Fundamentos de patologia
Capítulo 19 | Mama
Mama
Sumário do Capítulo
Anatomia e Histologia Normais
Controle Hormonal do Desenvolvimento e da Função da Mama
Anomalias Congênitas
Distúrbios Proliferativos e Reativos Benignos da Mama
Hipertrofia da Mama
Ginecomastia
Mastite Aguda
Ectasia Ductal
Necrose Gordurosa
Mastite Granulomatosa
Alteração Fibrocística
Neoplasias
Tumores Benignos
Carcinoma In Situ da Mama
Carcinoma de Mama
Tumor Filodes
Anatomia e Histologia Normais
A mama é uma glândula sudorípara modificada e hormonalmente sensível
composta de estroma de tecido conjuntivo, tecido adiposo, sistema ducta
ramificado e unidades lobulares ductais terminais (ULDT). Essas ULDT são
constituídas pelos dúctulos terminais que se diferenciam em ácinos, ductos
coletores intralobulares, dentro de estroma intralobular especializado. À
histologia, os dúctulos terminais são compostos de uma camada de células
epiteliais luminal interna e uma camada de células mioepiteliais externa
circundadas por uma membrana basal. Os ductos intralobulares convergem
para os ductos intermediários e maiores da mama que, por fim, desembocam
nos orifícios do mamilo (Fig. 19.1).
A drenagem linfática da mama ocorre por meio do grupo peitoral inferior de
linfonodos axilares (75%) e dos linfonodos paraesternais (mamários internos
(25%).
FIGURA 19.1
Unidade lobular normal de ducto terminal. (De Rubin E, Gorstein F
Rubin R, et al. Rubin’s Pathology, 4th ed. Philadelphia: Lippincott
Williams & Wilkins, 2005, p. 1003.)
Controle Hormonal do Desenvolvimento e da Função da Mama
A mama sofre amadurecimento com o desenvolvimento das ULDT na
menarca, quando se elevam os níveis de estrogênio e progesterona. As
alterações hormonais também afetam a mama durante:
• Fase pós-ovulação/lútea: aumento da quantidade de ductos terminais dentro
de um lóbulo; epitélio basal vacuolizado; estroma intralobular edematoso
• Menstruação
• Gestação: aumento da quantidade de ductos terminais a ponto de as
unidades lobulares constituírem a maior parte do tecido mamário
pigmentação escurecida da aréola
• Lactação: células epiteliais vacuolizadas; luzes ductais distendidas com
secreções
• Pós-menopausa: atrofia das ULDT; ductos intermediários e maiores
permanecem sem alterações; aumento do teor adiposo da mama
Anomalias Congênitas
O tecido mamário acessório pode ser encontrado ao longo da “linha do leite”
que ocorre na porção anterior do tronco ao longo do plano vertical do mamilo
A inversão do mamilo pode levar a dificuldades na amamentação e deve se
diferenciada da inversão secundária causada por carcinoma de mama.
Distúrbios Proliferativos e Reativos Benignos da Mama
Hipertrofia da Mama
Hipertrofia da mama é um termo clínico que descreve o aumento do tamanho
da mama. À microscopia, esse achado representa uma alteração hiperplásica
benigna evidenciada por aumento da quantidade de ductos revestidos po
células epiteliais hiperplásicas e pela expansão do estroma fibroso (ve
“Alteração Fibrocística”). Em neonatos, a hipertrofia é causada por hormônios
maternos. Durante a puberdade, o sexo masculino e o feminino podem
vivenciar hipertrofia unilateral ou bilateral devido a alterações hormonais
Ocorre hipertrofia secundária devido a níveis hormonais anormalmente altos
produzidos por tumores funcionais (ovarianos, supra-renais, hipofisários).
Ginecomastia A ginecomastia refere-se ao aumento da mama masculina do adulto com
alterações morfológicas semelhantes às encontradas no tecido mamário
hipertrófico. Com freqüência esse distúrbio é idiopático e unilateral; não há
aumento do risco de câncer de mama. A ginecomastia pode ser secundária ao
aumento dos níveis de estrogênio ou à diminuição dos níveis de androgênio
As causas de aumento da produção de estrogênio incluem:
• Estrogênios exógenos: digitálicos, opiáceos
• Tumores secretores de hormônios: hipófise, supra-renal
• Síndromes paraneoplásicas: câncer do pulmão ou do fígado
• Distúrbios metabólicos: hipertireoidismo, hepatopatia
A diminuição da produção de androgênio pode ocorrer associada a:
• Secreção inadequada de testosterona pelos testículos: síndrome de
Klinefelter, orquite, castração
• Insensibilidade ao androgênio: feminização testicular
Mastite Aguda
A mastite aguda é uma infecção bacteriana dolorosa da mama que ocorre com
maior freqüência durante a lactação ou a involução. Esse distúrbio
freqüentemente é causado por infecção por Staphylococcus ou Streptococcus
distal a um ducto obstruído por secreções. A formação de abscesso pode
complicar essa doença. O tratamento inclui compressas quentes, antibióticos
e/ou drenagem cirúrgica.
Ectasia Ductal
A ectasia ductal ocorre em idosas e revela ductos intermediários e grandes
dilatados, repletos de material pastoso e espesso e macrófagos. Esses ductos
comumente são circundados por inflamação crônica e, quando rompem, estão
associados a reação de células gigantes do tipo corpo estranho.
Necrose Gordurosa
A necrose gordurosa pode ocorrer em qualquer idade e, em geral, está
associada a traumatismo da mama. Em termos clínicos, pode haver uma massa
firme e fixa. À microscopia, lesões iniciais demonstram necrose de adipócitos
e hemorragia. Estágios avançados caracterizam-se por macrófagos e células
gigantes proeminentes, além de fibrose. Devido ao caráter firme e irregular da massa e à calcificação ocasional associada, com freqüência essa lesão é
submetida a biopsia para descartar o diagnóstico de carcinoma de mama.
Mastite Granulomatosa
A formação de granulomas na mama pode ocorrer associada a implantes
mamários de silicone quando esta substância extravasa lentamente da cápsula
do implante ou na vigência de infecção micobacteriana. A mastite lobular
granulomatosa é um distúrbio idiopático que quase sempre afeta mulheres que
deram à luz.
Alteração Fibrocística
Esse distúrbio é comum, afetando até 75% das mulheres nos Estados Unidos
com idade predominantemente entre 30 e 55 anos. Embora a maioria das
mulheres seja assintomática, os sintomas podem surgir secundários à presença
de um grande cisto dilatado. A alteração fibrocística afeta as ULDT e pode
ser proliferativa ou não-proliferativa. As manifestações comuns
compartilhadas pelas duas formas de alteração fibrocística incluem dilatação
cística de ductos terminais e um aumento relativo do estroma fibroso.
A alteração fibrocística não-proliferativa freqüentemente ocorre em
múltiplas regiões das duas mamas e demonstra o aspecto microscópico de
ductos terminais cisticamente dilatados e aumento de estroma fibroso e denso
Os cistos são revestidos por epitélio colunar ou achatado. Pode ocorre
metaplasia apócrina no epitélio do cisto, que revela grandes células granulares
eosinofílicas com citoplasma apical, que se projeta para a luz do cisto
Ocasionalmente, os cistos aumentam de tamanho e ficam preenchidos com
líquido aquoso escuro, azul a olho nu; esses cistos são denominados cistos de
cúpula azul de Bloodgood.
A adenose esclerosante é uma forma de alteração fibrocística proliferativa
A adenose esclerosante é causada por uma proliferação de ductos pequenos e
células mioepiteliais na ULDT e, com freqüência, vem acompanhada de
fibrose. À microscopia, essas lesões demonstram uma proliferação
lobulocêntrica de pequenos ácinos com esclerose central. A hiperplasia ducta
usual é um achado histológico comum em biopsias mamárias e não é
identificada por exame físico nem por radiografia. À microscopia, a
hiperplasia ductal usual mostra-se como ductos levemente dilatados repletos
de células epiteliais que formam luzes irregulares, semelhantes a fendas, no interior da estrutura ductal principal. Essas células são polimórficas e
citologicamente idênticas às células epiteliais normais dos ductos.
As lesões fibrocísticas descritas nesta seção não revelam um aumento
significativo do risco para o desenvolvimento de carcinoma de mama.
Neoplasias
Tumores Benignos
Fibroadenomas
Os fibroadenomas são as neoplasias mamárias benignas mais comuns e quase
sempre ocorrem em mulheres com idade entre 20 e 35 anos. Essas lesões
geralmente são solitárias e hormonalmente responsivas, crescendo
rapidamente durante a gestação e lentamente após a menopausa. Essas lesões
derivam de ULDT no estroma lobular. Os fibroadenomas não aumentam o
risco de câncer de mama.
Ao exame físico, os fibroadenomas são massas móveis e firmes. O exame
macroscópico revela lesão bem demarcada, arredondada, com consistência de
borracha, e coloração branco-acinzentada. Embora essas lesões tenham
tipicamente 2 a 4 cm no diâmetro maior, podem alcançar tamanho extremo e
nesses casos, são denominadas fibroadenomas gigantes.
À microscopia, o tumor revela tecido conjuntivo primariamente denso, com
elementos epiteliais comprimidos que se mostram encurvados e semelhantes a
fendas. Ocasionalmente, podem ser visualizados ductos redondos no interior
dessa lesão.
Papiloma Intraductal
Os papilomas intraductais são tipicamente lesões solitárias de mulheres na
meia-idade ou idosas e que ocorrem em ductos subareolares grandes
Ocasionalmente, os sintomas incluem secreção serosa ou sanguinolenta pelo
mamilo. Os papilomas intraductais são visualizados sob aumento menor como
projeções papilares aderidas à parede do ducto por meio de pedículo
fibrovascular. O aumento maior revela uma camada luminal de células
cuboidais ou colunares e uma camada externa de células mioepiteliais. O
papiloma intraductal não aumenta o risco de carcinoma invasivo.
Carcinoma In Situ da Mama Anormalidades Ductais Proliferativas e Carcinoma Ductal In Situ
As anormalidades ductais proliferativas da mama incluem:
• Hiperplasia ductal atípica (HDA)
• Carcinoma ductal in situ (CDIS)
• Carcinoma ductal invasivo (discutido adiante na seção “Câncer de Mama”)
A hiperplasia ductal atípica (HDA) demonstra células epiteliais que
preenchem a luz de um ducto intralobular e encontram-se orientadas ao redor
de luzes com aspecto de “saca-bocados” no interior da luz da estrutura ducta
principal (contrastando com as luzes irregulares, semelhantes a fenda, na
hiperplasia ductal usual discutida anteriormente). As células demonstram
atipia mínima. A HDA é diferenciada do carcinoma ductal in situ (CDIS) pelo
tamanho menor.
O CDIS é mais bem classificado pela graduação do núcleo. No CDIS de
grau nuclear alto, os ductos terminais encontram-se acentuadamente dilatados
e repletos de células com aspecto citológico maligno, com pleomorfismo
nucléolos proeminentes e mitoses. O CDIS é não-invasivo (daí, in situ) e é
possível a demonstração por imunocolorações de uma camada circundante de
células mioepiteliais e membrana basal nesses casos. O CDIS de grau alto
freqüentemente provoca uma reação desmoplásica circundante proeminente
Por outro lado, o CDIS de grau baixo caracteriza-se por uma população
homogênea de células ductais uniformes, dispersas regularmente, com
freqüência formando luzes tipo “saca-bocados” por uma área superior a 3 mm
Aproximadamente 20 a 30% dos casos de CDIS de grau baixo evoluem para
carcinoma invasivo, enquanto a maioria dos CDIS de grau alto evolui para
carcinoma invasivo quando não tratado. O CDIS pode ser identificado po
análise radiográfica se houver microcalcificações.
Existem múltiplos padrões de CIDS e eles são descritos pelas suas
características de arquitetura; essas formas incluem micropapilar, cribriforme
sólida e tipo comedo. O CDIS do tipo comedo diferencia-se por apresentar
células grandes e pleomórficas com citoplasma eosinofílico abundante
nucléolos proeminentes e necrose central.
Anormalidades Lobulares Proliferativas e Carcinoma Lobular In
Situ
As lesões lobulares da mama incluem:
• Hiperplasia lobular atípica (HLA)
• Carcinoma lobular in situ (CLIS)
• Carcinoma lobular invasivo (discutido na seção “Câncer de Mama”)
As lesões lobulares também envolvem a ULDT, embora essas células
epiteliais mostrem-se menores e menos homogêneas do que as identificadas
nas lesões ductais. Ademais, essas células apresentam núcleo redondo e
regular com nucléolos minúsculos. As células não são coesas e
freqüentemente, apresentam vacúolos de mucina intracitoplasmáticos.
A hiperplasia lobular atípica demonstra preenchimento parcial dos lóbulos
com células não-coesivas demonstrando atipia mínima.
O carcinoma lobular in situ (CLIS) revela-se um aglomerado sólido de
células na luz da estrutura ductal e da estrutura lobular, sem a formação de
novas luzes. Essas células encontram-se confinadas no interior da membrana
basal do lóbulo e contêm uma camada externa de células mioepiteliais
Ocasionalmente, há microcalcificações, embora o CLIS em geral seja um
achado ocasional. O CLIS não demonstra reação desmoplásica proeminente
circundante. As mulheres com CLIS correm risco de desenvolver câncer de
mama nas duas mamas.
Carcinoma de Mama
O câncer de mama é o câncer mais comum de mulheres nos Estados Unidos e
a segunda causa principal de morte por câncer em mulheres. Nos Estados
Unidos, aproximadamente 1 em 9 mulheres desenvolverá câncer de mama em
algum momento de sua vida; um terço morrerá devido à doença.
Etiologia e Epidemiologia
Os fatores de risco que influenciam o desenvolvimento de câncer de mama
são:
• História familiar de câncer de mama em uma parenta de primeiro grau (mãe
irmã): associação mais forte
• Envelhecimento: o tumor é raro nas pacientes com idade inferior a 35 anos
• Mutação ou deleção do gene BRCA1: gene supressor tumoral no
cromossomo 17; aumento do risco de câncer de mama antes dos 50 anos de
idade; aumento do risco de câncer do ovário
• Mutação do gene BRCA2: gene supressor de tumor no cromossomo 13
aumento do risco de câncer de ovário; aumento do risco de câncer de mama
no homem que porta uma mutação
• Mutação do gene p53 na síndrome de Li-Fraumeni: associado a tumores do
cérebro e supra-renal em crianças; 90% das mulheres desenvolvem cânce
de mama
• Mutação do gene CHEK2: interage com a via do BRCA1; duplica o risco de
desenvolvimento de câncer de mama
• Aumento da exposição hormonal vitalícia: menarca precoce, menopausa
tardia, primeira gestação em idade maior
• Radiação
• História pregressa de câncer de mama
• Fatores da dieta: aumento da ingestão de gordura (controverso)
Manifestações Clínicas
A detecção do câncer de mama pode ser feita pelo (auto-)exame de mama
mensal e pela mamografia anual em mulheres com idade superior a 40 anos. O
diagnóstico tecidual é estabelecido por “core” biopsia (quando uma pequena
agulha é inserida na massa) ou por biopsia a céu aberto. Os achados que
podem indicar a presença de câncer de mama são:
• Massa imóvel e firme
• Mamilo invertido
• Secreção mamilar sanguinolenta
• Indentação ou “enrugamento” da pele
• Linfadenopatia axilar
• Achados radiográficos de massa ou calcificações espiculadas e ma
definidas
Patologia
Em geral, o exame macroscópico freqüentemente revela uma massa firme
branca, infiltrativa e espiculada. Ocasionalmente, podem ser identificados
linfonodos aumentados em uma cauda de tecido mamário axilar ressecado
sugerindo a presença de metástase.
O câncer de mama dissemina-se primariamente por meio do sistema
linfático. Alguns dos primeiros linfonodos afetados são os linfonodos axilares
mamários internos e supraclaviculares. A probabilidade de disseminação de
linfonodos está relacionada com o tamanho da lesão. Um “linfonodo
sentinela” é o primeiro linfonodo drenado pela lesão e freqüentemente é investigado durante a cirurgia quanto à disseminação de tumor linfático
Metástases distantes podem envolver cérebro, pulmão, fígado, osso, supra
renais e pele.
Conduta
O tratamento do câncer de mama geralmente envolve a excisão cirúrgica com
margens teciduais negativas. Lesões pequenas podem ser excisadas po
nodulectomia. Cânceres maiores são removidos por mastectomia radica
modificada, que poupa os músculos da parede torácica, e dissecção
concomitante de linfonodos axilares pode ser realizada nos casos de linfonodo
sentinela positivo. A terapia adjuvante pode incluir radioterapia ou
quimioterapia. As pacientes podem receber tamoxifeno se o carcinoma for
positivo para receptor de estrogênios ou tratamento com anticorpos
monoclonais se a lesão contiver uma amplificação de HER2/neu.
Os fatores que influenciam o prognóstico do câncer de mama são:
• Estágio (I-IV) ao diagnóstico: o estágio é determinado pelo tamanho do
tumor, metástases em linfonodos, linfonodos imóveis (disseminação
extralinfonodos) e metástases distantes; tumores menores sem metástases
têm prognóstico melhor. O estágio é de fato o fator prognóstico mais
importante.
• Graduação histológica (I-III): os cânceres de mama recebem uma graduação
de Elston que abrange o grau de diferenciação glandular, grau de atipia
nuclear e índice mitótico. Escores mais baixos refletem prognóstico melhor.
• Receptores de estrogênio e progesterona: a presença desses receptores
indica aumento das taxas de sobrevida e pode ser usada como meta para
terapia antiestrogênica.
• Capacidade de proliferação e ploidia: aumento da proliferação e aneuploidia
estão associados a prognóstico mais sombrio.
• Invasão linfática e vascular: associada a prognóstico mais sombrio
• Expressão de oncogenes: a hiperexpressão de HER2/neu devido a
amplificação gênica é um fator prognóstico adverso; essas pacientes podem
se beneficiar do tratamento com anticorpos monoclonais direcionados
contra esse produto gênico
Tipos de Câncer de Mama A grande maioria dos cânceres de mama consiste em adenocarcinomas
derivados do epitélio da ULDT. A maioria dos cânceres de mama ou são
carcinomas ductais ou lobulares, e são precedidos por uma série de lesões
definidas. O carcinoma ductal invasivo é a forma mais comum de carcinoma
de mama. Outros tipos de câncer de mama são discutidos adiante nesta seção e
no Quadro 19.1. A ausência de uma camada de células basais, detectada po
imunoistoquímica, pode ajudar a identificar câncer de mama invasivo em
casos difíceis. Em um subgrupo de casos, pode ocorrer a doença de Paget do
mamilo, que freqüentemente acompanha um carcinoma invasivo e mostra-se à
microscopia como células atípicas e grandes, solitárias, com citoplasma claro
e presentes por toda a epiderme.
Carcinoma Ductal Invasivo
O carcinoma ductal invasivo contém células glandulares com características
malignas e que invadiram através da membrana basal no sentido do estroma
À microscopia, o carcinoma ductal invasivo revela ninhos e glândulas
irregulares constituídos por uma única camada de células epiteliais malignas
Atipia celular, mitoses e desmoplasia circundante são comuns.
Em casos raros, o carcinoma ductal invasivo se estende para a epiderme do
mamilo e da aréola, provocando ulceração do mamilo.
Carcinoma Lobular Invasivo
O carcinoma lobular invasivo mostra-se à microscopia como cordões
simples de células epiteliais que invadem o estroma (“fila indiana”). A
desmoplasia é menos proeminente do que no carcinoma ductal invasivo. As
manifestações citológicas dessas células, incluindo núcleo redondo, mucina
intracitoplasmática e mitoses escassas, são idênticas às do CLIS.
Carcinoma Colóide (Mucinoso)
Esse carcinoma invasivo ocorre em idosas e, a olho nu, mostra-se uma lesão
brilhante com consistência mucóide. À microscopia, são visualizados
pequenos aglomerados de células epiteliais flutuando em lagos extracelulares
de mucina. As pacientes com carcinoma colóide em sua forma pura têm um
prognóstico melhor do que as com carcinoma ductal ou carcinoma lobular.
Carcinoma Tubular
O carcinoma tubular é um carcinoma extremamente bem diferenciado
composto de pequenos ductos infiltrativos formados por uma camada de células pequenas e regulares. As pacientes com carcinoma tubular em sua
forma pura têm prognóstico excelente.
Carcinoma Medular
Ao exame macroscópico, o carcinoma medular é bem circunscrito e tem
aspecto carnoso, cinza-pálido. À microscopia, essa lesão consiste em uma
massa de células pleomórficas com alta taxa mitótica, circundada por
infiltrado plasmocitário. Essa lesão tem prognóstico melhor do que o do
carcinoma ductal invasivo usual ou do carcinoma lobular.
Carcinoma Metaplásico
Um subtipo de outras formas invasivas de carcinoma de mama, o carcinoma
metaplásico demonstra áreas de diferenciação escamosa, diferenciação de
células fusiformes ou diferenciação heteróloga (em elementos como
cartilagem e osso).
Quadro 19.1
Subtipos de Carcinoma de Mama
Aspecto
Carcinoma Macroscópico Aspecto Microscópico Prognóstico
Ductal Firme, branco, Ductos infiltrativos Moderado-
irregular irregulares, células sombrio
atípicas, mitoses, estroma
desmoplásico;
microcalcificações
Lobular Firme, branco, Colunas solitárias de Moderado-
irregular células que infiltram o sombrio
Pode ser mole estroma (filas indianas);
desmoplasia mínima;
microcalcificações
Colóide Brilhante, Pequenos aglomerados de Bom-
mucinoso células flutuando em moderado
mucina
Tubular Firme, branco, Pequenos ductos bem Bom
irregular formados constituídos por
camada de uma célula;
sem atipia celular
Medular Bem Massa de células Bom-
circunscrito pleomórficas com muitas moderado
Carnoso, cinza- mitoses; infiltrado
pálido plasmocitário circundante
Metaplásico Variável Freqüentemente mesclado Depende do
com outros subtipos; grau
formação de cartilagem,
osso, epitélio escamoso
Inflamatório Irregular; pele Invasão linfática dérmica Sombrio
com aspecto
de casca de
laranja
(eritema)
Tumor Filodes
Os tumores filodes ocorrem nas variantes benignas e malignas. Esses tumores
representam uma proliferação neoplásica de elementos do estroma
acompanhada por uma proliferação benigna de estruturas ductais. Essas lesões
ocorrem em mulheres com idade entre 30 e 70 anos e as pacientes
freqüentemente são diagnosticadas com uma massa na mama.
Ao exame macroscópico, o tumor filodes é bem circunscrito, firme, e a
superfície de corte tem brilho e coloração branco-acinzentada. Essas lesões
têm em média 5 cm no seu diâmetro maior. À microscopia, o estroma mostra
se hipercelular e revela mitoses. O estroma indenta o epitélio, conferindo um
“padrão folhoso”. Um tumor filodes maligno demonstra uma transformação
maligna do estroma em um componente sarcomatoso, cujo crescimento supera
o do epitélio e demonstra invasão local.
O tratamento do tumor filodes benigno faz-se por excisão local. O tumor
filodes maligno exige uma excisão mais ampla, mas sem dissecção de
linfonodos. Com freqüência as lesões malignas recorrem, e 15% podem, por
fim, dar metástase.
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