Não Olhe!

FML Pepper · Capítulo 4 de 29

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Não Olhe!

Capítulo 4

 

 

Assim que acordei, Tori me puxou pelo braço e foi me tirando do quarto às pressas. Desde que chegara ali, era a primeira vez que me deparava com uma silenciosa Thron.

— Fiz algo para você — disse ela agitada enquanto me conduzia pelos escuros corredores dentro do coração do vulcão adormecido. Nas poucas vezes que estive com Tori, ela estava sempre carrancuda, mas, para minha surpresa, naquele dia, a miúda senhora parecia animada.

— O que está havendo?

— Shhh! As cozinheiras chegam daqui a pouco — explicou, e me deparei com a ampla cozinha silenciosa e vazia. — Não ficou do jeito que eu gostaria, mas acho que vai servir. — Abriu um sorriso tímido e me entregou uma trouxinha de pano.

Engoli em seco.

— Tori, eu...

— Fiz durante a madrugada. Abra — sugeriu gentilmente e me desmoronou.

Ah, não! Que tipo de animal caberia dentro daquele pequeno embrulho? Respirei fundo e abri.

— Tori! O-obrigada! — gaguejei surpresa ao ver o conteúdo da trouxinha cinza: pão! E estava quente e fresquinho. — Você fez para mim?

— Não tinha os ingredientes ideais, mas...

— Está ótimo! — abri um sorriso e, imediatamente, enfiei os dentes nele. Eu ainda estava com fome. Meu corpo reclamava, desesperado por comida que realmente o sustentasse. As tâmaras que Richard havia conseguido na véspera pouco supriram essa necessidade.

— Não podemos ter acesso a eles, mas, assim que reabrirem as muralhas, vou dar um jeito de conseguir os ingredientes certos e o pão ficará muito melhor — concluiu com as bochechas vermelhas. Tori parecia mais do que satisfeita com a minha reação, estava feliz. — Alimentando-se bem, sua energia ficará estável rapidinho.

— Por que vocês não têm acesso a certos ingredientes? — indaguei confusa e sem parar de mastigar.

— Não podemos ter muitos tipos de distrações para o corpo. Não em Thron.

— Hã?

— Shakur acredita que uma comida saborosa nada mais é do que uma distração, um afago para o corpo. Por isso não permite o consumo de massas ou doces em Thron. Ele diz que um clã forte deve ter a sua tropa sempre alerta.

— Como é que é? — Eu quase engasguei com aquela afirmação.

— Há muito tempo que o regulamento é assim — suspirou. — Só temos acesso às proteínas das carnes, mas ainda assim Shakur não permite que sejam bem passadas ou com temperos. Servem apenas para nos manter fortes e dispostos.

— Mantê-los vivos. É o que você quer dizer, não? — perguntei sarcástica.

— Dá certo. — Ela deu de ombros. — Desde então, o exército de Thron se tornou imbatível.

— E infeliz — balbuciei, mas não sei se ela chegou a me ouvir. — Mas a bebida é liberada? — especulei.

— É o único agrado que nosso líder consente. Acho que é porque ele gosta muito — acrescentou com uma risadinha. — Mesmo assim, só esporadicamente. — Sentou-se ao meu lado enquanto me observava comer. — Nosso mundo deve ser um choque para você, não?

Assenti, sem saber o que dizer ou pensar. Tudo ali era surreal demais para minha cabeça.

— Você fez o pão escondido? E só para mim, Tori? — perguntei comovida.

Ela reabriu um sorriso, mas estava diferente. Acho que detectei uma pitada de travessura nele.

— Não resisti. Fiz um pra mim também — piscou, e eu achei graça.

Ruídos no corredor a fizeram dar um pulo da cadeira.

— Rápido! Esconda-o! — ordenou e, antes de obedecê-la, consegui enfiar outro pedaço na boca. — Droga! As cozinheiras estão chegando. Esqueci que viriam mais cedo por causa das festividades.

— E agora?

— Aja com naturalidade e vamos voltar para o seu quarto.

Não foram apenas as cozinheiras que passaram por nós. Atravessamos o corredor sob o olhar curioso de uma multidão de homens de todas as idades. Parecia um verdadeiro exército.

— Aonde eles estão indo?

— Ao treinamento.

— Mesmo em dia de festa?

— Sempre. Shakur não abre mão dos treinos em hipótese alguma, estejam eles cansados ou doentes.

— Até doentes? — indaguei perplexa.

O líder era um tirano. Isso, sim!

— Shakur também participa destes treinos?

— Ele só treina com Richard e, nas raras vezes que o faz, é motivo para toda Thron parar.

— Por quê?

— Porque, mesmo na sua idade e com o corpo... — Ela ia dizer “todo queimado”? — Mesmo com o corpo debilitado — respirou —, ele continua assombrosamente forte e um exímio guerreiro.

— Posso vê-los treinar? — pedi.

— De jeito algum — balançou a cabeça. — Shakur ordenou que não a deixasse sair do seu aposento, híbrida.

— O que há de mal em conhecer Thron, Tori? — insisti e segurei sua mão. — Por favor?

Tori estreitou os olhos e pensou por um instante.

— Tudo bem. Vista isso. — Ela me entregou uma manta preta com capuz e vestiu uma idêntica. — Os thronianos que estão trabalhando na área de treinamento são obrigados a usar essa capa para a própria proteção e para não distrair os guerreiros — explicou. — Além do mais, Shakur nunca aparece cedo mesmo...

Sorri agradecida.

— Mas lembre-se: mantenha seu rosto coberto o tempo todo e não saia de perto de mim nem por um segundo sequer. — Caramba! Para onde eu estava indo, afinal? Tori percebeu minha fisionomia preocupada. — Fique tranquila. Se você não olhar diretamente nos olhos dos rapazes, não haverá risco algum. Eles estarão tão entretidos com as lutas, que passaremos despercebidas, ok?

— Ok — respondi prontamente.

— Por aqui — disse e me puxou pelo braço.

Quando saímos do sombrio palácio negro, levei um choque. Outro de vários que me esperavam.

— Que horas são? — perguntei confusa ao verificar a pouca claridade. Ainda era madrugada?

— Poucas, após o sol do leste — respondeu ela.

— Você quer dizer que ainda é de manhã?

Ela confirmou com a cabeça.

Olhei para o céu através da grande abertura da cratera do vulcão e não havia nenhuma nuvem ou sinal de tempestade a caminho.

— É sempre escuro assim?

— Aqui em Thron, sim.

Que horror! Eles viviam constantemente naquela penumbra?

Tori me conduziu à lateral do castelo, onde o silêncio proporcionado pelas espessas paredes de pedras foi rapidamente substituído por uma confusão de vozes e gritos eufóricos, quase uma algazarra. Deparei-me com um grande pátio cujo piso era de terra batida. Ele era dividido em vários quadrados com seus limites demarcados por linhas brancas pintadas no chão. Apesar de cada quadrado ser iluminado por tochas suspensas em cavaletes de madeira fincados em suas quinas, o ambiente continuava relativamente escuro e embaçado pela fumaça.

— Cada um destes quadrados é chamado de área de treinamento — explicou Tori assim que chegamos ao local. — Apesar de ser difícil de visualizar — disse, apontando para o aglomerado de homens que torciam animados ao redor dos quadrados —, estas áreas são divididas em setores que vão aumentando em complexidade dos cantos onde nós estamos para o centro. Os quadrados também aumentam suas dimensões até chegar ao maior e mais central deles, o Ômega. Quando um guerreiro chega nele, é porque alcançou um nível muito avançado na arte da luta — acrescentou. — Cubra bem o rosto e siga-me.

Era difícil escutar as explicações de Tori em meio aos gritos que se ouviam durante as lutas. Esgueirando-me por entre brechas em meio às aglomerações, vi que os quadrados periféricos e menores eram ocupados por garotos novos, entre seus doze e quinze anos de idade, que lutavam com armas de madeira.

— Nossas mulheres e meninos também treinam — disse ela orgulhosa. — Mas em local separado.

À medida que caminhávamos para o centro, a idade dos soldados ia aumentando, assim como a periculosidade das armas que eles utilizavam. Espadas de diversos tamanhos e modelos, nunchakus, adagas afiadíssimas cujas lâminas chegavam a dar mais luz àquele ambiente, além de outras armas que eu desconhecia, chocavam-se com estrondo e ferocidade. Em meio às torcidas animadas, os guerreiros suavam e berravam sem parar.

— Eles se machucam pra valer! — exclamei ao ver um homem urrar estancando o sangue do braço atingido pela espada do seu adversário.

— Claro. Por acaso você acha que os inimigos que eles enfrentam em Zyrk são de mentirinha? — rebateu irônica.

— Já houve morte aqui?

— Raras vezes, mas faz parte. Quando acontece, ela se dá nos setores mais avançados.

— Então é muito mais do que um simples treinamento — rebati assustada, e um rapaz moreno se virou em minha direção. Instintivamente, abaixei a cabeça e cobri meu rosto com o capuz. Tori percebeu e me retirou a passos largos dali.

— Se não tem estômago, é melhor não continuar — sussurrou ela enquanto me conduzia de volta ao castelo.

— Eu tenho estômago — rosnei entredentes, mas mal fui ouvida porque uma sucessão de bramidos eufóricos preencheu o ambiente. Vinha do Ômega. — Quem está lutando lá? — perguntei curiosa, apontado para o local de onde vinha a confusão. Um pressentimento me dizia que um par de selvagens olhos azuis-turquesa talvez fosse a explicação para tamanha comoção.

— Quem mais poderia ser? — indagou Tori com uma das sobrancelhas levantadas. — Richard, é claro.

— É claro — reagi ácida.

— Ele ficou dois meses fora e os soldados estavam loucos para voltar a treinar com ele. Só com Rick eles conseguem ter noção do quanto suas habilidades progrediram.

— Eu quero ver — pedi agitada.

— É melhor não. Além do mais, eu não devia ter trazido você até aqui. Shakur pode não gostar.

— Por favor, Tori.

— Tem certeza? — Tori repuxou os lábios.

— Tenho — disse sem hesitar.

— Tudo bem então. Seja discreta e siga-me. Vou abrir caminho porque lá o espaço é concorrido.

Assenti e, de cabeça baixa, fui seguindo Tori em direção ao Ômega, a arena central do pátio de treinamento. Numa rápida espiada, vi que era maior e bem mais iluminado que os demais quadrados e, mesmo assim, parecia não haver espaço suficiente para a aglomeração de curiosos ao seu redor. Uma multidão de espectadores amontoava-se para conseguir assistir à luta em andamento. Tori era ágil e, segurando minha mão, foi conseguindo passagem por entre os homens com incrível rapidez. A atenção na luta era tanta que, para minha felicidade, ninguém notou a minha aproximação.

Quando Tori chegou à margem do Ômega, meu coração acelerou no peito.

Descalço e com o cabelo escondido por detrás de uma bandana preta, Richard encontrava-se no centro do amplo quadrado de terra. Apesar de haver sangue nas mãos e os rasgos na camiseta preta denunciarem cortes no peito, sua face estava tranquila e suas pupilas redondinhas. Eu diria que ele estava até se divertindo. Para minha agonia, ele não lutava apenas contra um soldado, mas cinco homens o rodeavam e o atacavam ao mesmo tempo.

— Por que ele está lutando contra cinco? — indaguei preocupada. Minha voz saiu abafada por causa do capuz da manta que cobria metade do meu rosto.

— Cinco? — Tori riu. — Estes aí são os que sobraram — explicou ela ao pé do meu ouvido. — Richard sempre começa com doze.

Richard acabara de eliminar mais um deles. O público berrava eufórico, apostando quem seria o último homem a ficar no Ômega com ele.

— Ninguém aposta contra Richard? — berrei para Tori em meio à confusão.

— Contra Rick? — Ela achou graça. — Para perder dinheiro?

— Ele é tão bom assim? — indaguei, tentando camuflar o inesperado orgulho que senti.

— O melhor — suspirou. — Acho que poderíamos dobrar esse número e ele ainda venceria com facilidade.

— Ele nunca perdeu? — perguntei ao vê-lo eliminar agilmente outro adversário. Sua velocidade chegava a assustar. Mais apavorante ainda era ver que a luta não era justa. Não havia nem um segundo de trégua. Os que permaneciam não concediam um mísero segundo para que Richard pudesse descansar ou respirar.

— Só para uma pessoa — retrucou Tori.

— Quem? — indaguei curiosa e virei meu rosto para ela.

Tori me olhou pelo canto do olho e, mordiscando o lábio, confessou: — Shakur.

— Shakur? — rebati incrédula. — Richard ganha de todos esses homens e perde para Shakur?

— Mais ou menos... — piscou. — Todos sabem que ele deixa nosso líder ganhar — sussurrou bem perto do meu ouvido. — Mas devo confessar que é uma ótima luta de se ver. Não é como essa confusão daí — concluiu, apontando para a briga à nossa frente. — Entre Rick e Shakur, os golpes são limpos. Os dois duelam com tanta desenvoltura, que chegam a nos hipnotizar.

Surpresa com aquela resposta, tornei a olhar para a luta, porém meu coração foi à boca ao me deparar com uma tremenda covardia. Os três adversários remanescentes uniram forças e, em uma maldosa armadilha, cercaram Richard. Acuado, ele limitava-se a se defender dos golpes. De repente, Richard pisou em falso e, ao se desequilibrar, levou um dos joelhos ao chão. Aproveitando-se do momento, vi um dos guerreiros crescer por trás e apontar a afiada espada para suas costas desprotegidas. Ele ia matá-lo!

— Não! — Meu berro saiu com estrondo e deve ter sido o mais alto por ali, porque senti todas as pessoas congelando ao meu redor enquanto minhas pernas ganhavam aceleração. Sem que eu me desse conta, o capuz da manta já havia saído de minha cabeça e, empurrando as pessoas que estavam em meu caminho, corri como uma louca em sua direção, na clara intenção de protegê-lo, de alertá-lo sobre o ataque traiçoeiro de seu adversário.

— Nina? — Ainda abaixado, vi o rosto de Richard perder a cor quando se virou em minha direção. Seus olhos azuis estavam arregalados e as pupilas contraíram-se no mesmo instante. — Não! — ele vociferou. — Volte!

— Rick, cuidado! Atrás de você! — berrei.

— Argh! — Com reflexo incrível, ele arqueou as costas antes de que a espada adversária o atingisse em cheio, tendo passado apenas de raspão.

Apavorada e confusa, estanquei a corrida em direção ao centro do Ômega, mas já era tarde.

— Saia daqui, garota! — bradou ele enquanto era acertado por novo golpe no braço esquerdo. As feridas pareciam não incomodá-lo tanto quanto a minha presença. Eu o estava distraindo e no fundo sabia que isso o colocava em risco.

Fui trazida de volta à péssima situação em que me encontrava quando dois pares de mãos masculinas me agarraram com avidez. Poderia jurar que a multidão havia se esquecido da luta porque todos os olhares voltaram-se para mim.

— Afastem-se dela! — Tori ordenava aos berros, mas os rapazes não lhe davam ouvidos. Tentei me soltar, mas eles me seguravam com força. Quando finalmente prestei atenção neles, deparei-me com um semblante de excitação e maldade que eu já conhecia. Uma sensação estranha tomou conta de meu corpo e senti minhas mãos começarem a esquentar e a formigar.

— Me soltem, seus porcos! — gritei feroz e, debatendo-me, finquei minhas unhas no rosto de um deles com toda a força.

— Argh! Sua... — o sujeito tremeu de raiva e suas pupilas se contraíram enquanto ele fechava o punho. Ele ia me socar, mas, por mais incrível que possa parecer, não tive medo e o enfrentei com o olhar.

— Não se atreva! — o rugido animal de Richard fez a mão do rapaz congelar no ar e todas as lutas no pátio paralisarem.

Um silêncio absoluto reinou por alguns segundos. Os poucos segundos que Richard gastou para se levantar como um raio e, girando nos calcanhares, passar o punhal na perna de um dos adversários e desacordar o seguinte com um golpe tão rápido que mal consegui captar o movimento. Num piscar de olhos, ele já tinha voado em minha direção e encarava os rapazes que me seguravam com autoridade.

— Solte-a, Carlen — ele advertiu o sujeito que ameaçava me socar e que agora me apertava contra o próprio corpo.

— Eu estou sentindo... — Havia euforia em seu tom de voz. — Eu estou sentindo! — berrou para que todos o escutassem. Um murmurinho se espalhou pelo lugar e a expressão facial de Richard ficou assustadora.

— Solte A Híbrida Agora — ameaçou ele, destacando cada palavra e, sem esperar nem mais um segundo, saltou sobre nós. Um urro de dor. Olhei para o lado e Richard havia cravado um punhal na coxa de um deles. Antes mesmo do primeiro sujeito cair, Richard já havia se colocado atrás de nós e torcia o braço do tal do Carlen de um jeito estranho, tanto que o homem se curvou de dor e me soltou. Sem hesitar, Richard acertou-lhe uma sequência de socos violentos.

— Você perdeu, Rick! — gritou um dos adversários da luta que Richard havia esquecido por minha causa e deixado para trás. O rapaz interrompeu a investida de Richard sobre Carlen, paralisando-o com a ponta afiada de um punhal em seu pescoço.

Richard respirou como pôde com o metal apertando sua garganta, soltou sua arma e largou os braços ao lado do corpo.

— Você venceu, Sthepan — reconheceu ele em baixo tom após um momento de hesitação e vi uma veia latejar em seu pescoço.

A multidão foi à loucura, correndo para parabenizar o inusitado vencedor.

— O que deu em você, homem? — questionou Carlen atordoado, estancando o sangue que jorrava do corte que Richard havia causado em seu supercílio.

Com a respiração acelerada, Richard o encarou sem proferir uma só palavra. Com as mãos na cintura e visivelmente tenso, ele aguardou até que Carlen se retirasse dali, até que a multidão se dispersasse e alguma tranquilidade retornasse ao Ômega. Sua fisionomia estava deformada, como se sentisse profunda raiva e, ao mesmo tempo, arrependimento pelo que acabava de acontecer.

— V-você está bem? — perguntei preocupada enquanto ele me ajudava a levantar.

— Estou ótimo! — rugiu nervoso, e eu me encolhi. Era a primeira vez que ele perdia uma luta na vida e, eu sabia que a culpa era minha.

— E-eu não tive a intenção, achei que...

— Pois pare de achar — rosnou e, puxando-me com agressividade pelo braço, levou-me até uma catatônica Tori. — Você vai se encrencar com Shakur, Tori — ameaçou ele.

— Por Tyron! Não, Rick! Vamos, híbrida! — Tori reclamava enquanto me retirava dali às pressas. Olhei para trás e vi Richard parado, a testa franzida, o olhar sombrio. Quem era Richard afinal? O vilão com doses de bondade ou o mocinho com nuances de crueldade? O que havia por trás de sua fisionomia atormentada, suas ações desencontradas e seus sentimentos dúbios? Por mais que tentasse decifrá-lo, cada vez me sentia mais perdida e presa aos seus encantos.