O Diário da Escrava Amada

Anelise Vaz · Capítulo 3 de 56

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O Diário da Escrava Amada

Capítulo 4 · Visita a médica

 

Como Kazuko demora muito no banho, resolvi emendar em mais um “capítulo”.

“Querido diário,

É mais uma manhã nesse começo de vida de escrava.

Ontem, eu e Makoto transamos novamente. Porém, não é isso que eu quero contar.

Próximo do fim da tarde, Makoto chegou a casa e mandou que colocasse uma roupa para ir ao médico. Coloquei um vestido preto que gosto muito e descemos juntos e fomos ao carro. No caminho, nem falamos nada.

Chegamos ao tal lugar, que fica num prédio em área comercial, fizemos o necessário e ficamos esperando a nossa vez. Demorou um pouco, e a médica chamou o nome de Makoto. Entramos na sala.

– Boa tarde, sou a Sra. Saho. – disse mais se apresentando a mim do que a ele, parecia que eles já se conheciam

Ela tinha uma aparência bem comum, cabelos pretos e olhos castanhos.

– Boa tarde, está é a Srt. Hirasawa.

– Sejam bem-vindos. É dela que vamos tratar né?

Sra. Saho parecia simpática. Ao olhar para ela, me identifiquei. Makoto explicou toda a situação e ela ouvia atentamente. Após isso, falou:

–Sim, Makoto. Preciso levar a paciente para esta sala ao lado. Vou precisar de umas amostras para uns exames e determinar o que ela vai tomar. Pode aguardar aqui?

–Sim, claro!

A Sra. Saho me levou até a sala do lado e fechou a porta. No instante em que a trancou, perguntou:

– Qual seu primeiro nome?

– Kazuko. E o seu?

– É Rin. Você é uma “escrava velha”, quantos anos tem?

– Tenho 17.

– Falta pouco para fazer 18?

– Sim. Uns meses.

– Que azar! - disse fazendo uma cara triste – Tire a roupa, coloque o avental e deite-se. E não se preocupe, não temos nada de diferente.

Troquei-me atrás da cortina que havia na sala. Peguei um dos aventais pendurados. E continuamos a conversa:

– Como?

– Eu era escrava também. Fui escolhida novinha, com sua idade fui liberta. Aí terminei meus estudos e aqui estou.

Sai e ela fez um gesto para eu me dirigir a maca

– Eu só terminei o médio. - disse me deitando

– Muitas na sua idade são libertas e nem estudam mais. Ter concluído o médio já é muito. Com licença! - disse abrindo o avental

Ela olhou e apalpou meus seios para ver se havia algum caroço. Depois, se dirigiu a parte de baixo da maca para o outro exame. E indagou:

– Você era virgem?

– Sim.

– Isso vai incomodar um pouco. Relaxe o máximo que puder. – e então eu tive uma sensação esquisita, com um aparelho estranho e até gelado, ela olhou lá e depois coletou o meu líquido interno.

– Vai querer fazer algum exame de doença?

– Esse aqui é seu exame preventivo. O de doença, farei por rotina. Pode ser que ele tenha algo.

E rimos! Rin prosseguiu:

– Parece que ele te trata bem.

– Por quê?

– Te chama pelo nome e não de escrava. Ele me apresentou como se fosse esposa dele.

– Isso é engraçado até. Sempre ouvi histórias de amigas.

– Pode ser, Kazuko, que tirou um azar sortudo. Um dia vai entender. Bem... Acabamos. Vista-se e vamos falar com seu dono.

– Tudo bem!

Vesti-me e saímos. Rin explicou tudo detalhadamente a Makoto e disse que era para retornarmos na semana seguinte, após a chegada dos resultados dos exames. Saímos do consultório e descemos até o térreo, pois o carro estava estacionado bem em frente.

No térreo do prédio havia umas lojas, inclusive uma sorveteria. Estava quente, deve ter sido por isso que Makoto foi lá.”

Pois é, Kazuko tinha razão. Naquele dia estava muito quente, precisava de algo gelado.

Estava tão distraído lendo que ao sentir uma mão em meu ombro cheguei a pular, com o susto que levei. Conhecia aquela mão, era minha esposa, que disse:

– Nossa, Makoto! Calma!

– Desculpe! Você me assustou.

– Hum... Quer dizer que faz algo errado. O que está lendo?

Fiquei encabulado e respondi, timidamente, enquanto Kazuko se esticou para ver:

– Bem, eu o encontrei tem uns dias em cima da escrivaninha. Comecei a ler, perdoe-me! Sei que isto é pessoal seu. Se quiser, paro agora mesmo.

– Meu diário é? Makoto, seu malvado.

Ela foi ao lado da escrivaninha e olhou para mim. Como estava com vergonha! Sem pensar, fechei o diário e estendi para ela.

– Pode guardar. Você não quer que eu leia mais.

Kazuko me olhou sorrindo e falou:

– Querido, pode continuar lendo. Não tenho nada a esconder de você.

Isso me confortou. Respondi sorrindo para ela também. E foi cuidar de Takumi, era hora de comer. Confesso que sinto inveja dele por ter os seios dela quando está com fome. Olhei para eles, me acomodei e continuei a ler.

“Ele pediu um sorvete de chocolate e virou para mim e perguntou qual sabor eu queria. Respondi: Morango. Após pegarmos os sorvetes, fomos ao carro.

Passamos parte da viagem quietos. Makoto devorou o seu sorvete e eu fiquei comendo o meu devagar. De vez em quando, ele me olhava e em certo momento me pegou mordendo o sorvete, como disse que faço. Ele me perguntou:

– Por que morde o sorvete?”

Aí vem a explicação que eu não entendi para uma coisa que não entendo até hoje.

Se é que isso tem uma explicação sensata!

“– Eu gosto de sentir o gelado por entre meus dentes. Gosto do sorvete derretendo entre eles.

– Está bem. Cada louco com sua mania.

O silêncio se fez novamente. Mas então, Makoto me perguntou outra coisa:

– O que faz no seu quarto durante o dia todo?

– Bem, eu fico deitada cantando. Olho a paisagem. Algumas outras coisas.

– Você não fica entediada, Kazuko? Seja sincera.

– Eu fico!

– Se fosse mais nova, poderia comprar brinquedos para você. Mas sei que você já tem mais estudo e nem é tão criança mais.

– O que quer dizer com isso?

– Quero dizer que vou te dar mais liberdade. Pode andar pela casa durante o dia. Assistir alguma coisa. Ler um livro na biblioteca.

– Biblioteca?! - disse eu, com certeza meus olhos brilharam.

– É! E é grande. Acho que vai gostar. E continuará cumprindo as outras regras.

– Sim, Makoto!

O resto da viagem continuou como antes, quieta.

Ao chegarmos, eu e Makoto, jantamos. Depois tomei um banho e fui ao quarto com ele.”

Depois de terminar, olhei para Kazuko, que sorriu para mim. Fechei o diário e fui para a cama com ela e meu filho.