Novembro, 9
Ben
Ian nega com a cabeça.
— Tate estava com desejo de comer pizza, então pedimos uma.
— Graças a Deus. — Ben me puxa. — Vamos comer.
Ben
— Deixe ver se entendi direito — diz Miles, olhando para mim e para Fallon do outro lado da mesa. — Vocês bloquearam um ao outro nas redes sociais. Não têm o número do telefone do outro, então não têm contato nenhum. Mas se encontram uma vez por ano desde que tinham 18
anos?
— Muito doido, né? — diz Fallon, colocando o copo na mesa.
— Parece um pouco Sintonia de amor — comenta Tate.
Balanço a cabeça no mesmo instante.
— Não é nada assim. Eles só concordaram em se encontrar uma vez.
— É verdade. Então parece Um dia. Aquele filme com a Anne Hathaway.
Mais uma vez desprezo sua comparação.
— Esse filme se concentra só em um determinado dia todo ano, mas as duas pessoas ainda interagem normalmente durante o ano. Fallon e eu não temos contato nenhum.
Não sei por que estou tão na defensiva. Acho que os escritores naturalmente ficam na defensiva quando suas ideias são comparadas com as de outras pessoas, mesmo que façam isso com inocência. Mas minha história com Fallon é única e me sinto protetor com ela. Na verdade, muito protetor.
— Quando vocês vão parar? Ou pretendem fazer isso pelo resto da vida?
Fallon me olha e sorri.
— Vamos parar quando tivermos 23 anos.
— Por que 23? — pergunta Ian.
Fallon responde às próximas perguntas que são disparadas a nós, então aproveito a oportunidade para pedir licença da conversa e encher meu copo. Eu me apoio na bancada e, da cozinha, observo todo mundo interagindo.
Estou feliz que ela esteja aqui. Sinto que a presença dela atenua de algum modo a tristeza de todos. Ela não tinha nenhuma ligação com Kyle, então ninguém se sente na obrigação de pisar em ovos com ela. Fallon parece o sopro de ar fresco que todos nós precisávamos esta semana.
Sei que já agradeci a ela por ter vindo hoje, mas um dia direi exatamente o quanto a presença dela significa para mim.
Sentada na cadeira, ela me olha, e ao notar meu sorriso discreto, pede licença da mesa e entra na cozinha.
Todo o meu corpo relaxa quando seus braços envolvem minha cintura. Ela beija meu braço, depois reprime um bocejo.
— Cansada?
Ela me olha e assente.
— Sim. Ainda estou no horário de Nova York e lá já passa da meia-noite. Posso usar seu
chuveiro antes de irmos para a cama?
Levo meu dedo à sua boca.
— Tem uma coisa no seu dente.
Ela mostra os dentes e limpo o que parece ser um pedaço de pimenta.
— Saiu — digo, dando um selinho nela. — E, sim, pode usar meu chuveiro. Me diga se precisar de ajuda.
Dou uma piscadela, justo quando Ian se encosta na bancada ao nosso lado, estreitando os olhos para mim.
— Você acabou de tirar alguma coisa dos dentes dela?
Não digo nada porque não sei o que ele pretende fazer com a minha resposta.
— Estou falando sério — insiste ele, olhando agora para Fallon. — Ele acabou de tirar alguma coisa dos seus dentes?
Ela assente, hesitante.
Ian sorri com malícia.
— Uau. Meu irmão está apaixonado por você.
Sinto Fallon ficar paralisada perto de mim.
— Não tem nada de constrangedor nisso — digo com sarcasmo.
Ian balança a cabeça com um sorriso irônico.
— Não é constrangedor, Ben. É fofo. Você está apaixonado.
— Pare — peço a ele.
Ian dá uma gargalhada tranquila e, pela primeira vez, não me importo com as implicâncias dele. É o melhor clima desta casa em dois dias.
— As pessoas não fazem coisas nojentas assim quando não estão apaixonadas — diz Tate da mesa. — É um fato comprovado. Está na internet ou sei lá onde.
Agarro a mão de Fallon e a puxo para fora da cozinha, para longe da provocação.
— Boa noite, gente. Fallon tem outras questões de higiene urgentes em que preciso ajudar.
Escuto eles rirem enquanto saímos da cozinha e subimos a escada juntos.
Para o meu quarto.
Onde vamos passar a noite.
Juntos.
Na minha cama.
É complicado saber que não a verei por mais um ano, então não faço ideia de até que ponto ela está disposta a ir. Acho que tudo vai depender de até onde ela foi com os caras no passado.
É claro que não quero pensar nela com mais ninguém, mas este é o sentido de encontrá-la todo ano. Quero ter certeza de que ela está levando a vida como uma garota de sua idade deve fazer e isto significa ter vivência com pessoas diferentes. Mas toda noite fecho os olhos e, de forma egoísta, rezo para que ela esteja dormindo sozinha na cama.
Quero perguntar a ela sobre isso, mas não sei como abordar o assunto.
Abro a porta do quarto e entro depois dela. Desta vez, entrar em meu quarto com ela é diferente. Quase parece que existem expectativas que devem ser cumpridas antes de sairmos daqui de manhã. Conversas que precisam acontecer. Corpos que precisam se tocar. Mentes que precisam dormir. E não há tempo suficiente para tudo isso antes que ela me deixe mais uma vez por outro ano.
Tranco a porta. Ela está de frente para a cama enquanto faz um coque no cabelo, prendendo com um elástico que carregou no pulso o dia todo. Fico um tempo admirando a perfeição da curva entre seu pescoço e o ombro. Dou um passo à frente e deslizo os braços por sua cintura para encostar a boca naquele local exato. Dou-lhe um banho de beijos suaves do ombro à orelha, voltando para onde comecei. Afasto com beijos os arrepios pelos quais sou responsável.
Ela faz um ruído baixo, algo entre um suspiro e um gemido.
— Vou deixar você tomar banho — digo a ela sem soltá-la. — As toalhas estão embaixo da pia.
Ela aperta minhas mãos, que envolvem sua cintura, depois se afasta de mim. Em vez de ir para o banheiro, ela segue para o meu closet.
— Posso dormir com uma camisa sua? — pergunta ela.
Olho para o closet, depois para ela. Meu manuscrito está ali, na prateleira. Pelo menos, o que eu escrevi. A essa altura, a última coisa que quero é que ela leia qualquer palavra que seja.
Seguro as costas da camiseta que estou usando e a retiro pela cabeça.
— Tome — digo, entregando a ela. — Use esta.
Ela pega a camiseta das minhas mãos, mas assim que ergue os olhos, para a meio passo.
Engole em seco, olhando fixamente para minha barriga.
— Ben?