Fundamentos de patologia

Donna E. Hansel · Capítulo 17 de 28

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Fundamentos de patologia

Capítulo 17 | Trato Urinário Inferior e Sistema Reprodutivo Masculino

Trato Urinário Inferior e Sistema Reprodutivo

 

Masculino

 

Sumário do Capítulo

Trato Urinário Inferior

Anatomia e Histologia Normais

Ureteres

Anomalias Congênitas da Pelve Renal e Ureteres

Ureterite e Obstrução Ureteral

Câncer Ureteral

Bexiga

Anomalias Congênitas da Bexiga

Cistite

Lesões Benignas

Lesões Uroteliais Reativas e Metaplásicas

Papiloma de Células Uroteliais

Carcinoma de Células Uroteliais

Uretra

Uretrite

Uretrite Sexualmente Transmitida

Uretrite Infecciosa Inespecífica

Carúnculas Uretrais

Síndrome de Reiter

Câncer Uretral

Sistema Reprodutivo Masculino

Anatomia e Histologia Normais

Pênis, Uretra e Escroto

Distúrbios Congênitos do Pênis

Hipospádia

Epispádia

Fimose

Massas Escrotais

Distúrbios Circulatórios

Edema Escrotal

Disfunção Erétil (Impotência)

Priapismo

Distúrbios Inflamatórios do Pênis

Câncer do Pênis e Lesões Precursoras

Testículo, Epidídimo e Ducto Deferente

Criptorquidismo (Testículo Não Descido)

Anormalidades da Diferenciação Sexual

Hermafroditismo

Pseudo-hermafroditismo Feminino

Pseudo-hermafroditismo Masculino

Infertilidade Masculina

Distúrbios Inflamatórios

Epididimite

Orquite

Tumores

Tumores de Células Germinativas

Neoplasia de Células Germinativas Intratubulares (NCGIT)

Próstata

Prostatite

Hiperplasia Nodular da Próstata (Hiperplasia Prostática Benigna)

Adenocarcinoma

 

TRATO URINÁRIO INFERIOR

 

Anatomia e Histologia Normais

 

O trato urinário inferior é constituído pelos ureteres, pela bexiga e uretra. Os ureteres são estruturas retroperitoneais que conduzem a urina dos rins para a bexiga; as valvas ureterovesicais permitem a passagem de urina em um único sentido para a bexiga, desse modo evitando o refluxo urinário. A bexiga também está localizada no retroperitônio e encontra-se anterior ao reto no sexo masculino e anterior à porção inferior do corpo uterino no sexo feminino. A bexiga está subdividida em ápice (cúpula), porção média e trígono, que conduz à uretra. A uretra masculina, com cerca de 20 cm de comprimento é dividida em uretra prostática, uretra membranosa (penetra o assoalho pélvico) e uretra esponjosa (peniana). A uretra masculina recebe fluxo oriundo dos ductos ejaculatórios (Fig. 17.1). A uretra feminina tem em média 3 a 4 cm de comprimento e recebe secreções de glândulas mucosas circunvizinhas. O trato urinário inferior encontra-se revestido por urotélio (anteriormente descrito como epitélio de transição). As camadas da bexiga incluem:

•Urotélio: composto de membrana basal, camada de células basais (células em

divisão), uma zona intermediária (3–4 camadas de células poligonais maduras) e células guarda-chuva (uma única camada de epitélio superficial resistente a lesão pela urina)

•Lâmina própria: tecido conjuntivo frouxo e vasos sangüíneos

•Muscular da mucosa: camada muscular delgada incompleta

•Muscular própria (músculo detrusor)

•Adventícia

FIGURA 17.1

Trato urinário inferior em relação com o sistema reprodutivo masculino. (De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 886.)

 

URETERES

 

Anomalias Congênitas da Pelve Renal e Ureteres

 

As anomalias congênitas do sistema urinário ocorrem em 2 a 3% da população e, com freqüência, são assintomáticas. As anomalias mais comuns incluem agenesia, ectopia (localização incorreta), duplicações e obstruções. Em casos raros, as anomalias podem provocar obstrução do trato urinário e infecção. As anomalias das válvulas vesicoureterais podem provocar refluxo intenso de urina para o ureter, acarretando por fim dilatação da pelve renal e ureter (hidronefrose) e destruição do parênquima renal.

 

Ureterite e Obstrução Ureteral

 

A ureterite é uma inflamação do ureter que pode ser provocada por infecções descendentes (renais) ou por infecção ascendente (da bexiga), causada por valvas vesicouretéricas incompetentes que permitem o refluxo de urina. Com freqüência, a ureterite é causada por obstrução do fluxo de saída da urina, secundária a cálculos estenoses inflamatórias, hiperplasia prostática benigna, gestação, endometriose e câncer de próstata.

 

Câncer Ureteral

 

A maior parte dos casos de câncer ureteral compõe-se de carcinoma de células uroteliais, e histologicamente é semelhante ao encontrado na bexiga (ver seção seguinte). Com freqüência os pacientes estão na casa dos 50 e 60 anos de vida e apresentam hematúria e dor no flanco. O tratamento envolve a ressecção cirúrgica da pelve renal e do ureter envolvidos (nefroureterectomia radical).

 

BEXIGA

 

Anomalias Congênitas da Bexiga

 

As anomalias congênitas da bexiga identificadas com maior freqüência são:

•Divertículos: projeções da parede da bexiga devido a formação incompleta da

camada muscular

•Remanescentes do úraco: involução incompleta do pedículo alantóico fetal; pode

levar à formação de fístula ou de adenocarcinoma

•Incompetência congênita da valva vesicoureteral: causada por junção anormal entre

os ureteres e a bexiga; pode provocar refluxo vesicouretérico

•Extrofia da bexiga: ausência da parede anterior da bexiga e de uma porção da parede

abdominal anterior, deixando a parede posterior da bexiga exposta externamente pode estar associada a epispádia (ver “Testículo, Epidídimo e Ducto Deferente” adiante).

 

Cistite

 

A cistite é uma inflamação da bexiga que pode ser aguda ou crônica. Com freqüência, a cistite ocorre sucedendo infecção do trato urinário inferior por microrganismos, como Escherichia coli, Proteus vulgaris, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter. Em casos especiais, pode ocorrer a colonização com fungos (pacientes imunossuprimidos) bacilos formadores de gases (pacientes diabéticos) ou esquistossomose (norte da África e Oriente Médio).

O risco de cistite é maior nos pacientes com:

•Sexo feminino: uretra curta

•Cálculos vesicais

•Obstrução da saída da bexiga

•Instrumentação ou cateterismo pregressos

•Radioterapia ou quimioterapia

•Distúrbios clínicos: diabetes melito, imunodeficiência

Os pacientes apresentam polaciúria, dor à micção (disúria) e dor abdominal baixa ou

dor pélvica. O exame da urina revela células inflamatórias; o microrganismo desencadeador pode ser cultivado. A cistite é tratada por meio da administração de antibióticos.

Inflamação ativa com predominância de linfócitos e fibrose da lâmina própria são os

marcos da cistite crônica. A cistite folicular é uma forma de cistite crônica que contém folículos linfóides na lâmina própria. Formas adicionais de cistite crônica são:

•Cistite granulomatosa: pode ocorrer associada a tuberculose ou esquistossomose

•Cistite eosinofílica: infiltrados densos de eosinófilos na lâmina própria

•Cistite hemorrágica: hemorragias petequiais focais na mucosa provocadas por

infecção aguda, agentes citotóxicos, coagulação intravascular disseminada

•Cistite ulcerativa: ulceração e hemorragia focal da mucosa, provocadas por cateteres

de demora ou cistoscopia traumática

•Cistite supurativa: exsudato purulento causado por sepse, pielonefrite, infecção local

•Cistite pseudomembranosa: material acinzentado felpudo, cobrindo a superfície da

bexiga que apresenta mucosa ulcerada hemorrágica subjacente devido a infecção sucedendo agentes citotóxicos

A cistite intersticial crônica afeta mulheres na meia-idade. Os sintomas são dor

suprapúbica crônica e polaciúria e urgência urinária. À cistoscopia, a mucosa contém hemorragias focais. À microscopia, inflamação transmural da bexiga e ulceração ocasional da mucosa (úlcera de Hunner) são evidentes. A doença é resistente a tratamento, e os microrganismos tipicamente não são cultivados a partir da urina.

A malacoplaquia caracteriza-se por placas amarelas e moles na mucosa que são

compostas de um acúmulo de macrófagos. Essa doença é rara, pode ocorrer em todos os grupos etários e com maior freqüência afeta mulheres. É comum um histórico clínico de câncer, imunossupressão ou infecções crônicas. À microscopia, a lâmina própria revela infiltrado histiocítico; os histiócitos freqüentemente contêm inclusões citoplasmáticas denominadas corpúsculos de Michaelis-Guttman.

 

Lesões Benignas

 

Lesões Uroteliais Reativas e Metaplásicas

Embora essas lesões possam afetar qualquer porção do trato urinário, mais freqüentemente envolvem a bexiga. As associações comuns incluem cálculos urinários infecções e bexiga neurogênica. Lesões proliferativas e metaplásicas benignas incluem:

•Ninhos de Von Brunn: invaginações do epitélio para o interior da lâmina própria

•Cistite cística: coleções de cistos repletos de líquido e revestidos por urotélio

• epitélio contendo células caliciformes Cistite glandular: estruturas glandulares no interior da lâmina própria, revestidas por

•Metaplasia escamosa

•Metaplasia nefrogênica (adenoma): nódulo exofítico papilar identificado à

microscopia como numerosos pequenos túbulos aglomerados no interior da lâmina própria

 

Papiloma de Células Uroteliais

O papiloma de células uroteliais é uma lesão benigna rara encontrada ocasionalmente ou após exame devido a hematúria indolor. Em geral, esse distúrbio afeta homens com idade superior a 50 anos. Os papilomas ocorrem como um dentre dois subtipos:

•Papiloma exofítico: lesões com 2 a 5 cm de diâmetro, constituídas por franjas

papilares cobertas por urotélio normal

•Papiloma invertido: lesões nodulares na mucosa, revestidas por urotélio normal que

se invagina na lâmina própria

 

Carcinoma de Células Uroteliais

 

A neoplasia mais comum do trato urinário é o carcinoma de células uroteliais, que pode surgir em qualquer localização que contenha urotélio, como a pelve renal, os ureteres, a bexiga e a uretra. Outros tipos de carcinomas que surgem no interior do trato urinário mais freqüentemente a bexiga, são carcinoma de células escamosas, adenocarcinoma e carcinoma neuroendócrino.

O carcinoma de células uroteliais afeta predominantemente pacientes do sexo

masculino com idade superior a 65 anos e contribui com 3 a 5% das mortes relacionadas com câncer nos Estados Unidos. Embora o carcinoma de células uroteliais possa ocorrer em qualquer local no trato urinário, a bexiga é afetada com maior freqüência. Os pacientes podem apresentar hematúria súbita e, ocasionalmente, disúria Os fatores de risco para o desenvolvimento de carcinoma de células uroteliais são:

•Tabagismo

•Exposição industrial a corantes azo

•Infecção por Schistosomiasis haematobium (primariamente carcinoma escamocelular

•Agentes químicos, como ciclofosfamida e analgésicos

•Radioterapia regional

Em determinadas circunstâncias, múltiplos carcinomas uroteliais podem surgir em

diferentes sítios do trato urinário; essas lesões parecem ter origem no mesmo clone de células. Cinqüenta por cento dos carcinomas uroteliais contêm anormalidades citogenéticas específicas, como anomalias de:

•Gene supressor tumoral p16: tumores de graduação baixa

•Gene de supressão tumoral p53: tumores de graduação alta e invasivos

Os carcinomas de células uroteliais podem ser in situ ou invasivos. O carcinoma

urotelial in situ pode ser plano ou papilar. O carcinoma de células uroteliais plano não mostra estruturas papilares à microscopia, mas caracteriza-se por atipia celular de espessura completa do urotélio, como aumento nuclear e hipercromasia, forma irregular do núcleo, nucléolos proeminentes e cromatina grosseira. À cistoscopia, identificam-se múltiplas áreas planas aveludadas e vermelhas. O carcinoma de células uroteliais plano pode ocorrer associado a carcinoma de células uroteliais papilar. O carcinoma de células uroteliais papilar freqüentemente surge das paredes laterais da bexiga, embora qualquer região da bexiga possa ser afetada. À cistoscopia, essas lesões variam em aspecto desde estruturas delicadas semelhantes a frondes até lesões ulceradas sólidas. À microscopia, essas lesões demonstram frondes papilares com pedículo fibrovascular revestido por urotélio e graus variáveis de displasia. Essas lesões são classificadas adicionalmente pela graduação histológica (Fig. 17.2).

•Grau baixo (grau 1): aumento da espessura do urotélio com pleomorfismo nuclea

mínimo e baixo índice mitótico

•Grau alto (graus 2 e 3): aumento da estratificação nuclear, perda de polarização

nuclear, pleomorfismo nuclear moderado, atividade mitótica freqüente.

O tratamento dessas lesões inclui o uso de agentes quimioterapêuticos por via

intravesical ou o bacilo de Calmette-Guérin (BCG).

O carcinoma urotelial invasivo demonstra invasão no tecido subjacente ao epitélio

como a lâmina própria e o músculo detrusor. Com freqüência, a invasão ocorre inicialmente no interior do pedículo fibrovascular de uma lesão papilar ou logo abaixo da localização de um carcinoma plano in situ, com subseqüente invasão da lâmina própria, sucedida por invasão do músculo detrusor. A profundidade e a extensão da invasão são importantes no estadiamento e prognóstico do carcinoma urotelial. As lesões que não são invasivas ou que invadem a lâmina própria podem ser tratadas de modo conservador por meio de ressecção transuretral (RTU) e/ou administração de BCG; a remoção da bexiga (cistectomia radical) é realizada nas lesões com invasão mais extensa. A sobrevida em 5 anos varia de 80% nas lesões minimamente invasivas até inferior a 20% nas lesões com invasão do músculo detrusor e além.

FIGURA 17.2

Graduação de carcinoma de células uroteliais papilar.

 

URETRA

 

Uretrite A uretrite é uma inflamação da uretra que pode ser aguda ou crônica.

 

Uretrite Sexualmente Transmitida

A uretrite pode ser causada por uma doença sexualmente transmitida, como Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis ou Ureaplasma urealyticum. Essa forma de uretrite tem início agudo, e este início está relacionado com relação sexual. Os pacientes freqüentemente manifestam dor ou formigamento no meato da uretra e dor à micção e existe uma secreção uretral amarelo-esverdeada.

 

Uretrite Infecciosa Inespecífica

Essa forma de uretrite pode estar associada a cistite, prostatite ou vaginite. Os microrganismos causais incluem E. coli e Pseudomonas. Com freqüência os sintomas incluem urgência urinária e sensação de ardência durante a micção. É comum não have secreção.

 

Carúnculas Uretrais

Essas lesões ocorrem com maior freqüência em mulheres no período pós-menopausa e consistem em lesões polipóides inflamatórias com 1 a 2 cm de diâmetro no meato uretral. Os sintomas incluem dor e sangramento. Não se sabe a etiologia das carúnculas O tratamento consiste em excisão por via cirúrgica.

 

Síndrome de Reiter

A síndrome de Reiter é definida como uretrite, conjuntivite e artrite de articulações que sustentam peso. A síndrome de Reiter freqüentemente afeta adultos jovens com um haplótipo HLA-B27. A uretrite ocorre sucedendo infecção por diversos patógenos e pode ser causada por uma reação imunológica inapropriada a um antígeno. Com freqüência, os sintomas desaparecem espontaneamente em 3 a 6 meses.

 

Câncer Uretral

 

O carcinoma uretral ocorre com freqüência duas vezes maior em mulheres, e pode esta associado a estenoses ou a câncer da bexiga. Idosos são afetados com maior freqüência e podem apresentar sangramento uretral e disúria. O câncer uretral mais comum é o carcinoma de células escamosas; também pode ocorrer carcinoma de células uroteliais O tratamento é realizado por meio de cirurgia radical.

 

SISTEMA REPRODUTIVO MASCULINO

 

Anatomia e Histologia Normais O sistema reprodutivo masculino inclui testículos, epidídimo, ductos deferentes vesículas seminais, próstata e pênis. A espermatogênese ocorre nos testículos no interio dos túbulos seminíferos, e ocorre sob a orientação das gonadotrofinas hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH), regulada pela inibina produzida pelas células de Sertoli e testosterona produzida pelas células de Leydig (Figs. 17.3 e 17.4).

 

FIGURA 17.3

Anatomia do testículo. (De Ross MH, Kaye GI, Pawlina W. Histology: A Text and Atlas, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2003, p. 686.)

FIGURA 17.4

Epitélio seminífero humano. O amadurecimento do espermatozóide evolui ao longo de muitos estágios como espermatogônia, espermatócitos primários espermátides iniciais e espermátides avançadas. (De Ross MH, Kaye GI Pawlina W. Histology: A Text and Atlas, 4th ed. Philadelphia: Lippincot Williams & Wilkins, 2003, p. 686.)

 

PÊNIS, URETRA E ESCROTO

 

Distúrbios Congênitos do Pênis

 

Hipospádia

Na hipospádia, a uretra se abre na face ventral do pênis, associada ao fechamento incompleto das pregas uretrais do seio urogenital. Esse distúrbio ocorre em 1 em 350 neonatos do sexo masculino. Ocasionalmente, está associada a síndromes de desenvolvimento de múltiplos sistemas.

 

Epispádia

Essa é uma anomalia congênita rara na qual a uretra se abre na face superior (dorsal) do pênis. Quando grave, a epispádia pode estar associada a extrofia da bexiga. Fimose

Na fimose, o orifício do prepúcio pode ser estreito demais a ponto de não permitir a retração sobre a glande do pênis, predispondo a infecção. O tratamento dá-se por meio de circuncisão.

 

Massas Escrotais

 

Massas escrotais refletem anomalias que ocorrem no testículo, epidídimo e nos tecidos circunvizinhos. A hidrocele é a causa mais comum de tumefação escrotal em lactentes e pode ser diagnosticada por transiluminação do líquido na cavidade por meio de ultra sonografia. Causas adicionais de massas escrotais estão relacionadas no Quadro 17.1.

 

Quadro 17.1

Massas Escrotais

 

Entidade

Mórbida Achados Etiologia

 

Hidrocele Processo vaginal do

testículo patente

 

Hidrocele Coleção de líquido seroso entre as duas

congênita camadas da túnica vaginal; associada a

hérnia inguinal

 

Hidrocele Coleção de líquido seroso entre as duas Infecção, tumor,

adquirida camadas da túnica vaginal traumatismo

 

Hematocele Acúmulo de sangue entre as duas Traumatismo,

camadas da túnica vaginal hemorragia para o

interior de hidrocele

 

Espermatocele Nódulo paratesticular hilar repleto de Protrusão de ductos

líquido leitoso; espermatozóides em eferentes, da rete diversos estágios de degeneração testis ou do

epidídimo

 

Varicocele Assintomática; nodularidade na face Dilatação de veias

lateral do escroto; causa freqüente de testiculares infertilidade e oligospermia

 

Hérnia Massa; processo crônico; pode estar Protrusão dos

inguinal associada a atrofia testicular intestinos no escroto escrotal

Distúrbios Circulatórios

 

Edema Escrotal

O acúmulo de linfa (linfedema) ou de líquido seroso pode ocorrer associado à obstrução da saída da drenagem linfática ou venosa. O linfedema pode ocorrer associado a tumores pélvicos ou abdominais, cicatrizes cirúrgicas ou infecções. O acúmulo de plasma pode ocorrer associado a insuficiência cardíaca, cirrose ou na síndrome nefrótica.

 

Disfunção Erétil (Impotência)

A incapacidade de alcançar ou manter uma ereção suficiente para desempenho sexua satisfatório descreve a impotência. A prevalência da impotência aumenta com a idade indo de 20% aos 40 anos até 50% aos 70 anos. Uma combinação entre fatores hormonais, vasculares e neurais influencia o preenchimento do corpo cavernoso e corpo esponjoso do pênis, necessário para manter a ereção. Diversos distúrbios podem levar à disfunção erétil (Quadro 17.2). O tratamento desse distúrbio pode ser feito com medicações que evitam a degradação de cGMP, como o sildenafil (Viagra).

 

Quadro 17.2

Causas de Disfunção Erétil

Neuropsiquiátricas

Distúrbios psiquiátricos (p. ex., depressão)

Lesão na medula espinhal

Lesão de nervo durante cirurgia (p. ex., cirurgia pélvica ou perineal)

Endócrinas

Hipogonadismo

Doença hipofisária (p. ex., hiperprolactinemia)

Hipotireoidismo, síndrome de Cushing, doença de Addison

Vasculares

Microangiopatia diabética

Hipertensão

Aterosclerose

Agentes químicos

Anti-hipertensivos

Drogas psicotrópicas

Estrógenos

Drogas anticâncer

Idiopáticas

“Ansiedade do desempenho”

“Impotência” relacionada com o envelhecimento De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 902.

 

Priapismo

O priapismo consiste na ereção dolorosa sustentada do pênis, não relacionada com excitação sexual. Com freqüência, a etiologia do processo é desconhecida. O priapismo secundário ocorre associado à interferência no fluxo de saída do sangue do pênis (tumores pélvicos), distúrbios hematológicos (anemia falciforme) e doenças do cérebro e da medula espinhal (sífilis).

 

Distúrbios Inflamatórios do Pênis

 

Os distúrbios inflamatórios do pênis ocorrem associados a doenças sexualmente transmitidas, infecções, dermatoses e dermatite. A balanite refere-se à inflamação da glande peniana especificamente. Algumas vezes, não se conhece a etiologia da inflamação. O Quadro 17.3 fornece uma descrição dos distúrbios inflamatórios do pênis.

 

Quadro 17.3

Lesões Inflamatórias do Pênis

 

Doença Achados

 

Doenças sexualmente transmitidas

 

Herpes genital (HSV-2) Vesículas agrupadas que ulceram e formam crostas

 

Sífilis (Treponema pallidum) Úlcera mole e solitária (cancro)

 

Cancróide ( Haemophilus Pápula que se transforma em pústula que ulcera

ducreyi)

 

Granuloma inguinal Doença tropical; ulceração elevada repleta de

( Calymmatobacterium exsudato e tecido de granulação granulomatus)

 

Linfogranuloma venéreo Pequena vesícula que ulcera; linfadenopatia

( Chlamydia trachomatis) inguinal sensível que pode formar seios e drenar

pus

 

Infecção por papilomavírus Verrugas achatadas (condilomas acuminados)

humano

 

Balanopostite infecciosa inespecífica

 

Bacteriana, fúngica, viral

Doenças de etiologia desconhecida

 

Balanite xerótica obliterante Glande endurecida e branca; fibrose, esclerose de

tecido conjuntivo subepitelial

 

Balanite circinada Alteração da cor semelhante a placas, lineares,

circulares; ocorre na síndrome de Reiter

 

Balanite plasmocitária Alteração da cor, macular, ou pápulas indolores na

(balanite de Zoon) glande; infiltrado de plasmócitos no tecido

conjuntivo

 

Doença de Peyronie Fibrose assimétrica focal do corpo do pênis;

curvatura do pênis

 

Dermatite envolvendo corpo do pênis e escroto

 

Infecciosa (bacteriana, viral,

fúngica)

 

Não-infecciosa (p. ex., líquen

plano, doença bolhosa de

pele)

Modificado de Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 902.

 

Câncer do Pênis e Lesões Precursoras

 

O carcinoma escamoso do pênis é uma lesão rara, mais prevalente em países menos desenvolvidos. A média de idade de apresentação é 60 anos. Embora a causa seja desconhecida, os agentes etiológicos propostos incluem acúmulo de queratina sob o prepúcio (esmegma), fimose e papilomavírus humano (HPV) tipos 16 e 18.

A forma pré-invasiva do câncer escamocelular (carcinoma in situ) ocorre de duas

maneiras:

•Doença de Bowen: placa branco-acinzentada eritematosa e bem demarcada no corpo

do pênis

•Eritroplasia de Queyrat: placa eritematosa macia, brilhante, solitária ou múltipla

sobre a glande e o prepúcio

À microscopia, as duas formas demonstram atipia citológica de espessura completa

dos queratinócitos, porém sem invasão da lâmina própria subjacente. Pode haver paraqueratose e hiperqueratose.

A papulose bowenóide é uma lesão escamocelular provocada pelo HPV que acomete

homens jovens sexualmente ativos. A papulose bowenóide manifesta-se como múltiplas pápulas acastanhadas ou violáceas. À microscopia, essas lesões demonstram atipia transepidérmica semelhante dos queratinócitos, embora tendam a ser mais bem demarcadas do que no carcinoma escamocelular in situ e, com freqüência, contêm queratinócitos multinucleados gigantes. Em geral, essas lesões regridem espontaneamente.

O câncer escamocelular invasivo pode se manifestar como uma úlcera, uma lesão

endurecida, uma massa hemorrágica friável ou um tumor papilar vegetante exofítico. A glande e o prepúcio são acometidos com maior freqüência. É comum as lesões serem cânceres queratinizantes focalmente, bem diferenciados, com o potencial de dar metástase. Com freqüência o tratamento envolve a amputação do pênis.

O carcinoma verrucoso é uma forma de carcinoma escamocelular que se manifesta ao

exame macroscópico e à microscopia como o condiloma acuminado, embora demonstre invasão local. O risco de metástases devido a esse subtipo de câncer é baixo. O tratamento faz-se por ressecção cirúrgica local.

 

TESTÍCULO, EPIDÍDIMO E DUCTO DEFERENTE

 

Criptorquidismo (Testículo Não Descido)

 

Essa anomalia congênita ocorre quando um ou os dois testículos não são encontrados na sua posição normal no escroto. Os testículos não descidos são descritos, de acordo com sua localização interna, como abdominal, inguinal e escrotal superior. Ao nascimento 5% dos bebês do sexo masculino a termo e 30% dos bebês prematuros do sexo masculino demonstram um testículo não descido; até 1 ano de idade, a maioria desses casos sofre resolução. O criptorquidismo é a causa mais comum de cirurgia urológica em lactentes.

Em geral, os testículos não descidos são menores do que o normal e demonstram

fibrose do parênquima. Mesmo se forem repostos cirurgicamente no escroto (orquiopexia), ocorre uma perda progressiva de túbulos seminíferos nos pacientes acometidos. Além disso, são aparentes o espessamento hialino da membrana basa tubular e a fibrose proeminente do estroma.

Os pacientes com criptorquidismo correm risco de infertilidade e neoplasia de células

germinativas. Os homens com testículos criptorquídicos bilaterais apresentam azoospermia e são inférteis; os homens com um testículo criptorquídico unilatera apresentam oligospermia em 40% dos casos. O criptorquidismo também está associado a um aumento de 20 a 40 vezes do risco de câncer testicular, especialmente em pacientes com testículos intra-abdominais. A orquiopexia não reduz esse risco.

 

Anormalidades da Diferenciação Sexual Essa classe de distúrbios envolve anormalidades na gonadogênese, no desenvolvimento da genitália externa e nas características sexuais secundárias (Quadro 17.4).

 

Quadro 17.4

Distúrbios da Diferenciação Sexual

Anormalidades do cromossoma sexual

Síndrome de Klinefelter e suas variantes

Síndrome de Turner

Sexo masculino 46,XX

Defeitos de um único gene

Síndrome adrenogenital

Síndromes de insensibilidade ao androgênio

Deficiência de substância inibidora de Müller

Efeitos hormonais pré-natais

Hormônios exógenos durante gestação

Tumores maternos produtores de hormônio

Distúrbios idiopáticos

Hermafroditismo

Disgenesia gonadal

De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 908.

 

Hermafroditismo

O hermafroditismo é um raro distúrbio do desenvolvimento, caracterizado por genitália ambígua em um indivíduo com as gônadas do sexo masculino e do sexo feminino Nesses pacientes, as gônadas podem apresentar diversas composições, como uma gônada masculina e uma feminina, ou uma associação ovário-testículo (ovoteste) Metade desses pacientes é 46,XX; a outra metade é 46,XY ou 45,X.

 

Pseudo-hermafroditismo Feminino

Essas pacientes são geneticamente do sexo feminino normal (46,XX) com ovários e órgãos genitais normais, porém, virilização dos órgãos genitais externos. Os achados incluem fusão das pregas escrotais e clitoromegalia. Esse distúrbio pode ocorrer na síndrome adrenogenital causada por deficiência de 21-hidroxilase.

 

Pseudo-hermafroditismo Masculino

Esses pacientes apresentam cariótipo do sexo masculino normal (46,XY), porém demonstram testículos criptorquídicos e órgãos genitais externos femininos ou ambíguos. Com freqüência esse distúrbio ocorre associado a síndromes de insensibilidade a androgênios devido a uma deficiência congênita do receptor de androgênios.

 

Infertilidade Masculina

 

A infertilidade é descrita como a incapacidade de conceber após 1 ano praticando o coito com o mesmo parceiro sexual sem empregar método contraceptivo. A infertilidade afeta cerca de 15% dos casais nos Estados Unidos. As causas da infertilidade masculina podem ser supratesticulares, testiculares, ou pós-testiculares. As causas testiculares freqüentemente demonstram túbulos seminíferos imaturos sem evidência de diferenciação espermatogênica. As causas pós-testiculares freqüentemente refletem um bloqueio da via de saída do ducto excretor. As causas de infertilidade masculina estão relacionadas no Quadro 17.5 e na Fig. 17.5.

 

Quadro 17.5

Causas de Infertilidade Masculina

Causas supratesticulares

Distúrbios do eixo hipotálamo-hipófise-gônada

Endocrinopatia da supra-renal, tireóide; diabetes

Distúrbios metabólicos

Doenças de órgãos importantes (p. ex., doenças renais, hepáticas,

cardiopulmonares)

Infecções crônicas e doenças debilitantes (p. ex., tuberculose, AIDS) Agentes químicos e uso abusivo de substâncias

Causas testiculares

Hipoespermatogênese idiopática ou azoospermia De desenvolvimento (criptorquidismo, disgenesia gonadal) Doença genética afetando gônadas (síndrome de Klinefelter) Orquite (imune e infecciosa)

Lesão testicular iatrogênica (radiação, agentes citotóxicos) Traumatismo do testículo e lesão cirúrgica

Ambiental (fitoestrogênios)

Causas pós-testiculares

Anomalias congênitas dos ductos excretores

Inflamação e fibrose de ductos excretores

Lesões iatrogênicas ou pós-traumáticas de ductos excretores

De Rubin E, Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 908.

FIGURA 17.5

Causas de infertilidade masculina. Infertilidade pré-testicular, infertilidade testicular e infertilidade pós-testicular (obstrutiva). (De Rubin E, Gorstein F Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 909.)

 

Distúrbios Inflamatórios

 

Epididimite

A inflamação do epidídimo pode ser aguda ou crônica e com freqüência é causada po infecção bacteriana. A inflamação aguda demonstra infiltração neutrofílica, enquanto a inflamação crônica revela plasmócitos, linfócitos e infiltração por macrófagos. A infecção em homens jovens ocorre secundariamente a Chlamydia ou gonorréia enquanto homens de mais idade manifestam epididimite secundária a infecção por E coli do trato urinário. Os pacientes manifestam dor intra-escrotal, sensibilidade e ocasionalmente febre.

Formas específicas de epididimite incluem epididimite tuberculosa e granuloma

espermático. A epididimite tuberculosa ocorre associada a tuberculose franca e contém granulomas caseosos visualizados à microscopia. O granuloma espermático ocorre quando espermatozóides penetram no interstício do epidídimo, resultando em uma inflamação densa que perdura vários meses. O desfecho do granuloma espermático freqüentemente consiste em fibrose, obstrução ductal e infertilidade.

 

Orquite

A orquite é uma inflamação aguda ou crônica do testículo que freqüentemente ocorre secundária a disseminação hematógena de um patógeno, uma infecção ascendente ou como parte de uma doença imunomediada. Com freqüência a orquite manifesta-se po dor e tumefação testiculares. A forma mais comum de orquite consiste em orquite Gram-negativa, que ocorre na vigência de infecções do trato urinário e, com freqüência está associada a epididimite. Formas adicionais de orquite incluem orquite sifilítica orquite por caxumba, orquite granulomatosa de etiologia desconhecida e malacoplaquia

 

Tumores

 

Os tumores do testículo são raros, somando menos de 1% de todos os processos malignos em adultos. A maioria dos tumores testiculares ocorre entre 25 e 45 anos de idade e, com freqüência, manifesta-se como uma massa testicular. Muitos desses tumores demonstram um isocromossomo 12 e podem liberar marcadores detectáveis no soro, o que permite a monitoração de recidivas. A incidência de tumores testiculares é mais alta em países como a Dinamarca, Suécia e Noruega, embora não tenham sido identificados fatores de risco ambientais específicos. Os únicos fatores de risco conhecidos até o momento são o criptorquidismo e a disgenesia gonadal.

Os tumores testiculares incluem as categorias gerais de tumores de células

germinativas, tumores do estroma gonadal e cordão sexual (tumores de células não germinativas) e lesões metastáticas para os testículos (Quadro 17.6).

Quadro 17.6

Tumores Testiculares

Freqüência Aspecto Marcador

Tumor (%) Macroscópico Histologia Imunocoloração Sérico

Tumores de 90

células

germinativas

Seminomatoso

Seminoma 40 Sólido, Ninhos, lâminas de FAPl Nenhum

semelhante a células uniformes borracha, Septos fibrosos bosselado contendo linfócitos

Não-seminomatosos

Carcinoma 5 Sólido, cístico, Células atípicas AFP, HCG AFP, HCG

embrionário necrose, indiferenciadas

hemorragia Núcleo

hipercromático

grande

Nucléolos

proeminentes

Teratocarcinoma 35 Sólido, cístico, Focos de carcinoma AFP, HCG AFP, HCG

necrose, embrionário hemorragia Múltiplos elementos

somáticos

Coriocarcinoma < 1 Sólido, cístico, Sinciciotrofoblastos e AFP, HCG AFP, HCG

necrose, citotrofoblastos hemorragia

Tumor do saco 2 Homogêneo, Células cuboidais, AFP, α1-AT AFP

vitelino branco, focos eosinofílicos

mucinoso de carcinoma

embrionário, corpos

de Schiller-Duval

Tumores mistos 15 Hemorragia, Associação de

de células necrose tumores de células germinativas germinativas

Teratoma 1 Heterogêneo, Coleções de células Nenhum

cartilagem diferenciadas

Seminoma 1 Cinza-pálido, Células de tamanho

espermatocítico mole, friável médio a pequeno,

glóbulos de células

gigantes

Tumores do 5

cordão sexual-

estromais

Tumores de 60 Bem Células semelhantes Testosterona,

células de circunscritos, a células de Leydig estrogênio Leydig lobulares

Células

uniformes com

núcleos

redondos

Inclusões

citoplasmáticas

(cristais de

Reinke)

Tumores de 40 Bem Células colunares em Nenhum

células de circunscritos, túbulos ou cordões Sertoli pequenos Fundo trabecular

fibroso

Metástases 5

Tumores de Células Germinativas

Postulou-se que os tumores de células germinativas surgem de transformação maligna que ocorre ou durante o desenvolvimento fetal ou durante o período peripúbere, embora a seqüência exata de eventos do início da carcinogênese não seja conhecida atualmente Com mais freqüência, os tumores de células germinativas evoluem a partir de um estágio in situ, denominado neoplasia de células germinativas intratubulares (NCGIT) É importante observar que determinados tumores testiculares não demonstram NCGIT (seminoma espermatocítico) e, por conseguinte, postulou-se que surgem via seqüências diferentes de desenvolvimento. A Fig. 17.6 ilustra a patogenia de tumores testiculares.

Os tumores de células germinativas são separados primariamente nos subgrupos

seminomatosos (TCGS) e não-seminomatosos (TCGNS). O subtipo seminomatoso inclui o seminoma clássico, enquanto os subtipos não-seminomatosos incluem o carcinoma embrionário, o tumor do saco vitelino, o teratocarcinoma (teratoma maligno) e o coriocarcinoma. Uma combinação de pelo menos dois padrões histológicos é denominada tumor de células germinativas misto.

Em geral, os TCGNS tendem a crescer com maior rapidez do que os TCGS e

apresentam maior tendência a metástase. Com freqüência, os seminomas são curados prontamente por excisão cirúrgica e são extremamente sensíveis a radioterapia. Por outro lado, os TCGNS exigem excisão cirúrgica, dissecção de linfonodos e quimioterapia adjuvante. A taxa geral de cura para os pacientes com tumores de células germinativas é de cerca de 90%.

FIGURA 17.6

Tumores do testículo, epidídimo e estruturas relacionadas. (De Rubin E Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 912.)

 

Neoplasia de Células Germinativas Intratubulares (NCGIT)

A NCGIT é uma forma de neoplasia de células germinativas in situ e pode surgir adjacente a uma lesão existente ou pode ser uma alteração isolada no interior de uma biopsia testicular examinada para infertilidade. Com freqüência, a NCGIT é irregular comprometendo 10 a 30% dos túbulos. À microscopia, os túbulos comprometidos contêm membrana basal espessada e não possuem espermatozóides. Esses túbulos encontram-se cheios de células germinativas neoplásicas maiores do que a espermatogônia normal e contêm grande núcleo central com cromatina finamente dispersa e nucléolos proeminentes, e citoplasma claro. Essas células coram-se para fosfatase alcalina placentária (FAPl).

 

PRÓSTATA

 

Prostatite

 

A prostatite pode se manifestar de diversas formas, incluindo a aguda, a bacteriana crônica, a não-bacteriana e a granulomatosa. A prostatite aguda ocorre na vigência de infecção do trato urinário, quando urina infectada sofre refluxo para a próstata. Os pacientes com prostatite aguda apresentam febre, calafrios, dor perineal e disúria ocasionalmente, o antígeno prostático específico (PSA) sérico pode estar elevado. À microscopia, existem neutrófilos nas glândulas prostáticas.

A prostatite bacteriana crônica ocorre no contexto de crises repetidas de prostatite

aguda ou na vigência de cálculos prostáticos e obstrução de ducto. Os pacientes apresentam disúria e ardência no meato uretral. O tratamento da prostatite tanto aguda quanto crônica consiste em antibioticoterapia.

A prostatite não-bacteriana é um diagnóstico de exclusão. Tipicamente, nenhum

microrganismo é identificado e não existe tratamento específico. Da mesma maneira, na prostatite granulomatosa com freqüência não se identifica um microrganismo causal.

 

Hiperplasia Nodular da Próstata (Hiperplasia Prostática Benigna)

 

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é um distúrbio comum cuja incidência aumenta com o envelhecimento. A proliferação de glândulas e estroma que ocorre na HPB inicialmente afeta a zona de transição da próstata (que envolve a submucosa da uretra proximal) e leva a uma obstrução do fluxo de saída da urina (prostatismo clínico). A patogenia da HPB não é compreendida, embora a administração de associações de esteróides sexuais em cães pareça mimetizar a HPB.

Os pacientes com HPB freqüentemente descrevem menor intensidade do fluxo

urinário e polaciúria. O exame retal identifica próstata firme, aumentada e nodular.

O exame patológico macroscópico da próstata na HPB demonstra nódulos firmes e

grandes, localizados centralmente e circundados por pseudocápsula fibrosa. Nos nódulos grandes que superaram seu suprimento sangüíneo, pode haver hemorragia e necrose. À microscopia, identificam-se proliferação de células acinares e ductais células de musculatura lisa e fibroblastos estromais em proporções variáveis.

A forma mais comum de nódulo de HPB, o nódulo fibromioadenomatoso, demonstra

ácinos prostáticos hiperplásicos de tamanhos variáveis, constituídos por uma dupla camada de células colunares sobre camadas de células basais alongadas e delgadas Com freqüência, o epitélio pode revelar hiperplasia papilar. Ademais, células inflamatórias crônicas e corpos amiláceos (concreções lamelares eosinofílicas) estão presentes. Outras formas de nódulos de HPB incluem os subtipos estromal fibromuscular, muscular e fibroadenomatoso. O tratamento da HPB pode envolver a ressecção transuretral da próstata ou a administração de agentes que inibem a 5α-redutase (finasterida).

 

Adenocarcinoma

 

O câncer da próstata é o câncer mais comum que acomete homens nos Estados Unidos A grande maioria dos homens com câncer da próstata tem mais de 50 anos de idade com 75% dos pacientes entre 60 e 80 anos de idade. A freqüência mais alta de câncer de próstata ocorre nos Estados Unidos e na Escandinávia. Fatores de risco adicionais podem incluir etnia afro-norte-americana, envelhecimento, influências hereditárias efeitos endócrinos e possivelmente fatores da dieta, como formas específicas de gordura na dieta. Com freqüência, o câncer da próstata é identificado inicialmente em pacientes por meio de exame retal digital ou PSA sérico elevado.

O adenocarcinoma prostático parece surgir, em muitos casos, devido a focos

displásicos intraductais denominados neoplasia intra-epitelial prostática (NIP). A NIP descreve ácinos prostáticos revestidos por células epiteliais atípicas, com núcleo hipercromático e nucléolos proeminentes. A presença de uma camada de células basais é mantida na NIP, em contraste com o carcinoma invasivo. A evidência que apóia a probabilidade de a NIP ser uma lesão precursora do câncer de próstata inclui a distribuição periférica dessas duas lesões, a semelhança citológica entre NIP e câncer de próstata, a proximidade topográfica íntima da NIP de grau alto e câncer invasivo e alterações moleculares semelhantes entre as duas lesões.

A NIP é classificada como NIP de grau baixo ou NIP de grau alto. A NIP de grau

baixo demonstra aglomeração celular e sobreposição, variação no tamanho dos núcleos e presença de nucléolos. A NIP de grau alto descreve células epiteliais com aglomerações celulares mais proeminentes, aumento dos núcleos, aumento pronunciado dos nucléolos e diminuição do número de células basais (identificadas por citoqueratina de alto peso molecular e imunocorantes p63).

O adenocarcinoma da próstata (> 98% de todos os cânceres da próstata

freqüentemente se localiza na periferia da glândula e é comum ser multicêntrico. Ao exame macroscópico, o câncer da próstata mostra-se como uma região branco-amarelada irregular. À microscopia, a maioria dos adenocarcinomas prostáticos surge de ácinos e demonstra glândulas de tamanho pequeno a médio que infiltram o estroma da próstata. Essas glândulas são revestidas por uma única camada de epitélio e não possuem camada de células basais. Os nucléolos são proeminentes. O adenocarcinoma prostático cora-se para PSA e fosfatase ácida próstata-específica (PSAP [prostate specific acid phosphatase]), de modo semelhante ao epitélio normal da próstata.

O adenocarcinoma prostático é graduado microscopicamente de acordo com o

sistema de graduação de Gleason, que se baseia em cinco padrões histológicos de formação e infiltração glandulares. A classificação de Gleason é o resumo dos padrões histológicos mais proeminentes e é relatada como (3 + 4 = 7). Quando associada ao estágio tumoral, a classificação de Gleason tem valor prognóstico, com escores mais baixos demonstrando um desfecho mais positivo (Fig. 17.7).

A disseminação local e distante do adenocarcinoma da próstata influencia o

estadiamento patológico e o desfecho de pacientes com essa doença. Comumente identifica-se invasão perineural, permitindo disseminação local da doença. Outros fatores que influenciam a disseminação local são invasão da cápsula prostática e invasão das vesículas seminais. As primeiras metástases ocorrem no linfonodo obturador, com subseqüente disseminação para linfonodos ilíacos ou periaórticos Metástases para pulmão e coluna espinhal, que induzem dor óssea intensa, podem ocorrer. A imunocoloração para PSA e PSAP pode ajudar a identificar metástases com origem em um tumor primariamente prostático.

O tratamento do adenocarcinoma da próstata inclui ressecção cirúrgica

(prostatectomia radical) para doença localizada ou radiação e terapia hormonal para pacientes com doença avançada ou metastática.

FIGURA 17.7

Carcinoma da próstata. Sistema de graduação de Gleason. (De Rubin E Gorstein F, Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 922.)

 

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