Novembro, 9

Colleen Hoover · Capítulo 18 de 33

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Novembro, 9

Quinto

Ela não pode desistir para sempre. Agarro a porta do seu carro e me inclino na janela aberta.

— Foda-se o livro, Fallon. Nunca foi pelo livro. Foi por você, sempre foi.

Ela me encara em silêncio. Depois fecha a janela e arranca, sem reduzir nem uma vez enquanto eu soco a traseira do seu carro, perseguindo-a até não poder mais.

— Merda! — grito, chutando o cascalho do chão. Chuto de novo, levantando poeira. —

Merda!

Como posso voltar para Jordyn agora que não tenho mais um coração para dar a ela?

Quinto

9 de novembro

Meus defeitos estão dispostos à sua mercê

Honrado por sua falsa percepção

E com seus lábios em minha pele

Ela despe minha decepção.

— BENTON JAMES KESSLER

Fallon

No passado, quando eu pensava nos acontecimentos da minha vida, organizava-os mentalmente em ordem cronológica por antes do incêndio e depois do incêndio.

Não faço mais isso. Não porque eu tenha amadurecido como pessoa. Na verdade, é bem o contrário, porque agora penso na minha vida como antes de Benton James Kessler e depois de Benton James Kessler.

É ridículo, eu sei. E ainda mais porque fez justamente um ano desde que seguimos caminhos separados e eu ainda penso nele como pensava antes do depois de Benton James Kessler. Mas não é fácil deixar de pensar em alguém que teve tanto impacto na minha vida.

Não desejo mal a ele. Nunca desejei. Ainda mais depois de ver como ele ficou acabado com sua decisão quando nos separamos ano passado. Tenho certeza de que se eu chorasse e implorasse para ele me escolher, ele teria feito isso. Mas eu nunca ia querer ficar com alguém por quem precisei implorar. Também não quero ficar com alguém se houver a mais remota possibilidade de uma terceira pessoa em jogo. O amor deve ser entre duas pessoas e, se não for assim, prefiro dar o fora em vez de participar da disputa.

Não sou de acreditar que as coisas acontecem por algum motivo, então me recuso a crer que nosso destino era não terminarmos juntos. Se eu acreditasse nisso, teria de acreditar que era o destino de Kyle morrer tão jovem. Prefiro muito mais acreditar que simplesmente merdas acontecem.

Ferida em um incêndio? Merdas acontecem.

Perdeu sua carreira? Merdas acontecem.

Perdeu o amor da sua vida para uma viúva com um bebê? Merdas acontecem.

A última coisa em que quero acreditar é que meu destino já foi traçado para mim e não tenho como escolher onde ou com quem vou terminar. Se for assim e, por acaso, minha vida tornar a ser a mesma no fim, não importa que decisões eu tome. Então, que diferença faz se eu sair de casa esta noite?

Não faz. Mas Amber parece achar que é uma grande coisa.

— Não pode ficar aqui sofrendo — diz ela, jogando-se no sofá ao meu lado.

— Não estou sofrendo.

— Está, sim.

— Não estou, não.

— Então, por que você não sai com a gente?

— Não quero segurar vela.

— Ligue para o Teddy, então.

— Theodore — corrijo.

— Você sabe que não consigo chamá-lo de Theodore na cara dura. Esse nome deveria ser

reservado para membros da família real.

Eu queria que ela deixasse o nome dele para lá. Já saí com eles várias vezes e ela continua fazendo esse comentário toda vez. Percebe a irritação em meu rosto e prossegue se defendendo:

— Ele usa calça com bordado de baleias miudinhas, Fallon. E nas duas vezes em que saí com vocês, só o que ele fez foi contar suas histórias sobre ter sido criado em Nantucket. Mas ninguém em Nantucket fala como um surfista, isso eu posso garantir.

Ela tem razão. Ele fala de Nantucket como se todo mundo devesse ter inveja por ele ser de lá.

Mas com exceção dessa pequena peculiaridade e de sua escolha pretensiosa de calça, ele é um dos únicos caras que estiveram perto de mim e conseguiram desviar minha mente de Ben por mais de uma hora.

— Se você o detesta tanto quanto parece, porque está insistindo que eu o convide para sair com a gente hoje à noite?

— Não detesto ele — diz Amber. — Só não gosto dele. E prefiro que você saia com ele em vez de ficar sentada aqui, deprimida porque é dia 9 de novembro e você não está passando a data com Ben.

— Não é por isso que estou deprimida — minto.

— Talvez não, mas pelo menos nós duas podemos concordar que você está deprimida. — Ela pega meu celular. — Vou mandar uma mensagem para Teddy e dizer para ele nos encontrar na boate.

— Isso vai ser constrangedor para você e Glenn, considerando que eu não vou estar lá.

— Besteira. Vá se vestir. Coloque alguma coisa bonita.

• • •

Ela sempre vence. Estou aqui... na boate. Não em casa, deprimida no meu sofá, onde eu gostaria de estar.

E por que Theodore teve que colocar a calça com baleias de novo? Isso faz de Amber a vencedora e com razão.

— Theodore — diz ela, passando o dedo pela borda do seu copo quase vazio. — Você tem algum apelido, ou todo mundo chama você só de Theodore?

— Só de Theodore — responde ele. — Meu pai é chamado de Teddy, então o apelido criaria confusão se nós dois usássemos. Principalmente quando estamos em Nantucket com a família.

— Que interessante — diz ela, desviando os olhos para mim. — Quer ir ao bar comigo?

Concordo com a cabeça e saio da mesa. Enquanto seguimos para o bar, Amber entrelaça os dedos nos meus e aperta.

— Por favor, me diga que você não transou com ele.

— Nós só saímos quatro vezes — comento. — Não sou tão fácil assim.

— Você transou com Ben no terceiro encontro — retruca Amber.

Odeio quando ela cita Ben, mas acho que quando você está discutindo sua vida sexual, o único cara com quem dormiu certamente fará parte da conversa.

— Talvez sim, mas foi diferente. Nós nos conhecíamos há muito mais tempo do que isso.

— Vocês se conheceram por três dias. Não pode contar anos inteiros se só interagiram uma vez por ano.

Chegamos ao bar.

— Mudando de assunto — digo. — O que quer beber?

— Depende. Estamos bebendo porque queremos lembrar desta noite para sempre? Ou porque queremos esquecer o passado?

— Definitivamente esquecer.

Amber se vira para o barman e perde quatro shots. Quando ele os coloca diante de nós, erguemos o primeiro e batendo os copos para brindar.

— Para acordar em 10 de novembro sem lembranças do dia 9 — diz ela.

— Um brinde a isso!

Viramos os shots e no mesmo instante partimos para os outros dois. Não costumo beber muito, mas vou fazer o que for preciso para acelerar a noite, assim posso acabar logo com isso.

• • •

Meia hora se passa e os shots realmente fizeram seu trabalho. Estou me sentindo bem e bêbada, e nem me importo que Theodore esteja um pouco abusado com as mãos esta noite. Amber e Glenn saíram da mesa alguns minutos atrás e foram para a pista de dança. Theodore está me falando tudo sobre... merda. Não sei sobre o que ele está falando. Acho que não estive prestando atenção em nada do que ele disse.

Glenn volta à mesa, senta-se a nossa frente e tento me continuar concentrada no rosto de Theodore para que ele ache que estou prestando atenção na sua chatice sobre uma viagem de pesca que ele fez com um primo durante o solstício de verão. Aliás, quando é mesmo o solstício de verão?

— Posso ajudar em alguma coisa? — pergunta Theodore a Glenn, o que é estranho, considerando que ele falou isso num tom antipático.

Eu me viro para Glenn. Só que... não é Glenn.

Olhos castanhos me encaram e, de repente, quero afastar as mãos de Theodore de mim e me rastejar pela mesa.

Vá se foder, destino. Vá para o inferno.

Um sorriso surge lentamente no rosto de Ben enquanto ele volta sua atenção a Theodore.

— Desculpe interromper, mas estou indo de mesa em mesa para fazer algumas perguntas aos casais para o artigo em que estou trabalhando no mestrado. Por acaso se importam se eu fizer algumas a vocês dois?

Theodore relaxa ao perceber que Ben não está ali para marcar território. Ou pelo menos é o que ele pensa.

— Está bem, claro. — Theodore estende braço pela mesa para apertar a mão de Ben. — Meu nome é Theodore e esta é Fallon — diz ele, me apresentando ao único homem que já esteve dentro de mim.

— É um prazer conhecer você, Fallon.

Ben segura minha mão nas dele. Passa rapidamente os polegares em meu pulso e o contato de sua pele na minha é ardente. Quando solta minha mão, olho para o meu pulso, tendo certeza de que ficou uma marca.

— Meu nome é Ben.

Ergo o que torço que pareça uma sobrancelha desinteressada e indolente. Mas o que ele está fazendo aqui?

O olhar de Ben desvia dos meus olhos para a minha boca, mas depois ele se concentra em Theodore.

— Então, há quanto tempo você mora em Los Angeles, Theodore?

Há tantas coisas para processar em minha mente alcoolizada.

Ben está aqui.

Aqui.

E está arrancando informações do meu acompanhante.

— A maior parte da minha vida. Acho que vai fazer vinte anos.

Olho para Theodore.

— Achei que você tinha sido criado em Nantucket.

Ele se remexe na cadeira, apertando minha mão, que está em cima da mesa.

— Nasci lá, mas não fui criado. Nós nos mudamos para cá quando eu tinha quatro anos.

Ele volta sua atenção para Ben e, que droga, Amber vence de novo.

— Então — diz Ben, apontando o dedo de Theodore para mim e vice-versa. — Vocês estão namorando?

Theodore passa o braço por mim e me puxa na sua direção.

— Estou trabalhando nisso — diz ele, sorrindo para mim. Mas depois volta a olhar para Ben.

— Essas perguntas são estranhamente pessoais. Que tipo de artigo você está escrevendo?

Ben apoia a cabeça na mão.

— Estou estudando a probabilidade de existirem almas gêmeas.

Theodore ri.

— Almas gêmeas? Isso é trabalho de mestrado? Deus nos proteja.

Ben ergue uma sobrancelha.

— Você não acredita em almas gêmeas?

Theodore passa o braço em volta de mim e se recosta no banco.

— Está dizendo que acredita? Você conheceu sua alma gêmea? — Theodore olha em volta, ironizando. — Ela está aqui com você? Qual é o nome da menina? Cinderela?

Meus olhos lentamente se dirigem para os de Ben. Não sei se quero ouvir o nome dela. Ele me olha com firmeza, alternando para os dedos que sobem e descem por meu braço.

— Ela não está aqui comigo — diz Ben. — Na verdade, ela me deu um bolo hoje. Esperei por mais de quatro horas, mas ela não apareceu.

As palavras dele parecem pingentes de gelo. Lindas e afiadas como uma faca. Engulo o nó na garganta.

Ele realmente apareceu? Mesmo depois de eu ter dito a ele ano passado que não iria? Agora as palavras dele estão provocando coisas demais em mim e parece que está tudo errado, porque estou sentada ao lado de um cara que quero que pare de tocar em mim.

— Que garota vale esperar quatro horas? — pergunta Theodore, rindo.

Ben se recosta na cadeira, mas observo cada movimento dele.

— Só essa — responde baixinho, a ninguém em particular. Ou talvez suas palavras fossem dirigidas só a mim.

E por falar em Amber... ou talvez eu não estivesse falando em Amber. Não consigo me

lembrar agora que Ben está aqui e meu cérebro não funciona direito. Mas ela voltou.

Arregalo os olhos ao me virar para minha amiga. Amber está olhando de mim para Ben como se um de nós fosse uma miragem. Entendo totalmente, porque estou sentindo a mesma coisa. Mas deve ser só o álcool. Balanço a cabeça e arregalo os olhos para que ela saiba que não deve reconhecer Ben. Por sorte, ela entende minhas instruções silenciosas.

Glenn surge logo atrás dela e tento fazer o mesmo com ele, mas assim que chega à mesa, sorri e grita : “Ben!” Ele se senta ao lado de Ben e passa o braço por ele como se tivesse encontrado seu melhor amigo.

É, Glenn está bêbado.

— Você conhece esse cara? — pergunta Theodore, apontando para Ben.

Glenn começa a apontar para mim e nesse instante percebe minha expressão. Ainda bem que ele não está bêbado demais para decifrá-la.

— Hum... — balbucia ele. — A gente... Hum. Nos conhecemos antes. No banheiro.

Theodore engasga com a bebida.

— Vocês se conheceram no banheiro?

Aproveito a oportunidade para sair da mesa, precisando desesperadamente de um tempo. Isso tudo é demais.

— Quer que eu vá com você? — pergunta Amber, me segurando pelo cotovelo.

Nego com a cabeça. Acho que nós duas sabemos que estou torcendo para Ben vir atrás de mim e me explicar que diabo está fazendo aqui.

Ando depressa para o banheiro, um pouco constrangida com a velocidade com que saio.

Engraçado como uma pessoa adulta pode se esquecer de como agir de forma adequada na presença de outra pessoa. Mas parece que por dentro estou tão quente que minhas entranhas começam a queimar os ossos. Minhas bochechas estão quentes. Meu pescoço está quente. Tudo está quente. Preciso jogar água no rosto.

Entro no banheiro e, embora não precise fazer xixi, faço mesmo assim. Estou com uma saia que Amber me obrigou a vestir, e como é fácil usar o banheiro quando você está de saia, é burrice não aproveitar a oportunidade. Além disso, tenho certeza absoluta de que vou pegar um táxi para casa logo depois de dar um soco na cara de Ben, então posso muito bem usar o banheiro enquanto estou aqui.

Por que estou justificando o fato de estar fazendo xixi?

Talvez porque na realidade eu saiba que só estou enrolando. Não sei se já quero sair do banheiro.

Ao lavar as mãos, noto que estão tremendo. Respiro várias vezes para me acalmar enquanto olho meu reflexo no espelho. Olhar para mim mesma no espelho é muito diferente agora do que antes de ter conhecido Ben. Não fico obcecada com meus defeitos, como eu costumava ficar. As inseguranças ocasionais ainda existem, mas, graças a Ben, aprendi a me aceitar como sou e ficar agradecida por estar viva. Parte de mim odeia que ele ganhe algum crédito por minha confiança, porque quero odiá-lo. Minha vida seria muito mais fácil se eu pudesse odiar Ben, mas é difícil odiar esse cara quando ele tem um impacto tão positivo na minha vida. É o impacto negativo que ele teve na minha vida no ano passado que me faz valorizar Amber por ter me obrigado a fazer um esforço esta noite com minha aparência. Estou usando uma camiseta justa roxa que realça o verde de meus olhos e meu cabelo cresceu alguns centímetros desde o ano passado.

Pelo menos Ben está vendo esta versão de mim, em vez da que estava deprimida no sofá duas horas atrás. Não quero me vingar do cara, mas seria legal se ele, quando me olhasse, sentisse que perdeu algo. Eu me sentiria um pouco vingada por ele ter se apaixonado por outra, se soubesse que sentiu certo arrependimento.

Muitas perguntas passam por minha cabeça enquanto termino de fazer as coisas na pia. Por que ele não está aqui com Jordyn? Eles terminaram? Por que ele está aqui? Como ele sabia que eu estaria aqui? Ou ele simplesmente apareceu por acaso? E o que estava esperando quando foi ao restaurante hoje, acreditando que eu estaria lá?

Meu reflexo não traz nenhuma resposta, então faço a corajosa jornada até a saída do banheiro, sabendo que é provável que ele esteja em algum lugar lá fora. Esperando.

Assim que abro porta do banheiro, a mão de alguém segura meu braço e me puxa pelo corredor, para longe da multidão. Nem mesmo preciso olhar para saber que é ele. Meu corpo inteiro sente o zumbido familiar de eletricidade que nos percorre sempre que estamos juntos.

Minhas costas estão encostadas em uma parede, as mãos dele estão ao lado da minha cabeça e os olhos cravados nos meus.

— Até que ponto o lance com o calça de baleia ali é sério?

Ele não vai me fazer rir logo de cara. Resmungo.

— Detesto aquela calça.

Ele dá um sorriso presunçoso e torto, que logo em seguida some, substituído por um lampejo de decepção.

— Por que você não apareceu hoje? — pergunta ele.

Não sei mais a diferença entre a batida do meu coração e a batida da música. Estão em perfeita sincronia, e um não é mais alto do que o outro, graças à proximidade de Ben.

— Eu avisei ano passado que não ia aparecer hoje. — Olho para o corredor, para a boate.

Está escuro aqui, depois dos banheiros, longe das pessoas. De algum modo, em um local cheio de corpos quentes, conseguimos total privacidade. — Como você sabia que eu estaria aqui esta noite?

Ele balança a cabeça com desdém.

— A resposta a esta pergunta não tem nem de longe a mesma importância da resposta à minha. Até que ponto o lance com aquele cara é sério?

A voz dele sai baixa, o rosto perto do meu. Sinto o calor irradiando da sua pele. É difícil me concentrar neste lugar cheio de distrações.

— Esqueci a pergunta que você acabou de fazer.

Eu oscilo um pouco, mas os dedos dele se firmam no meu quadril e ele me segura.

Ben estreita os olhos.

— Você está bêbada?

— Só um pouco alta. Tem uma grande diferença. Como está Jordyn?

Não sei por que digo o nome dela com raiva. Não guardo nenhum ressentimento dela. Tudo bem, talvez só um pouco. Mas não muito, porque Oliver é uma criança muito fofa e é difícil ficar brava com alguém que tem um filho tão lindo.

Ben suspira, desviando os olhos por uma fração de segundo.

— Jordyn está ótima. Eles estão bem.

Ótimo. Que bom para eles. Que bom para Ben, Oliver e sua linda familiazinha de merda.

— Que legal, Ben. Preciso voltar para o meu encontro.

Tento empurrar para passar por ele, mas Ben se inclina para mais perto, me espremendo na parede. Sua testa toca a lateral da minha cabeça. Ele suspira e sentir o hálito sair de seus lábios e soprar meu cabelo me obriga a fechar bem os olhos.

— Não aja assim — sussurra ele em meu ouvido. — Foi um inferno tentar encontrar você hoje.

Eu me retraio porque as palavras dele embrulham meu estômago. Ele desliza os braços por mim e me puxa para perto. Ben parece mais forte. Mais definido. Mais homem ainda do que no ano passado. Fico tensa perto dele ao fazer minha próxima pergunta:

— Você ainda está com ela?

Ele parece desanimado ao responder:

— Você me conhece muito bem, Fallon. Se eu tivesse uma namorada, com certeza não estaria aqui tentando convencer você a ir para a minha casa.

Ele observa meu rosto em busca de uma reação, notando cada traço meu com os olhos cheios de desejo. Tento não reparar, mas ele pressiona o corpo no meu, minha coxa está firme entre suas pernas. É evidente, pela rigidez ardente com que aperta minha coxa, que a expressão em seus olhos é verdadeira.

Senti-lo desse jeito outra vez — sua boca perigosamente perto da minha — me faz lembrar da noite que passei com ele. A única noite em que permiti que um homem me consumisse completamente, coração, corpo e alma... E só de pensar no que ele foi capaz de fazer comigo naquela noite quase me força a gemer.

Porém, sou mais forte que os meus hormônios. Preciso ser. Não posso passar por outro sofrimento como o do qual ainda estou me curando. As feridas ainda são muito recentes, é como se ele as estivesse abrindo com as próprias mãos.

— Venha para casa comigo — sussurra ele.

Não. Não, não, não, Fallon.

Balanço a cabeça com um esforço imenso para garantir que eu não concorde por acidente.

— Não, Ben. Não. O ano passado foi o mais difícil da minha vida. Não pode esperar que eu simplesmente volte com você só porque apareceu aqui hoje.

Ele passa as costas dos dedos pela maçã do meu rosto.

— Não espero por isso, Fallon. Mas rezo por isso. Toda noite, de joelhos, a qualquer Deus que queira ouvir.

As palavras dele parecem penetrar as paredes do meu peito e todo o ar é arrancado dos meus pulmões. Fecho os olhos quando o hálito dele atinge meu queixo. Ele está se aproveitando da privacidade e da minha fraqueza e quero dar um soco nele por isso, mas primeiro só preciso saber se o gosto dele ainda é o mesmo. Se sua língua continua se mexendo do mesmo jeito. Se ele ainda me toca como se fosse um privilégio.

Estou sendo escorada por uma parede atrás de mim e por Ben na minha frente, mas, ainda assim, quando sua mão toca minha coxa e seus dedos começam lentamente a levantar a saia, sinto como se estivesse prestes a desabar no chão. Tanta coisa precisa ser discutida entre nós, mas, por algum motivo, meu corpo quer que minha boca fique fechada para que a mão dele continue se mexendo. Senti tanta falta desse toque, e por mais que eu tenha feito o esforço de sair e tentar esquecer Ben, não sei se um dia poderia encontrar essa conexão física com outra

pessoa. Ninguém me faz sentir tão desejável quanto Ben. Senti falta disso. De como ele me olha, toca em mim, faz parecer que minhas cicatrizes são um aperfeiçoamento e não um defeito. É difícil dizer não a essa sensação, por maior que seja minha mágoa pelo que aconteceu ano passado.

— Ben — sussurro, não tanto em protesto, mas com o intuito de ouvir o som do nome dele.

Ele enfia o rosto no meu pescoço e respira em mim, e me esqueço de tudo que estava prestes a protestar. Minha cabeça tomba na parede e sua mão desliza atrás da minha coxa. Seus dedos roçam a beirada da minha calcinha e quando sinto que passam por baixo, todo o meu corpo estremece. Sou obrigada a apoiar a cabeça em seu ombro e me agarrar às costas de sua camisa para simplesmente continuar de pé. Tudo o que ele fez foi tocar minha bunda e parece que nem mesmo consigo mais me manter de pé. Eu devia ficar constrangida.

Ele se afasta, só um pouquinho, para olhar por cima do ombro. Não sei quem ou o que ele está procurando, mas quando não vê ninguém atrás de nós, estende a mão à minha direita... para uma porta. Puxa a maçaneta, que cede. Ben não desperdiça um segundo. Ele me agarra pela cintura e me empurra para a porta, para a sala escura, depois a porta se fecha, abafando a música.

Agora consigo escutar minha respiração árdua. Na verdade, ofegante. Mas a dele também.

Ouço-o bem a minha frente, mas não consigo enxergar. Escuto ele tatear a sala. Está um breu e a ausência da parede atrás de mim e dele na minha frente me faz sentir vazia.

Mas então suas mãos voltam para a minha cintura.

— Depósito — diz ele, me empurrando até apoiar minhas costas na porta. — Perfeito.

Depois sinto sua respiração em meus lábios, seguida de perto pela boca roçando na minha.

Assim que sinto isso — a explosão de eletricidade que dispara de sua boca para cada nervo do meu corpo —, empurro seu peito.

— Pare — digo a ele, minha voz saindo mais alta do que durante toda a noite, graças a distância da música.

A mão dele voltou para onde estava antes... roçando a beirada da calcinha... forçando meus olhos a se fecharem, como se isto fizesse alguma diferença aqui.

— Estou tentando — sussurra ele, entrelaçando nas mechas do meu cabelo a mão que não levantou minha saia. Ele me segura pela nuca. — Peça de novo.

Abro a boca para repetir, mas sou tomada pelo calor, pela língua e pelos lábios dele que sabem como trabalhar juntos. No lugar da palavra pare, só o que ele recebe é um gemido e minha mão em seu cabelo, puxando, empurrando, hesitante.

Ele pressiona o corpo no meu, com a perna entre as minhas. Está me beijando com tanta intensidade que minha mente ainda tenta entender como sua língua pode se mexer de tantas formas até perceber que a mão dele foi para a parte da frente da minha coxa. E sei que devia impedi-lo. Devia empurrá-lo e fazer com que se explique, mas suas mãos estão boas demais para isso. Minhas pernas ficam tensas e seguro a manga de sua camisa com uma das mãos enquanto puxo seu cabelo com a outra, afastando minha boca para poder respirar. Respiro fundo uma vez antes que ele volte para a minha boca, ainda mais ávido do que antes.

E a mão dele... Ah, meu Deus, seus dedos estão acompanhando lentamente parte da frente da minha calcinha. Solto outro gemido. Duas vezes. Ele abre espaço suficiente entre nossas bocas para me ouvir ofegar enquanto desliza a mão pela frente da minha calcinha.

Meus joelhos ficam bambos. Acho que eu não sabia que meu corpo era capaz de sentir esse tipo de coisa. Acho que acabei de me apaixonar um pouco mais por meu corpo.

— Meu Deus, Fallon — diz Ben, me acariciando, respirando pesadamente em minha boca. —

Você está tão molhada.

Por mais que seja delicioso ouvir isso, não consigo conter uma gargalhada. Quando faço isso, rapidamente tapo a boca, mas já é tarde demais. Ele ouviu meu riso no meio do ato de sedução mais magnífico de que já participei.

Ele baixa a testa para a lateral da minha cabeça e ouço-o rir baixinho. Sua boca encosta na minha orelha e juro que consigo ouvir o sorriso em sua voz quando ele fala:

— Meu Deus, senti tanto a sua falta.

Essa única frase me afeta mais do que qualquer coisa que ele tenha dito a noite toda, e não sei se é porque, por um segundo, parecem os antigos Fallon e Ben, ou se é porque ele afasta a mão e passa os braços por mim, me puxando em um de seus abraços de esmagar a alma. A testa dele está encostada na minha e quase quero que continue com o lance físico, porque é muito mais fácil do que o emocional.

Por melhor que seja a sensação de estar de volta aos braços dele, tenho medo de estar estragando tudo. Não sei o que fazer. Não sei se devo deixar que ele volte para a minha vida tão facilmente assim, porque a parte de ficarmos juntos deve ser tão difícil quanto a de deixá-lo ir, e isto está sendo muito fácil para ele. Preciso de tempo, penso. Não sei. Não me sinto capaz de tomar uma decisão dessas agora.

— Fallon? — chama ele em voz baixa.

— Oi? — sussurro.

— Venha para casa comigo. Quero conversar com você, mas não quero fazer isso aqui.

Voltamos a isso de novo. Isso me faz perguntar se ele está sendo tão insistente porque só restam algumas horas do dia 9 de novembro e ele quer usar a maior parte desse tempo, ou se ele me quer em todos os outros dias também.

Apalpo atrás de mim tentando encontrar a maçaneta. Quando acho, empurro o peito de Ben e abro a porta. Quando consigo sair, a mão dele está em meu cotovelo direito e outra pessoa segura o cotovelo esquerdo. Eu me sobressalto e meus olhos encontram os de Amber.

— Eu estava procurando por você — diz ela. — O que está fazendo no... — Sua pergunta é interrompida quando ela vê Ben saindo atrás de mim. E então acrescenta: — Desculpe por interromper este reencontro, mas Teddy está preocupado com você.

Ela me olha como se estivesse decepcionada com a minha decisão de me agarrar com Ben em um armário escuro enquanto meu acompanhante está no mesmo local e, ai, meu Deus, agora que penso nisso, é mesmo uma atitude de merda.

— Droga! — exclamo. — Preciso voltar para a mesa.

Ben faz uma careta, como se essa fosse a última coisa que ele esperasse ouvir da minha boca.

— Boa escolha — diz Amber, olhando feio para Ben.

Ele pode me encontrar mais tarde. Preciso voltar à mesa antes que Theodore perceba como sou ridícula. Sigo Amber de volta à mesa, mas, por sorte, está tão barulhento que não consigo entender nada do que ela diz. Mas sei que está me dando uma bronca. Assim que retornamos ao nosso lugar à mesa, Ben puxa uma cadeira e a coloca à cabeceira. Senta-se e cruza os braços à frente.

Theodore põe o braço em meus ombros e se inclina na minha direção.

— Você está bem?

Dou um breve sorriso forçado e faço que sim com a cabeça, mas não dou mais nada a ele, considerando que Ben parece estar prestes a se arrastar pela mesa e arrancar o braço de Theodore de mim.

Eu me ajeito para que Theodore não pense que estou retribuindo seu carinho. Inclino meu corpo para a frente, me afastando do seu braço, como se tivesse algo para dizer a Amber. Assim que abro a boca, a mão de Ben acaricia meu joelho por baixo da mesa. Meus olhos se voltam para os de Ben e ele me olha com inocência.

Por sorte, Glenn rouba a atenção de Theodore, então ele não nota quando todo o meu corpo fica tenso. Ben começa a subir os dedos por minha coxa, portanto, coloco a mão por baixo da mesa e afasto a dele. Ben sorri e se recosta.

— Então — começa Amber, voltando a atenção para Ben. — Como todos nós só conhecemos você há 15 minutos, não sabemos absolutamente nada sobre você, nunca estivemos com você, afinal somos completos estranhos, por que não nos conta sobre você? O que faz da vida?

Theodore disse que você é escritor, é isso? Está escrevendo sobre alguma coisa interessante?

Quem sabe uma história de amor? E como está indo?

Dou um chute em Amber por baixo da mesa. Será que ela poderia ser mais óbvia?

Ben ri, e agora que Amber já soltou a pergunta mais aleatória do mundo, Theodore e Glenn estão olhando para Ben, esperando que ele responda.

— Bom — começa Ben, se endireitando em seu lugar. — Na realidade, sim. Sou escritor.

Mas tive um problema muito sério de bloqueio criativo este ano. Foi horrível. Não escrevi uma só palavra em 365 dias. Mas, estranhamente, acho que consegui avançar alguns minutos atrás.

— Imagine só — diz Amber, revirando os olhos.

Eu me inclino para a frente, decidindo me juntar a esta conversa enigmática.

— Sabe de uma coisa, Ben? Bloqueio criativo pode ser uma coisa complicada. Só porque você conseguiu avançar alguns minutos atrás, não quer dizer que seja permanente.

Ele finge refletir por um momento sobre o meu comentário, depois balança a cabeça.

— Não. Não, reconheço um avanço quando tenho um. E tenho certeza de que o que passei minutos atrás foi um dos avanços revolucionários mais alucinantes já vivenciados pela humanidade.

Ergo uma sobrancelha.

— Há uma linha muito tênue entre confiança e presunção.

Ben faz a mesma expressão que eu enquanto sua mão volta para a minha perna embaixo da mesa, me fazendo enrijecer.

— Então, estou apoiado nessa linha assim como na coxa de uma morena de perna comprida.

Ai, meu Deus, essas palavras.

Glenn ri, mas Theodore se curva para a frente para ter a atenção de Ben.

— Tenho um tio em Nantucket que publicou um livro. É uma coisa bem difícil de...

— Theodore — diz Ben, interrompendo-o. — Você parece um... cara legal.

— Obrigado — fala ele, sorrindo.

— Deixe-me terminar. — Ben ergue um dedo, alertando. — Porque daqui a pouco você vai me odiar. Eu menti. Não estou escrevendo um artigo. — Ele aponta para Glenn. — Esse cara me

disse mais cedo onde eu devia ir esta noite para encontrar a garota com quem eu devia passar o resto da minha vida. Desculpe, mas essa garota por acaso é sua acompanhante. E estou apaixonado por ela. Tipo, realmente apaixonado por ela. Um amor incapacitante, debilitante, paralisante. Então, por favor, aceite minhas sinceras desculpas, porque hoje ela vai voltar para casa comigo. Eu espero. Estou rezando por isso. — Ben me lança um olhar afetuoso. — Por favor? Ou esse discurso vai me fazer parecer um idiota completo e não seria legal quando contássemos essa história para os nossos netos.

Ele estende a mão para mim, mas fico tão petrificada quanto o coitado do Theodore.

Glenn tapa a boca, tentando disfarçar seu riso de bêbado. Pela primeira vez, Amber fica realmente sem palavras.

— Mas que porra é essa? — diz Theodore.

Antes que eu consiga me desvencilhar dele, Theodore estende o braço para além de mim, agarrando a gola da camisa de Ben, puxando-o para mais perto com o intuito de estrangulá-lo, dar um soco nele ou... Não sei o que ele está fazendo, mas me abaixo e fujo da mesa, para não ficar no meio disso. Quando me viro, Theodore está de joelhos com Ben, dando uma chave de braço por cima da mesa. Ben está ofegante no braço de Theodore, tentando afastá-lo de seu pescoço. Seus olhos estão arregalados e ele olha diretamente para mim.

— Seu babaca de merda! — grita Theodore.

Ben solta o braço de Theodore com uma das mãos e aponta para mim, querendo que eu me aproxime. Dou um passo hesitante à frente, sem saber o que fazer para livrá-lo desta confusão.

Quando estou a meio metro deles, Ben se esforça para falar:

— Fallon — diz ele, ainda agarrado ao braço que envolve seu pescoço. — Você... vai para casa comigo ou não?

Ah, meu Deus. Ele é implacável. E está sendo arrancado da chave de braço de Theodore por dois seguranças que vieram interferir. Agora Ben e Theodore estão sendo levados para fora, e Amber, Glenn e eu vamos atrás deles. Antes de chegarmos à porta, Amber dá um soco no ombro de Glenn.

— Você contou para Ben aonde íamos esta noite? — sibila ela.

O garoto esfrega o braço.

— Ele apareceu na nossa casa hoje procurando Fallon.

Amber bufa.

— E então você simplesmente contou para ele onde ela estaria? Por que você faria isso?

— Ele é divertido! — responde Glenn, como se fosse uma defesa legítima.

Amber olha por sobre o ombro para mim, como se pedisse desculpa. Não digo a ela que não há motivo para se sentir mal. Até o momento, estou feliz por Glenn ter contado a Ben onde eu estaria esta noite. Eu me sinto bem em saber que ele ficou quatro horas esperando no restaurante, depois foi me procurar em meu antigo apartamento, na esperança de que Amber e Glenn ainda morassem lá. É um pouco lisonjeiro, embora ainda não compense o que ele me fez passar.

Assim que saímos, vou logo até Theodore, que anda de um lado para outro, irritado. Para quando me vê diante dele e aponta para Ben.

— Isso é verdade? — pergunta. — Vocês dois são tipo... Porra, sei lá. O que vocês são?

Namorados? Ex? Eu me encaixo de algum jeito nesse quadro ou estou perdendo a droga do meu

tempo?

Balanço a cabeça, completamente perdida. Não sei como responder, porque, sinceramente, não sei o que sou de Ben. Mas sei como estou com Theodore, então acho que vou começar por aí.

— Desculpe — digo. — Juro que não falava com ele há um ano. Não quero que você ache que estou saindo com os dois ao mesmo tempo, mas... Desculpe. Talvez eu só precise de algum tempo para me resolver.

Theodore inclina a cabeça, como se estivesse chocado com o que acabou de ouvir.

— Se resolver? — Ele balança a cabeça. — Não tenho tempo para essa merda. — Ele começa a andar na direção contrária, mas ainda o escuto quando resmunga: — Você nem é tão bonita assim.

Ainda estou processando a ofensa quando noto Ben passar correndo por mim. Antes mesmo que meus olhos consigam se ajustar, o punho dele voa. Glenn corre para interferir, mas... espere aí. Não. Glenn também dá um soco em Theodore.

Por sorte, os seguranças não tinham entrado e os três são separados antes que alguém fique gravemente ferido. Theodore luta para se soltar de um dos seguranças e fica o tempo todo gritando obscenidades para Ben. Enquanto isso, Amber surge do meu lado, se equilibrando em um parquímetro enquanto tira um dos sapatos.

— Quero que cada um de vocês saia deste lugar agora mesmo antes que a gente chame a polícia! — grita um dos seguranças.

— Espere aí — diz Amber, levantando um dedo enquanto tira o sapato. — Eu não terminei.

— Ela segura o sapato e olha para Theodore com raiva, depois afasta o braço e joga o sapato pela calçada, acertando-o em cheio entre as pernas dele. — Odeio sua calça idiota, seu babaca!

— grita ela. — Fallon merece coisa melhor do que você, e NANTUCKET TAMBÉM!

Nossa. Boa, Amber.

O segurança que detém Theodore pergunta onde o carro dele está estacionado. Ele acompanha o garoto naquela direção enquanto Amber pega seu sapato de volta. Ben e Glenn só são soltos depois que o segurança volta sem Theodore.

— Vocês quatro. Vão embora. Agora.

Assim que o segurança solta o braço de Ben, ele vem correndo na minha direção, segura meu rosto nas mãos, me observando para descobrir se estou magoada. Ou talvez esteja checando minhas emoções, não sei. De qualquer forma, ele parece preocupado.

— Você está bem?

Sei, pelo tom tranquilizador de sua voz, que ele está com medo de que Theodore tenha ferido meus sentimentos.

— Estou ótima, Ben. A ofensa daquele cara sobre minha aparência não têm muita importância ao considerar que ele usa aquela calça por vontade própria.

Vejo o alívio no sorriso de Ben enquanto ele beija minha testa.

— Você veio de carro? — pergunta Glenn a Ben, que assente.

— Vim — responde. — Vou dar uma carona para vocês dois.

— Para vocês três — digo a Ben, insinuando que só porque ele agiu em minha defesa, não quer dizer que automaticamente vou para a casa dele. — Preciso que você me deixe na minha casa.

Amber resmunga e passa por mim, roçando em meu ombro.

— Ele já está perdoado — diz ela. — Glenn encontrou um ser do sexo masculino de quem realmente gosta e se você não perdoar Ben, vai magoar Glenn.

Os dois garotos ficam em silêncio olhando para mim. Glenn faz uma expressão fofa com a de um filhote de cachorro e Ben faz beicinho.

Não posso com isso. Dou de ombros, derrotada.

— Então, tudo bem. Acho que se Glenn gosta de você, está resolvido. Tenho que ir para casa com você.

Ben continua me olhando nos olhos quando estende o braço para Glenn, com o punho cerrado.

Glenn o cumprimenta e eles baixam os braços, sem dizer nada.

Enquanto passo por Ben e sigo para o estacionamento, estreito os olhos para ele e digo:

— Mas você tem muito que explicar. Muito. E também se humilhar.

— Sou muito capaz de fazer as duas coisas — diz Ben, vindo atrás de mim.

— E vai ter que preparar café da manhã para mim — acrescento. — Gosto de bacon bem passado e ovos fritos dos dois lados.

— Entendi — diz Ben. — Me explicar, depois me humilhar, depois ficar peladão e preparar ovos e bacon.