Flores de Chumbo
Capítulo 14
Ao apontar a sujeira do outro camuflam suas próprias imundícies.
PEGA LADRÃO
Houve um grande burburinho no trem, os policias invadiram como quem procurava um criminoso. Fiquei nervosa.
— Calma Glorinha! Não há de ser nada.
Matias segurou minha mão tentando me acalmar, mas eu podia perceber que ele também estava nervoso com a situação.
Tentei relaxar o que era impossível naquele momento. Quando de repente vejo meu pai de pé no corredor ao nosso lado nos olhando.
— É esse negro aqui!
Falou apontando para Matias. Sua expressão era de ódio, nem quando ele me pegou voltando da casa vizinha tinha um semblante tão aterrorizante. Os policiais de imediato se aproximaram e algemaram-no.
— Não! Ele não fez nada.
Eu gritei tentando me colocar entre eles, mas levei um empurrão do meu pai e caí sentada de volta no assento.
— Podem levá-lo por rapto de menor e roubo.
— Rapto? Que rapto? Eu vim por vontade própria. Que roubo?
Eu continuava a gritar e até então eu não sabia de que roubo ele falava. Meu pai acusou-
lhe de roubo para eu não ser tida como prostituta.[12]
— Roubo de joias.
— Não foi ele, eu que peguei. As joias são minhas, herança de minha avó.
— Não até completar maioridade, só terá direito aos 21 anos de idade. Podem levá-lo!
Nesse momento os policiais levaram Matias arrastado como criminoso.
Algumas pessoas riam, outras se mostravam espantadas levando a mão à boca, vi algumas senhoras fazerem o sinal da cruz. Um Bando de desalmados que se satisfaziam em ver a nossa desgraça, julgavam e tinham prazer em condenar como se isso os fizesse melhor. Porcos desgraçados não conseguiam enxergar sua própria lama.