Flores de Chumbo

Aj Tolissano e Elis Barroso · Apêndice

Páginas do PDF

Flores de Chumbo

Notas

 

[1] Em boa parte do século XX, a estação abrigava trens de média e longa distância, que partiam da estação da Luz até o final de 1996. De acordo com o site “Estações Ferroviárias“, o local abrigava composições em direção ao Rio de Janeiro até o ano de 1991.

[2] O nome da cidade do Rio de Janeiro se deve ao fato dos navegadores portugueses terem avistado a Baía de Guanabara, no dia 1º de Janeiro de 1502. Ao acreditarem que se tratava da foz de um grande rio deram o nome de Rio de Janeiro.

[3] Ama de leite é a mulher que amamenta criança alheia quando a mãe natural está impossibilitada de fazê-lo. Geralmente esse encargo era dado às escravas que já tinham filhos.

[4] “cheio de nove horas” “cheio de frescura, de manias, de idiossincrasias, de salamaleques”o limite das nove horas da noite, “a hora clássica do século XIX, regulando o final das visitas, ditando o momento das despedidas”. Qualquer um que teimasse em ficar na rua depois disso poderia ser “apalpado e revistado” pela polícia, e “apenas os boêmios, notívagos impenitentes, teimavam em afrontar os perigos da noite, da polícia, dos ladrões e capoeiras esfaimados”.

[5] Em 1920 existia uma lei relacionada ao tamanho dos trajes de banho. As mulheres não podiam mostrar muito as pernas. Algumas insistiam em infringir a lei e acabavam presas. Para fiscalizar, a polícia fazia patrulhas nas praias com uma fita métrica, para medir o tamanho da roupa de banho. Isso até mais ou menos o ano de 1937.

[6] O termo “mascate” vem de “cidade da Arábia”, de onde vieram árabes para o Brasil. Especialmente no Rio de Janeiro, a mascateação introduziu o comércio popular, com alta rotatividade de produtos, enorme quantidade de mercadorias vendidas, promoções e liquidações. Assim, ao longo dos anos, formou-se uma zona comercial de grande porte no centro da cidade, famosa por seus produtos baratos e de qualidade, o SAARA, sigla da Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega.

[7] O Fonógrafo é um aparelho inventado em 1877 por Thomas Edison para a gravação e reprodução de sons através

de um cilindro. Ele foi o primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons. Foi um avanço importante para o desenvolvimento de mecanismos de som

[8] A valsa começou na Áustria, no século XVIII, e se espalhou pelas cortes de vários países. No Brasil, chegou com a família real em 1816, que trouxe em sua bagagem duas formas, a vienense, em andamento rápido, e a francesa, em andamento moderado.

Aos poucos a valsa se tornou uma importante dança de salão, sendo até hoje tradicional em momentos importantes da sociedade, como bailes de formatura, de debutantes ou mesmo de casamento.

[9] O caixeiro viajante era um vendedor que visitava os comerciantes fazendo vendas por atacado. No século XIX e início do século XX, eles se deslocavam a cavalo, mula ou burro. A partir das décadas de 1920 e 1930 os animais começaram a ser substituídos por automóveis

[10] Na Colônia, no Império e até nos primórdios da República, a função jurídica da mulher era ser subserviente ao marido. Da mesma forma que era dono da fazenda e dos escravos, o homem era dono da mulher. Se ela não o obedecia, sofria as sanções.

[11] A sexualidade feminina era tão inexplorada que, até o século XX, o orgasmo feminino ainda era desconhecido.

[12] No Brasil, até 1970 do século XX, bem recentemente, se uma mulher com idade inferior a 21 anos “fugia para casar”, mesmo que não tivesse consumado a relação carnal, tinha que casar para não ficar isolada ou negligenciada à solidão e estigmatizada como “prostituta”.

[13] Após a assinatura da Lei Áurea, os descendentes de africanos escravizados conquistaram a liberdade, mas não a cidadania. As elites tentaram apagar o passado escravista do país e substituíram as senzalas pela institucionalização da discriminação racial. Com o fim da escravidão, muitos negros buscaram no trabalho informal uma maneira de sobreviver.

[14] Sufrágio feminino foi um movimento social, político e econômico de reforma, com o objetivo de estender o sufrágio (o direito de votar) às mulheres. No Brasil, o sufrágio feminino foi garantido em 24 de fevereiro de 1932, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, o qual disciplinava que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma do código.

[15] Do ponto de vista da moral, os pais não valorizam a paixão correspondida entre o casal de namorados ou recém-casal, posto que desconfiavam desse sentimento, passageiro, destruidor, contrário às boas relações, às uniões duráveis que fundavam às famílias estáveis. Pois para os pais havia o seguinte princípio: “casamentos que começam com paixonites acabam com chiliques ”, dizia Brantôme

[16] No Brasil República, as leis continuaram reproduzindo a ideia de que o homem era superior à mulher. O Código Civil de 1916 dava às mulheres casadas o status de “incapazes”. Elas só podiam assinar contratos ou trabalhar fora de casa se tivessem a autorização expressa do marido.

[17] A valorização dada à virgindade feminina era uma forma das famílias, especialmente as de elite, de zelarem pelo status e posição na sociedade de acordo com os valores morais vigentes, ao mesmo tempo em que exerciam um controle sobre o corpo dessas mulheres.

[18] No Rio de Janeiro, o largo do Rocio, atual Praça Tiradentes foi célebre por ser o lugar onde à noite reuniam-se os pederastas passivos à espera de quem os desejasse e os possuísse. Existiam lugares que eram bastante frequentados por homossexuais, tais como portas dos teatros, cafés, restaurantes, bilhares, botequins, portarias de conventos, escadarias de igrejas, casas de banho, além dos já citados parques e praças, o que dá ao leitor uma ideia da ampla rede de relações homossexuais que existia naquele período. A situação ficou tão comum e isso causava aversão às classes médica, jurídica e religiosa, que foi necessário importar prostitutas da Europa, na intenção de conter as práticas homossexuais..

[19] Com a definitiva mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o estado da Guanabara. O restante do estado seguiu como estado do Rio de Janeiro. A Guanabara foi o único caso no Brasil de uma cidade-estado, até hoje, só Brasília, na condição de distrito federal teve um status parecido.