Fundamentos de patologia
Capítulo 12 | O Sistema Respiratório
O Sistema Respiratório
Sumário do Capítulo
Pulmões
Histologia e Anatomia Normais
Anomalias Congênitas
Doenças dos Brônquios e Bronquíolos
Infecções das Vias Respiratórias
Gases Irritantes
Granulomatose Broncocêntrica
Bronquiolite Obliterante (Constritiva)
Obstrução Brônquica
Atelectasia
Bronquiectasia Infecções Pulmonares
Pneumonia Bacteriana
Pneumonia por Mycoplasma
Tuberculose
Infecções Fúngicas
Pneumonia Viral
Abscesso Pulmonar
Lesão Alveolar Difusa (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda)
Doenças Alveolares Raras
Proteinose Alveolar (Lipoproteinose)
Síndrome da Hemorragia Pulmonar Difusa
Pneumonia Eosinofílica
Pneumonia Lipídica Endógena
Pneumonia Lipídica Exógena
Doenças Pulmonares Obstrutivas
Bronquite Crônica
Enfisema
Asma
Pneumoconioses
Silicose
Pneumoconiose dos Mineradores de Carvão
Asbestose
Beriliose
Talcose
Doença Pulmonar Intersticial
Pneumonite por Hipersensibilidade (Alveolite Alérgica Extrínseca) Sarcoidose
Pneumonia Intersticial Insidiosa
Pneumonia Intersticial Descamativa
Bronquiolite Respiratória
Bronquiolite Obliterante com Pneumonia em Organização
Pneumonia Intersticial Linfóide
Histiocitose de Células de Langerhans (Histiocitose X)
Linfangioleiomiomatose
Transplante de Pulmão
Vasculite e Granulomatose
Granulomatose de Wegener
Síndrome de Churg-Strauss (Angiíte Alérgica e Granulomatose)
Granulomatose Sarcóide Necrosante
Hipertensão Pulmonar
Hamartoma Pulmonar
Neoplasias Pulmonares
Carcinoma Escamocelular
Adenocarcinoma
Carcinoma Bronquioloalveolar
Carcinoma de Pequenas Células
Carcinoma de Células Grandes
Tumores Carcinóides
Tumores Pulmonares Raros
Pleura
Pneumotórax
Derrame Pleural
Pleurite
Tumores da Pleura
Tumor Fibroso Solitário
Mesotelioma Maligno
PULMÕES
Histologia e Anatomia Normais
O sistema respiratório é formado pela laringe, traquéia, brônquios, bronquíolos alvéolos e vasculatura pulmonar. O sistema respiratório forma-se
progressivamente durante o desenvolvimento fetal, e os elementos proximais são
constituídos primeiramente. Durante o período acinar (canalicular), que ocorre entre a 17.ª e a 28.ª semanas de gestação, a estrutura da unidade de troca gasosa
do pulmão se desenvolve, a troca gasosa torna-se possível e, a partir desse
momento, a vida extra-uterina torna-se viável. O período alveolar ocorre entre a 34.ª e 36.ª semanas de desenvolvimento e envolve o período de desenvolvimento
alveolar, embora os alvéolos possam se desenvolver ao longo dos dois primeiros
anos de vida.
A traquéia mede até 25 cm de comprimento e divide-se nos brônquios direito e
esquerdo. O brônquio direito diverge sob um ângulo menor em relação à traquéia
do que o esquerdo; por conseguinte, material que é aspirado penetra mais freqüentemente no brônquio e pulmão direitos. Os brônquios dividem-se
subseqüentemente em brônquios lobares e segmentares, que suprem os 19
segmentos do pulmão. Cada segmento pode ser ressecado separadamente devido aos suprimentos broncovasculares individuais. A árvore traqueobrônquica
contém cartilagem e glândulas submucosas e encontra-se revestida por epitélio
colunar ciliado pseudo-estratificado. Ademais, a árvore traqueobrônquica contém células de Clara, que detoxificam substâncias inaladas, e células de Kulchitsky
que são células neuroendócrinas secretoras de produtos hormonalmente ativos.
Os brônquios por fim ramificam-se em bronquíolos, que não contêm
cartilagem nem glândulas secretoras de muco. A última estrutura com função
puramente condutora é denominada bronquíolo terminal. Os bronquíolos
terminais dividem-se em bronquíolos respiratórios, que se fundem formando
ductos alveolares e alvéolos. O ácino, que é a unidade da troca gasosa, é formado por bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e alvéolos.
Os alvéolos são revestidos por células epiteliais tipo I e tipo II. As células tipo
somam 40% das células alveolares, cobrem 95% da superfície alveolar e facilitam a troca gasosa. As células tipo II produzem surfactante e apresentam a
capacidade de reconstituir a superfície alveolar após lesão. No interior do alvéolo
as células epiteliais e endoteliais encontram-se dispersas muito finamente em cada lado da membrana basal, o que permite a troca de oxigênio e dióxido de
carbono. Existe tecido conjuntivo intersticial, afastado dos locais de troca gasosa
e que consiste em fibroblastos, miofibroblastos, colágeno, elastina e proteoglicanos (Fig. 12.1).
O pulmão apresenta um duplo suprimento sangüíneo. As artérias pulmonares
acompanham o sistema brônquico dentro de uma bainha de tecido conjuntivo denominada feixe broncovascular e são artérias elásticas na porção proximal e
artérias musculares na distal. As artérias brônquicas originam-se da aorta torácica
e suprem o pulmão até os bronquíolos respiratórios. As artérias brônquicas são acompanhadas pelas veias que, por fim, drenam nas veias ázigo ou hemiázigo
Não há linfáticos na maior parte das paredes alveolares.
O pulmão usa diversos mecanismos para se proteger contra infecção e
infiltração de partículas. Os mecanismos incluem umidificação do ar no nariz e
na traquéia, aprisionamento de partículas de tamanhos variáveis ao longo de
todos os níveis da árvore traqueobrônquica, uso de cobertura mucociliar para empurrar partículas estranhas de volta às vias respiratórias superiores e o uso de
macrófagos alveolares pulmonares para ingerir partículas que conseguem
alcançar o alvéolo.
FIGURA 12.1
Diagrama do septo interalveolar. O septo alveolar forma a barreira
hematoaérea e é responsável pela maior parte da troca gasosa que
ocorre no pulmão. As setas indicam a direção da troca de CO2 e O2 entre
o espaço aéreo alveolar e o sangue. (De Ross MH, Kaye G, Pawlina W
Histology: A text and Atlas, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams &
Wilkins, 2003, p. 586.)
Anomalias Congênitas
As anomalias congênitas dos pulmões mais comumente manifestam-se nos
primeiros 2 anos de vida e, com freqüência, provocam angústia respiratória e
cianose (Quadro 12.1). As anomalias que podem se manifestar numa fase posterior da vida incluem cisto broncogênico e seqüestração intralobar. Com
freqüência, a porção envolvida do pulmão demonstra sinais de infecção
recorrente e fibrose subseqüente. Em certos casos, se a anomalia for localizada, o pulmão afetado pode ser ressecado cirurgicamente a fim de aliviar os sintomas.
A lesão congênita mais comum do pulmão é a hipoplasia pulmonar, que ocorre
freqüentemente associada a outras anormalidades congênitas e a trissomia do 13 do 18 e do 21. A hipoplasia pulmonar consiste no desenvolvimento incompleto
ou defeituoso do pulmão, resultando em um pulmão menor do que o normal. Os
principais fatores implicados na hipoplasia pulmonar são compressão do pulmão freqüentemente por uma hérnia diafragmática congênita, oligoidrâmnio e
diminuição da respiração.
Quadro 12.1
Anomalias Congênitas da Árvore Traqueobrônquica e dos Pulmões
Anomalia Associações/Achados
Congênita Aspecto e Patologia do Pulmão Adicionais
Atresia Tamanho e desenvolvimento Pode assumir o
brônquica reduzidos de um brônquio, que aspecto de massa
freqüentemente supre o radiográfica
desenvolvimento posterior apical
do lobo superior esquerdo com
decorrente expansão excessiva do
segmento afetado
Hipoplasia Desenvolvimento pulmonar Hérnia diafragmática
pulmonar incompleto/defeituoso resultando congênita,
em pulmão pequeno oligoidrâmnio,
trissomia do 13, 18 ou
21
Malformação Estruturas bronquiolares Com freqüência
adenomatóide anormais, com tamanhos ou manifesta-se com cística distribuição variáveis; em geral angústia respiratória
congênita afeta um único lobo; múltiplos e cianose
espaços semelhantes a cistos
revestidos por epitélio
bronquiolar
Cisto Massa extrapulmonar solitária, Pode comprimir uma
broncogênico repleta de líquido, revestida por via respiratória
epitélio respiratório e circundada importante ou se
por músculo e cartilagem, tornar infectado freqüentemente encontrada no secundariamente
mediastino Seqüestração Massa de tecido pulmonar não Mais comum em
extralobar ligada à árvore brônquica, homens e associado a
localizada fora da pleura visceral outras anomalias;
e suprida por uma artéria manifesta-se
anormal; contém bronquíolos associado a dispnéia,
dilatados, ductos alveolares e cianose ou infecção
alvéolos, e é coberta por pleura recorrente
Seqüestração Massa de tecido pulmonar por Com freqüência
intralobar dentro da pleura visceral, manifesta-se em
freqüentemente no lobo inferior, adolescentes por
isolada da árvore meio de tosse, traqueobrônquica e suprida por produção de escarro e
uma artéria sistêmica; espaços pneumonia
semelhantes a cistos revestidos recorrente por epitélio cuboidal ou colunar
contendo macrófagos e material
eosinofílico, e pode revelar sinais
de pneumonia recorrente crônica
com alterações de estágio
terminal em colméia
Doenças dos Brônquios e Bronquíolos
As doenças abordadas nesta seção tratam de alterações agudas e suas seqüelas. A
bronquite crônica é discutida na seção sobre doença pulmonar obstrutiva crônica.
Infecções das Vias Respiratórias
Muitas infecções que afetam os brônquios (bronquite) também envolvem com freqüência as vias respiratórias distais (periféricas) (bronquiolite). Na maioria das
infecções que afetam os brônquios e bronquíolos, os pacientes apresentam tosse
aperto torácico e falta de ar. Os casos mais graves de bronquite e bronquiolite freqüentemente afetam lactentes e crianças e são mais sérios em crianças
desnutridas. Certos tipos de infecção podem provocar inflamação extensa dos
bronquíolos, resultando em subseqüente cura por fibrose, levando à oclusão ou obliteração dos bronquíolos, processo denominado bronquiolite obliterante. Os
agentes infecciosos mais comuns que provocam a bronquite ou a bronquiolite
são:
• Gripe (Influenza): pode acarretar inflamação aguda grave da mucosa
respiratória, que se mostra intensamente vermelha, e ocasionalmente pode ser
fatal
• Adenovírus: pode resultar em bronquiolite obliterante
• Vírus sincicial respiratório (RSV): doença autolimitada que ocorre
freqüentemente como epidemias em berçários e provoca inflamação peribronquiolar, desorganização do epitélio e distensão excessiva do
parênquima pulmonar
• Sarampo: raro em países desenvolvidos; pode resultar em bronquiolite
obliterante
• Bordetella pertussis: provoca a coqueluche, caracterizada por febre e crises
prolongadas e sérias de tosse, sucedidas por uma inspiração profunda ruidosa característica
• Haemophilus influenzae: pode causar exacerbações de bronquite crônica
• Streptococcus pneumoniae: pode causar exacerbações de bronquite crônica
• Candida albicans: ocorre em casos de traumatismo, queimaduras e
neutropenia; demonstra crescimento não-invasivo acarretando ulceração de
mucosa
Gases Irritantes
Os principais gases irritantes são oxidantes (ozônio, óxidos de nitrogênio) e dióxido de enxofre. Os oxidantes são formados pela ação da luz solar sobre
fumaça de exaustão de automóveis, e provocam problemas respiratórios nas
principais áreas urbanas. O dióxido de enxofre é derivado principalmente da queima de combustíveis fósseis. Esses gases podem exacerbar distúrbios
respiratórios, como doença pulmonar crônica e asma, na vigência de exposição
A exposição a concentrações altas desses agentes pode resultar em bronquiolite.
O contato com gases de cloro e amônia pode ocorrer em acidentes industriais e
provocar o desenvolvimento de lesão extensa da mucosa brônquica e bronquiolar
A inflamação secundária pode promover bronquiectasia (dilatação irreversíve dos brônquios).
Granulomatose Broncocêntrica
A granulomatose broncocêntrica refere-se a inflamação granulomatosa
inespecífica com foco nos brônquios ou bronquíolos.
Os pacientes com asma que desenvolvem granulomatose broncocêntrica
tipicamente apresentam aspergilose broncopulmonar alérgica e também
demonstram tampões mucosos brônquicos, bronquiectasia e bronquiolectasia, e pneumonia eosinofílica. As hifas de Aspergillus podem ser encontradas nos
tampões mucosos.
Os pacientes com asma que desenvolvem granulomatose broncocêntrica
comumente apresentam uma infecção, em especial tuberculose ou histoplasmose
Em outros casos, os pacientes podem apresentar artrite reumatóide, espondilite
anquilosante ou granulomatose de Wegener. Nos casos idiopáticos, os pacientes podem responder bem à terapia com corticosteróides.
Bronquiolite Obliterante (Constritiva)
A bronquiolite obliterante é um distúrbio raro no qual uma bronquiolite
inflamatória inicial é sucedida por formação de tecido cicatricial bronquiolar e fibrose, resultando em estenose constritiva e, por fim, obliteração completa da luz
da via respiratória. Os pacientes podem apresentar dispnéia e sibilo na vigência
de obstrução séria. A radiografia ou a tomografia computadorizada (TC) do tórax
podem ser normais ou mostrar hiperinsuflação causada por aprisionamento de ar distal aos bronquíolos obliterados. A bronquiolite obliterante pode ocorrer nas
seguintes condições:
• Doença enxerto-versus-hospedeiro
• Rejeição crônica no transplante de pulmão
• Doença vascular do colágeno
• Distúrbios virais pós-infecciosos
• Inalação de toxinas
• Uso de determinados fármacos, como a penicilamina
À microscopia, os bronquíolos demonstram inflamação mural crônica e
quantidades variáveis de fibrose na submucosa. Essas lesões com freqüência são focais, e uma coloração para tecidos elásticos pode ajudar a identifica
bronquíolos fibróticos. As vias respiratórias adjacentes podem revela
bronquiolectasia e tampões mucosos. O pulmão circunvizinho é normal.
Em muitos pacientes, a bronquiolite obliterante tem evolução progressiva. Não
existe tratamento efetivo conhecido, embora muitos pacientes sejam tratados com
corticosteróides.
Obstrução Brônquica
A obstrução brônquica pode ocorrer associada a extensão endobrônquica de
tumores, ou tampões mucosos decorrentes de material aspirado. Na obstrução
parcial, o ar aprisionado pode acarretar distensão excessiva do segmento distal do pulmão. Na obstrução completa, o pulmão distal desenvolve atelectasia e é
suscetível a pneumonia, abscesso pulmonar ou bronquiectasia.
Atelectasia
Atelectasia refere-se ao colabamento de tecido pulmonar expandido e pode ocorrer na vigência de obstrução brônquica, compressão direta do pulmão (p. ex.
pneumotórax) ou como uma complicação pós-cirúrgica. Se a atelectasia fo
intensa, poderá ocorrer hipoxemia. Nos casos de atelectasia crônica, o pulmão colabado torna-se fibrótico e os brônquios sofrem dilatação. Pode ocorrer
dilatação brônquica permanente, alteração denominada bronquiectasia.
A síndrome do lobo médio direito refere-se à atelectasia provocada por
obstrução do brônquio no lobo médio direito, que freqüentemente é causada po
compressão externa por linfonodos hilares aumentados. O lobo médio direito
afetado pode demonstrar bronquiectasia, bronquite crônica e bronquiolite
hiperplasia linfóide, formação de abscesso e fibrose densa.
Bronquiectasia
Bronquiectasia é a dilatação irreversível de brônquios causada pela destruição
dos elementos musculares e elásticos das paredes brônquicas. A bronquiectasia
pode ser obstrutiva ou não obstrutiva quanto à natureza, conforme descrito a seguir:
• A bronquiectasia obstrutiva localiza-se em segmento do pulmão distal a uma
obstrução mecânica de um brônquio central por qualquer etiologia, como
tumor, tampões mucosos ou corpos estranhos.
• A bronquiectasia não obstrutiva freqüentemente ocorre associada a infecções
respiratórias ou a defeitos no mecanismo de defesa mucociliar, como distúrbios
dos cílios. A bronquiectasia não obstrutiva pode ser localizada ou generalizada.
• A bronquiectasia não obstrutiva localizada freqüentemente ocorre após
infecções respiratórias infantis.
• A bronquiectasia não obstrutiva generalizada ocorre secundária a distúrbios
adquiridos ou comprometimento hereditário dos mecanismos de defesa do
hospedeiro, que permitem a introdução de microrganismos infecciosos nas vias respiratórias. Os distúrbios adquiridos que provocam bronquiectasia não
obstrutiva generalizada incluem distúrbios neurológicos, incompetência do
esfíncter esofágico inferior, intubação nasogástrica e bronquite crônica. Os distúrbios hereditários incluem fibrose cística, hipogamaglobulinemias
deficiência de subclasse de IgG e síndromes ciliares discinéticas. Em geral a
bronquiectasia generalizada é bilateral e mais freqüente nos lobos inferiores.
A síndrome de Kartagener é uma síndrome de cílios imóveis e compreende a
tríade de dextrocardia, bronquiectasia e sinusite. Essa síndrome é causada pela
ausência de braços de dineína, externos ou internos, dos cílios, resultando em imobilidade ciliar. A esterilidade em homens e mulheres associada a essa
síndrome é comum devido ao comprometimento da motilidade ciliar no trato
reprodutivo.
Ao exame macroscópico, a dilatação brônquica é classificada como sacula
(dilatação intensa com sacos de fundo cego dilatados), varicosa (dilatações e
constrições irregulares) e cilíndrica (dilatação moderada uniforme). Os brônquios mostram-se dilatados e apresentam paredes espessadas de coloração branca ou
amarela. A luz brônquica freqüentemente contém secreções mucopurulentas
espessas.
À microscopia, os brônquios e bronquíolos revelam inflamação intensa com
destruição de todos os componentes da parede brônquica. Após o colabamento do
pulmão distal, os brônquios lesados dilatam-se. Existe um aumento da quantidade
de células caliciformes e metaplasia escamosa das vias respiratórias centrais, e folículos linfóides são visualizados com freqüência nas paredes brônquicas. Os
brônquios e bronquíolos distais encontram-se fibróticos e, com freqüência
obliterados.
Os pacientes com bronquiectasia apresentam tosse crônica produtiva
freqüentemente proporcionando algumas centenas de mililitros de escarro
mucopurulento por dia. Com freqüência, também ocorrem hemoptise, dispnéia e sibilo. Freqüentemente os pacientes sofrem pneumonia como uma complicação e
por fim, podem desenvolver hipoxia crônica e hipertensão pulmonar. Com
freqüência o diagnóstico definitivo é feito por meio de TC, em que os brônquios revelam-se dilatados com paredes espessadas. Ocasionalmente, pode ocorrer uma
dilatação reversível aguda de brônquios após infecção broncopulmonar
bacteriana ou viral, embora os brônquios não retornem ao tamanho norma durante vários meses após a cura da infecção.
Infecções Pulmonares
As infecções pulmonares podem ser causadas por bactérias, fungos ou vírus, e o
agente etiológico freqüentemente varia com o tipo de exposição, o estado imune e a idade. Ademais, o tipo de agente etiológico pode revelar achados radiográficos
e patológicos diferentes.
Pneumonia Bacteriana
Considerações Gerais
Pneumonia é um termo genérico que se refere à inflamação e consolidação
(solidificação) do parênquima pulmonar e, com freqüência, é causada por
bactérias. Comumente a pneumonia ocorre em três cenários:
• Pneumonia adquirida na comunidade: ocorre em indivíduos sem distúrbio
primário do sistema imune
• Pneumonia hospitalar: provocada em indivíduos suscetíveis po
microrganismos dispersos no meio hospitalar
• Pneumonia oportunista: afeta indivíduos imunodeprimidos
A maioria das bactérias que causam pneumonia é habitante normal da
orofaringe. As bactérias podem alcançar os alvéolos por aspiração de secreções
inalação de microrganismos, disseminação hematógena ou disseminação direta Os fatores de risco para pneumonia bacteriana incluem tabagismo, bronquite
crônica, alcoolismo, desnutrição grave, doenças debilitantes e diabetes ma
controlado. As formas mais comuns de pneumonia bacteriana são descritas no Quadro 12.2.
A pneumonia é subdividida em pneumonia lobar (consolidação de um lobo
inteiro) ou broncopneumonia (focos dispersos em um ou vários lobos). A pneumonia lobar é causada mais comumente por infecção por pneumococos ou
Klebsiella, e demonstra uma série de achados patológicos bem definidos que
incluem:
• Multiplicação de microrganismos, edema e congestão
• Hepatização vermelha: desenvolvimento de exsudato alveolar contendo
neutrófilos e hemácias que levam o pulmão a tornar-se firme e vermelho, com
aspecto semelhante ao do fígado
• Hepatização cinza: ingestão de detritos por macrófagos e exsudato supurativo
fibrinoso que torna o pulmão firme e acinzentado
• Resolução: degradação do exsudato consolidado
Tipicamente a pneumonia bacteriana caracteriza-se pelo preenchimento dos
alvéolos com leucócitos polimorfonucleares e, com freqüência, está associada ao
início súbito de febre, mal-estar e tosse produtiva.
Quadro 12.2
Pneumonia Bacteriana Microrganismo Demografia Achados Complicações
Pulmonares
Streptococcus Adultos jovens a de Freqüentemente Pleurite,
pneumoniae meia-idade sucede uma infecção derrame, (estreptococos) viral; no estágio piotórax,
inicial, apresenta empiema,
edema rico em bacteremia,
proteínas nos fibrose
alvéolos, neutrófilos pulmonar,
e hemorragia; o abscesso estágio avançado pulmonar
revela lise de
neutrófilos e
infiltrado de
macrófagos; pulmão
firme;
freqüentemente
pneumonia lobar
Klebsiella Homens de meia- Neutrófilos, Necrose
pneumoniae idade, alcoólicos, congestão e tissular,
diabéticos, hemorragia; pode formação de
pacientes com produzir um abscesso, DPOC aspecto mucóide da fístula
superfície pulmonar broncopleural
de corte devido à
cápsula bacteriana;
aumento do
tamanho do lobo
afetado;
freqüentemente
pneumonia lobar
Staphylococcus Fibrose cística Broncopneumonia Cavitação,
aureus após infecção com a formação de derrames
viral muitos abscessos pleurais
pequenos; a
ruptura do abscesso
em um bronquíolo
pode levar à
formação de
pneumatocele
(cisto de parede
delgada revestido
por epitélio
respiratório)
Streptococcus Após infecção Pulmões pesados Necrose
pyogenes viral, indivíduos com edema alveolar, (estreptococos debilitados sanguinolento; empiema
grupo A) alvéolos repletos de
líquido contendo
fibrina e raros
neutrófilos;
freqüentemente
broncopneumonia
Streptococcus Lactentes após Semelhantes aos do Síndrome da
agalactiae exposição no item anterior angústia (estreptococos canal do parto respiratória,
grupo B) toxemia
Legionella Causada por ar Múltiplos lobos Empiema
pneumophila contaminado de apresentam
sistemas de broncopneumonia condicionamento; com grandes áreas
freqüente em confluentes;
idosos e alvéolos contendo indivíduos fibrina, neutrófilos
imunodeprimidos e macrófagos; pode
apresentar necrose
extensa de células
inflamatórias;
organização fibrosa
com o decorrer do
tempo Bactérias Gram-Indivíduos A E. coli manifesta-
negativas imunodeprimidos se como uma
(Escherichia broncopneumonia;
coli, Pseudomonas pode Pseudomonas) provocar uma
vasculite infecciosa
e infarto
Bactérias Pacientes com Broncopneumonia Abscesso
anaeróbicas (p. distúrbios de necrosante pulmonar ex., deglutição ou
Bacteroides) convulsões,
alcoólicos
Chlamydia Inalação de Achados
psittaci excreta de aves pulmonares
(psitacose) contaminada mínimos; pode
apresentar
consolidação
irregular e achados
intersticiais
Bacillus anthrax Contato direto Pneumonia
(antraz) com esporos hemorrágica,
bronquite
hemorrágica,
mediastinite
hemorrágica
Yersinia pestis Inalação de Broncopneumonia
(peste) esporos ou hemorrágica
disseminação extensa, pleurite,
entre pessoas aumento dos
linfonodos
mediastinais
Pneumonia Pneumocócica
A pneumonia pneumocócica é uma das formas mais comuns de pneumonia bacteriana e é causada por Streptococcus pneumoniae. A infecção por esse microrganismo ocorre com freqüência após uma infecção viral do trato
respiratório superior. A cápsula dos pneumococos evita a fagocitose pelos
macrófagos alveolares; por conseguinte, as bactérias precisam primeiro ser opsonizadas antes de poderem ser digeridas e destruídas. Com freqüência, a
pneumonia pneumocócica resulta em pneumonia lobar, que evolui ao longo dos
estágios previamente descritos, ou seja, congestão, hepatização e resolução. A pneumonia pneumocócica tem início súbito com febre, calafrios e dor torácica
Freqüentemente os pacientes descrevem escarro da cor da “ferrugem” devido às
hemácias degradadas nos alvéolos. Essa doença responde rapidamente a antibióticos, embora as anormalidades radiográficas possam apresentar resolução
apenas após vários dias.
As complicações relacionadas com a pneumonia pneumocócica incluem:
• Pleurite: inflamação dolorosa da pleura
• Derrame pleural: exsudato seroso na cavidade pleural
• Piotórax: exsudato purulento na cavidade pleural e que pode se curar por
fibrose
• Empiema: coleção localizada de pus com paredes fibrosas na cavidade pleural
• Abscesso pulmonar
• Bacteremia
• Fibrose pulmonar: exsudatos intra-alveolares tornam-se organizados e formam
tampões intra-alveolares de tecido de granulação, processo denominado também pneumonia em organização
Pneumonia por Mycoplasma
A infecção por Mycoplasma causa uma pneumonia atípica com início insidioso
leucocitose mínima e curso prolongado. As radiografias revelam uma pneumonia intra-alveolar irregular ou um infiltrado intersticial. A infecção comumente
provoca bronquiolite com exsudatos intraluminares neutrofílicos e intenso
infiltrado linfoplasmocítico na parede bronquiolar. Com freqüência o diagnóstico é feito por sorologia para detectar anticorpos contra M. pneumoniae ou
aglutininas frias. A eritromicina é um antibiótico efetivo contra esse
microrganismo.
Tuberculose
Com freqüência, o microrganismo Mycobacterium tuberculosis é adquirido via inalação de aerossóis e houve um ressurgimento recente dessa infecção, em especial em pacientes com AIDS. A tuberculose está dividida em tuberculose
primária e tuberculose secundária (reativação).
Tuberculose Primária
A tuberculose primária ocorre após exposição inicial a M. tuberculosis. Após a inalação do microrganismo, ele se replica no alvéolo e, por fim, provoca a
formação de um foco de Ghon. Este foco consiste em um granuloma
parenquimatoso periférico, freqüentemente nos lobos inferiores, e é bem circunscrito, comumente com 1 a 2 cm de diâmetro; o granuloma contém necrose
central. Se essa lesão estiver associada a linfadenopatia mediastinal, é
denominada complexo de Ghon. A resolução do foco de Ghon resulta em uma lesão calcificada. A maior parte das infecções tuberculosas primárias é
assintomática.
Tuberculose Secundária
A tuberculose secundária representa ou reativação de tuberculose primária ou
reinfecção em um hospedeiro previamente sensibilizado. A tuberculose secundária caracteriza-se por múltiplos granulomas e extensa necrose tecidual
mais comum nos lobos superiores, mas que podem afetar qualquer parte do
pulmão. Essas lesões podem sofrer cura e calcificação, ou podem sofrer erosão até um brônquio adjacente e provocar uma cavidade tuberculosa. A parede de ta
cavidade compõe-se de nódulos necróticos macios, envolvidos por uma
membrana interna delgada acinzentada, uma zona média de tecido de granulação e uma borda colagenosa mais externa. O material caseoso contém macrófagos
repletos de bacilos ácido-resistentes. Se a cavidade tiver comunicação com o
brônquio, o material infeccioso dissemina-se para as vias respiratórias e o interior do pulmão.
As complicações da tuberculose secundária incluem:
• Tuberculose miliar: múltiplos granulomas minúsculos em muitos órgãos
• Hemoptise: causada pela erosão de pequenas artérias pulmonares
• Fístula broncopleural: ocorre quando uma cavidade subpleural rompe-se no
espaço pleural
• Laringite tuberculosa
• Tuberculose intestinal: pode suceder a deglutição de material infeccioso
• Aspergiloma: massa fúngica causada por superinfecção por Aspergillus
Infecções Fúngicas As infecções fúngicas são causadas por diversos microrganismos e ocorrem mais
freqüentemente em pacientes imunodeprimidos ou naqueles que, em
determinadas áreas geográficas, vivem em contato com os microrganismos. As infecções respiratórias mais comuns provocadas por microrganismos fúngicos
são descritas no Quadro 12.3.
Quadro 12.3
Infecções Fúngicas do Pulmão
Microrganismo Distribuição Achados Pulmonares
Histoplasma Áreas do oeste e A maioria é assintomática e provoca
capsulatum sudeste dos Estados um complexo semelhante ao de Ghon;
(histoplasmose) Unidos (Vale do com freqüência, os granulomas
Ohio e do calcificam-se em um padrão laminar
Mississipi), em concêntrico; pode envolver linfonodos
excrementos de que drenam o sítio infeccioso; pode
pássaros sofrer reativação
Coccidioides Sudoeste dos Semelhantes ao da tuberculose e
immitis Estados Unidos histoplasmose, porém sem (coccidiomicose) envolvimento de linfonodos
Cryptococcus Freqüentemente Variam desde pequenos granulomas
neoformans encontrada em parenquimatosos até vários (criptococose) excrementos de granulomas grandes, consolidação
pombo; pneumônica e cavitação
freqüentemente
afeta indivíduos
imunodeprimidos
Blastomyces Canadá, bacias do A maioria provoca um complexo
dermatitidis Rio Missouri, do semelhante ao de Ghon ou
(blastomicose Mississippi e do pneumonite progressiva
norte- Ohio
americana)
Espécies de Universal Pode causar aspergilose invasiva
Aspergillus resultando em invasão de vaso e
(aspergilose) infarto pulmonar em indivíduos
imunodeprimidos, aspergiloma
criando uma bola de fungos em
cavidades preexistentes de
tuberculose ou bronquiectasia, ou
aspergilose broncopulmonar
alérgica em pessoas asmáticas com
granulomas broncocêntricos e
pneumonia eosinofílica
Pneumonia por Universal Freqüentemente afeta indivíduos
Pneumocystis imunodeprimidos e provoca um
carinii infiltrado intersticial de plasmócitos
e linfócitos, lesão alveolar difusa e
exsudato alveolar espumoso com
os microrganismos revelando-se
como bolhas minúsculas
Pneumonia Viral
As infecções virais do parênquima pulmonar produzem lesão alveolar difusa e
pneumonia intersticial (e não alveolar). A infecção do pulmão por vírus afeta primeiramente o epitélio alveolar e provoca um infiltrado mononuclear no
interstício. Necrose de células epiteliais tipo I e formação de membranas hialinas
provocam um aspecto morfológico idêntico ao da lesão alveolar difusa. Os vírus mais comuns que causam pneumonia viral são citomegalovírus, vírus do
sarampo, varicela, herpes simples, influenza e adenovírus. Quase sempre as
inclusões virais são identificadas no interior das células epiteliais e ocasionalmente, pode ocorrer multinucleação.
Abscesso Pulmonar
O abscesso pulmonar consiste em acúmulo localizado de pus, associado à
destruição do parênquima pulmonar, incluindo alvéolos, vias respiratórias e vasos
sangüíneos. A causa mais freqüente de abscesso pulmonar é a aspiração freqüentemente associada a estados de diminuição da consciência. Com
freqüência, as infecções são polimicrobianas e contêm microrganismos
anaeróbicos derivados da cavidade oral. Outras causas de abscesso pulmonar são obstrução brônquica, pneumonia necrosante, traumatismo penetrante e êmbolos
pulmonares infectados. O abscesso pulmonar ocorre mais freqüentemente no lado
direito devido à arquitetura brônquica e, com freqüência, é multiloculado. O abscesso encontra-se repleto de leucócitos polimorfonucleares, macrófagos e
detritos, e circundado por hemorragia, fibrina e células inflamatórias. Com o
passar do tempo, forma-se uma parede fibrosa ao redor do abscesso e ele pode tornar-se revestido por epitélio escamoso. É comum os pacientes apresentarem
tosse, febre e produção de escarro de odor fétido. As complicações do abscesso
pulmonar incluem ruptura no espaço pleural ou drenagem para um brônquio com subseqüente disseminação para outras partes do pulmão.
Lesão Alveolar Difusa (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda)
A lesão alveolar difusa (LAD) consiste em um padrão inespecífico de lesão das
células epiteliais alveolares e endoteliais, decorrente de diversas agressões agudas que estão relacionadas no Quadro 12.4. O equivalente clínico da LAD é a
síndrome da angústia respiratória aguda [ou do adulto] (SARA), na qual os
pacientes com função pulmonar previamente normal manifestam lesão pulmonar
que leva à insuficiência respiratória rapidamente progressiva. O equivalente da SARA em neonatos é denominado síndrome da angústia respiratória (SAR) do
neonato e, quando associada a LAD, é denominada doença da membrana hialina
A SAR pode ocorrer associada a displasia broncopulmonar, diminuição da estrutura alveolar ou deficiência de surfactante em neonatos.
Em geral, o exame microscópico do pulmão não revela a etiologia da LAD
exceto quando um agente infeccioso específico é identificado ou quando núcleos hipercromáticos, atípicos, bizarros, em células tipo II indicam lesão por
quimioterápicos. Postulou-se que a ativação do sistema complemento com
decorrente recrutamento e ativação de neutrófilos possa influenciar o processo.
A LAD pode ser dividida em dois estágios, uma fase exsudativa e uma fase de
organização, do seguinte modo:
• Fase exsudativa: desenvolve-se durante a primeira semana após lesão
pulmonar. A lesão de células endoteliais resulta em extravasamento do líquido
rico em proteínas, oriundo dos capilares alveolares para o espaço intersticial. A lesão e a perda de pneumócitos tipo I permitem a passagem de líquido para os
espaços alveolares, situação na qual a deposição de proteínas plasmáticas leva
à formação de precipitados eosinofílicos de aspecto vítreo, ricos em fibrina denominados membranas hialinas. Plasmócitos, linfócitos e macrófagos
acumulam-se no espaço intersticial em resposta à lesão. No fim da primeira
semana, pneumócitos cuboidais do tipo II revestem os septos alveolares desnudos. Os capilares alveolares e as arteríolas pulmonares podem revela
trombos de fibrina.
•Fase de organização: tem início aproximadamente 1 semana após lesão
pulmonar e demonstra a proliferação de fibroblastos no interior das paredes
alveolares. As membranas hialinas não mais se formam nesse estágio.
Em termos clínicos, os pacientes expostos a lesão pulmonar tipicamente não
começam a demonstrar sintomas durante várias horas, após o que taquipnéia e dispnéia são proeminentes. A determinação dos gases arteriais revela hipoxemia
arterial e diminuição de PCO . A hipoxemia arterial não pode ser revertida pelo 2
aumento da tensão de oxigênio do ar inspirado, e os pacientes precisam de
ventilação mecânica. Radiograficamente, opacidades bilaterais extensas estão presentes nos dois pulmões, alteração denominada “whiteout” (fenômeno óptico
nas regiões polares que apaga os contornos e oblitera a orientação).
Nos pacientes que se recuperam da LAD, a fibrose sofre resolução e o
colágeno extra e as membranas hialinas são reabsorvidos. A função pulmonar
pode retornar ao normal nessas circunstâncias. No entanto, nos pacientes que
evoluem, a fibrose intensa provoca a reestruturação do parênquima pulmonar com o desenvolvimento de pulmão em colméia em estágio terminal. Nos
pacientes que não se recuperam, os pulmões mostram-se pesados, edematosos e
praticamente sem ar à necropsia.
Quadro 12.4
Causas Importantes de Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto ou
Síndrome da Angústia Respiratória Aguda
Traumatismo não-torácico
Choque de qualquer etiologia
Embolia gordurosa
Infecção
Septicemia Gram-negativa
Outras infecções bacterianas
Infecções virais
Aspiração
Quase afogamento
Aspiração de conteúdo gástrico
Drogas e agentes terapêuticos
Heroína
Oxigênio (concentrações altas)
Radiação
Paraquat
Agentes citotóxicos (p. ex., bleomicina, metotrexato)
De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 606.
Doenças Alveolares Raras
Proteinose Alveolar (Lipoproteinose)
A proteinose alveolar é um distúrbio no qual os alvéolos encontram-se repletos de material eosinofílico granular, ácido periódico de Schiff (PAS)-positivo
diastase resistente e rico em lipídios. Essa doença ocorre em pacientes com
diminuição da imunidade, naqueles com leucemia e linfoma associados a infecções respiratórias e em pacientes com exposição a poeiras inorgânicas
ambientais. Embora não tenha sido identificado um agente etiológico, fo
proposto que a atividade de macrófagos alveolares prejudicada e o aumento da produção de surfactante por pneumócitos do tipo II constituem a base da
fisiologia.
Ao exame macroscópico, os pulmões encontram-se muito pesados, viscosos e
demonstram extravasamento de líquido amarelo a partir da superfície de corte São visualizados nódulos branco-amarelados, firmes e dispersos. À microscopia
o material granular é observado nos alvéolos, ductos alveolares e bronquíolos
respiratórios. Esse material cora-se com anticorpos contra apoproteína de surfactante e, à microscopia eletrônica, revela corpúsculos lamelares semelhantes
aos encontrados no interior de pneumócitos tipo II. A estrutura intersticial do
pulmão encontra-se íntegra e há pouca inflamação.
Essa doença ocorre com maior freqüência em adultos e manifesta-se com febre
tosse produtiva e dispnéia. Os pacientes freqüentemente vivenciam infecções
repetidas do trato respiratório, com freqüência por fungos ou Nocardia. Os estudos radiológicos revelam infiltrados alveolares simétricos bilaterais difusos
que podem se irradiar a partir das regiões hilares. O tratamento envolve lavado
broncoalveolar repetido para remover o material.
Síndrome da Hemorragia Pulmonar Difusa
A hemorragia alveolar difusa pode ocorrer em diversas condições e caracteriza-se
por hemorragia aguda, com muitas hemácias intra-alveolares, ou por hemorragia crônica, com macrófagos repletos de hemossiderina no interior dos alvéolos
Com freqüência, ocorre um infiltrado neutrofílico na parede alveolar e envolve os
capilares, o que se denomina capilarite neutrofílica. A síndrome da hemorragia pulmonar difusa pode ser classificada, de acordo com padrões de anticorpos
associados demonstrados por imunofluorescência, em linear, granular, ou
pauciimune/negativa. Uma relação de distúrbios associados à hemorragia pulmonar difusa é apresentada no Quadro 12.5.
Quadro 12.5
Distúrbios que Resultam em Hemorragia Pulmonar
Padrão de
Doença Mecanismo Imunológico Imunofluorescência
Síndrome de Anticorpo antimembrana basal Linear
Goodpasture
Lúpus eritematoso Imunocomplexos Granular
sistêmico
Crioglobulinemia
mista
Púrpura de Henoch-
Schönlein
Doença por IgA
Granulomatose de Anticorpo anticitoplasma de Negativo ou
Wegener neutrófilo (ANCA) pauciimune
Glomerulonefrite
idiopática
Hemorragia Sem marcador imunológico
pulmonar
idiopática
De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 610.
Síndrome de Goodpasture A síndrome de Goodpasture consiste em uma tríade com hemorragia alveola
difusa, glomerulonefrite e um auto-anticorpo citotóxico circulante contra um
componente das membranas basais do glomérulo e do alvéolo. Essa doença quase sempre ataca homens jovens, que freqüentemente apresentam hemoptise
dispnéia, fraqueza e anemia leve. A doença pulmonar pode preceder doença rena
em alguns meses. Os pacientes com a síndrome de Goodpasture manifestam hemorragia intra-alveolar extensa, resultando em pulmões pesados, de coloração
vermelho-escura ou cor de ferrugem. À microscopia, hemácias e macrófagos
repletos de hemossiderina preenchem os alvéolos, e os septos alveolares encontram-se levemente espessados por fibrose intersticial e hiperplasia de
pneumócitos tipo II. A imunofluorescência revela deposição linear de IgG e
complemento na membrana basal. Os estudos radiográficos demonstram infiltrados alveolares bilaterais difusos, que sofrem resolução em alguns dias após
a degradação das hemácias. O diagnóstico é feito com base nos achados da
biopsia renal ou pulmonar. O tratamento envolve corticosteróides, agentes
citotóxicos e plasmaférese.
Hemorragia Pulmonar Idiopática
Freqüentemente a hemorragia pulmonar idiopática afeta crianças e é diferenciada
da síndrome de Goodpasture pela ausência de envolvimento renal ou auto
anticorpos circulantes. À microscopia, essa doença é idêntica à síndrome de Goodpasture. Os pacientes apresentam tosse, dispnéia, dor torácica subesternal
fadiga, anemia ferropriva e, ocasionalmente, hemoptise. As hemorragias
pulmonares são recorrentes. A evolução é mais prolongada. O tratamento envolve a administração de corticosteróide, mas a resposta é variável. Um quarto dos
pacientes morre de hemorragia pulmonar maciça, enquanto muitos outros
desenvolvem fibrose progressiva e, por fim, cor pulmonale.
Pneumonia Eosinofílica
A pneumonia eosinofílica refere-se ao acúmulo de eosinófilos nos espaços alveolares e pode ser idiopática ou secundária a diversos distúrbios relacionados
no Quadro 12.6. A pneumonia eosinofílica idiopática pode ser dividida em três
categorias com base na intensidade dos achados e presença de sintomas:
• Pneumonia eosinofílica simples (síndrome de Löffler): distúrbio brando com
infiltrados pulmonares transitórios, freqüentemente assintomáticos
• Pneumonia eosinofílica aguda: sintomas de febre, hipoxemia e infiltrados
intersticiais e alveolares difusos presentes na radiografia torácica, que ocorrem
em uma semana; pode estar acompanhada de LAD. Os pacientes respondem
bem a corticosteróides, e a doença não volta.
• Pneumonia eosinofílica crônica: sintomas de febre, suores noturnos, perda de
peso, tosse produtiva com eosinófilos, e dispnéia freqüentemente associados a
asma; os alvéolos encontram-se repletos de eosinófilos, macrófagos e exsudato
proteináceo; as radiografias revelam infiltrados alveolares periféricos sem comprometimento do hilo. Os pacientes respondem muito bem a
corticosteróides.
Nos países industrializados, a pneumonia eosinofílica secundária é causada
com maior freqüência por hipersensibilidade a fármacos, especialmente
antibióticos, agentes antiinflamatórios e agentes citotóxicos. Em climas temperados, agentes infecciosos como Ascaris lumbricoides e Aspergillus podem
induzir uma pneumonia eosinofílica.
Quadro 12.6
Tipos de Pneumonia Eosinofílica
Idiopática
Pneumonia eosinofílica crônica
Pneumonia eosinofílica aguda
Pneumonia eosinofílica simples (síndrome de Löffler)
Pneumonia eosinofílica secundária
Infecção
Parasitismo
Pneumonia eosinofílica tropical
Ascaris lumbricoides, Toxocara canis, filária
Dirofilária
Fungos
Aspergillus
Fármaco-induzida
Antibióticos
Agentes citotóxicos
Agentes antiinflamatórios
Agentes anti-hipertensivos
L-Triptofano (fasciíte eosinofílica)
Doenças imunológicas ou sistêmicas
Aspergilose broncopulmonar alérgica
Síndrome de Churg-Strauss
Síndrome hipereosinofílica
De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 606.
Pneumonia Lipídica Endógena
A pneumonia lipídica endógena (pneumonia dourada) localiza-se distalmente a uma via respiratória obstruída e caracteriza-se por macrófagos repletos de lipídios
nos espaços alveolares. Ao exame microscópico, os pulmões mostram-se
amarelo-dourados. À microscopia, os alvéolos encontram-se repletos de
macrófagos espumosos que contêm fendas de colesterol em forma de agulha. As paredes alveolares mantêm sua estrutura, e pode haver inflamação crônica leve e
fibrose.
Pneumonia Lipídica Exógena
A pneumonia lipídica exógena é causada pela aspiração de óleo mineral, vegeta ou animal. Ao exame macroscópico, o pulmão demonstra uma lesão oleosa
acinzentada e mal delineada. À microscopia, existem macrófagos espumosos nos
alvéolos e no interstício. Gotículas grandes de óleo são circundadas por reação de células gigantes do tipo corpo estranho. Com freqüência os pacientes são
assintomáticos, e a lesão é detectada comumente como um achado radiográfico
ocasional.
Doenças Pulmonares Obstrutivas
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é um termo geral que descreve
pacientes que demonstram diminuição do volume expiratório forçado, conforme
determinado por provas de função pulmonar (PFP) espirométricas. A DPOC
engloba diversas doenças, como bronquite crônica, asma e enfisema. A DPOC caracteriza-se por diminuição do fluxo de ar, seja por aumento da resistência no
interior das vias respiratórias (vias respiratórias estreitadas na bronquite crônica
ou na asma) ou por uma diminuição da pressão de saída do fluxo (perda da retração elástica no enfisema).
Bronquite Crônica A bronquite crônica é definida clinicamente como a presença de tosse produtiva
crônica, sem uma causa discernível, por mais de metade do tempo durante um
período de 2 anos. Essa doença é causada basicamente por tabagismo, com mais de 90% dos casos ocorrendo em fumantes. A freqüência e a intensidade das
infecções agudas do trato respiratório encontram-se elevadas nos pacientes com
bronquite crônica. Com freqüência, a bronquite crônica é acompanhada po enfisema, e as duas doenças contribuem para o quadro clínico.
Inicialmente, tosse e produção de escarro são mais intensas nos meses de
inverno, mas, com o passar do tempo, esses sintomas ocorrem durante todo o ano Os pacientes correm risco de insuficiência respiratória aguda desencadeada por
infecções ou poluição do ar. Ademais, os pacientes correm risco de infecções po
H. influenzae e S. pneumoniae causadas por secreções mucosas retidas. À medida que a doença evolui, pode haver o desenvolvimento de dispnéia de esforço
cianose e cor pulmonale, e os pacientes são descritos como “pletóricos azulados”
À microscopia, a bronquite crônica caracteriza-se por hiperplasia e hipertrofia
das células mucosas e aumento da proporção de células mucosas em relação a serosas. Achados microscópicos adicionais incluem:
• Excesso de muco nas vias respiratórias centrais e periféricas
• Depressões no epitélio brônquico que representam ductos de glândulas
brônquicas dilatados
• Espessamento da parede brônquica causado por aumento de glândulas mucosas
e edema
• Aumento da quantidade de células caliciformes (hiperplasia)
• Aumento da quantidade de musculatura lisa brônquica
• Metaplasia escamosa do epitélio brônquico causada pela fumaça do tabaco
Enfisema
O enfisema é uma doença pulmonar crônica caracterizada por aumento dos
espaços aéreos distais aos bronquíolos terminais, associado a destruição da parede do bronquíolo. Quando comparados aos pacientes com bronquite crônica
os pacientes com enfisema correm menor risco de infecções pulmonares
recorrentes e têm menos probabilidade de desenvolver cor pulmonale.
A principal causa de enfisema é o tabagismo, e o enfisema moderado a grave
não é freqüente entre não-fumantes. Propôs-se que o enfisema decorreria de um
desequilíbrio entre a síntese de elastina no pulmão e a degradação de tecido
elástico, provocando uma perda geral de elastina e lesão da parede alveolar. O tabagismo não somente aumenta o número de neutrófilos nos alvéolos (que contêm elastase) como reduz a atividade da α-antitripsina (que normalmente 1
bloqueia a atividade da elastase).
Uma outra causa de enfisema consiste na deficiência hereditária de α 1
antitripsina. Essa forma de enfisema tipicamente afeta indivíduos jovens e com maior freqüência está associada ao alelo PiZ. Além do enfisema, esses pacientes
também desenvolvem cirrose hepática.
O enfisema é classificado de acordo com a porção do alvéolo envolvida (Fig
12.2), embora a doença possa demonstrar várias associações desses tipos:
• Enfisema centrolobular: é o mais comum e está associado a tabagismo e
sintomas clínicos; destruição de conjunto de bronquíolos terminais próximo do término da árvore bronquiolar; mais grave nas zonas superiores do pulmão
• Enfisema panacinar: o ácino é afetado de modo uniforme, com destruição dos
septos alveolares a partir do centro para a periferia do ácino; pode resultar em
uma estrutura rendada do tecido de sustentação; ocorre na deficiência de α1
antitripsina e em fumantes; tende a ocorrer nas zonas inferiores do pulmão
• Enfisema localizado: destruição de alvéolos e enfisema em apenas uma ou
algumas localizações; com freqüência no ápice de um lobo superior; pode resultar em bolhas
Os pacientes com enfisema freqüentemente manifestam o processo após 60
anos de idade, com uma história prolongada de dispnéia de esforço e tosse não
produtiva mínima. Esses pacientes freqüentemente usam músculos acessórios
para respirar, encontram-se taquipnéicos e apresentam fase expiratória prolongada. Como apresentam freqüência respiratória mais alta e volume-minuto
também maior, conseguem manter a saturação de hemoglobina arterial em níveis
próximos do normal e são chamados de “ofegantes rosados”. A radiologia mostra hiperinsuflação do pulmão, revelada por pulmões aumentados, diafragma
deprimido e aumento do diâmetro ântero-posterior (tórax em barril). Em geral a
fibrose não é uma característica de enfisema. A doença evolui com o tempo, e nenhum tratamento é verdadeiramente efetivo.
FIGURA 12.2
Tipos de enfisema. O ácino é a estrutura da troca gasosa do pulmão situado distal ao bronquíolo terminal. No enfisema centrolobular
(acinar proximal), os bronquíolos respiratórios estão envolvidos de
modo predominante. No enfisema panacinar (acinar distal), o ácino é lesado de modo uniforme. (De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al
Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams &
Wilkins, 2005, p. 618.)
Asma
A asma é uma doença pulmonar crônica causada por aumento da capacidade de resposta das vias respiratórias a diversos estímulos. A asma afeta até 10% das
crianças e 5% dos adultos nos Estados Unidos, e a prevalência parece se
crescente. Anteriormente, a asma era subclassificada em asma extrínseca (alérgica) e intrínseca (idiossincrática), embora essa terminologia não seja mais
usada.
A fisiopatologia subjacente da asma parece ser a capacidade de resposta
brônquica exagerada a uma reação inflamatória desencadeada por diversos
estímulos. Após exposição a um fator desencadeador, o alérgeno inalado interage
com células TH2 e anticorpo IgE ligado à superfície de mastócitos. Macrófagos
ativados, mastócitos, eosinófilos e basófilos a seguir liberam mediadores inflamatórios (histamina, bradicinina, leucotrienos, prostaglandinas, tromboxano A , fator ativador de plaquetas e interleucinas), resultando no aumento da 2
permeabilidade vascular e de secreções mucosas e broncoconstrição.
Diversos fatores desencadeadores podem induzir a asma, como:
• Alergia: desencadeador mais comum, e encontrada com freqüência em crianças
• Infecção: RSV em crianças com idade inferior a 2 anos e, com freqüência
rinovírus, influenza e parainfluenza em pacientes mais velhos
• Exercícios físicos: relação com o aumento da perda de calor ou água a partir do
epitélio das vias respiratórias
• Exposição ocupacional
• Exposição a fármacos: com freqüência aspirina e outros agentes
antiinflamatórios não-esteróides
• Poluição do ar
• Fatores emocionais
Ao exame macroscópico, os pulmões de pacientes que morrem durante estado
asmático encontram-se distendidos com ar, e as vias respiratórias estão
preenchidas com tampões mucosos aderentes, viscosos e espessos. À
microscopia, os tampões mucosos contêm epitélio, eosinófilos e cristais de Charcot-Leyden, que derivam de fosfolipídios na membrana da célula
eosinofílica. Ocasionalmente, os exsudatos mucóides formam um molde das vias
respiratórias, denominado espiral de Curschmann. Coleções compactas de células epiteliais, denominadas corpúsculos de Creola, também podem ser visualizadas
no escarro. A submucosa encontra-se edematosa e contém um infiltrado
inflamatório misto. Metaplasia escamosa, hiperplasia de células caliciformes e
membrana basal espessada podem estar presentes.
Com freqüência, os pacientes apresentam crises paroxísticas de sibilo, dispnéia
e tosse, e episódios agudos podem se sobrepor, na vigência de obstrução crônica
das vias respiratórias. Quando a asma aguda é grave e não responde a tratamento é denominada estado asmático e, com freqüência, exige hospitalização. O
tratamento da asma inclui classicamente a administração de agonistas β
adrenérgicos, corticosteróides por inalação, cromolina sódica, metilxantinas e agentes anticolinérgicos. Os corticosteróides sistêmicos estão reservados para o
estado asmático ou a asma crônica resistente.
Pneumoconioses
As pneumoconioses são doenças causadas por inalação de poeiras inorgânicas e incluem silicose, pneumoconiose da poeira do carvão, asbestose e beriliose. Em geral, as lesões pulmonares produzidas por essas poeiras refletem a dose e o
tamanho da partícula inalada, e os sintomas com freqüência decorrem da
quantidade de fibrose produzida secundariamente a esses fatores. Com freqüência, a doença mais grave é aquela produzida por partículas que alcançam
as regiões mais periféricas do pulmão.
Silicose
A silicose é causada por inalação de dióxido de silício (sílica) e pode afetar indivíduos envolvidos no jateamento de areia, mineração, fabricação de cerâmica
e polimento de metais, entre outras ocupações. A silicose é causada
principalmente pela forma cristalina da sílica (quartzo). Forma-se um ciclo pró fibrogênico envolvendo processos como ingestão de partículas de sílica po
macrófagos, morte de macrófagos com liberação de sílica e fatores fibrogênicos
e reingestão de sílica por novos macrófagos. A silicose manifesta-se das
seguintes formas:
• Silicose nodular simples: nódulos inferiores a 1 cm de diâmetro, compostos de
colágeno organizado concentricamente, ao redor do qual coalescem linfócitos e fibroblastos; com freqüência é assintomática
• Fibrose maciça progressiva: nódulos superiores a 2 cm de diâmetro
provocando cavitação e fibrose; pode se manifestar com dispnéia de esforço ou dispnéia em repouso
• Silicose aguda: fibrose difusa sem nódulos; dispnéia rapidamente progressiva
Pneumoconiose dos Mineradores de Carvão
A pneumoconiose dos mineradores de carvão (PMC) pode ocorrer em mineradores e é causada pela inalação de poeira de carvão, que contém sílica
carbono e outras moléculas. A PMC simples revela nódulos negros não palpáveis
com menos de 1 cm de diâmetro, compostos de macrófagos repletos de carbono associados a dilatação leve de bronquíolos respiratórios e, ocasionalmente
estroma fibrótico. A PMC complicada exibe lesões superiores a 2 cm de
diâmetro, fibrose progressiva e, com freqüência, comprometimento respiratório importante.
Asbestose
A asbestose ocorre associada a inalação de minerais de silicato fibroso delgados e
longos, encontrados em material antigo de isolamento, material de construção e
revestimento de freios; esses minerais formam depósitos nas bifurcações dos ductos alveolares. Algumas partículas são ingeridas por macrófagos, enquanto
outras penetram o interstício e ativam cascatas inflamatórias e fibrogênicas. A
asbestose caracteriza-se por fibrose intersticial difusa bilateral, e a presença de corpúsculos de asbesto (corpúsculos ferruginosos), que têm o aspecto de fibras
castanho-douradas delgadas, circundadas por cobertura de ferro-proteína em
forma de contas de rosário, com protrusões arredondadas terminais (forma de halter). Essas moléculas coram-se pelo corante de ferro azul da Prússia. Diversas
complicações podem decorrer da exposição ao asbesto e incluem:
• Derrame pleural benigno
• Placas pleurais: branco-peroladas com superfície lisa ou nodular, formadas por
tecido fibroso hialinizado, denso e acelular, com numerosos espaços semelhantes a fendas
• Fibrose pleural difusa: fibrose restrita à pleura
• Atelectasia arredondada: causada por fibrose pleural e aderências associadas a
atelectasia
• Pulmão em colméia
• Mesotelioma: discutido adiante
Beriliose
A beriliose pode ocorrer mediante a inalação de berílio, que é usado na indústria aeroespacial, fabricação de cerâmica industrial e reatores atômicos. A beriliose
aguda ocorre no intervalo de horas ou dias após a exposição e reflete-se
patologicamente como lesão alveolar difusa. A beriliose crônica reflete-se patologicamente pela presença de muitos granulomas não-caseosos situados ao
longo da pleura, dos septos e feixes broncovasculares. Os pacientes podem
evoluir para fibrose terminal e pulmão em colméia.
Talcose
A talcose ocorre mediante exposição prolongada e intensa a poeira de talco ou
pelo uso de droga intravenosa quando o talco é usado como veículo transportador
À microscopia, granulomas de corpo estranho estão associados a partículas de talco birrefringentes, semelhantes a placas, em um fundo de nódulos fibróticos e
fibrose intersticial.
Doença Pulmonar Intersticial
Diversas doenças são classificadas como doenças pulmonares intersticiais e se
manifestam por função pulmonar restritiva, infiltrados inflamatórios intersticiais e padrões clínicos e radiológicos semelhantes. As provas pulmonares
freqüentemente revelam diminuição do volume pulmonar e da capacidade de
difusão de oxigênio. Segue-se um resumo com as doenças pulmonares intersticiais.
Pneumonite por Hipersensibilidade (Alveolite Alérgica Extrínseca)
A pneumonite por hipersensibilidade pode ser induzida por uma grande variedade
de antígenos, incluindo feno mofado (pulmão do fazendeiro), fungos em fontes de água estagnada e exposição prolongada a penas e excremento de aves (pulmão
dos criadores de aves). A pneumonite por hipersensibilidade pode ser aguda ou
crônica. A pneumonite por hipersensibilidade aguda caracteriza-se por neutrófilos nos alvéolos e bronquíolos respiratórios.
• A pneumonite por hipersensibilidade crônica caracteriza-se por pneumonia
intersticial celular bronquiolocêntrica (linfócitos, plasmócitos e macrófagos)
formação de granuloma não-caseoso e pneumonia em organização. A
pneumonite por hipersensibilidade em estágio terminal pode resultar em
fibrose pulmonar.
Com freqüência, os pacientes apresentam inicialmente dispnéia, tosse e febre
leve 4 a 6 horas após o contato com o alérgeno. Os sintomas sofrem remissão em um dia, mas ressurgem com a reexposição e podem se tornar crônicos, resultando
em cor pulmonale quando intensos. As provas de função pulmonar demonstram
um padrão restritivo com redução da complacência, da capacidade de difusão e hipoxemia. A remoção do agente ambiental agressor é o único tratamento efetivo
embora esteróides possam ajudar um subgrupo de pacientes.
Sarcoidose
A sarcoidose afeta mais freqüentemente os pulmões, mas também pode envolve pele, linfonodos e olhos. Na América do Norte, a prevalência da sarcoidose é
mais alta em afro-norte-americanos, mas pode afetar pessoas de qualquer etnia ou
sexo e freqüentemente ocorre em pessoas mais jovens. Embora a etiologia subjacente da sarcoidose não seja clara, talvez uma resposta exagerada de células
T auxiliares possa estar envolvida na patogenia dessa doença.
A sarcoidose pulmonar afeta o pulmão e os linfonodos hilares e resulta na
formação de múltiplos granulomas não-caseosos no interstício, na pleura e ao
redor dos feixes broncovasculares. Essa fase granulomatosa celular pode se
sucedida por uma fase fibrótica na qual os granulomas tornam-se fibróticos a
partir da periferia e podem demonstrar um aspecto de casca de cebola Corpúsculos asteróides (cristais em forma de estrela) e corpúsculos de
Schaumann (pequenas calcificações lamelares) podem estar presentes nos
granulomas. Nos estudos radiográficos, a sarcoidose demonstra infiltrados reticulonodulares difusos.
A sarcoidose aguda tem início súbito e freqüentemente mostra remissão
espontânea em 2 anos. A sarcoidose crônica tem início insidioso e freqüentemente é progressiva. Os pacientes comumente apresentam tosse e
dispnéia. O prognóstico é favorável para esses pacientes e os estágios ativos
podem ser tratados com corticosteróides.
Pneumonia Intersticial Insidiosa
A pneumonia intersticial insidiosa (PII) freqüentemente é idiopática (denominada
fibrose pulmonar idiopática), mas pode estar associada a doença vascular do
colágeno, toxicidade medicamentosa e asbestose, entre outras causas. A etiologia
pode ser imunológica, viral ou genética, embora a causa exata não tenha sido determinada.
Os pulmões na PII encontram-se pequenos, e a fibrose tende a se agravar nos
lobos inferiores, nas regiões subpleurais e nos septos interlobulares, levando a uma retração dos pulmões ao longo do tecido cicatricial, e conferindo a este
órgão um aspecto de cravos [pregos com cabeça grande]. Patologicamente, a
inflamação intersticial crônica e a fibrose intersticial são irregulares, com áreas focais de cicatrização e alteração cística em colméia. A fibrose tende a se agrava
sob a pleura e são encontrados focos de fibrose adjacentes a regiões do pulmão
normal. Os focos fibroblásticos demonstram heterogeneidade temporal, com focos de idades diferentes no pulmão. Os focos fibroblásticos podem ser
visualizados com mais exatidão pela coloração Movat.
A PII começa de modo insidioso, com o início gradual de dispnéia de esforço e
tosse seca durante um período de 5 a 10 anos que, por fim, levam a doença
pulmonar restritiva grave. As radiografias mostram infiltrados reticulares
bilaterais difusos mais proeminentes nos lobos inferiores. O exame físico revela estertores finos nas bases pulmonares e crepitações inspiratórias tardias. Com o
transcorrer do tempo, pode haver o desenvolvimento de taquipnéia em repouso
cianose e cor pulmonale. Os pacientes podem ser tratados com corticosteróides e
ciclofosfamida, mas freqüentemente o transplante de pulmão é a única opção de cura. A sobrevida média para esses pacientes é de 4 a 6 anos.
Pneumonia Intersticial Descamativa A pneumonia intersticial descamativa (PID) é uma pneumonite intersticia
fibrosante crônica de etiologia desconhecida que ocorre com freqüência em
fumantes na casa dos 30 ou 40 anos. A PID é diferenciada da PII pela preservação da arquitetura alveolar normal e pela falta de fibrosamento irregula
e alteração em colméia. Os alvéolos encontram-se repletos de macrófagos
contendo pigmento castanho-dourado granular fino e o interstício demonstra inflamação crônica leve e fibrose. Propôs-se que a PII representasse um espectro
associado a bronquiolite respiratória (ver adiante).
As radiografias mostram infiltrados bilaterais com aspecto de vidro fosco
predominantemente nos lobos inferiores. Os pacientes respondem bem a
corticosteróides e suspensão do tabagismo.
Bronquiolite Respiratória
A bronquiolite respiratória (BR) ocorre em fumantes e pode ser um achado
ocasional ou pode provocar doença pulmonar intersticial. À microscopia observa-se um acúmulo proeminente de macrófagos pigmentados nas vias
respiratórias, especialmente concentrados nos bronquíolos. O processo é irregular
e pode haver fibrose intersticial focal concentrada ao redor dos bronquíolos. Em geral, os pacientes apresentam disfunção respiratória apenas leve. As radiografias
revelam espessamento dos bronquíolos periféricos mais notável nos lobos
superiores. Com freqüência os sintomas sofrem resolução após a cessação do tabagismo.
Bronquiolite Obliterante com Pneumonia em Organização
A bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOPO) caracteriza
se por tampões polipóides de tecido que preenchem a luz bronquiolar e vias respiratórias adjacentes. A BOPO pode ocorrer associada a diversos distúrbios
como inalação de materiais tóxicos, administração de fármacos e infecções do
trato respiratório. À microscopia, os tampões de fibrose frouxa em organização e
células inflamatórias crônicas ocluem bronquíolos (bronquiolite obliterante) ductos alveolares e alvéolos (pneumonia em organização), mas a arquitetura do
pulmão é preservada. Os septos alveolares encontram-se apenas levemente
espessados e contêm inflamação crônica.
Em média, a idade de início da pneumonia em organização é de 55 anos e as
manifestações são início súbito de febre, tosse e dispnéia aproximadamente 4 a 6
semanas após uma doença semelhante a gripe. As radiografias demonstram opacidades localizadas ou infiltrados intersticiais bilaterais, que migram com o decorrer do tempo. A terapia com corticóide é efetiva e muitos pacientes evoluem
para cura em semanas a meses, mesmo sem terapia.
Pneumonia Intersticial Linfóide
A pneumonia intersticial linfóide (PIL) é uma doença rara que afeta principalmente adultos e pode ser idiopática ou estar associada a diversos
distúrbios (Quadro 12.7).
A PIL caracteriza-se por infiltração difusa de septos alveolares e espaços
peribronquiolares por linfócitos, plasmócitos e macrófagos e pode haver
granulomas não-caseosos. A arquitetura alveolar é preservada sem evidências de
fibrose. Os espaços alveolares freqüentemente contêm exsudatos proteináceos.
É comum os pacientes apresentarem tosse e dispnéia progressiva, que podem
evoluir em alguns casos para pulmão em estágio terminal. Corticosteróides e
agentes citotóxicos podem ser benéficos.
Quadro 12.7
Doença Pulmonar Intersticial
Achados Achados
Doença Etiologia Patológicos Radiológicos
Pneumonite por Alérgenos A forma aguda hipersensibilidade inalados apresenta neutrófilos
nos alvéolos. A
forma crônica
apresenta inflamação
intersticial
bronquiolocêntrica
com plasmócitos,
linfócitos e
granulomas não-
caseosos
Sarcoidose Provável Múltiplos Infiltrado
resposta de granulomas não- reticulonodular
células T caseosos, no difuso exagerada interstício e pleura,
que podem
fibrosar;
corpúsculos de
Schaumann;
corpúsculos
asteróides
Pneumonia Freqüentemente Pulmões pequenos; Infiltrados
intersticial idiopática, fibrose mais reticulares insidiosa muitas causas intensa nos lobos bilaterais
secundárias inferior; inflamação difusos mais
crônica irregular e intensos nos
fibrose intersticial lobos
mais intensas sob a inferiores
pleura; presença de
focos de pulmão
normal; focos
fibroblásticos de
idades variáveis
Pneumonia Desconhecida, Arquitetura alveolar Infiltrados
intersticial mas relacionada preservada sem bilaterais, descamativa ao tabagismo formação de tecido semelhantes a
de cicatrização; vidro fosco,
paredes alveolares mais levemente predominantes
espessadas com nos lobos
inflamação crônica inferiores
e fibrose
intersticial;
macrófagos com
pigmento
castanho-dourado
Bronquiolite Tabagismo Acúmulo irregular Bronquíolos
respiratória de macrófagos periféricos
pigmentados nos espessados nos
espaços aéreos, lobos
concentrados nos superiores bronquíolos;
fibrose
peribronquiolar
leve e inflamação
crônica
Bronquiolite Fármacos, Áreas irregulares de Opacidades
obliterante- toxinas, fibrose em localizadas ou
pneumonia em inflamação, organização frouxa infiltrados organização vírus e inflamação bilaterais que
crônica nas vias migram
respiratórias distais migram com o
(bronquiolite decorrer do
obliterante) e tempo
alvéolos
(pneumonia em
organização),
adjacentes a
pulmão normal;
tampões de fibrose
em organização
intersticial nas vias
respiratórias;
preservação da
arquitetura
Pneumonia Idiopática Infiltração difusa de
intersticial Disproteinemia septos alveolares e
linfóide Doença vascular espaços
do colágeno peribronquiolares
Imunodeficiência por linfócitos,
Infecção plasmócitos e Iatrogênica macrófagos;
preservação da
arquitetura
pulmonar
Histiocitose de Células de Langerhans (Histiocitose X)
A histiciotose de células de Langerhans (HCL) engloba diversos distúrbios, como
granuloma eosinofílico, doença de Hand-Schüller-Christian e doença de Letterer Siwe. Em adultos, a HCL freqüentemente é uma entidade clínica isolada
denominada granuloma eosinofílico pulmonar, e quase sempre está associada a
tabagismo. A HCL pulmonar comumente afeta pacientes na casa dos 20 ou 30 anos de vida. A doença de Hand-Schüller-Christian ou a doença de Letterer-Siwe
acometem crianças com maior freqüência (ver Cap. 20).
À microscopia, a HCL revela infiltrados nodulares dispersos com bordas
estreladas, concentrados nos bronquíolos ou em uma localização subpleural, e
freqüentemente se estendem para o interstício. As lesões demonstram células de
Langerhans misturadas a linfócitos, eosinófilos e macrófagos. As células de Langerhans caracterizam-se por núcleo proeminentemente chanfrado, nucléolos
pequenos, grânulos de Birbeck citoplasmáticos demonstrados pela microscopia
eletrônica e expressão de CD1a e S-100. A doença pode evoluir para estágio terminal com fibrose e pulmão em colméia.
Os sintomas ao diagnóstico de HCL pulmonar podem ser tosse não-produtiva
dispnéia de esforço e pneumotórax espontâneo. As radiografias podem revelar
lesões reticulonodulares bilaterais difusas nos lobos superiores, que podem sofre cavitação. A suspensão do tabagismo é benéfica no início da doença.
Linfangioleiomiomatose
A linfangioleiomiomatose (LAM) ocorre em mulheres em idade reprodutiva e
caracteriza-se pela proliferação anormal disseminada de músculo liso no pulmão linfonodos mediastinais e retroperitoneais e ductos linfáticos principais. Essa
proliferação parece estar sob controle hormonal e pode ocorrer associada a
esclerose tuberosa.
Ao exame macroscópico, os pulmões encontram-se aumentados e revelam
alterações císticas extensas. À microscopia, os espaços císticos são revestidos por
nódulos ou feixes de células de musculatura lisa, arredondadas ou fusiformes, que não apresentam organização paralela normal. As células de músculo liso seguem
uma distribuição linfática no interior dos septos interlobulares, ao longo da
pleura, e ao redor de vasos sangüíneos e bronquíolos. Essas células são imunomarcadas para HMB45 e, ocasionalmente, para receptores de estrogênio e
progesterona.
Os pacientes apresentam falta de ar, hemoptise, tosse, pneumotórax espontâneo
ou derrames quilosos. À medida que a doença evolui, as radiografias demonstram
um padrão cístico ou reticular intersticial difuso. Embora alguns pacientes
apresentem evolução lenta, muitos morrem devido a insuficiência respiratória progressiva. A terapia de ablação hormonal pode ser benéfica para alguns
pacientes.
Transplante de Pulmão
Os pacientes são submetidos a transplante de pulmão por diversas patologias, e as principais complicações do transplante de pulmão são rejeição aguda e crônica e
infecção.
A rejeição aguda revela infiltrados perivasculares de linfócitos, macrófagos e
eosinófilos. A rejeição crônica revela bronquiolite obliterante, com a formação
posterior de bronquiectasia. Podem ocorrer muitas infecções oportunistas nesses
pacientes, incluindo infecção por citomegalovírus, Candida e Aspergillus. Podem ocorrer distúrbios linfoproliferativos em 3 a 8% dos casos e, com freqüência
estão associados a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV).
Vasculite e Granulomatose
Granulomatose de Wegener
A granulomatose de Wegener (GW) é uma doença de etiologia desconhecida
caracterizada por inflamação granulomatosa necrosante asséptica e vasculite que afeta mais comumente a cabeça e o pescoço, sucedidas pelo pulmão, rim e olho
Na maioria dos casos, os nódulos pulmonares são múltiplos e bilaterais e
apresentam uma superfície de corte castanho-bronzeada ou hemorrágica freqüentemente com cavitação. À microscopia, esses nódulos demonstram
necrose tissular, inflamação granulomatosa e fibrose. A vasculite pode envolver
artérias, capilares ou veias e pode consistir em inflamação aguda, crônica, ou granulomatosa, que destrói a lâmina elástica interna e externa. Os pulmões
podem demonstrar hemorragia aguda ou crônica. Com freqüência existe
infiltração neutrofílica das paredes alveolares, denominada capilarite neutrofílica
Os pacientes podem apresentar tosse, hemoptise ou pleurite e podem exibir
manifestações sistêmicas, como artralgias, lesões cutâneas, febre, perda de peso
neuropatia periférica, distúrbios do sistema nervoso central e pericardite
Hemorragia pulmonar difusa, resultando em insuficiência respiratória grave e insuficiência renal, pode ser fatal. As radiografias revelam múltiplos nódulos
intrapulmonares bilaterais.
Provas séricas indicam elevação dos níveis de anticorpo anticitoplasma de
neutrófilos clássico e perinuclear (C-ANCA e P-ANCA, respectivamente). A maioria dos pacientes é tratada de modo efetivo com corticosteróides e
ciclofosfamida.
Síndrome de Churg-Strauss (Angiíte Alérgica e Granulomatose)
A síndrome de Churg-Strauss é uma doença de etiologia desconhecida caracterizada por vasculite composta de diferentes tipos de células inflamatórias
incluindo eosinófilos, linfócitos, plasmócitos, macrófagos, células gigantes e
neutrófilos. Ademais, os pulmões revelam alterações de bronquite asmática ou bronquiolite, pneumonia eosinofílica e necrose parenquimatosa. Ocorrem três
fases clínicas, incluindo:
• Pródromo: rinite alérgica, asma, eosinofilia periférica, pneumonia eosinofílica
ou enterite eosinofílica
• Fase vasculítica sistêmica: manifestações extrapulmonares, incluindo vasculite
leucocitoclástica cutânea ou neuropatia periférica
• Fase pós-vasculítica: freqüentemente caracterizada por asma persistente e rinite
alérgica, algumas vezes com manifestações cardiovasculares de pericardite
hipertensão e insuficiência cardíaca
Com freqüência os pacientes são positivos para P-ANCA durante a fase
vasculítica. A maioria dos pacientes responde a corticosteróides, mas os casos graves podem exigir ciclofosfamida.
Granulomatose Sarcóide Necrosante
Essa doença consiste em granulomas sarcóides confluentes nodulares e uma
vasculite pulmonar específica contendo células gigantes, granulomas necrosantes e inflamação crônica. As radiografias demonstram múltiplos nódulos pulmonares
bem circunscritos. A maioria desses pacientes é assintomática, e o tratamento
com corticosteróides é usado em pacientes com nódulos pulmonares múltiplos.
Hipertensão Pulmonar
O pulmão maduro é um sistema de baixa pressão e volume alto em adultos, com
o aumento da pressão pulmonar sendo definido como uma pressão média que
excede 25 mm Hg em repouso. Pode ocorrer hipertensão pulmonar em casos de
aumento do fluxo ou da resistência vascular, e a hipertensão pode ser conceituada como pré-capilar ou pós-capilar, com a fonte da anormalidade localizada
proximal ou distal ao leito capilar.
As causas de hipertensão pulmonar pré-capilar incluem:
• Derivações cardíacas da esquerda para a direita
• Hipertensão pulmonar primária (ver adiante)
• Hipertensão pulmonar tromboembólica
• Hipertensão secundária a doença pulmonar fibrótica e hipoxia
As causas de hipertensão pulmonar pós-capilar incluem:
• Doença venoclusiva pulmonar
• Hipertensão secundária a distúrbios cardíacos esquerdos como a estenose
mitral e a coarctação da aorta
Em geral, existe aterosclerose pulmonar nas artérias pulmonares mais
calibrosas. A hipertensão pulmonar pode ser classificada de 1 a 6, com os graus 1
a 3 sendo reversíveis e os graus de 4 a 6 sendo irreversíveis. Os graus são
explicados da seguinte maneira:
• Grau 1: hipertrofia da túnica média das artérias pulmonares musculares e
surgimento de musculatura lisa nas arteríolas pulmonares
• Grau 2: proliferação da túnica íntima com hipertrofia da túnica média crescente
• Grau 3: fibrose da túnica íntima das artérias pulmonares musculares e
arteríolas, que pode ser oclusiva
• Grau 4: formação de lesões plexiformes associadas a dilatação e
adelgaçamento das artérias pulmonares
• Grau 5: lesões plexiformes associadas a dilatação ou lesões angiomatóides
• Grau 6: necrose fibrinóide das artérias e arteríolas
Com o tempo, a hipertensão pulmonar provocada por qualquer etiologia pode
acarretar hipertrofia ventricular direita e cor pulmonale.
A hipertensão pulmonar primária é uma doença rara causada por aumento do
tono nas artérias pulmonares e é mais comum em mulheres na casa dos 20 e 30 anos. Os pacientes exibem início insidioso de dispnéia, e as radiografias podem
ser normais nos estágios iniciais da doença. O tratamento clínico é ineficaz na
vigência de hipertensão pulmonar primária, e o transplante de coração-pulmão é a
única medida efetiva de tratamento.
A doença venoclusiva pulmonar caracteriza-se por oclusão extensa de
pequenas veias e vênulas pulmonares por fibrose da túnica íntima, frouxa e
fracamente celular. Essa causa de hipertensão pulmonar tem evolução mais fulminante do que outras etiologias de hipertensão pulmonar e as radiografias
revelam infiltrados pulmonares dispersos.
Hamartoma Pulmonar Os hamartomas pulmonares ocorrem com maior freqüência durante a sexta
década de vida e, na maioria das vezes, são achados ocasionais. Essas lesões são
tumores benignos que com freqüência ocorrem na zona periférica pulmonar e, em determinadas ocasiões, provocam obstrução brônquica se localizadas no interior
do bronquíolo. Ao exame macroscópico, essas lesões consistem em massas
lobuladas, circunscritas e solitárias, com média de 2 cm de diâmetro, e apresentam superfície de corte cartilaginosa, branca ou cinzenta. O tumor contém
elementos que normalmente estão presentes no interior do pulmão, o que inclu
cartilagem, tecido conjuntivo fibromixóide, gordura, osso, musculatura lisa e fendas revestidas por epitélio respiratório. Ao exame radiográfico, essas lesões
demonstram um padrão de calcificação característico em “pipoca”.
Neoplasias Pulmonares
O pulmão pode ser afetado por tecido metastático, quando as lesões
freqüentemente são bem demarcadas e múltiplas, e por câncer pulmonar primário. O câncer do pulmão é a causa mais comum de morte por câncer no
mundo todo. A principal diferença entre carcinoma de células pequenas e
carcinoma não de células pequenas deve ser estabelecida; o carcinoma de células pequenas pode responder a quimioterapia e em geral não é tratável por ressecção
cirúrgica. Com freqüência, o carcinoma do pulmão manifesta-se entre 60 e 70
anos de vida e tem predominância no sexo masculino, embora o número de mulheres acometidas seja crescente.
O câncer do pulmão é a causa mais comum de morte por câncer no mundo todo
e é provocado pelo tabagismo na grande maioria dos casos. Ademais, diversas alterações genéticas foram arroladas no desenvolvimento do câncer do pulmão
incluindo:
• Mutações no oncogene K-ras: ocorrem em 25% dos adenocarcinomas, 20%
dos carcinomas de células grandes e 5% dos carcinomas escamocelulares; raras
no carcinoma de células pequenas
• Hiperexpressão de oncogene Myc: ocorre em 10 a 40% dos carcinomas de
células pequenas, mas é rara nos outros tipos
• Mutações de P53: ocorrem em 80% dos carcinomas de células pequenas e em
50% dos casos de carcinoma não de células pequenas
• Mutações de Rb: ocorrem em 80% dos carcinomas de células pequenas e em
25% dos carcinomas não de células pequenas
• Expressão de proto-oncogene Bcl-2: ocorre em 25% dos carcinomas
escamocelulares e em 5% dos adenocarcinomas
Todos os subtipos de câncer do pulmão compartilham muitas características
comuns, como:
• Efeitos pulmonares: tosse, dispnéia, hemoptise, dor torácica, pneumonia
obstrutiva e derrame pleural
• Síndrome de Pancoast: o envolvimento do ápice pulmonar por tumor pode
comprometer o oitavo nervo cervical e o primeiro e segundo nervos torácicos
provocando dor no ombro que se irradia em uma distribuição ulnar para baixo
ao longo do braço
• Síndrome de Horner: um tumor de Pancoast que paralisa os nervos simpáticos
cervicais, levando à depressão do globo ocular (endoftalmia), ptose da pálpebra
superior, constrição da pupila (miose) e ausência de transpiração no lado afetado da face (anidrose)
• Síndrome da veia cava superior: crescimento tumoral mediastinal pode obstrui
a veia cava superior
• Metástases: disseminação para linfonodos regionais e distal a cérebro, osso
fígado e glândulas supra-renais
• Síndromes paraneoplásicas: acantose nigricans, dermatomiosite/polimiosite
síndromes miastênicas, síndrome de Cushing, síndrome da secreção
inadequada de hormônio antidiurético, hipercalcemia
Em termos gerais, a sobrevida em 5 anos para os pacientes com câncer do
pulmão é de 15%, embora a sobrevida específica para cada subtipo de cânce
varie de 42% para carcinoma broncoalveolar até 5% para carcinoma de células
pequenas.
Carcinoma Escamocelular
O carcinoma escamocelular soma aproximadamente 30% dos carcinomas do
pulmão nos Estados Unidos. Com freqüência, esses cânceres têm origem na
porção central do pulmão a partir dos brônquios principais ou segmentares e, ao exame macroscópico, mostram-se lesões branco-acinzentadas firmes, que podem
ulcerar a parede brônquica e invadir o parênquima pulmonar. Pode haver
cavitação central. Os carcinomas escamocelulares bem diferenciados demonstram pérolas de queratina e, com freqüência, queratinização de células individuais
enquanto os carcinomas mal diferenciados podem ser difíceis de ser distintos dos
outros subtipos.
Adenocarcinoma O adenocarcinoma soma aproximadamente 30% dos carcinomas do pulmão nos
Estados Unidos. Esses cânceres mais comumente surgem na periferia do pulmão
e, ao exame macroscópico, mostram-se como lesões branco-acinzentadas irregulares que podem causar enrugamento da pleura sobrejacente. Os
adenocarcinomas podem ser subdivididos em carcinoma acinar, papilar, sólido
com formação de muco e broncoalveolar (ver parágrafo seguinte) e, em geral existe pelo menos formação glandular focal e mucina intracitoplasmática
conforme demonstrado pela coloração PAS. Os adenocarcinomas demonstram
invasão parenquimatosa circundante e, ocasionalmente, envolvimento da pleura.
Carcinoma Bronquioloalveolar
O carcinoma bronquioloalveolar (CBA) é um raro subtipo de adenocarcinoma
(1%-5%) que cresce ao longo de paredes alveolares preexistentes sem invasão do
parênquima pulmonar subjacente. As células no CBA mostram-se como células
atípicas cuboidais a colunares baixas, com características mucinosas ocasionais O crescimento tumoral invasivo a partir de um CBA freqüentemente define o
tumor como um adenocarcinoma. O CBA é uma forma de carcinoma do pulmão
não estritamente associada ao tabagismo.
Carcinoma de Pequenas Células
O carcinoma de pequenas células (“carcinoma de células em grão de aveia”)
contribui com aproximadamente 20% de todos os casos de carcinoma do pulmão
nos Estados Unidos. O carcinoma de pequenas células freqüentemente mostra-se como uma massa periilar com crescimento rápido e metástases freqüentes em
linfonodos. Até 70% dos pacientes são diagnosticados em um estágio avançado
Ao exame macroscópico, o carcinoma de pequenas células mostra-se macio e branco, com hemorragia e necrose extensas ao corte. À microscopia, as células
são redondas ou ovais, com núcleo hipercromático, citoplasma escasso, nucléolos
ausentes ou imperceptíveis e amoldamento nuclear (os núcleos parecem
abraçarem uns aos outros). Embora denominado “pequenas células”, as células na verdade são bem maiores do que os linfócitos circundantes. A necrose é comum e
o índice mitótico é extremamente alto nesses tumores. Com freqüência, o
carcinoma de pequenas células pode se manifestar por meio de síndromes paraneoplásicas, em especial diabetes insípido e síndrome de Cushing. O
carcinoma de pequenas células deve ser diferenciado de outros subtipos de
carcinoma do pulmão devido às diferentes opções de tratamento.
Carcinoma de Células Grandes O carcinoma de células grandes é tipicamente um diagnóstico de exclusão
quando a lesão não se ajusta morfologicamente à classificação de carcinoma
escamocelular, adenocarcinoma ou carcinoma de pequenas células. Em geral, as células neoplásicas são grandes com citoplasma abundante. Esse subtipo soma
cerca de 10% de todos os carcinomas de pulmão.
Tumores Carcinóides
Os tumores carcinóides são tumores neuroendócrinos derivados da camada basa pluripotencial do epitélio respiratório e somam 2% de todos os carcinomas do
pulmão. Esses tumores podem estar situados em qualquer parte do pulmão e, ao
exame macroscópico, são massas polipóides, lisas e carnosas, que se projetam para a luz brônquica. À microscopia, esses tumores revelam um padrão de
crescimento organóide, trabecular ou semelhante a roseta, com células uniformes
contendo núcleo finamente granular (“sal e pimenta”). Os carcinóides são
classificados como atípicos se apresentarem atividade mitótica elevada (2-10 figuras mitóticas por 10 campos de maior aumento), necrose, desorganização da
arquitetura e pleomorfismo nuclear. Os tumores carcinóides freqüentemente são
lesões indolentes e os sintomas, quando presentes, são hemoptise, pneumonite pós-obstrutiva e dispnéia, além de endocrinopatias ocasionais, como a síndrome
de Cushing. Essas lesões podem ocorrer em qualquer idade, mas constituem a
forma mais comum de carcinoma primário do pulmão que se manifesta na infância. O prognóstico desses pacientes é excelente, com sobrevida em 5 anos de
90% no caso de carcinóides típicos e de 60% nos casos de carcinóides atípicos.
Tumores Pulmonares Raros
Diversos tumores incomuns ocorrem nos pulmões, incluindo:
• Pseudotumor inflamatório: massas nodulares circunscritas de células
inflamatórias e fibroblastos, freqüentemente antes dos 40 anos de idade, e contendo uma mistura de células inflamatórias
• Hemangioendotelioma epitelióide pulmonar: neoplasias vasculares de grau
baixo, freqüentemente em mulheres jovens, e que apresentam múltiplos nódulos ovalados com zona hipocelular esclerótica central e zona celular
periférica
• Carcinossarcoma: mistura de células epitelióides e fusiformes que podem
representar uma desdiferenciação de carcinoma do pulmão
• Blastoma pulmonar: tumor maligno semelhante a pulmão embrionário com um
componente glandular de células colunares mal diferenciadas em túbulos e
células fusiformes entremeadas, e ocorre em adultos
• Carcinoma mucoepidermóide e carcinoma adenóide cístico: idênticos às lesões
que ocorrem nas glândulas salivares e originam-se no interior das glândulas mucosas traqueobrônquicas
• Sarcoma da artéria pulmonar: tumor mesenquimatoso que pode aparentar
lesões como fibrossarcoma, leiomiossarcoma ou angiossarcoma; cresce de modo intraluminal associado a artérias proximais, e se estende de modo
infiltrativo nas arteríolas ramificantes
• Granulomatose linfomatóide: distúrbio linfoproliferativo de células B
infectadas por EBV, caracterizado por infiltrado linfóide nodular pulmonar com
necrose central e permeação vascular, e ocorre em indivíduos de meia-idade
PLEURA
Pneumotórax
O pneumotórax refere-se a ar no interior da cavidade pleural, e pode ocorrer associado a perfuração traumática da pleura ou de modo espontâneo. O
pneumotórax espontâneo ocorre com maior freqüência em adultos jovens e
muitas vezes, é causado pela ruptura de uma vesícula enfisematosa. O pneumotórax por tensão é um pneumotórax potencialmente fatal e grande o
suficiente para desviar o mediastino para o lado oposto, o que pode acarretar
compressão do pulmão oposto.
Derrame Pleural
O derrame pleural é uma coleção de excesso de líquido no interior da cavidade pleural e pode ser causado por diversos fatores benignos ou malignos
desencadeadores. Os derrames pleurais podem ser denominados diferencialmente
com base no teor do derrame:
• Hidrotórax: derrame aquoso que ocorre secundário a aumento da pressão
hidrostática nos pacientes com insuficiência cardíaca, edema pulmonar ou edema sistêmico
• Piotórax: derrame contendo grandes quantidades de neutrófilos e que ocorre
associado a infecções da pleura ou como uma complicação de pneumonia bacteriana
• Empiema: variante de piotórax em que pus espesso acumula-se no interior da
cavidade pleural, freqüentemente acompanhado por loculação e fibrose
• Hemotórax: derrame sanguinolento que ocorre sucedendo trauma ou um vaso
rompido
• Quilotórax: derrame leitoso, rico em lipídios, causado por obstrução linfática
Pleurite
A inflamação da pleura (pleurite) pode decorrer da extensão de uma infecção pulmonar para a pleura, de infecções bacterianas no interior da cavidade pleural
infecções virais, doença vascular do colágeno, ou de infarto pulmonar. Em geral
os pacientes descrevem uma dor torácica aguda, semelhante a uma punhalada durante a inspiração.
Tumores da Pleura
Tumor Fibroso Solitário
O tumor fibroso solitário consiste em uma neoplasia localizada e que pode
ocorrer em muitos locais, incluindo pleura visceral e pleura parietal. Essas lesões
ocasionalmente são pedunculadas e podem ser de tamanho muito grande. Ao exame macroscópico, essas lesões demonstram uma superfície de corte branco
acinzentada, nodular, espiralada ou lobulada, com a formação ocasional de cistos
As células tumorais têm formato fusiforme a ovalado, e comumente assumem um “padrão sem padrão”, ou seja, descrevendo um aspecto aleatório ou desordenado
Com freqüência uma característica definidora consiste em um cordão de colágeno
entremeado. Um subgrupo dessas lesões é maligno e demonstra maio celularidade, pleomorfismo, necrose e acima de 4 mitoses por 10 campos de
maior aumento. O tumor fibroso solitário manifesta-se em uma média de idade de
55 anos, e os pacientes podem apresentar dor torácica, falta de ar, hipoglicemia
perda de peso, hemoptise, febre ou suores noturnos. Os pacientes têm um bom prognóstico se as lesões forem completamente excisadas.
Mesotelioma Maligno
O mesotelioma maligno origina-se de células mesoteliais e pode ocorrer na
pleura, no peritônio, pericárdio e na túnica vaginal. A média de idade de início é de 60 anos e a maioria dos pacientes relata uma exposição prévia a asbesto. Ao
exame macroscópico, o mesotelioma pleural parece envolver e comprimir o
pulmão, estendendo-se em fissuras e septos interlobares. Com freqüência, há apenas invasão superficial na periferia do pulmão. À microscopia, o mesotelioma
maligno tem um aspecto bifásico, com padrões epiteliais e sarcomatosos. O
componente epitelial assemelha-se a adenocarcinoma com formação de glândulas. O componente sarcomatoso demonstra células fusiformes. Os
mesoteliomas são positivos para citoqueratina e WT-1. Em oposição aos
adenocarcinomas do pulmão, os mesoteliomas são negativos para CEA, Leu-M1 B72.3 e BER-EP4. Os pacientes com mesotelioma maligno podem apresentar
derrames pleurais, massa pleural, dor torácica e sintomas inespecíficos
generalizados. Podem ocorrer metástases no parênquima pulmonar ou em linfonodos mediastinais, além de locais mais distantes, como o fígado, osso e
supra-renais. Não existe tratamento efetivo.
OceanofPDF.com