Novembro, 9

Colleen Hoover · Capítulo 9 de 33

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Novembro, 9

Fallon

Observo a reação dela, mas sua expressão não revela nada do que ela pensa sobre o título.

Depois de alguns segundos, ela apoia a cabeça no meu peito, portanto não consigo mais ver seu rosto.

— Não contei isso no ano passado — começa ela, com a voz mais baixa do que antes. —

Mas 9 de novembro é aniversário do incêndio. E ficar ansiosa para ver você nesta data me deixa menos apavorada com o aniversário do que eu ficava antes. Então, obrigada por isso.

Inspiro em silêncio, mas antes que eu sequer consiga responder, ela se aproxima e pressiona firmemente a boca na minha.

Fallon

— Tem certeza disso?

Ele assente, mas sua atitude diz que não.

Meia hora atrás, estávamos nos beijando na praia. Cinco minutos depois do nosso beijo, ele se sentou reto e anunciou que queria fazer uma tatuagem.

— Hoje à noite — disse ele. — Agora mesmo.

Então, aqui estamos. Ele está sentado na cadeira, esperando o tatuador, e eu estou encostada na parede, esperando que ele se acovarde.

Ele não quer me dizer o que a tatuagem significa. Está fazendo a palavra poética no pulso esquerdo, escrita dentro de uma pauta de música. Não sei por que ele não quer me dizer o significado por trás, mas pelo menos não é o meu nome. Quer dizer, eu gosto do cara. Muito.

Mas gravar permanentemente o nome de uma garota na pele é uma coisa muito macho alfa de se fazer no início de um relacionamento. Ainda mais no pulso. E por que chamei isto de relacionamento?

Ai, meu Deus. E se for por isso que ele está fazendo uma tatuagem? E se estiver tentando passar a impressão de que é um cara durão? Eu provavelmente deveria avisá-lo de que está fazendo isso errado.

Pigarreio para chamar a atenção dele.

— Hum. Odeio ter que dizer isso, Ben, mas a palavra poética tatuada no pulso não é algo muito macho alfa. Na verdade, é bem o contrário. Tem certeza de que não quer fazer uma caveira? Um arame farpado? Alguma coisa sangrenta, talvez?

Seus lábios se curvam formando um sorriso torto.

— Não se preocupe, Fallon. Não estou fazendo isso para impressionar as garotas.

Não sei por que amo tanto a resposta dele. O tatuador volta para a sala e aponta para o pulso de Ben, onde traçou o contorno da tatuagem alguns minutos antes.

— Se você gosta da posição, vamos começar.

O esboço da tatuagem vai de um lado a outro do pulso. Ben concorda com a cabeça e diz ao cara que está pronto. Depois gesticula para mim.

— Ela pode ficar sentada no meu colo e me distrair?

O cara dá de ombros, puxando o braço de Ben na sua frente, e não diz nada. Assim que passa pela minha cabeça que esse homem provavelmente está se perguntando o que Ben está fazendo com alguém com a minha aparência, Ben interrompe minha crise de insegurança.

— Venha aqui — diz, dando um tapinha na perna. — Venha me distrair.

Obedeço, mas o único jeito de me sentar em seu colo é montando nele. Pelo menos estou de calça jeans, mas ainda me sinto esquisita sentada daquele jeito no meio de um estúdio de tatuagem. A mão de Ben toca minha cintura e ele aperta. Ouço o zumbido da agulha e a leve

diferença no som depois que encontra a pele dele. Ben não faz careta, apenas abre um sorriso mínimo para mim. Faço o que posso para distraí-lo, então continuo a conversa que estávamos tendo na praia.

— Qual é sua cor preferida?

— Verde malaquita.

Faço uma careta.

— É um verde muito específico, mas, tudo bem.

— É a cor dos seus olhos. Por acaso, também é meu mineral preferido.

— Você tem um mineral preferido?

— Agora tenho.

Olho para baixo para que ele não note meu sorriso constrangido. Sinto a mão dele apertar minha cintura outra vez. Estou achando que a agulha o distrai mais do que eu, então faço outra pergunta.

— Qual é sua comida preferida?

— Pad Thai. E a sua?

— Sushi. São quase a mesma coisa.

— Nem de longe — retruca ele.

— As duas são comidas asiáticas. E seu filme preferido?

— Essas perguntas são chatas. Se esforce mais.

Jogo a cabeça para trás e olho para o teto enquanto penso.

— Tudo bem, quem foi sua primeira namorada? — pergunto, encontrando de novo os olhos dele.

— Brynn Fellows. Eu tinha 15 anos.

— Achei que o nome dela fosse Abitha.

Ele sorri.

— Você tem boa memória.

Ergo uma sobrancelha séria.

— Não é que eu tenha boa memória, Ben. Sou loucamente ciumenta e instável quando se trata do seu passado amoroso.

Ele ri.

— Abitha foi a primeira garota que beijei. Não minha primeira namorada. Eu tinha 15 anos, nós namoramos por um ano.

— Por que terminaram?

— Tínhamos 16.

Ben diz isso como se fosse um motivo válido. Ele vê minha expressão de dúvida, então acrescenta:

— É o que você faz quando namora aos 16 anos. Termina. E você? Quem foi seu primeiro namorado?

— Verdadeiro ou falso?

— Tanto faz — diz ele.

— Você.

Observo atentamente seus olhos para saber se há piedade neles, porém, aparentam mais orgulho.

— Com quantas pessoas você dormiu?

Ele contrai a boca.

— Não vou responder a isso.

— Mais de dez?

— Não.

— Menos de uma?

— Não.

— Mais de cinco?

— Não sou de me gabar.

Rio.

— Sim, você é. Em cinco anos, você estará contando a todo mundo sobre nós dois em seu livro.

— Quatro anos — esclarece ele.

— Quando é seu aniversário? — pergunto.

— Quando é o seu?

— Perguntei primeiro.

— Mas e se você for mais velha do que eu? Isso não é brochante para as mulheres? Namorar caras mais novos?

— Não é brochante para os homens namorar mulheres com cicatrizes em metade do rosto?

Sua mão aperta minha cintura e ele me olha duramente.

— Fallon. — Ben diz meu nome como se houvesse todo um sermão nele.

— Eu estava tentando ser engraçada — digo.

Ele não sorri.

— Não acho graça na autodepreciação.

— Só porque não é você quem está depreciando.

O canto de sua boca se contorce enquanto ele tenta reprimir um sorriso.

— Dia 4 de julho — diz ele. — O país inteiro comemora meu aniversário todo ano. É épico.

— Dia 25 de julho, o que significa que você é oficialmente mais velho do que eu. Agora posso te perseguir e não ser considerada papa anjo.

Ele sobe a mão alguns centímetros por minha cintura e seu polegar se move lentamente de um lado para outro.

— Não dá para perseguir quem consente, Fallon.

Ah, droga. Ele merece um beijo por esse comentário, mas tem um cara com um aparelho de tatuagem a meio metro de distância e não sou do tipo que fica se agarrando com um garoto em público. Pelo que parece, já estabeleci um limite ao montar nele.

— Tem uma coisa que preciso saber sobre você — diz ele com um olhar penetrante. — E

quando eu fizer esta pergunta, quero que você pense bem na resposta, porque vai fortalecer ou romper a ligação que temos.

Engulo em seco.

— Tudo bem. O que você precisa saber?

Ele estremece, só um pouco, e não tenho certeza se é por causa da tatuagem ou porque está nervoso com a pergunta que está prestes a fazer.

— OK. Se você pudesse ouvir uma banda só pelo resto da vida, qual escolheria e por quê?

Relaxo no mesmo instante. Essa é fácil. Achei que ele fosse muito mais além do que minha banda preferida.

— X Ambassadors.

— Nunca ouvi falar — diz ele.

— Assisti a dois shows deles — diz o tatuador.

Ben e eu olhamos para ele, mas o cara está concentrado no seu trabalho.

Eu me volto para Ben e ergo a sobrancelha.

— Por que minha banda preferida pode fortalecer ou romper a gente?

— O gosto musical de uma pessoa pode dizer muito sobre ela. Tenho certeza de que li isso em um dos livros que você me deu. Se você tivesse escolhido uma banda que eu detesto, teria sido um tremendo banho de água fria.

— Bom, você pode detestar depois de ouvir, então não temos problemas ainda.

— Neste caso, nunca vou ouvir a banda — diz ele com confiança.

— Não se eu puder interferir.

— Qual é sua música preferida deles? — pergunta.

— Varia de acordo com meu humor.

— Bom, então, qual é sua música preferida deles agora?

Fecho os olhos por um instante e cantarolo mentalmente uma das músicas até descobrir a parte da letra que combina com este momento. Abro os olhos e sorrio.

— “You’re so gorgeous, ‘cause you make me feel gorgeous.”

Um sorriso discreto se forma nos lábios de Ben.

— Gosto dessa — diz ele, passando o polegar sobre a pele da minha cintura.

Ficamos nos entreolhando por um tempo. Vejo seu peito subir mais acentuadamente, e saber que ele está ficando excitado apesar de ter uma agulha furando sua pele me faz sentir um pouco triunfante.

Considero me inclinar um pouco e dar um selinho na sua boca, mas, antes que eu possa fazer isso, o tatuador fala:

— Pronto!

Saio do colo dele e observamos o desenho finalizado antes que seja tapado por um curativo.

Acabou ficando ótimo, mas ainda não sei o que provocou isso ou por que ele precisava fazer esta noite. De qualquer modo, fico feliz por estar aqui com ele.

Ele se levanta e tira a carteira do bolso para pagar o cara. Quando segura minha mão para me conduzir até o carro, cada passo que dou fica cada vez mais pesado, porque sei que cada passo nos aproxima mais de outra despedida.

Fico tensa durante todo o percurso até o aeroporto. Fico me perguntando se este novo impulso de não querer entrar no avião para voltar a Nova York é consequência dos meus sentimentos por Ben ou por Nova York.

Sei que na praia eu disse a ele que estou feliz em Nova York, mas ainda estou quase tão infeliz lá quanto estava aqui. Só não quero que ele saiba disso. Tenho esperanças de que meu envolvimento com o teatro comunitário me ajude a fazer mais alguns amigos. Afinal, só se passou um ano. Mas foi um ano difícil. E, por mais que eu tente fazer o dever de casa que ele me passou, ir num teste de elenco após o outro é cansativo quando tudo o que consigo são rejeições.

Isso me faz considerar se meu pai tem razão. Talvez eu esteja sonhando alto demais. E, apesar

de Ben ter me feito recuperar grande parte da minha confiança, isso não torna uma indústria baseada na aparência menos superficial do que é.

E a Broadway está tão fora do meu alcance que chega a ser ridículo. A quantidade de gente que aparece me faz sentir uma pequena formiga em uma colônia imensa. A única chance que talvez eu tenha de me destacar é se o papel exigir alguém que tenha realmente cicatrizes faciais.

E, até o momento, não tive essa sorte.

— Você precisa de outra cena dramática no aeroporto? — pergunta ele quando nos aproximamos do terminal.

Rio e digo que não, de jeito nenhum, então desta vez ele para no estacionamento. Antes de entrarmos no aeroporto, Ben me puxa para ele. Noto a tristeza em seus olhos e sei, sem nenhuma dúvida, que ele consegue ver em minha expressão o quanto não quero me despedir. Ele passa a parte de trás dos dedos pela minha bochecha e eu estremeço.

— Vou a Nova York ano que vem. Onde quer me encontrar?

— No Brooklyn — respondo. — É onde moro. Quero mostrar meu bairro e tem um restaurante ótimo de comida mexicana que você precisa conhecer.

Digito o endereço de um dos meus restaurantes preferidos no celular dele. Também digito a data e a hora, mas isso não dá para esquecer. Devolvo o aparelho a Ben.

Ele coloca o telefone no bolso de trás e me puxa para outro abraço. Ficamos abraçados por pelo menos dois minutos inteiros, nenhum de nós querendo soltar. A mão dele está aninhada em minha nuca e tento memorizar esta sensação. Tento decorar o cheiro dele na praia, onde passamos mais de três horas juntos esta noite. Tento memorizar como minha boca toca o topo do seu pescoço, como se os ombros dele fossem feitos para que minha cabeça descanse.

Eu me inclino na direção dele e beijo seu pescoço. Um beijo suave e nada mais. Ele ergue minha cabeça do seu ombro, virando meu rosto na sua direção, observando meu semblante.

— Achei que eu fosse mais durão — diz ele. — Mas acabei de descobrir que ter que me despedir de você é uma das coisas mais difíceis que já tive de fazer.

Quero dizer: “Então me peça para ficar”, mas a boca de Ben está na minha e ele me beija com força. Está se despedindo mexendo os lábios nos meus, as mãos acariciando meu rosto, depois leva a boca à minha testa e dá um único beijo suave bem no meio antes de me soltar. Ele praticamente me empurra, como se ficasse mais fácil impor uma distância entre nós. Ele recua um passo até ficar na beira do meio-fio e todas as palavras que quero dizer ficam presas na minha garganta, então comprimo bem os lábios e me esforço para que não saia nada. Passamos vários segundos nos olhando, a dor desta despedida fica evidente no ar entre nós. Depois ele se vira e corre para o estacionamento.

E tento não chorar, porque seria idiotice.

Certo?

• • •

Nunca gostei de me sentar perto da janela, então, quando ouço a mulher no corredor dar a entender que detesta assentos no corredor, ofereço meu lugar a ela.

Se eu não estiver olhando pela janela, não tenho medo de voar. E se eu estiver em um lugar perto da janela, sinto que fico segura se não olhar pela janela. Depois passo a viagem inteira

observando o mundo abaixo de nós e isso me dá mais pânico do que se eu simplesmente não me colocasse nessa posição.

Coloco minha bolsa embaixo do banco à frente e tento ficar à vontade. Fico aliviada por Ben ir a Nova York ano que vem, porque o voo de Los Angeles a Nova York é uma das coisas de que menos gosto.

Fecho os olhos na esperança de conseguir dormir por algumas horas. Não terei tempo para dormir antes dos ensaios amanhã, e eu teria dormido em Los Angeles, mas amanhã é a estreia e preciso estar lá para o último ensaio.

— Ei.

Ouço a voz de Ben e sorrio, porque isto significa que, sem dúvida, vou dormir bem, se já estou confundindo a realidade com os sonhos.

— Fallon.

Meus olhos se abrem depressa. Ergo a cabeça e vejo Ben de pé ao meu lado. Mas o que é isso, meu Deus?

Olho para sua mão e ele está segurando uma passagem de avião.

Eu me sento reta.

— O que você está fazendo?

Alguém está tentando passar espremido por ele, então Ben se move para ficar o mais perto possível de mim. Depois que o homem passa, Ben se ajoelha.

— Eu me esqueci de te dar o dever de casa deste ano. — Ele me entrega um papel dobrado.

— Tive que comprar uma passagem para poder entrar e falar com você antes da decolagem, então isto quer dizer que você precisa cumprir, ou então joguei muito dinheiro ao léu. E quem é que diz ao léu? Enfim. É só isso. Não é nenhuma atitude de alfa, mas tanto faz.

Olho para o papel em minhas mãos, depois de volta para ele. É sério que ele comprou uma passagem de avião só para me dar meu dever de casa?

— Você é louco.

Ele dá um sorriso largo, mas tem que ficar de pé novamente para que outra pessoa passe.

Uma comissária de bordo diz que ele precisa liberar o corredor e se sentar. Ele me dá uma piscadela.

— É melhor eu ir antes de ficar preso no avião.

Ele se inclina e me dá um selinho.

Tento disfarçar a faísca de tristeza que sei que está evidente em meus olhos. Forço um sorriso logo antes de ele se virar e seguir para a saída. Uma comissária de bordo o intercepta e pergunta por que ele não está em sua poltrona. Ele murmura alguma coisa sobre uma emergência familiar, portanto ela o deixa passar, mas pouco antes de sair do meu campo de visão, ele se vira e pisca.

Depois some.

Isso realmente acabou de acontecer?

Olho para o papel em minhas mãos e fico nervosa até para abrir, me perguntando que dever de casa poderia valer a compra de uma passagem aérea.

Fallon,

Eu menti. Mais ou menos. Não tenho muito dever de casa para você porque acho que está fazendo um ótimo trabalho se tornando adulta. Eu queria te entregar esta carta principalmente porque queria agradecer por ter aparecido hoje. Eu me esqueci de agradecer antes. Que droga você ter que ir embora sem passar uma noite antes, mas significa muito que você tenha sacrificado seu sono para cumprir nosso acordo. Vou compensar ano que vem, prometo. Quanto a este ano, só há uma coisa que quero que você faça.

Procure seu pai.

Eu sei, eu sei. Ele é um babaca. Mas é o único pai que você tem e, quando você me contou que não fala com ele desde o ano passado, não tive como não me sentir culpado por isso. Eu me sinto culpado pela briga que vocês tiveram, porque minha intromissão não ajudou em nada. Eu devia ter ficado de fora, mas, se eu tivesse feito isso, não teria tido o privilégio de descobrir que calcinha você usava. Então, acho que estou dizendo que, na verdade, não me arrependo de ter me intrometido, mas me sinto mal porque talvez a relação com seu pai não ficasse tão tensa se eu tivesse cuidado da minha própria vida. Então, acho que talvez você deva dar outra chance a ele.

Quando me dei conta de que tinha me esquecido de te pedir para fazer esta coisinha, valeu a passagem de 400 dólares que tive de comprar. Então, não me deixe na mão, está bem? Ligue para ele amanhã. Por mim.

Ano que vem, quero passar todas as horas do dia 9 de novembro com você. Vamos nos encontrar uma hora mais cedo e vou ficar até meia-noite.

Nesse meio-tempo, espero que você ainda consiga ser motivo de riso.

Ben

Leio o bilhete novamente antes de dobrá-lo. Fico feliz por ele não estar mais no avião, porque meu sorriso é constrangedor.

Não acredito que ele fez isso. E não acredito que vou aceitar e ligar para o meu pai amanhã simplesmente porque Ben me pediu.

Porém, ainda mais do que isso, estou em choque por ele ter gastado tanto dinheiro com uma passagem só para me entregar esta carta. Parece mais um gesto grandioso do que um momento irrelevante. E estou adorando tanto isso, talvez até mais do que as coisas irrelevantes que ele faz.

Talvez eu não saiba nada sobre estar apaixonada, porque estive dizendo a mim mesma que não estou apaixonada por ele. Que é cedo demais.

Mas não é. O que está acontecendo com meu coração neste exato momento é relevante demais para ser negado. Acho que estive julgando mal todo o conceito de amor instantâneo. Eu queria muito saber como podemos terminar esses próximos anos com um final feliz.