Não Olhe!

FML Pepper · Capítulo 23 de 29

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Não Olhe!

Capítulo 23

 

— Finalmente! — soltou Zymir ao detectar minha aproximação do palácio. — Não a encontrávamos em lugar algum.

— E-eu não estava passando muito bem e... — a desculpa saía aos tropeços. — O que houve?

— Depois explico. Venha! — respondeu aflito, conduzindo-me em outra direção.

Fomos ultrapassados por homens da guarda que mudavam suas posições às pressas. Sob o som de estridentes cornetas, um mensageiro passou correndo por nós. Zymir levou as mãos à cabeça.

— O que está acontecendo? — escutei vozes berrando, ordens lançadas ao ar. — Wangor?!

— Seu avô está bem. Siga-me — apressou o passo.

— O que está acontecendo, Zymir? — Nova taquicardia. — Seremos atacados? É isso?

Ele contraiu a testa, mas não respondeu.

Richard havia falado a verdade? Uma guerra estava prestes a explodir por minha causa? Se tivesse fugido com ele poderia ter evitado este confronto?

— Fale comigo, Zymir! — ordenei.

— É grave! Estão convocando toda a população. Vista isto! — Ele me cobriu com uma capa negra. — Temos que passar despercebidos.

— E Wangor?

— Ele sabe que você está comigo. Venha! — ofegante, Zymir me conduziu até um porão esculpido dentro das entranhas de uma gigantesca rocha, no subsolo do castelo. O lúgubre esconderijo me fez recordar de Thron. O calor e a fumaça das tochas que iluminavam o ambiente o deixavam embaçado e claustrofóbico.

— O que é isso? — bradei ao vê-lo mandar dois guardas trancarem o portão assim que entramos. — Não vou ficar presa aqui, Zymir!

— Este esconderijo foi construído como última alternativa a uma invasão — explicou taciturno. — Aqui ficam resguardadas as pessoas importantes do clã ou que exijam cuidados especiais, tais como o líder e seu conselho, idosos, mulheres grávidas e crianças abaixo dos seis anos de idade.

— E eu! — rugi, mas ele não deu atenção.

— Que Wangor me perdoe, mas não sei se teremos outra oportunidade. Você precisa saber. — Transparente e incisivo, partiu de imediato para as explicações e arrancou o chão sob os meus pés. — Wangor acordar. Você estar aqui. Este possível combate. Foi tudo muito rápido! Seu avô, apesar de dizer que não, ainda está em convalescença, Nina. Foram muitos anos praticamente desacordado. — Ele tentava se explicar, defendendo Wangor a qualquer custo. — Ele ainda está fraco e muito... muito nervoso. Ainda não tem conhecimento dos fatos que ocorreram em Zyrk nos últimos tempos — arfou e, após respirar profundamente, lançou-me um olhar penetrante. — Tenho que ser sincero. Acho que enfrentarão um sério problema.

— Sobre o que você está falando?

— Você sabe muito bem. — Ele arqueou as grossas sobrancelhas grisalhas. — Sobre você e Richard.

— Hã? — Eu cambaleei e dei um passo para trás. Como ele sabia sobre mim e Richard?

— Richard é um rapaz enigmático, mas tem uma qualidade que admiro muito em um homem: ele é forte em todos os sentidos. Infelizmente, se bem conheço o seu avô, ele nunca irá permitir que vocês... — Zymir arranhou a garganta. — Que, ao menos, vocês...

— Nós o quê? — arregalei os olhos e tive a sensação de que havia uma pedra de gelo sendo derretida em meu estômago.

— Wangor não permitirá qualquer aproximação entre vocês dois. Seu avô é um homem de princípios rígidos. Ele sempre odiou Shakur e absolutamente tudo cuja procedência fosse de Thron. Quando tomar conhecimento que o rapaz é o pupilo que superou o mestre, irrefutavelmente o odiará — confessou.

Engoli em seco.

— Nós, zirquinianos, pouco entendemos sobre as questões do bem-querer, Nina — suspirou. — Não saberia lhe dar conselhos a respeito, mas não posso negar que, apesar de tudo, a atitude de Richard me fez repensar a existência medíocre que levamos e me fez ter pena dele.

— Pena? — rebati sem saber se estava mais ultrajada ou atordoada com aquela confissão.

— Não deveria, mas acho que será melhor para todos nós que eu lhe forneça algumas explicações. O tempo está se esgotando de qualquer forma — o franzino senhor disse com olhar aéreo. — Não sei se estou agindo corretamente. Richard me pediu que não lhe contasse nada, para lhe proteger. Mas isso foi antes de você entrar em Zyrk. Agora tudo mudou...

Segurei a emoção que ameaçou me dominar e todas as minhas extremidades começaram a formigar.

— Proteger do quê?

— Von der Hess — murmurou sombrio. — O mago de Marmon, Von der Hess, tem os chamados poderes ocultos — esclareceu. — Apesar de tais poderes serem proibidos pelo Grande Conselho, toda a Zyrk desconfia de que ele tem controle sobre os Escaravelhos de Hao. Infelizmente, ainda não conseguimos incriminá-lo porque estas terríveis criaturazinhas não sobrevivem muito tempo após passar pela transformação e, portanto, não existem provas contundentes contra ele.

— O que são estes “Escaravelhos de Hao”?

— Trata-se de um minúsculo besouro que foi submetido à magia negra e que tem a capacidade de penetrar na mente de uma pessoa e passar adiante todas as informações que obteve.

Cristo! Que insanidade era aquela?

— Este besouro consegue enxergar as situações exatamente como a pessoa a presenciou — soltou em baixo tom e suspirou. — Posso imaginar o horror a que Zyrk seria submetida caso Von de Hess conseguisse aumentar a resistência dessas criaturas.

Tornei a engolir e não encontrei nada. Sem saliva.

— Então, o que Richard não queria que Von der Hess soubesse? — emendei a linha do raciocínio.

— Que ele tem bons sentimentos por você, ou, como os humanos dizem, que ele a ama.

— E-ele lhe disse isso? — gaguejei. Minhas palavras evaporaram em meio aos meus pensamentos embaralhados.

— Claro que não! Nem ele mesmo consegue entender o que sente por você. Acho até que ele luta contra, mas, pelo que vi, eu sei o que é. Eu já vi acontecer. Foi assim mesmo com Dale, seu pai — acrescentou. — Só que com Richard tudo parece mais intenso.

— Por favor, Zymir, conte-me tudo. — As palavras saíram me ferindo por dentro, como pregos sendo puxados à força de um pedaço de madeira. Minha garganta ardia.

— Resumidamente, minha jovem, foi assim: Richard, mesmo contra sua própria vontade, acabou se apaixonando por você e não sabia o que fazer para mantê-la viva. Estava transtornado porque a missão dele era levá-la morta para Shakur, seu líder. Teve então a ideia de negociá-la com John, o resgatador de Storm. Isso foi ótimo porque assim ele a manteria afastada das mãos sujas de Collin enquanto estivesse longe. Seria um risco enorme deixá-la com ele e seus homens...

— Como ele sabia que John não faria o mesmo?

— Caráter.

— Sei — desdenhei. — Como vem me falar de caráter quando todos os resgatadores nada mais são do que assassinos?

— Sei que pode soar estranho, Nina. Mas entenda que os resgatadores são os melhores exemplares de Zyrk — explicou olhando-me com intensidade. — Eles são obrigados a constantemente passar por testes no Grande Conselho. Só enviamos para a sua dimensão aqueles em que detectamos aptidão e coerência para o cumprimento de suas missões. Sei que alguns maus exemplares conseguem passar nesses testes, mas, graças a Tyron, eles são a minoria. — Zymir esfregava a testa. — Já deve ter percebido que existe uma grande diferença entre os nossos resgatadores, não? — repuxou os lábios e deu de ombros. — Enfim, Richard a deixou com John porque sabia que ele era um resgatador confiável.

— Bem diferente dele — alfinetei.

— É verdade. Acho que este não é o adjetivo que costumam empregar quando se referem a ele. Além de ter um passado obscuro, é conhecido por ser imprevisível e violento. Mas é também, sem sombra de dúvida, o maior guerreiro que já surgiu nesta dimensão. E pode estar certa de que não sou homem dado a elogios, minha jovem.

— Imprevisível... — balbuciei.

— Sim. Mas muito inteligente e determinado também. Só sendo muito perspicaz para bolar uma estratégia como esta.

Abaixei a cabeça, completamente perdida.

— Nina, John tinha a fama de ser íntegro. Com certeza ele seria a pessoa mais indicada para tomar conta de você e, por sorte ou desígnio de Tyron, calhou de ser ele o resgatador do único clã que a queria viva. Richard teve a certeza de que o bom caráter de John o impediria de qualquer ato inadequado. Sem que este último soubesse, Richard apostou todas as suas fichas nele. — Zymir andava de um lado para o outro e me deixava ainda mais tonta. — Faltando apenas três dias para que você completasse dezessete anos, Windston recebeu a inusitada visita de Richard. Desesperado e sabendo do estado de seu avô, acabou contando seu incrível plano para mim e disse onde você estava. Richard sabia que John não teria homens suficientes para enfrentar Collin e então implorou que eu lhe cedesse alguns soldados. Ele me prometeu que, uma vez que a retirasse das mãos de John, a traria viva para Windston e não a levaria morta para Thron. Mesmo contra minha vontade, tive de negar porque, sem o comando de Wangor, nada poderia ser realizado — arfou. — Não pude também levar tal fato ao conhecimento do atual conselho de inúteis daqui porque sabia que eles não apenas não permitiriam, como acabariam batendo com a língua entre os dentes e enviariam a bombástica notícia ao Grande Conselho de Zyrk. Só Tyron poderia prever o que aconteceria após isso — repuxou os lábios. — Após esbravejar e ameaçar, Richard partiu completamente transtornado daqui. A partir de então, tudo que sei me foi trazido pelos ventos.

— Soube o que aconteceu na casa da Sra. Brit? — indaguei.

Ele confirmou com um aceno de cabeça.

— Guimlel tem razão, Zymir — confessei com o coração batendo rápido demais. — Um dos elos é falho, senão eu não teria quase morrido. Um de nós dois não ama o outro realmente.

— Isso não faz sentido...

— Nada faz sentido quando se trata de Richard, Zymir! Você mesmo disse que ele é absurdamente imprevisível! — interrompi com o maxilar travado. — Por acaso a Sra. Brit lhe contou que ele ia me levar de volta a Thron?

— Hã?

— Não sabia disso? — indaguei sarcástica. — Se Richard pensa que vai me levar de volta pra lá, só pode estar tão louco quanto o próprio líder! Eu prefiro morrer a ter de voltar para os braços assassinos do Collin! — rosnei.

— Collin? — O velho senhor parecia confuso e ao mesmo tempo assustado. — Então você não sabe?

— Sei o quê? — trinquei os dentes.

— Como acha que você apareceu nas mãos de Max, hein? — Zymir retrucou no mesmo tom.

O ar foi violentamente arrancado dos meus pulmões. Perdi a cor e minhas mãos começaram a suar. Zymir sabia? Ele saberia preencher aquela lacuna da minha vida que me atormentava dia após dia?

— Por que acha que Richard foi banido de Thron? — insistiu.

— “B-banido”? — O chão começou a abrir e eu estava afundando.

— Encontraram o corpo de Collin.

— Morto? Collin está... morto? — engasguei.

— Sim. Pelo que ouvi dizer, foi assassinado no mesmo dia em que você foi levada para Storm. Talvez você possa me dizer o motivo — acrescentou com o olhar incriminador.

Céus! As peças se encaixavam: Richard o havia matado! Foi ele quem havia me resgatado das garras de Collin naquela terrível noite? Tudo que conseguia me recordar era de um estrondo alto, madeira se espatifando. Teria ele arrombado a porta do quarto de Collin e partido para cima dele após ouvir meus berros?

— Não enxerga, Nina? — Zymir me sufocava. Meu cérebro era um cofre arrombado com aquela enxurrada de informações. — Tudo leva a crer que foi Richard quem pagou com moedas de ouro para que Max a tirasse de Thron e a levasse para Storm às pressas.

— Pagou? — minha voz saiu rouca. Senti minhas pernas dobrarem e meu corpo curvar para a frente, como se tivesse recebido um chute por trás.

— Ele abriu mão do trono do clã mais forte de Zyrk e das sete mil moedas de ouro por você. Será que não está claro o suficiente? — Zymir rebateu agitado. — Ele tem bons sentimentos por você, garota! Sentimentos fortes, com certeza.

Novos flashes e senti o peso da pressão atmosférica pressionando meu crânio contra o chão. A sensação era de que ia tombar ali mesmo. A correria. A fuga de Thron. É claro! Richard estava bêbado e sabia que não teria condições de fugir comigo de lá. Por isso pagou Max para me levar para Storm.

— Richard pode ter cometido seus erros no passado, mas ninguém pode duvidar do sentimento avassalador que nutre por você. Ele tinha tudo para ser um dos maiores líderes de Zyrk e abdicou do seu prestígio e glória para mantê-la viva. Ele agora é um desertor. Pior, acabo de saber que Shakur está atrás dele. Por sua causa ele virou um traidor de Thron e tem seus dias contados.

— Dias contados... — A dor do remorso inflava alucinadamente e ia explodir meus pulmões.

— Sim. Ele foi condenado ao Vértice. Ele traiu Shakur de todas as formas possíveis, Nina. Chegou ao extremo de vir oferecer ajuda a Windston. Por que acha que ele fez isso tudo?

Condenado ao Vértice?Por minha causa...

— Zymir, eu...

— Pense, Nina! Junte as pistas que só você é capaz de possuir. Aceite os fatos: o filho do deserto é louco por você.

— “Filho do deserto”? — balbuciei atônita e procurei uma parede para me escorar. O mundo começou a girar.

— É o apelido que foi lhe dado quando, ainda menino, uma caravana de Thron o encontrou perdido no deserto do norte.

Primeiro veio o torpor, a familiar sensação de que ia desmaiar. Depois, a certeza opressora: Richard sempre pensou em mim. Ao seu estranho modo, ele me amava. Bom ou mau, não fazia a menor diferença agora que eu o havia perdido de vez. Ele fez de tudo por mim, para me manter viva. Todas as barbaridades que se possa imaginar por mim. Inclusive ir contra seu líder, perder seu prestigiado posto de resgatador principal e, no futuro, seu tão sonhado trono. Muito mais do que isso, ele perderia a vida por ter me amado. E como eu havia lhe recompensado? Chamando-o de assassino e o dispensando sem piedade. Sem lhe dar ao menos a chance de se explicar. Como ácido sulfúrico, o arrependimento me corroía por dentro. Desintegrava-me. Eu estava irrevogavelmente enganada.

— Acho que Richard deve ter levado um baita susto com um fato extraordinário que acabou acontecendo e que mudou todo o panorama.

— Hã? — Zymir parecia não perceber o estado deplorável em que me encontrava e continuava a me asfixiar com aquele dilúvio de informações.

— Você ter fugido de Kaller com a ajuda de John! Isto correu como uma bomba por toda a Zyrk.

— Ah, não!

— Não consegue enxergar, minha jovem? John só fez esta loucura porque também está interessado em você. Só não sei se ele já se deu conta disto também — esboçou um sorriso.

Pobre John...

— Ele sempre foi muito devotado ao pai — continuou Zymir. — Teve que passar por cima de todos os seus princípios para ajudar você — disse arqueando as sobrancelhas. — Eu senti este receio em Richard. Quero dizer, percebi que ele não estava muito confortável por ter deixado você sob os cuidados de John. Agora percebo o porquê de sua preocupação. Ele sabia que você ficaria muito próxima de John durante vários dias seguidos e que o contato de seu corpo com o dele poderia provocar algum tipo de reação. — Zymir comentou de um jeito malicioso. — E provocou! Não se esqueça de que você é uma híbrida, o nosso fruto proibido. E, para complicar, você é muito bonita, minha jovem — lançou-me um sorriso maroto. — O que você é capaz de provocar neles chega à beira do enlouquecedor. E não é só neles... — fez uma careta de desprezo, provavelmente referindo-se a Kaller e suas intenções. — Primeiro você foi salva por Richard, que, supostamente, deveria matá-la. Depois por John, que a livrou das garras do próprio pai — vibrou. — Não percebe? Foi protegida pelos dois melhores resgatadores desta dimensão, minha jovem.

— E consegui arruinar com os dois ao mesmo tempo — balbuciei arrasada e sem coragem de encará-lo.

— Zymir! Precisamos de você na sala de comandos! — Um soldado chegava acelerado.

— Bom, eu... — a voz de Zymir ficou subitamente rouca. — Já disse tudo que precisava. Preciso ir — arfou. — Se você acredita em alguma divindade, acho que é a hora de lhe pedir proteção, Nina.

Zymir não percebeu que meus olhos se afogavam em lágrimas. Mirando o chão sob meus pés, eu as segurava a todo custo. Ele pousou a mão sobre meu ombro por um momento e, antes de sair, estendeu-me um envelope:

— Wangor pediu que lhe entregasse em mãos e que você o rasgasse após ler.

Abri o envelope e, sem conseguir controlar a queimação em meus olhos, deixei as lágrimas caírem na folha de papel. Engoli o seu conteúdo chorando compulsivamente.

“Minha Nina,

Se você estiver lendo esta carta é porque nossas condições não são satisfatórias, mas não quero que se preocupe. Com certeza é o momento mais difícil que este reino já presenciou, mas também é o mais feliz, minha menina. O mais libertador.

Nunca se esqueça de que você é o nosso milagre. Você é a certeza de um futuro decente para todos os zirquinianos.

Não se sinta culpada caso os eventos não saiam conforme o desejado. Lembre-se de que um dia todos nós teríamos de morrer e que nós, zirquinianos, já somos acostumados com a morte. Ela não nos amedronta. Vivemos dela e para ela. O que queremos agora é guerrear pelo direito de viver. Já lutamos muito pela morte e acho que já pagamos a nossa dívida com juros bem altos.

Apesar de tudo, tenho a absoluta certeza de que Tyron não me fez despertar à toa. Eu tenho uma dívida a pagar com Dale e não pretendo partir antes de quitá-la. Mais do que tudo, agora eu tenho um motivo para viver e lutar. E esse motivo é você.

Jamais imaginaria que um dia diria isso, mas, se você nutre algum bom sentimento por John de Storm e caso eu não esteja mais nessa dimensão para testemunhar, saiba que tem a minha aprovação e a minha bênção. Ele é um zirquiniano honrado e deu provas do forte sentimento que tem por você.

Do seu avô que lhe deseja todo o bem,

Wangor.

OBS: Não importa o que venha a acontecer, obedeça ao seu coração. Siga os seus sinais.”

 

— John? Ah, não!