Novembro, 9
Fallon
combinada com esta manhã, quando encontrei minha mãe — vá me estragar de algum jeito.
Talvez eu sofra de estresse pós-traumático ou depressão.
Mas nada disso importa.
Porque enquanto subo a escada correndo, abro a porta do banheiro e coloco para fora todo o conteúdo do estômago na privada, meus pensamentos só giram em torno daquela garota e como eu arruinei completamente a vida dela.
Apoio a testa no braço enquanto fico sentado ali apertando a porcelana do vaso com toda força.
Não mereço viver.
Não mereço viver.
Será que minha mancha de sangue vai ficar parecida com Gary Busey?
Fallon
Eu mal havia chegado à privada quando vomitei.
Gotas de suor escorrem da minha testa.
Não posso fazer isso.
Não posso ler mais.
É demais. É demais, muito difícil e estou enjoada demais para continuar lendo.
De algum modo, consigo me levantar do chão e ir à pia. Lavo as mãos. Coloco-as em concha sob o jato de água e levo à boca, bochechando com a água. Faço isso várias vezes, lavando o gosto da bile.
Olho no espelho as cicatrizes que percorrem da minha bochecha até o pescoço. Puxo a blusa e observo as cicatrizes no braço, no seio, na minha cintura. Passo os dedos da mão direita pelo braço e pelo pescoço, pela minha bochecha, descendo novamente. Percorro meu seio e abaixo até a cintura.
Eu me inclino para a frente até ficar na altura da bancada... O mais perto que posso do espelho. E dou uma boa olhada nas cicatrizes. Observo-as com mais concentração do que nunca, porque o que estou sentindo me confunde.
É a primeira vez que as olho sem pelo menos um vestígio de raiva junto.
Até ler as palavras de Ben, nunca tinha me dado conta de como culpava meu pai pelo que aconteceu comigo. Por muito tempo, eu o odiei. Dificultei as coisas para que ele sofresse comigo pelo que houve. Vi a culpa em tudo o que ele dizia. Toda conversa que tivemos se transformou em briga.
Não estou desculpando meu pai por ser um idiota insensível. Ele sempre foi um idiota insensível. Mas também sempre me amou e agora que sei melhor o que houve naquela noite, eu não deveria culpá-lo mais por se esquecer de mim.
Eu só ficava na sua casa uma vez por semana e ele tinha acabado de descobrir que alguém que amava morreu. Sua cabeça deve ter ficado em frangalhos. E eu esperando que ele reagisse com perfeita precisão quando viu a casa em chamas. Isso é mais do que eu devia esperar dele.
Em questão de minutos, ele estava sofrendo, depois com raiva, então em pânico por causa do incêndio. Esperar que ele lembrasse no mesmo instante que eu tinha mandado uma mensagem de texto doze horas antes para avisar que iria dormir na sua casa naquela noite é completamente irreal. Eu não morava lá. Não era como morar na casa da minha mãe, pois assim eu seria a primeira coisa em que ela pensaria quando entrasse em pânico. A situação do meu pai era totalmente diferente e eu devia tratá-la como tal. E por mais que a gente tenha mantido contato nos últimos anos, nossa relação não é como antes. Assumo metade da culpa por isso. Nós não escolhemos nossos pais e os pais não escolhem os filhos. Mas escolhemos, sim, o quanto estamos dispostos a nos esforçar para fazer o melhor com o que temos.