Novembro, 9

Colleen Hoover · Capítulo 12 de 33

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Novembro, 9

Fallon

Esta noite.

Fallon

Ele fecha a porta do quarto depois que entramos e me puxa para um longo abraço.

Tive dúvidas sobre minha decisão de vir aqui hoje desde o minuto em que comprei a passagem. Quase dei meia-volta umas cem vezes. Achei que ele não fosse querer me ver com tudo o que está acontecendo em sua vida. Achei que talvez ele estivesse zangado por ter dito que me veria no ano que vem, mas, de qualquer modo, apareci sem avisar.

Jamais previ ver o alívio tomar seu rosto quando ele abrisse a porta. Jamais previ que ele me beijaria como se sentisse minha falta tanto quanto sinto a dele. Jamais pensei que ele ficaria parado e me abraçaria por todo aquele tempo. Ele ainda não me disse uma só palavra, mas seus atos exprimiram um milhão de agradecimentos.

Fecho os olhos e mantenho a cabeça encostada em seu peito. Uma das mãos dele envolve minha nuca e a outra está firme em minhas costas. Posso ficar de pé aqui a noite toda. Se só fizermos isso — se ele nunca mais falar uma só palavra — a viagem já terá valido a pena.

Fico me perguntando se ele sente o mesmo. Será que pensar em mim consome todo o seu dia, como sou consumida por pensamentos sobre ele? Será que tudo que ele faz e todo lugar para onde vai, ele queria estar dividindo comigo? Ele beija o topo da minha cabeça e toca minhas bochechas, virando meu rosto para o dele.

— Nem acredito que você está aqui.

Em sua expressão, vejo um sorriso surgir contrastando com a devastação que ele sente. Não falo nada, porque ainda não sei o que dizer. Só passo a mão na lateral do seu rosto e roço o polegar em seus lábios.

Eu não devia ficar surpresa por ele estar ainda mais atraente este ano do que no ano passado.

Agora ele virou um homem de vez. Sumiram as características de menino que eu ainda consegui vislumbrar da última vez que o vi.

— Como está lidando com isso?

Continuo acariciando seu rosto, e ele, o meu, mas não me responde. Em vez disso, cola os lábios aos meus e me faz andar de costas, nos afastando da porta. Gentilmente, me coloca na cama, me ajeitando para que eu fique deitada em seu travesseiro. Interrompe nosso beijo e desliza por cima de mim. Ben não se deita ao meu lado. Em vez disso, coloca a cabeça em meu peito e ouve meu coração bater enquanto deixa os braços em volta de mim. Ergo a mão e acaricio seu cabelo, descrevendo movimentos longos e lentos.

Ficamos deitados em silêncio por tanto tempo que começo a me perguntar se ele dormiu.

Porém, depois de alguns minutos, ele me aperta com mais desespero. Ele vira o rosto até estar totalmente enterrado na minha blusa e seus ombros se sacodem quando ele começa a chorar.

Tenho a impressão de que meu coração explode em milhões de lágrimas mínimas e quero me enroscar nele, enquanto chora. Mas seu choro é tão silencioso que não sei se ele quer que eu

note. Ele só precisa que eu o deixe chorar e é exatamente o que faço.

• • •

Cinco minutos se passam até ele se recompor, mas leva meia hora até que finalmente se afasta de mim. Ele se ergue do meu peito, deitando-se ao meu lado no travesseiro. Rolo para ficar de frente para ele. Seus olhos ainda estão vermelhos, mas ele parou de chorar. Ben leva a mão ao meu rosto e afasta uma mecha de cabelo, me olhando com apreço.

— Como foi que aconteceu? — pergunto.

A tristeza retorna aos seus olhos no mesmo instante, mas ele não hesita ao responder.

— Ele estava voltando do trabalho quando o carro saiu da estrada — conta ele. — Um lapso de atenção. Três segundos e ele bateu na merda de uma árvore. Ele e Jordyn iam sair de férias naquela noite e sei que ele estava mandando uma mensagem quando aconteceu, pelo que a polícia me disse. Mas estou torcendo para que ela ainda não tenha deduzido isso. Espero que nunca deduza.

Em silêncio, passo os dedos por sua mão.

— Ela está grávida — acrescenta ele.

Meus dedos cessam os movimentos e eu suspiro.

— Eu sei — diz ele. — É um tremendo azar. Eles iam comemorar o aniversário de casamento neste fim de semana.

Eu não tinha pensado nisso, mas, assim que ele fala, penso em Jordyn no ano passado e no frenesi em que ela estava, se preparando para seu casamento com Kyle. E, agora, apenas um ano depois, ela tem que se preparar para o enterro do marido.

— Isso é muito triste. Para quando é o bebê?

— Deve nascer em fevereiro.

Tento me colocar no lugar dela. Tenho quase certeza de que ela tem 24 anos. Nem consigo vislumbrar ser tão nova assim e perder o marido meses antes do nascimento do primeiro filho. É

inimaginável.

— Quando você volta para Nova York? — pergunta ele.

— Amanhã de manhã. Posso passar a noite na casa da minha mãe, se for necessário. Preciso acordar muito cedo.

Ele aproxima a boca da minha.

— Você não vai dormir em lugar nenhum que não seja esta cama.

Uma batida alta impede que seus lábios me toquem e sua atenção é desviada para a porta, que se abre e Ian entra, olha para mim e só depois se toca.

Ele aponta para mim, mas está olhando para Ben.

— Tem uma garota na sua cama.

Nós dois nos sentamos. Quando fazemos isso, Ian inclina a cabeça para o lado, estreitando os olhos na minha direção.

— Espere aí. Já conheci você. Fallon, né?

Não vou mentir: é bom saber que o irmão dele se lembra de mim. Não que meu rosto seja facilmente esquecido pelas pessoas. Mas ele não precisava se lembrar do meu nome e lembrou, então isto só pode significar que não aparecem garotas na cama de Ben com muita frequência.

— É uma gentileza sua ter vindo — diz Ian. — Está com fome? Vim avisar a Ben que o jantar está na mesa.

Ben geme ao sair da cama.

— Deixe-me adivinhar. Ensopado?