Flores de Chumbo

Aj Tolissano e Elis Barroso · Capítulo 29 de 30

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Flores de Chumbo

Capítulo 28

 

Nem cicatrizes, nem distâncias sobrepujaram a força do amor que guardei pra você.

ANO DE 1960

O Teatro Municipal do Estado da Guanabara[19] está lotado para o lançamento de Flores de Chumbo, escrito por Marta Alvares Noronha.

Próximo à entrada há um casal de braços dados, acariciando as mãos em um gesto cumplice e com sorrisos que mal cabem nos rostos. Ela, uma bela senhora que ainda arranca muitos suspiros, principalmente os dele, o homem a seu lado, um mulato charmoso com uma pequena cicatriz no rosto quase encoberta pela barba bem feita que começa a ficar grisalha.

— A sua prima Madalena e sua sobrinha Becca, não vem?

— Claro que sim, querida! Só estão atrasadas como sempre. Aquelas duas não perderiam por nada.

Ela tira da bolsa um pequeno papel dobrado, ele abre, lê, coloca-o no bolso e sorridente beija-lhe a mão. Nele está escrito:

A flor vive tão pouco

Algumas por dias

Outras apenas uma manhã

Logo murcha

Logo cai

A flor não se importa com o tempo

O quanto de vida terá

A flor aproveita o momento

Lhe dado para o desabrochar

Foi uma flor que me ensinou

Que há vidas de pedra

E vidas de flor.

Um repórter do Diário de Notícias aproxima-se de Marta fazendo anotações em seu pequeno caderno e pergunta:

— Marta Feitosa, esse romance tem final feliz?

— Final feliz? Pra que esperar pelo final? Por que não ser feliz agora?

Fim?