Novembro, 9

Colleen Hoover · Capítulo 21 de 33

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Novembro, 9

9 de novembro

Minha curiosidade é despertada. Fico na ponta dos pés até conseguir alcançá-lo, mas puxo apenas a primeira página para ver o que é.

9 de novembro

por

Benton James Kessler

Passo vários segundos olhando para o papel. Tempo suficiente para travar uma guerra inteira com a minha consciência.

Eu não devia ler isto. Devia colocar de volta no lugar.

Mas tenho o direito de ler. Eu acho. Quer dizer, é sobre meu relacionamento com Ben. E sei que ele disse que não queria que eu lesse antes que estivesse pronto, mas agora que ele não está mais escrevendo, certamente isso anula a única regra que ele criou.

Ainda não decidi o que fazer quando retiro todo o manuscrito da prateleira. Vou levar para a cozinha. Vou arrumar alguma coisa para comer. E depois decido o que fazer com isso.

Apago a luz e abro lentamente a porta do closet. Ben está na mesma posição, com a respiração pesada, prestes a soltar o que pode ser considerado um ronco.

Saio do quarto dele e vou para a cozinha.

Coloco cuidadosamente o manuscrito na mesa diante de mim. Não sei por que minhas mãos estão tremendo. Talvez porque os verdadeiros pensamentos dele sobre mim, sobre nós e tudo pelo que passamos estejam bem aqui, na minha frente. E se eu não gostar da verdade dele? As pessoas têm direito à privacidade e o que estou prestes a fazer é violar cada parte da sua privacidade. Não é um bom jeito de começar um relacionamento.

E se eu só ler uma cena? Só algumas páginas, depois coloco de volta no lugar e ele nunca vai saber.

Já sei sobre o que quero ler. Desde que aconteceu, está me consumindo por dentro.

Quero saber por que Kyle deu um soco nele no corredor durante nosso segundo ano juntos.

Não teve nada a ver comigo, então esta deve ser uma cena segura para ler sem depois me sentir culpada demais por isso.

Faço o melhor possível para folhear o manuscrito sem assimilar frase nenhuma. Ben facilitou a procura, considerando que dividiu os capítulos pela idade dele. A briga aconteceu em nosso segundo ano juntos, então acho o capítulo intitulado “Aos 18 Anos” e o coloco na minha frente.

Pulo seu diálogo interior, enquanto ele esperava por mim no restaurante. Com sorte, um dia, ele vai me deixar ler isto, porque estou morrendo de vontade de saber quais são seus verdadeiros pensamentos. Mas me recuso a ler tudo. Comprometida com a minha culpa, por mais que eu leia apenas algumas páginas, ainda me sinto uma merda. Nem imagino como eu me sentiria se lesse tudo.

Meus olhos percorrem a página até que encontro o nome de Kyle. Puxo a página diante de mim e começo a ler pelo meio de um parágrafo.

— Vai ficar tudo bem, Jordyn. Prometo.

A porta da frente se abre e ela ergue os olhos. Pela animação em seus olhos, percebo que provavelmente é Kyle.

Meu estômago se revira por causa dos nervos que agora ficaram mais pesados do que pedras.

Merda. Ele disse que só voltaria para casa depois das sete da noite.

— É o Kyle? — pergunto a Jordyn.

Ela assente e esbarra em mim ao passar.

— Ele saiu mais cedo para me ajudar — diz ela, andando até a pia. Ela pega um guardanapo e passa nos olhos. — Diga a ele que eu já vou. Não quero que ele saiba como andei chorando hoje. Pareço uma doida.

Merda.

Talvez ele não se lembre. Já faz muito tempo e nunca conversamos sobre isso. Respiro fundo e volto para a sala de estar, tentando esconder meu pânico. Ele não pode estragar isto para mim.

— Está tudo bem com Jordyn — digo ao voltar à sala, na esperança de acalmar meus nervos.

Paro quando o vejo, porque a expressão dele me diz que, sem dúvida, ele se lembra. E está irritado.

O maxilar de Kyle enrijece. Ele joga a chave na mesa perto da entrada e aponta para mim.

— Precisamos conversar.

Pelo menos ele está me afastando de Fallon para discutir. É um alívio. Parece que ele não vai dizer nada na frente dela. Posso lidar com ele em particular, isso não é problema. Posso sair da merda em que me meti, mas a última coisa que quero é levar Fallon junto.

Sorrio para Fallon porque percebo por sua expressão que ela percebe que tem algo errado com Kyle. Quero tranquilizá-la de que está tudo bem, embora esteja bem longe disso.

— Volto logo.

Ela assente, então eu sigo Kyle pelo corredor. Ele para na frente de seu quarto e aponta para a sala de estar.

— Pode me explicar que porra está acontecendo, por favor?

Olho para a sala, me perguntando como posso sair dessa só com base na conversa. Mas sei que ele não vai acreditar em nada além da verdade.

Coloco as mãos no quadril e olho para o chão. É difícil ver a decepção nos olhos do meu irmão.

— Somos amigos — digo a ele. — Eu a conheci ano passado. Em um restaurante.

Kyle dá uma gargalhada incrédula.

— Amigos? Ian acabou de apresentá-la como a porra da sua namorada, Ben.

Merda.

Faço o que posso para dissipar a raiva dele. Nunca o vi tão irritado.

— Juro que não é nada disso. Eu só... — Droga, isso está tão fodido... Levanto as mãos, derrotado. — Eu gosto dela, está bem? Não consigo evitar. Até parece que armei para gostar dela.

Kyle desvia o olhar, passando as mãos no rosto, frustrado. Quando se volta para mim, não estou preparado para o que acontece. Ele me empurra, com força, e bato na parede às minhas

costas. Suas mãos apertam meus ombros e ele me pressiona na parede.

— Ela sabe, Ben? Faz alguma ideia de foi você que começou aquele incêndio? De que você é o motivo para ela quase ter morrido?