José Bálsamo, Volume IV
Capítulo XXIII
OS BASTIDORES DO TRIANON
As circunstâncias da Jornada são
indiferentes; Rousseau fê-la decerto com um suíço, um caixeiro, um negociante e um abade.
Seriam cinco horas e meia quando
chegou ao Trianon. Já a corte estava reunida; esperavam el-rei; no autor ninguém pensava.
Sabiam alguns que Rousseau, de
Genebra, iria pessoalmente dirigir o ensaio; mas Rousseau não causava mais interesse do que Rameau, Marmontel, ou qualquer outro desses animais curiosos, que a gente da corte atraía às suas salas para os ver.
Rousseau foi recebido pelo oficial de dia,
a quem o senhor de Coigny pedira que o mandasse avisar logo que ele chegasse.
O fidalgo apareceu imediatamente com
a sua natural cortesia e recebeu Rousseau com a maior amabilidade. Mas apenas olhou para ele, ficou admirado e não pôde deixar de o examinar outra vez.
Rousseau vinha coberto de poeira,
amarrotado, pálido, e na palidez sobressaía-lhe de tal modo a barba de ermitão, que nunca mestre-de-cerimónias vira outra semelhante reflectir nos espelhos de Versalhes.
Rousseau ficou perturbadíssimo com o
olhar do senhor de Coigny, perturbação que aumentou quando, aproximando-se da sala de espectáculo, viu a profusão de belos fatos, de rendas, de brilhantes e de grã-cruzes que, entre os dourados da sala, pareciam um ramalhete de flores em enorme açafate.
Rousseau, respirando aquela atmosfera
almiscarada, não se sentiu bem; era muito fina e inebriante para os seus sentidos plebeus.
Todavia, era preciso ir para diante e
mostrar-se desembaraçado. Não poucos olhares se fitavam nele, que tão grande mancha fazia no meio de tão luzida assembléia.
O senhor de Coigny, precedendo-o
sempre, conduziu-o à orquestra, onde o esperavam os músicos.
Ali, achou-se um pouco consolado, e
enquanto executavam a sua música, pensou seriamente que estava no mais forte do perigo e que para aquilo não havia remédio.
A senhora delfina estava já em cena com
o seu fato de Colette e esperava pelo seu Colin.
O senhor de Coigny, no seu camarim,
mudava de fato.
De repente, viu-se entrar el-rei no meio
de um círculo de cabeças curvadas.
Luís XV sorria, e parecia do melhor
humor.
O delfim tomou lugar à direita, e o
conde de Provença sentou-se à esquerda.
As cinqüenta pessoas que formavam a
assembléia, o mais íntima possível, sentaram-se a um pequeno sinal feito por el-rei.
- Então, não se começa? - disse Luís XV. - Senhor - disse o delfim - os camponeses
e camponesas não estão ainda vestidos, estamos esperando.
- Poderia ensaiar-se sem ser a carácter -
disse el-rei.
- Não, senhor - redargüiu a delfina,
mesmo do palco - porque queremos ver o efeito que os fatos produzem com as luzes.
- É muito justo, minha senhora - disse el-
rei; - então, vamos dar uma volta.
E Luís XV levantou-se para dar uma
volta pelo corredor e pela cena. Estava de mais a mais bastante inquieto por não ver chegar a senhora du Barry.
Quando o rei saiu do camarote,
Rousseau considerou melancolicamente e com o coração opresso essa sala vazia e o seu próprio isolamento.
Era um bem singular contraste com a
recepção que receara.
Tinha-se figurado que todos os grupos
se abririam diante dele, que a curiosidade das pessoas da corte seria mais importuna e mais significativa que a dos parisienses; tinha receado as perguntas, as apresentações, e acontecia que ninguém fazia caso dele!
Pensou que a sua barba não estava
comprida bastante, que uns farrapos teriam sido mais notados do que o fato velho que trazia. Estimou não ter o ridículo da pretensão à elegância.
Mas, no fim de tudo, sentia-se bastante
humilhado por se ver reduzido às proporções de um chefe de orquestra.
De repente chegou-se a ele um oficial e
perguntou-lhe se era o Sr. Rousseau.
- Sim, senhor - redargüiu ele. - A senhora delfina deseja falar-lhe,
senhor –disse o oficial.
Rousseau levantou-se muito perturbado. A delfina esperava-o. Segurava nas
mãos a arieta de Colette:
“A ventura de todo perdi.” Assim que viu Rousseau, caminhou para
ele.
O filósofo cortejou muito humildemente,
dizendo consigo que cortejava uma mulher e não uma princesa.
A delfina, de seu lado, foi graciosa com
o filósofo selvagem, como o teria sido com o mais perfeito cavalheiro da Europa.
Pediu-lhe conselho sobre a inflexão que
devia dar ao terceiro verso:
“Colin abandona-me...”
Rousseau desenvolveu uma teoria de
declamação e de melopéia, que apesar de muito erudita, foi interrompida pela chegada de el-rei com alguns cortesãos.
Luís XV entrou no camarim em que a
senhora delfina tomava a lição do filósofo.
O primeiro movimento, o primeiro
sentimento do rei, ao ver aquele homem desleixado, foi exactamente o mesmo que o senhor de Coigny manifestara, com a diferença que o senhor de Coigny conhecia Rousseau, e Luís XV não o conhecia.
Olhou portanto demoradamente para o
nosso homem livre, ao mesmo tempo que recebia os cumprimentos e agradecimentos da delfina.
Aquele olhar, em que brilhava uma
autoridade perfeitamente real, aquele olhar, que não estava acostumado a baixar-se diante de qualquer pessoa, produziu um indizível efeito em Rousseau, cujo olho vivo era tímido e incerto.
A delfina esperou que el-rei acabasse o
seu exame, e então chegou-se a Rousseau dizendo:
- Vossa Majestade permite que eu lhe
apresente o nosso autor?
- O seu autor? - disse el-rei fingindo que
se queria recordar.
Durante este diálogo Rousseau estava
em brasa.
O rei tinha com os olhos percorrido
sucessivamente e queimado como um raio de sol debaixo da lente, a barba crescida, os bofes de cor duvidosa, a poeira e a cabeleira desgrenhada do maior escritor de todo o seu reino.
A delfina teve dó deste último. - O Sr. João Jacques Rousseau, senhor -
disse ela – é o autor da linda ópera que vamos escorchar diante de Vossa Majestade.
El-rei ergueu então a cabeça. - Ah! - disse ele friamente - Sr. Rousseau,
tenho o gosto de o cumprimentar.
E continuava a olhar para ele de modo a
provar-lhe todas as imperfeições do vestuário.
Rousseau tratava de adivinhar como se
cumprimentava o rei de França, sem ser um cortesão, mas também sem incivilidade, pois que reconhecia que estava em casa desse príncipe.
Mas, enquanto pensava isso consigo, el-
rei falava-lhe com a límpida facilidade dos príncipes, que têm dito tudo quando dizem uma coisa agradável ou desagradável ao seu interlocutor.
Rousseau, não falando, ficou petrificado.
Todas as frases que ele preparara para o tirano, havia-as esquecido.
- Sr. Rousseau - disse el-rei olhando-lhe
sempre para o fato e para a cabeleira - compôs uma música encantadora, e que me oferece momentos agradabilíssimos.
E el-rei começou a cantar, com a voz
mais antipática a todo diapasão e a toda melodia:
Se dos dândis da cidade
Ouvidos desse ao ardor
Ai! Com que facilidade
Eu tivera outro amor.
- Isto é encantador - disse el-rei
acabando de cantar.
Rousseau cortejou.
- Não sei se cantarei bem - disse a
senhora delfina.
Rousseau voltou-se para a princesa a fim
de lhe dar um conselho a esse respeito.
Mas el-rei recomeçara, e cantava o
romance de Colin:
Na minha obscura cabana Há sempre novos cuidados; Vento, sol, frio e chuva,
Tormentos continuados.
Sua Majestade cantava horrivelmente
para um músico.
Rousseau, um pouco lisonjeado da
memória do monarca, um pouco enfadado com a horrível execução, fazia uma cara de macaco a roer uma cebola, que chora de um lado enquanto ri do outro.
A delfina conservava-se séria, com o
imperturbável sangue-frio que só na corte se encontra.
El-rei, sem se embaraçar com coisa
alguma, prosseguiu:
Colette, minha pastora,
Se a vieres habitar,
Nada mais o teu Colin
Poderá ter que chorar.
Rousseau sentiu a cor assomar-lhe ao
rosto.
- Diga-me, Sr. Rousseau - disse el-rei - é
verdade que algumas vezes se veste de arménio?
Rousseau corou ainda mais, e de tal
forma se lhe embrulhou a língua que nem a troco de um reino teria naquele momento podido funcionar.
El-rei começou novamente a cantar sem
esperar a resposta:
Ai, que muitas vezes
Quase que amor não sabe O que vedar ou permitir deve.
- Mora na Rua Platrière, creio eu, Sr.
Rousseau? – disse el-rei.
Rousseau fez um sinal afirmativo com a
cabeça, mas era a última tule das suas forças... Nunca chamara tantas em seu auxílio.
El-rei cantarolou:
É um menino,
É um menino...
- Dizem que está muito de mal com
Voltaire, Sr. Rousseau?
Desta vez Rousseau perdeu o pouco siso
que lhe restava, e toda a sua firmeza. El-rei não pareceu apiedar-se muito dele, e prosseguindo na atroz melomania, afastou-se cantando:
Vamos à sombra bailar,
Ânimo, pequenas, é folgar!...
e isto com uns acompanhamentos de
orquestra capazes de matar Apolo, como ele matou Marsias.
Rousseau ficou só no meio do gabinete.
A delfina retirara-se para dar o último toque ao vestuário.
Rousseau, cambaleando, apalpando,
chegou ao corredor; mas, no meio dele, deu de encontro a um par deslumbrante de brilhantes, flores e rendas, que tomava o corredor, conquanto o mancebo estivesse apertando com muita ternura o braço da senhora.
A senhora, moça e formosa, com as suas
rendas riquíssimas, o seu gigantesco penteado, leque, perfumes, estava radiosa como um astro. Rousseau acabava de levar dela um encontrão.
O mancebo, delgado, delicado,
encantador, roçando a grã-cruz por sobre os bofes de renda de Inglaterra, soltava gargalhadas da mais perfeita franqueza, e cortava-as subitamente com reticências ou segredinhos, que faziam por sua vez rir a senhora, e mostrava estarem na mais perfeita inteligência possível.
Rousseau reconheceu na formosa e
sedutora criatura a condessa du Barry; e assim que a viu, costumado a absorver-se unicamente numa contemplação, não viu mais o companheiro.
O mancebo era o conde de Artois, que
galanteava com todo o prazer do seu coração a amante de Luís XV.
A senhora du Barry, vendo a negra
figura e o rosto de Rousseau, bradou:
- Ai, meu Deus!
- O que é? - disse o conde de Artois,
olhando por sua vez para o filósofo.
E já estendia a mão para abrir passagem
à companheira.
- O Sr. Rousseau! - bradou a senhora du
Barry.
- Rousseau de Genebra? - disse o conde
de Artois, no tom de um estudante em férias.
- Tal qual - redargüiu a condessa. - Ah! Bons dias, Sr. Rousseau - disse o
travesso, vendo que Rousseau fazia diligência para abrir passagem.
- Vamos então ouvir música sua? - Senhor... - murmurou Rousseau com
respeito, porque viu a grã-cruz.
- Ah! Linda música - disse a condessa -
muito conforme com o espírito e o coração do seu autor!
Rousseau levantou a cabeça e foi
queimar o seu olhar no olhar de fogo da condessa.
- Minha senhora... - disse ele com mau
humor.
- Desempenharei o papel de Colin,
minha senhora - exclamou o conde de Artois - e rogo-lhe que se encarregue do de Colette, senhora condessa.
- De muito boa vontade, senhor; mas
não me atreveria, eu que não sou artista, a profanar a música do professor...
Rousseau teria dado a sua vida para
ousar olhar ainda outra vez; mas a voz, o tom, a lisonja, a formosura de ambos, tudo lhe cravara um anzol no coração.
Quis fugir.
- Sr. Rousseau - disse o príncipe
impedindo-lhe novamente o caminho - quero que me ensine o papel de Colin.
- Não ousarei pedir ao senhor que me dê
conselhos para o de Colette - disse a condessa fingindo-se tímida, de modo que acabou de derribar o filósofo.
Os olhos deste perguntaram porquê. - O Sr. Rousseau odeia-me - disse ela ao
príncipe com a sua voz encantadora.
- Ora adeus! - bradou o conde de Artois -
quem a pode odiar, minha senhora?
- Bem vê - disse ela.
- O Sr. Rousseau é um homem muito
honrado e faz coisas demasiadamente bonitas para fugir de uma senhora tão encantadora - disse o conde de Artois.
Rousseau suspirou, como se estivesse
para dar a alma a Deus, e desapareceu pelo estreito caminho que o conde de Artois deixou imprudentemente entre si e a parede.
Mas decididamente naquela noite
Rousseau não estava feliz; não dera ainda quatro passos quando encontrou novo grupo. Desta vez, compunha-se o grupo de dois homens, um velho e outro moço. Um tinha uma grã-cruz, era o mais novo; o outro, que contaria uns cinqüenta anos, estava vestido de encarnado e mostrava ar austero.
Estes dois homens ouviram o jovem
conde de Artois rir e gritar com quanta força tinha:
- Ah! Sr. Rousseau, Sr. Rousseau, eu
direi que a senhora condessa o fez fugir, e realmente ninguém me acreditará.
- Rousseau! - murmuraram os dois
homens.
- Não o deixe passar - disse o príncipe,
rindo sempre; - não o deixe passar, senhor de Lavauguyon.
Rousseau compreendeu então em que
escolho a sua má estrela acabava de o fazer naufragar.
Era o Sr. Conde de Provença e o
preceptor dos infantes de França!
O conde de Provença tolheu igualmente
o caminho a Rousseau.
- Bons dias, senhor - lhe disse ele com a
sua voz seca e pedante
Rousseau, desesperado, inclinou-se
murmurando:
- Nunca me verei livre daqui? - Ah! Estimo muito encontrá-lo, senhor -
disse o príncipe em tom de preceptor que procura e encontra um discípulo em erro.
- Mais algum cumprimento absurdo -
pensou Rousseau. - Como são enfadonhos estes príncipes!
- Li a sua tradução de Tácito, senhor. - Ah! É verdade - disse Rousseau
consigo; - este é sábio, é pedante.
- Sabe que é muito difícil traduzir
Tácito?
- Mas, senhor, isso escrevi eu num
pequeno prefácio.
- Sim, bem sei, bem sei; diz nele que não
sabe bem o latim.
- É verdade, senhor.
- Então por que traduziu Tácito, Sr.
Rousseau?
- Senhor, foi um exercício de estilo.
- Ah! Sr. Rousseau, não fez bem em
traduzir imperatoria brevitate por discurso grave e conciso.
Rousseau, pouco tranqüilo, procurou na
sua memória.
- Sim - disse o jovem príncipe com
modos de velho sábio que emenda um erro; - sim, traduziu assim. É no parágrafo em que Tácito conta que Pisão falou às tropas...
- Então! Senhor?
- Então! Sr. Rousseau, imperatoria
brevitate significa com a concisão de um general... ou de um homem acostumado a comandar. A concisão do comando... é esta a expressão, não é verdade, senhor de Lavauguyon?
- É, sim, meu senhor - respondeu o
preceptor.
Rousseau nada respondeu. Depois o
príncipe acrescentou :
- É um formidável contra-senso, Sr.
Rousseau... Oh! Eu ainda lhe acharei outro.
Rousseau tornou-se pálido.
- Olhe, Sr. Rousseau, é um parágrafo
relativo a Cecina. Começa assim: At in superiore Germania... Bem sabe, fazem o retrato de Cecina, e Tácito diz: Cito sermone.
- Lembra-me perfeitamente, senhor. - Traduziu isso por falando bem. - Não há dúvida, senhor, e eu pensava... - Cito sermone quer dizer que fala
depressa, isto é, facilmente.
- Eu disse falando bem?
- Se fosse isso teriam posto decoro ou
ornato, ou eleganti sermone; cito é epíteto pitoresco, Sr. Rousseau. E como na pintura da mudança de proceder de Othon. Tácito diz: Delata voluptas, dissimulata luxuria, cunctaque ad imperil decorem composita.
- Traduzi por: Reportando a outros tempos
o luxo e a voluptuosidade, surpreendeu todos aplicando-se em restabelecer a glória do império.
- Foi mal, Sr. Rousseau, foi mal
traduzido; em primeiro lugar, fez uma frase única de três frases pequenas, o que o obrigou a traduzir mal dissimulata luxuria... e daí, no último membro da frase, fez um contra-senso. Tácito não quis dizer que o imperador Othon se aplicasse em restabelecer a glória do império, quis dizer que, não satisfazendo mais as suas paixões, e dissimulando os seus costumes de luxo, Othon acomodava tudo, aplicava tudo, fazia reverter tudo... tudo, entende bem, Sr. Rousseau, isto é as suas paixões e até os seus vícios, à glória do império. É este o sentido, é complexo; o seu é restrito, não é verdade, senhor de Lavauguyon?
- É, sim, meu senhor.
Rousseau suava e assoprava sob aquela
pressão desapiedada.
O príncipe deixou-o respirar um
momento, depois do que, disse:
- É muito superior em filosofia. Rousseau inclinou-se.
- Mas, o seu Emílio é um livro perigoso. - Perigoso, senhor?
- Sim, pela quantidade de idéias falsas
que há-de suscitar na burguesia.
- Senhor, desde que um homem é pai,
está nas condições do meu livro, seja ele o mais elevado, seja ele o mais pequeno do reino... Ser pai... é...
- É verdade, Sr. Rousseau - perguntou
repentinamente o malévolo príncipe - é um livro muito divertido as suas Confissões... Afinal, vamos a saber: quantos filhos teve?
Rousseau empalideceu, cambaleou, e
dirigiu sobre o jovem carrasco um olhar de raiva e estupefacção, cuja expressão aumentou o maligno humor do conde de Provença.
Era bem assim, porque, sem esperar
resposta, o príncipe afastou-se de braço dado com o seu preceptor, prosseguindo nos seus comentários sobre as obras do homem que acabava de esmagar com ferocidade.
Rousseau tornou pouco a pouco a si,
quando ouviu na orquestra os primeiros compassos da sinfonia.
Dirigiu-se para aquele lado oscilando, e
chegado ao seu lugar, disse consigo:
- Louco, estúpido, cobarde que sou!
Agora mesmo achei a resposta que devia ter dado àquele cruel pedante.
“Senhor, deveria ter-lhe dito, não é
caritativo da parte de um mancebo atormentar um pobre velho.”
Estava neste ponto, contentíssimo com a
sua frase, quando a senhora delfina e o senhor de Coigny começaram o seu dueto. A preocupação do filósofo foi distraída pelo padecer do músico; depois do coração, o ouvido recebia o seu suplício.