Não Conte a Ninguém
Capítulo 40
40
– VOCÊ ESTÁ ATRASADA! – O FOTÓGRAFO, um hom em baixinho com um falso sotaque francês, gritou para Shauna. – E está parecendo… comment dit-on?… um espantalho.
– Sem essa, Frédéric – reagiu Shauna, sem saber nem se im portar se aquele era seu nom e. – De onde você é? Do Brookly n?
Ele levantou as m ãos.
– Desse j eito não posso trabalhar.
Aretha Feldm an, a agente de Shauna, acudiu.
– Não se preocupe, François. Nosso m aquiador vai dar um j eito. Ela sem pre chega assim , m eio despenteada. Voltarem os j á. – Aretha agarrou com força o cotovelo de Shauna, m as sem perder o sorriso. Depois disse baixinho para Shauna: – Que diabos aconteceu com você?
– Eu não preciso desse suj eito.
– Não dê um a de estrela para cim a de m im .
– Tive um a noite terrível.
– Sente-se na cadeira de m aquiagem .
O m aquiador suspirou horrorizado quando viu Shauna.
– Que bolsas são essas sob os seus olhos? – ele reclam ou. – Vai posar para um a cam panha de bolsas de viagem ?
– Rá, rá, rá, não tem graça nenhum a. – Shauna aproxim ou-se da cadeira.
– Ah! – exclam ou Aretha. – Chegou isso para você.
Aretha segurava um envelope. Shauna olhou para ele assustada.
– Que negócio é esse?
– Sei lá. Um m ensageiro o entregou uns 10 m inutos atrás. Disse que era urgente.
Aretha passou o envelope para Shauna. Ela o pegou e virou com um m ovim ento brusco. Reconheceu a letra fam iliar na frente do envelope – apenas a palavra “Shauna” – e sentiu um frio na barriga.
Ainda olhando para a caligrafia, Shauna disse:
– Me dê um segundo.
– Agora não dá…
– Um segundinho.
O m aquiador e a agente se afastaram um pouco. Shauna abriu o envelope. Um cartão branco com a m esm a letra fam iliar caiu lá de dentro. Shauna o apanhou. A nota era breve: “Vá até o banheiro fem inino.”
Shauna tentou m anter a respiração regular. Ela se levantou.
– Algum problem a? – perguntou Aretha.
– Preciso fazer xixi – respondeu Shauna, ela m esm a se surpreendendo com a calm a em sua voz. – Onde é o toalete?
– No fim do corredor, à esquerda.
– Volto j á, j á.
Dois m inutos depois, Shauna em purrou a porta do banheiro. Ela não se abriu. Ela bateu.
– Sou eu – ela disse. E aguardou.
Alguns segundos depois, ela ouviu a fechadura se abrir. Mais silêncio. Shauna respirou fundo e voltou a em purrar a porta. Desta vez, ela abriu. Shauna entrou e estacou, petrificada. À sua frente, de pé diante do com partim ento da privada, um fantasm a.
Shauna conteve um grito.
A peruca m orena, a perda de peso, os óculos com arm ação de m etal, nada disso alterava o óbvio.
– Elizabeth…
– Tranque a porta, Shauna.
Shauna obedeceu sem pestanej ar. Depois, deu um passo em direção à velha am iga. Elizabeth retrocedeu.
– Por favor, tem os pouco tem po.
Pela prim eira vez na vida, Shauna ficou sem palavras.
– Você tem de convencer Beck de que estou m orta – disse Elizabeth.
– É tarde dem ais para isso.
Seu olhar percorreu o banheiro com o se procurasse um a saída por onde fugir.
– Com eti um erro ao voltar. Um erro terrível. Não posso ficar. Você tem que dizer para ele…
– Vim os o laudo da autópsia, Elizabeth – disse Shauna. – Não dá m ais para colocar o gênio de volta na lâm pada.
Os olhos de Elizabeth se fecharam .
Shauna disse:
– Que diabos aconteceu?
– Foi um erro vir aqui.
– Você j á disse isso.
Elizabeth com eçou a m order o lábio inferior. Em seguida:
– Tenho de ir.
– Não dá – disse Shauna.
– O quê?
– Não dá para você fugir de novo.
– Se eu ficar, ele m orrerá.
– Ele j á está m orto – disse Shauna.
– Você não está entendendo.
– Nem quero entender. Se você deixá-lo de novo, ele não sobreviverá. Estou esperando há oito anos que ele supere o traum a. É isso o que deveria acontecer. As feridas cicatrizam . A vida continua. Mas não para Beck. – Ela deu um passo na direção de Elizabeth. – Não posso deixar você fugir de novo.
Havia lágrim as nos olhos das duas.
– Não quero saber por que você partiu – disse Shauna, aproxim ando-se de Elizabeth. – O que im porta é que você está de volta.
– Não posso ficar – ela disse num sussurro.
– Você precisa.
– Mesm o que isso signifique a m orte dele?
– Sim – respondeu Shauna sem hesitação. – Mesm o assim . E você sabe que o que estou dizendo é verdade. Por isso você está aqui. Você sabe que não pode partir de novo. E sabe que não vou deixar.
Shauna deu outro passo à frente.
– Estou cansada de fugir – disse Elizabeth.
– Eu sei.
– Não sei m ais o que fazer.
– Nem eu. Mas fugir não é um a opção desta vez. Explique a ele, Elizabeth. Faça-o entender.
Elizabeth ergueu a cabeça.
– Sabe o quanto eu o am o?
– Sim – respondeu Shauna –, eu sei.
– Não posso deixar que ele sej a prej udicado.
Shauna disse:
– Tarde dem ais.
Elas estavam agora a poucos centím etros de distância. Shauna quis estender os braços e abraçá-la, m as perm aneceu parada.
– Você tem com o entrar em contato com ele? – perguntou Elizabeth.
– Sim , ele m e deu o núm ero de um celular…
– Diga para ele “Golfinho”. Vou encontrá-lo lá esta noite.
– Não sei nem o que isso significa.
Elizabeth deslizou rapidam ente por ela, olhou para fora da porta do banheiro e saiu.
– Ele vai entender – ela esclareceu. Em seguida, sum iu.