Flores de Chumbo

Aj Tolissano e Elis Barroso · Capítulo 21 de 30

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Flores de Chumbo

Capítulo 20

 

Quisera beber suas palavras tal qual moribundo se apega às últimas gotas do frasco do

boticário.

O BILHETE

Depois da cerimônia fomos para casa recepcionar os convidados, havia muita gente da alta sociedade. Olhei ao redor em busca de um rosto amigo, mas não havia nenhum. Senti-me só mesmo estando rodeada de tanta gente.

Meu pai e minha mãe colocaram suas máscaras de sorrisos e puseram-se à entrada. Augusto estava a conversar com o Sr. Oliveira Botelho, presidente da província do Rio de Janeiro.

Resolvi ir à biblioteca ler o bilhete que Matias me enviara, caminhei entre os convidados alguns me interrompiam os passos com cumprimentos de desejos de uma vida feliz. Tudo que eu queria era alcançar a biblioteca, por fim entrei, retirei de entre os seios o pequeno papel dobrado.

— O que tens na mão?

Assustei-me ao ver Augusto atrás de mim.

— Não é nada.

Tentei agir naturalmente, mas meu coração parecia que saltaria pela boca a qualquer momento.

— Dê-me!

Falou secamente estendendo a mão aberta. Eu permaneci imóvel. Ele arrancou bruscamente o bilhete de minha mão. Augusto abriu, leu, seu rosto ficou vermelho, pude ver a raiva desenhada em cada linha que se formou em seu rosto.

Ouvi o baque surdo do tapa, senti o peso da sua mão em minha cara, desestabilizei e caí sentada no chão. A pele ardia, fiquei ouvindo um zumbido, a cabeça doía, mas a dor maior era a de não saber o que Matias queria me dizer. Fiquei um tempo sentada no chão remoendo minhas dores, sentindo as ardências da alma.

Uma voz me dizia que o futuro havia partido sem mim.