Não Olhe!
Capítulo 7
— Dou-lhe três tempos após o sol do oeste — determinou o líder.
O que aquilo significava?
— Tome muito cuidado, porque ela não está completamente recuperada. Quando acabar de “matar a saudade” — disse o líder com a voz arrastada —, leve-a de volta ao aposento anexo ao meu.
— Sim, meu pai — Collin respondeu sem tirar o olhar de Richard.
— Rick, vá beber — ordenou Shakur ao se retirar. — Se arrumar alguma confusão, ficará preso por um mês, tempo suficiente para acalmar seus nervos. Se aprontar mais do que confusão — advertiu encarando-o de um jeito estranho —, vai se arrepender como nunca. Vou passar a ordem ao batalhão.
A fraqueza que avançava pelo meu corpo se transformou em tristeza, dor. Richard novamente mentiu quando disse que cuidaria de mim, e, como era de se esperar, havia desistido de mim mais uma vez. Collin sabia quem ele era e fez questão de me mostrar. O próprio Richard me alertara diversas vezes que eu poderia não gostar do que descobriria quando o conhecesse de fato. Mais do que egoísta, ele era ambicioso ao extremo. Recordei-me imediatamente das palavras de Ben: “Richard sempre colocará Thron em primeiro lugar...” Novamente caí como uma tola naquela história de que ele me protegeria e que daria a vida por mim. Ele jamais faria isso porque, no final das contas, ele era a minha morte.
— Amarre-a — ordenou Collin assim que Shakur saiu. Igor prendeu minhas mãos com um pedaço de corda. A festa retornara como se nada houvesse acontecido e as pessoas bebiam animadas. — Venha! — Collin me puxou pelo cotovelo e fez questão de passar comigo diante de Richard. — Isso é para você aprender a não mexer com quem não deve — recomeçou ele, debochado, passando o dedo imundo em meus lábios. Meu corpo estava anestesiado, todas as emoções esfaceladas. Richard não ousou encará-lo e caminhou em direção à mesa de Shakur. Num único gole, despejou uma caneca cheia de bebida garganta adentro.
— Por que você está assim? — Collin implicava com o adversário. — Não está satisfeito com a troca? Acha que eu não percebi seu interesse nela?
— Saia da minha frente antes que eu divida sua cara em duas — ameaçou Richard sem olhar para nós e entornando outra caneca de bebida.
— Você não vai fazer isso hoje. Papai não vai gostar. — Collin o provocava de perto e Richard bebia sem parar. — Ah! Quando a híbrida começar a gemer, lembre-se de que quem vai matar a fome sou eu e que você vai continuar sem a sua... Qual era a palavra mesmo? Ah! Lembrei... “Merenda”! — disse displicentemente. — Quem vai ficar sem a merenda será você e não eu. Ou você acha que eu ia deixar o incidente na vila para trás?
Tanta coisa tinha acontecido que eu havia me esquecido completamente: Collin estava indo à forra pela surra que levara de Richard logo após ele ter me agredido naquele vilarejo na Itália.
— Eu Vou Te Matar. — As grossas sobrancelhas de Richard se contraíram no mesmo instante e sua voz saiu mais afiada que uma lâmina.
— Só depois que meu paizinho partir, do contrário você vai perder aquilo pelo qual vem sonhando desde o dia em que pôs os pés aqui, não é? — rosnou. — Não adianta disfarçar. Todos sabem o quanto você quer o trono de Thron, o quanto esperou por esse momento.
Bebendo sem parar, Richard reagia de um modo desencontrado.
— Eu Vou Te Matar — repetiu, agarrando-o pela gola da camisa. Igor veio em defesa de Collin.
— Rick, não! — Morris o puxava preocupado. — Shakur não estava de brincadeira, homem!
— Acha que pode ter tudo? — Collin não dava trégua.
— Seus dias estão contados, Collin — ameaçou Richard antes de soltá-lo.
— Sim. Mas serão muitos e, como você mesmo costuma dizer, muita coisa pode acontecer nesse ínterim, como, por exemplo, desfrutar das sensações que só uma híbrida pode me proporcionar — desafiando-o, Collin foi descendo o dedo lentamente até o decote do meu vestido. Tornei a ficar tonta com aquele contato. Richard deu um passo para frente e estancou, o azul em seus olhos estava cada vez mais escuro. — Isso mesmo. Não se atreva a se aproximar — acrescentou Collin, em tom implicante. — Agora me deixe em paz porque pretendo beber. E muito. Estou supercurioso para saber o que a híbrida pode me fazer sentir — soltou debochado enquanto deslizava a mão nojenta pelas minhas costas. — E pretendo descobrir ainda hoje.
Richard lançou um sorriso mordaz para Collin e, sem olhar uma vez sequer para mim, retirou-se a passos largos dali. Eu não conseguia entender o turbilhão de emoções que chacoalhavam em meu peito. Decepção, compreensão, confusão. Por que Richard abriria mão da coroa de Thron? O que ele poderia esperar de mim, de nós? Absolutamente nada. E, neste ponto, eu me permitia entender suas razões mas, por outro lado, não conseguia anular a ácida decepção que desintegrava cada célula de esperança de meu corpo. Somado a isso, um sentimento de revolta crescia como uma erva daninha em minha mente, contrapondo-se ao estado de submissão em que me encontrava desde o momento em que me vi refém das mãos de Richard e de todos os demais zirquinianos. Shakur não era meu dono para dispor de mim como bem entendesse. Muito menos Collin. Eu podia sentir esse sentimento expandindo-se dentro de mim e uma sensação de poder se espalhando por cada fibra, cada tecido de meu corpo. Como se aquela certeza fosse o combustível que meu espírito aguardava para voltar a funcionar. Estava decidido: eu ia fugir dali e recuperar a minha dignidade! Tinha de haver um meio de me livrar dele, por bem ou por mal. Não havia mais medo em minha alma e eu sabia que não tinha mais nada a perder.
Collin ficou ali bebendo por um longo tempo. Com os reflexos lentos devido ao efeito da bebida, ele finalmente se levantou e, agarrando-me com força, conduziu-me por corredores desconhecidos. O chão de pedras era um obstáculo a mais para as passadas incertas de um bêbado e, por diversas vezes, quase caímos. Irritado, ele descontava em mim a raiva pelos tropeços e a frustração de ter perdido o trono de Thron. Intercalando xingamentos, empurrões e ameaças, ele foi me levando em direção a uma área ainda mais sombria do assustador castelo.
— É aqui que você vai pagar pelas suas gracinhas, híbrida — confessou desajeitado, enquanto procurava as chaves em seu bolso. — Não me esqueci do que você aprontou comigo.
— Eu não tenho medo de você — enfrentei-o.
— Ah, não? — ele ergueu as sobrancelhas e me testou. Sacudindo animadamente o molho de chaves, desabotoou a calça comprida e afastando-a da cintura, jogou as chaves lá dentro. — Pegue-as, híbrida.
Engasguei e logo a seguir pensei ter escutado um ruído externo. Olhei para os lados, mas não havia ninguém.
— Minhas mãos estão presas — respondi com os dentes trincados.
— Arrume um jeito. — Collin estampava um sorrisinho tão nojento quanto ele. — Pegue-as — tornou a ordenar e encarou as próprias calças.
Tentei disfarçar o horror em minha face, respirei fundo e não me fiz de rogada. Um pensamento me invadiu: quem sabe não conseguiria fincá-la nele, assim como fiz com aquele Alec? Mas a resposta veio de imediato: não havia Richard para me defender. Nem o John. Não havia ninguém. E, mesmo que conseguisse escapar dele, como fugiria de Thron? Como passaria por aquela área de mendigos e por sua muralha fechada?
Enfiei minhas mãos dentro da calça dele e, tateando entre sua cueca e suas coxas, consegui pescar as malditas chaves.
— Gostei — disse ele mordiscando o lábio inferior. Os cabelos oleosos e caídos sobre os olhos davam-lhe um aspecto asqueroso e ameaçador. — Agora abra a porta, híbrida. — Desajeitada, obedeci. — Entra logo! — ele resmungou, empurrando-me para dentro do aposento.
Quando dei por mim, ele trancava a porta, recolocando as chaves em seu bolso. O quarto era amplo e escuro, como tudo por ali. Quando Collin riscou duas pedras e acendeu uma tocha, avistei uma cama feita de estrutura de pedra em uma das paredes e um estrado de madeira na parede oposta. Sobre o estrado havia diversas espadas, punhais, cordas e escudos perfeitamente arrumados, o que contrastava com a cama, uma completa bagunça. Lençóis e mantas amarrotados encontravam-se amontoados numa pilha de roupas sujas e jogadas de qualquer jeito. Meu instinto de sobrevivência funcionava a mil por hora: Aguente firme, Nina. Só por essa noite. Só até ele dormir e então você enfia um desses punhais na garganta dele. Você consegue, garota! Eu sabia que se o matasse acabaria complicando as coisas para o meu lado, mas, a esta altura, o que eu tinha a perder?
— Tire a minha camisa, híbrida — começou ele com fisionomia pervertida.
Determinada a suportar o que viesse pela frente, tornei a obedecer. Collin, apesar de ter a estrutura larga, não tinha o corpo musculoso. Uma boa capa de gordura envolvia seu abdome.
— Bom. Agora tire a minha calça e meus sapatos.
— Não tenho como fazer isso — respondi friamente e lhe mostrei as mãos presas.
— Sei — ele repuxou os lábios. — Chegue mais perto. — Com o coração palpitando no peito, me aproximei. Podia sentir seu bafo horroroso entrando por minhas narinas. — Isso mesmo. — Ele puxou uma faca da cintura e desatou a cortar a corda.
— Ai! — reclamei e, num reflexo, puxei o braço quando a lâmina atingiu meu pulso. Collin havia me cortado de propósito.
— Ops!— soltou falsamente. — Acho que ficou melhor agora. Cada braço com uma cicatriz minha.
O idiota se referia ao corte que seu capanga tinha me causado no deserto do Saara.
Naquele momento experimentei uma força estranha expandindo pelo meu corpo, como tinta em tecido. O calafrio se foi, sendo substituído por um calor feroz. Senti meus músculos esquentarem por debaixo de minha pele.
— Já pode tirar a minha calça — determinou.
Respirei fundo e, com o braço sangrando, fiz o que ele me ordenou. Quando acabei de retirar a calça, fomos interrompidos por novo ruído do lado de fora. Collin se conteve por um instante e parou para escutar, mas relaxou em seguida ao ouvir umas risadas ecoando pelo corredor externo. Provavelmente pessoas saindo bêbadas da festa.
— Agora aqui — sugeriu com novo sorriso horroroso nos lábios enquanto olhava para a própria cueca.
Argh! Segurei a ânsia em meu estômago quando me deparei com suas pernas abertas e um cheiro de gordura exalando de seu corpo. Eu tinha de suportar.
— Como estou cansado, hoje você é quem vai começar, híbrida — soltou uma risada asquerosa. — Tire o seu vestido para mim.
Aflita, dei um passo para trás, meu coração pulsando em meus ouvidos. Tomei novo gole de ar e coragem e deixei cair a primeira camada do vestido. Naquele momento agradeci aos céus por ele ser composto por duas saias finas, além da anágua do século retrasado.
— Bom — ele salivou e dei outro passo para trás, atordoada. — Tire tudo de uma vez por todas. Está devagar demais, híbrida.
Comecei a remover a saia esvoaçante, mas meu pulso ensanguentado ardia e meus dedos trêmulos se embaralhavam na trama de fitas e não conseguiam ir adiante. Quanto mais força eu fazia, mais a saia apertava em minha cintura.
— Rasgue! — ordenou sem paciência.
— Eu não consigo — respondi dando outro passo para trás.
— Se eu tiver que levantar, você vai se arrepender amargamente, garota.
— Espera, eu... — disse, sentindo as fitas cortarem meus dedos tamanha a tensão que eu empregava para rasgá-las. — Eu já...
— Chega! — Collin berrou e, enfurecido, veio em minha direção. Dei outro passo para trás e esbarrei no estrado onde as armas estavam dispostas. — É assim! — rosnou ao enfiar as garras no tecido e rasgá-lo com absurda facilidade. Agora só restava a anágua separando meu corpo daquele ser repugnante. Pensei em berrar, mas recordei de que nada adiantaria. A única ideia que me veio à cabeça seria tentar persuadi-lo porque, mesmo bêbado, ele não parecia nem um pouco sonolento.
— Collin, espere — implorei no tom mais sereno que consegui empregar. A força se agigantava dentro de mim. Pela primeira vez desde a morte de minha mãe eu me sentia atipicamente bem. — Eu vou tirar. Eu só...
— Você pensa que me engana, garota? — rugiu. — Arranque essa anágua! Agora!
Eu ia tirar. Juro que pretendia, mas fui tomada por dois sentimentos contraditórios e acabei travando. O primeiro deles era asco, puro e simples. Enojada com o que poderia acontecer no instante em que minha roupa tocasse o chão. O segundo, para minha surpresa, não era revolta, mas sim determinação. Meu olhar frio o desafiou. Foi o suficiente para Collin agarrar meu pescoço e começar a esfregar uma das mãos imundas pelo meu quadril. Senti meu corpo ser tomado por espasmos estranhos e a tosse voltar de maneira abrupta. Visivelmente aborrecido com meu acesso de tosse, ele desatou a enfiar as mãos por debaixo da anágua e começou a esfregá-las por entre minhas coxas.
— Richard tentou isso com você? — indagou. — Fiquei sabendo que vocês ficaram a sós naquela pousada da segunda dimensão.
Não respondi. Um ciclone de insanidade girava dentro de mim. Os espasmos aumentavam de intensidade e comecei a sentir uma vontade enorme de... de rir? Rir não, gargalhar. Cristo! Eu estava pirando?
— O que ele fez com você, hein? Conhecendo a falta de delicadeza que lhe é peculiar, acredito que meus carinhos devem ser bem mais toleráveis que os dele, não? — ele esfregava os dedos imundos por minhas nádegas. — Ele fez isso? — inquiriu e começou a me lamber com vontade.
— Não! — finalmente soltei o ar. — Mas o que acha disso? — trovejei após alcançar uma adaga no estrado atrás de mim e fincá-la nele com toda a força.
— Argh! Sua vadia...
Enfurecido com a minha atitude, Collin ganiu, empurrando-me para o lado enquanto levava a mão à ferida que eu acabara de fazer em seu ombro. O prazer de vê-lo sangrar durou pouco, em questão de segundos, evidenciei seu semblante felino voltar-se para mim. Levantei-me rapidamente, peguei outro punhal no estrado e corri em direção à porta trancada. Tentei forçar sua abertura, esmurrá-la, mas nada. A maldita porta nem se mexia. A bebida em seu sangue deve ter anestesiado a dor porque, ao olhar para trás, vi Collin se aproximando de mim com a fisionomia deformada pelo ódio.
— Se você se aproximar, eu vou te matar — ameacei apontando o punhal para ele. Eu não reconheci aquela voz determinada que saiu da minha boca. O tremor havia desaparecido de minhas mãos e eu o encarava sem hesitar. A força estranha se expandia dentro de mim, aquecendo minhas mãos suadas e gerando choques nas pontas dos meus dedos.
— Estou farto das suas gracinhas — murmurou sombrio e, abrindo um sorriso cruel, encurvou-se como um bicho pronto para dar o bote.
— Eu morro, mas você não toca em mim, Collin. — Sem me dar conta, eu o encarava, desafiadora. Nossos olhares felinos presos um ao outro. Uma energia estranha começou a embaçar minha visão, dando-me a sensação de que a fisionomia assustadora de Collin havia sido substituída por outra aérea, quase ausente.
Droga! Eu realmente não estava nada bem.
—Você vai ter que me fazer sentir, híbrida. E vai começar agora.
— Nunca! — urrei quando ele rasgou a minha anágua com as próprias mãos e, ao ver meu corpo completamente despido, pulou como um animal faminto em cima de mim.
#
Berros ferozes resgataram-me do torpor em que me encontrava. A porta do aposento estava sendo violentamente esmurrada.
— P-pelo amor de Tyron! M-merda! Merd... — gritava apavorada uma voz masculina com a pronúncia meio enrolada.
Cheiro de sangue. Minhas mãos ardendo. Apaguei.
#
— E-ela não está enxergando? — indagava em pânico a mesma voz masculina. Ela parecia alcoolizada.
— A híbrida está pior do que quando chegou aqui! A visão vai melhorar, mas é o melhor que posso fazer. Nunca vi uma energia tão instável assim! A memória recente pode estar comprometida — concluía nervosa uma voz feminina que eu reconhecia de algum lugar...
Tornei a apagar.
#
Alguém me carregava às pressas por entre corredores escuros. Sua respiração alta e ofegante chegava a assustar e maculava o silêncio por onde passávamos. Senti um coração ricocheteando alucinadamente abaixo de mim. O nervosismo da situação se confirmava com grunhidos ferozes pescados no ar.
Por que aquela correria toda? O que estava acontecendo?
Tudo escureceu.
#
Passos vieram ao nosso encontro. Duas ou três pessoas talvez. Captei respirações aceleradas. Havia tensão no ar.
— Agora é com você — disse uma voz ofegante enquanto me transferia para outros braços.
— Alguém a viu? — indagou uma voz rouca e aflita. Assim que o dono dessa voz me segurou, soltou assustado: — Por Tyron! Ela está...?
— Ela vai ficar bem.
— Mas...
— Não temos tempo para explicações. Você precisa ser rápido! Já sabe o que tem de fazer — alertou a primeira voz, impaciente.
— O tempo vai ser muito apertado. Estamos correndo grande risco — retrucou a voz rouca.
Meu Deus! O que iam fazer comigo?
— Por isso você está sendo muito bem pago.
— Morris! Morris! — chegou gritando uma voz de menino.
Morris?
— Fale baixo, garoto!
— Ele mandou dizer que uma divisão do exército de Marmon está a quatro horas a leste daqui — relatava a voz infantil aos tropeços. — E que vai dar cobertura pelo caminho, mas que você precisa ganhar tempo.
— Desgraçado! Se sobrar pra mim, juro que dou um jeito de mandá-lo para o Vértice com as minhas próprias mãos — praguejou Morris. — Vocês precisarão voar até Storm — emendou para o sujeito que me segurava. — E não parem em hipótese alguma!
— Por Tyron! É mesmo a híbrida!
— Se comentar isso com mais alguém, sabe que vai acordar com um corpo sem cabeça, não sabe? Você o conhece.
— Conheço-o muito bem. E ele também sabe que tenho uma boa memória.
— Mantenha a garota afastada dos seus soldados — advertiu Morris.
— Precisei contar a dois de meus homens de confiança, por precaução.
— Ele mandou avisá-los que, se souber de algo fora do planejado, vai torturar o culpado de um jeito que ele vai implorar para morrer — alertou Morris. — E você sabe que o filho do deserto costuma cumprir as promessas que faz.
— Eu sei.
— Boa sorte! — finalizou Morris. — Acho que todos nós vamos precisar.