mão carinhosamente olhando em meus olhos. Ele conseguia me transmitir segurança mesmo em momentos de caos.

Pontualmente às 5h30m o trem apitou, se moveu não mais que cinco metros e parou. Aquilo me deu uma angústia, um aperto no peito. Olhei pela janela e vi a cavalaria policial.