O Diário da Escrava Amada
Capítulo 12 · Ajudando Makoto no escritório
No horário de almoço da segunda-feira, após comer, resolvi pegar o diário para ler. Abri e continuei da anotação de onde parara no dia anterior, se bem que dei uma bela lida antes de dormir.
“Bom dia diário,
desde ontem que eu não escrevo. Achei estranho o Makoto não ter ido trabalhar ontem. Ele tomou café na maior paciência do mundo e depois foi resolver umas coisas no escritório que tem aqui no apartamento dele. Ajudei a Keiko a arrumar por ali pela sala e a minha curiosidade levou minhas pernas até onde Makoto estava.”
Sabe aqueles dias que você simplesmente não quer ir trabalhar? Pois é, era um dia desses.
Não que eu seja preguiçoso, nem goste do que faço. Não é nada disso! Eu gosto mesmo é de tirar uma folga das pessoas que trabalham comigo. Tem dias que eu simplesmente não tenho saco para aguentar aquela cobrança e reclamação. Digo ao chefe que trabalharei em casa e ele nem resmunga. Eu rendo até mais!
“Ao me ver, ele questionou:
– O que faz aqui? Não devia estar com a Keiko?
– Eu vim por curiosidade.
– Ora, não vê que estou trabalhando? Não quero que me atrapalhe.
– Então, por que não foi lá hoje?
– Quero trabalhar em casa. Tem dia que não os aguento, são uns chatos. Mas com você agora, parece até a mesma coisa.
Esta última frase tocou em mim. Eu? Chata? Respondi cabisbaixa:
– Perdoe-me, Makoto. Não vou incomodar mais.
E sai. Retornei a sala e fique lá, assisto a um programa, assim como o Makoto falou: chato.
Keiko logo notou a minha mudança de humor e veio conversar:
– O que aconteceu, Kazuko?
– Makoto foi grosso comigo.
– Tem dias que ele acorda com espinhos na boca e sai cuspindo-os em qualquer um. Ele só deve estar irritado com você o questionando e tirando a concentração dele.
– Mesmo assim, eu me sinto mal. Sinto que não sou nada, sabe, Keiko?
– Eu entendo, querida. Quer um doce para se animar?
– Não tem sorvete para eu afogar as mágoas?
Ela riu e completou.
– Tem sim. Eu pego e dividimos.”
Tem horas que até eu me impressiono com as minhas grosserias. E o pior que falo sem pensar. Naquele dia senti-me arrependido depois.
Alias, na maioria das vezes, acabo pedindo perdão pelo vacilo.
“Ela pegou e eu me acabei naquele sorvete. E fiz a minha mania de morder diversas vezes.
Estava me animando quando o telefone tocou, Keiko correu para atender. Após algumas palavras afirmativas, ela me pediu:
– Kazuko, leve o telefone para Makoto. É o chefe dele.
Tomei o telefone e fui depressa ao escritório.
– É o seu chefe! Quer falar com você, Makoto. – fui direta
– Obrigado!
Então ele começou a conversar com o chefe e eu não perguntei se podia sair, fiquei, sem graça, ouvindo algumas palavras difíceis. Ao final do telefonema...
– Não precisava ter escutado minha conversa.
– Desculpa. Não sabia que podia sair. Fiquei aqui, sem nada entender do que disse realmente.
Eu me senti triste novamente e uma bendita lágrima caiu dos meus olhos. Makoto, rápido, se levantou.
– Por que está chorando? – disse enxugando meu rosto
Tirei sua mão e respondi:
– Não é nada. Sou só uma chata que te incomoda.
Eu ia sair, contudo Makoto agarrou meu braço.
– Acho que é por causa do que eu falei.
– Você acha? – comentei irônica
– Desculpe-me. É que... Detesto que me perturbem quando estou trabalhando.
– Eu não sabia.
– Sei que não, mas agora sabe. – disse, acariciando meu rosto – Quer me ajudar em uma coisa?
– No que?
– Bem... Essa papelada tá uma bagunça. Poderia ser tudo no computador, mas parece que essa parte não avança. Arruma para mim?
– Claro.
– Em ordem alfabética.”
Pois é, uma coisa que não me conforma: Para quê tanto papel?
Eu já me enrolo o suficiente sem eles. Com eles, nem se fala.
Tudo isso, afirmam eles, que é o melhor método para ter manter o registro dos processos e ações. Justiça é lerda que só!
“Primeiro, juntei todos aqueles papéis e fui organizando. Acho que eram clientes do Makoto e eram muitos. Enquanto isso ele estava vidrado naquela tela brilhante.
– O que tanto faz?
– Estou fazendo umas petições. O pessoal pede tudo em cima da hora. É uma merda!
Não evitei de rir.
– Merda?
– Eu fico atolado de coisas. Se fosse para lá hoje, sem dúvida estaria com o triplo.
– Tanto trabalho assim?
– É! Só que em casa rendo melhor, por causa do silêncio e tudo mais.
– Estou atrapalhando?
– Não. Fazendo isso, tira um quinto do que tenho que fazer.
Ao terminar com a papelada. Makoto me pediu para pegar um livro aqui e outro lá. Organizar outras. Tudo até depois do almoço. E antes do lanche da tarde, nós terminamos.
Eu, Makoto e Keiko nos divertimos conversando. Após o jantar, Keiko saiu e eu tive uma ideia ótima para o Makoto naquela noite.”
Hum... Eu me lembro disso. Preparem-se porque está vindo mais uma das surpresas dela.
– Makoto, o que está lendo? – um colega de trabalho me perguntou, quase que cai da cadeira – Tão entretido.
– É um livro! – menti
– Sobre?
– Uma garota que foi comprada com escrava e escreveu um diário, contando o que passa com o dono. – Bom, tecnicamente é sobre isso mesmo
– O nome? Me parece bom!
– É... - engoli seco. E agora? Vi a capa manuscrita dele. - O diário secreto da escrava.
– Procurarei.
E ele voltou a sua mesa. Caramba! Foi por pouco.
Retomei o fôlego, olhei em volta e abri o diário.
“Falei que tomaria um banho e que ele me esperasse no escritório. É, diário, deve conhecer fantasia da secretária. Isso que fiz!
Peguei uma das poucas roupas mais formais que eu tenho – que é uma saia e um blazer pretos, junto com uma blusa de botões – e usei no colégio umas duas vezes, vesti-o. Seria a secretária do meu dono naquela noite.
Sai do quarto e fui ao escritório. Makoto estava sentado em sua cadeira, distraído, girando a caneta.
– Sr. Miyasaki! – chamei
Seu olhar se levantou e ele se surpreendeu ao ver como estava.”
Sentia minha imaginação voar e me corpo fervilhar nessa hora.
E teve uma outra parte que também ficou toda eriçada.
“Diga, Srta. Hirasawa?
– É que... Está um calor. - falei tirando o blazer
Makoto se levantou enquanto eu me aproximava.
– Eu concordo!
Eu notei que ele estava adorando aquilo.
– Sabe, tem um cliente tão chato que não para de ligar.
– E disse que estava ocupado?
– Disse! Mas ele ainda insiste.
– Deixe ele para lá! – falou abrindo os botões da minha blusa
Eu nem comentei nada. Permiti que Makoto fizesse o que queria comigo. Ele tirou a minha blusa e meu sutiã e se deliciou com os meus seios. Eu soltei uns gemidos baixos.
– Não quer que eu faça em você, Sr. Miyasaki?
– Não é necessário.
Makoto arrancou a minha calcinha e me deixou ainda de saia. Ele se despiu apenas na parte de baixo. Eu vi como ele estava e não fiz nada demais.”
Fantasias, Kazuko! O nome disso são fantasias e elas são bem mais poderosas do que muitos estímulos.
“Ele me jogou de bruços na mesa e com a mão, ele fez um pouco em mim. Depois ele penetrou.
Aquela era uma posição diferente, e cada vez que ele entrava sentia um arrepio na espinha. E a minha voz não era diferente, estava com vergonha de gemer tanto.
Não demorou muito e Makoto gozou. Ele caiu em cima do meu corpo e eu senti sua respiração forte em meu ombro.
Se recuperou e fomos ao quarto dele para dormir. Antes de me desejar boa noite, ele comentou:
– Você podia fazer isso mais vezes. – e riu – Gostei desta brincadeira.
Eu dei um sorriso tímido e com certeza devo ter ficado vermelha. Ele me deu um beijo na testa, desejou-me boa noite e adormecemos.
E hoje, ele foi ao trabalho.
Vou tomar um banho e fazer as minhas outras coisas.
Até!”
Fechei o diário e olhei na direção em que meu colega senta. Ele estava atento a me observar. Medonho!
Acenei para ele, que sorriu.
Guardei o diário e prossegui com o meu serviço, mesmo que o horário de almoço não tivesse terminado.
Mais tarde, em casa, contei a minha esposa sobre o que li. Deixei, subjetivamente, no ar uma vontade de que eu queria que ela fizesse aquilo comigo. Kazuko, que não é boba nem nada, logo percebeu e acabou me satisfazendo aquela noite.
Capítulo 13
Apenas um passeio
No dia seguinte, lá estava eu lendo o diário de novo. Eu não consigo me controlar e ultimamente tenho dado “uns grandes saltos”. Por sorte, não havia nenhum colega de trabalho me rodeando, era apenas a Kazuko e o Takumi. Keiko já foi para casa.
Minha esposa estava, sentada ao meu lado na cama, amamentando nosso pimpolho. Logo percebeu que iria ler mais um pouco e nem se incomodou. Continuei a ler...
“Querido diário,
agora são mais de meia-noite. Sei que essa hora era para estar no quarto de Makoto. Porém, hoje ele me levou a um lugar lindo. Contarei com melhores detalhes, calma!
Makoto saiu, como na maioria dos dias. Auxiliei Keiko um pouco nas coisas da casa e fui à biblioteca. Acabei o outro livro que lia, aquele sobre magos elementais e tal. Vasculhei aquelas enormes prateleiras, em busca da nova leitura. Parece que estou em uma livraria em que posso levar qualquer coisa. Tá! Eu exagerei!
Peguei mais uma história de fantasia, afinal, eu preciso esquecer essa minha vida de escrava um pouco. E como não posso sair, minha única forma de ir a outro lugar é através da leitura.”
Ela sempre tentava escapar do que vivia. Eu nunca consegui sequer me imaginar no lugar dela. Mas eu sempre tive uma ótima noção do que ela passava. Eu vi isto a minha vida toda. Só que, com a leitura do diário, estou tendo a plena ideia de como foi tudo isso.
“Mais um daqueles universos com diversas dimensões paralelas entre si. Seres místicos e com grandes poderes.
Um grande vilão, que quer de qualquer maneira ter tudo aquilo sobre o seu comando. E ele não medirá esforços para conquistar esse propósito.
De certa forma, isto lembra a mim mesma.
Eu sou a mocinha e a heroína da história e tenho que lutar pelo o que quero.
Makoto é o vilão, o que ele quer dominar é a minha vida, ou melhor dizendo, me dominar. Como se eu fosse algum tipo de ser indomável e rebelde.
E estou realmente curiosa para saber como esta história irá se desenvolver e terminar.
O resto do meu dia se passou de acordo com a rotina que você já conhece.
Makoto retornou e jantamos. Após isso, ele pediu para eu trocar de roupa, pois me levaria a um lugar. Vesti-me depressa, descemos e saímos. Makoto dirigiu para a direção contrária da cidade. Começamos a subir e subir.
Minutos depois, chegamos finalmente. Era o topo de uma das montanhas ao redor da cidade.
Saltamos do carro e fomos a frente dele, a fim de olhar a vista. Quando vi, me impressionei! Nunca tive uma visão tão linda da cidade.
Pela primeira vez, ela não estava cinza, eu via cores e mais cores, espalhadas em vários pontinhos. A minha volta tinha a grama e as árvores. Fechei os olhos e respirei fundo. Eu guardei este momento em minha mente. De repente, soprou uma brisa gelada, que fez eu me bater de frio. Makoto colocou seu paletó em meus ombros.
– Obrigada, Makoto! – agradeci sorrindo
– De nada.
Um breve silêncio se fez. Depois, eu perguntei:
– Por que me trouxe aqui?
– Ora, só queria te mostrar um lugar que eu gosto. E pelo que percebi, gostou também.
– Nunca vi nada igual.
– Sei disso! Quem vive do lado pobre da cidade não sai de lá.
– E sem cinza... – completei, sem graça
–Sem cinza! – disse rindo
Senti o braço de Makoto passar por trás de mim e sua mão pousou pouco abaixo do meu ombro.
Ele me abraçou? Foi isso mesmo? Pensei: Ele quer alguma coisa!
– Quer ir para o carro? – questionei
– Será que não posso simplesmente abraçar você?
Fiquei encabulada e com vergonha, por isso me calei. Makoto continuou:
– Não precisa ficar envergonhada. – sorriu – Acho que você sempre fica um pé atrás comigo. Não te culpo! – me puxou para mais perto – Será que podemos ser mais próximos?
– Eu não sei, Makoto.
– Você dorme comigo todas as noites praticamente. Eu não consigo manter uma relação com você, tipo dono e escrava.
– Entendo. Essa hierarquia pesa demais.
– Podemos esquecê-la e sermos amigos? O que acha?
– Por mim, tudo bem.
Então encostei minha cabeça em seu ombro. Ficamos olhando aquele conjunto de luzes por um tempo. Makoto soltou de repente:
– Sabe, Kazuko, apesar de te conhecer tem pouco tempo, gosto muito de você.
– Eu também, Makoto. – falei sorrindo”
Aquele momento em que se fica totalmente envergonhado é esse.
É estranho um dono gostar de sua escrava. Realmente, não é algo comum! Eu me sentia estranho por isso. E não! Eu não estava apaixonado pela Kazuko... Ainda.
Ela colocou o menino no berço e depois ficou apoiada em mim, de maneira bem semelhante ao que lia. Nem falou nada, só ficou ali. Parecia que também estava dando umas escapadas e lendo.
Então, eu prossegui...
“Eu estou até agora tentando entender o porquê dele ter dito isso. Só espero que tenha sido sincero. Em meio a todas essas circunstâncias, eu também gosto do Makoto. Da companhia dele. O que me assustou e surpreendeu foi ter comentado, assim, do nada. Em seguida, ele puxou outro assunto:
– Você sabe que meu aniversário está chegando, Kazuko?
– Não sabia. Nem sei a data do seu aniversário.
– Eu quero que ajude a Keiko nos preparativos. Vou dar uma festa em casa.
– Tipo essas coisas de comida e decoração?
– Isso mesmo. E outra coisa: Também quero que participe da festa.
– Como convidada?
– Sim. Você faz parte da minha vida. – deu uma breve pausa e falou – Posso contar contigo?
– Claro, Makoto.
– Fico feliz. Sério!
– Eu quero é saber o que fará no meu aniversário.
– Podemos ver isso depois.
E eu ri. Ele sabia que estava de brincadeira com ele.
Ficamos mais uns cinco minutos, entramos no carro e voltamos para casa. No caminho, Makoto colocou música e era uma que gostava. Não me contive em não cantar. Ele achou engraçado e comentou o quanto eu cantava bem. Talvez bem desafinado, mas ele tentou ser simpático!
Ao chegarmos, Makoto mandou-me dormir no meu quarto. Perguntei se ele tinha certeza, ele disse que sim. Vim para cá e tomei um banho. Admito que estou ansiosa pelo aniversário do Makoto. Conversarei com Keiko sobre o mais rápido possível.
Agora eu dormirei.
Boa noite!”
Fechei o caderno e pus no criado-mudo.
Kazuko me abraçou, mas de um jeito que... Bem... “Quer brincar um pouquinho?”
E foi o que fizemos.