O Diário da Escrava Amada

Anelise Vaz · Capítulo 36 de 56

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O Diário da Escrava Amada

Capítulo 40 · Rompimento

 

Despertei com o sol já incomodando. Olhei para o lado e Kazuko ainda dormia. Resolvi ir à cozinha para preparar o café da amanhã. Talvez demorasse para ela acordar, então decidi que leria mais um trecho do diário após terminar de pôr a mesa.

O “capítulo” em questão era exatamente o do dia seguinte e também quando tudo mudou... De novo.

“Querido diário,

O dia de hoje está terminando bem mais leve. Sabe quando você arranca e se livra de algo que te fazia mal? Pois é!

Só que contarei na ordem que aconteceu.

Acordei como todos os outros dias e fui à sala para comer. Cumprimentei Makoto, já que só havia ele lá. Fui na cozinha para falar com Keiko.

– Ficou tudo bem ontem? – ela perguntou

– Sim. Só serei punida, é claro.

– Nada além do normal. Menos mal assim!

Retornei a sala e Kana estava lá, que soltou:

– Ora, ora! Bom dia, esquentada. Está mais calma?

Ela já acordou para tentar acabar com meu dia. Haja veneno para uma pessoa só. Respondi:

– Sim. Só raiva passageira.

– Alias, adorei o seu showzinho ontem. Gostou de se sentir importante?

Caralho, que filha da puta! Eu respirei fundo para não voar no pescoço dela em plena sete da manhã. Mas é claro que não ia deixar barato. Se me atacar, eu vou atacar.

– Gostei sim. Ainda mais da sua cara quando te mandei parar de mexer nas minhas coisas.

Ela bufou por dentro. Percebi por conta das narinas inflarem.

– Vocês se satisfazem com tão pouco. – ela retrucou – Está se sentindo toda por ter tirado uma careta minha. Que forma mais ridícula de tentar me rebaixar!

– Como você faz o tempo todo comigo e com a Keiko.

– Ainda quer colocar a empregada na discussão? Apenas coloco vocês no seu devido lugar. – o tom de voz aumentou – A empregada e a escrava: é só isso que vocês são. E nunca serão nada melhor! Porque são duas pobres e fodidas!

Foi uma agressividade enorme, ao ponto de eu me sentir mal, enjoada e até com vontade de chorar. Não é agradável receber algo de forma tão gratuita assim. Ela fez uma careta, esperando uma réplica, só consegui dizer, me levantando:

– Com licença, vou pro meu quarto. Eu perdi a fome! – e olhei para Makoto, que só assistiu àquela cena”

Não fui capaz de ter uma reação sequer durante aquilo. Não esperava vê-las brigar assim na minha frente. E a cena me serviu para confirmar algo que me incomodava já tinha um tempo: Se devia ou não continuar meu namoro com Kana.

Já havia um tempo que não estava mais tão feliz assim. Sentia-me esquisito perto dela, ainda mais quando notava que ela fazia as mesmas coisas que sempre fez. Sem contar o fato de humilhar tanto a Keiko quanto a Kazuko.

Cheguei até a conversar com meu pai sobre o assunto e ele só me disse para eu pensar melhor e com cuidado para decidir o que fosse melhor para mim.

E a decisão se tornou clara naquele momento.

– Kana, a gente precisa conversar.

– Fale, querido.

– Quero terminar.

– Como é? Está louco, Makoto?

– Não. Tenho pensado muito nisso por um bom tempo. Não deu certo antes e não está dando agora. Não para mim!

– Não me diga que é por causa dela.

– E se for? Qual o problema?

– A coisa é de família então. – ela sussurrou, levantando e indo em direção ao quarto

– O que disse? – eu a segui

– Quer saber? Você é igual o seu pai! Um apaixonado por escravas.

– Não abra essa boca para falar da minha família. Minhas três madrastas são bem melhores do que você. Até a Kazuko é. A Keiko é. Você, Kana, é só uma pessoa fútil e preconceituosa. Não sei por que te dei uma segunda chance. Não mudou nada. – gritei com toda a minha energia

– Achei que pudesse erradicar essa sua “bondade”, mas a doença é incurável.

– A sua também! Pegue suas coisas e vá embora. Não quero te ver nunca mais!

– E enfia essa porra de anel no seu cu, Makoto. – e saiu batendo a porta da sala, jogando o anel em mim, só não caiu no chão porque segurei

Sentei-me no sofá e senti meu corpo quente e meu coração acelerado. Observava o anel em minha mão. Keiko me trouxe um copo de água.

– Obrigado, Keiko. E me desculpe por tê-la feito escutar tudo.

– Teve alguém que ouviu bem melhor do que eu.

“Mal entrei no quarto e ouvi gritos vindos do corredor. Makoto e Kana pareciam estar numa discussão daquelas. Eu não consegui entender nada. Da mesma forma que o barulho surgiu, ele sumiu. Fiquei aflita e receosa de sair dali. Então, a maçaneta virou e ele quem entrou, com a gravata afrouxada.

– Não vai trabalhar? – indaguei

– Daqui a pouco. Vim falar primeiro com você.

– E a Kana? Não reclamou?

– Podemos esquecê-la?

– Como assim? – fiz careta

– O que é passado deve ficar no passado. Acabei de terminar com ela.

– Até que enfim. – desabafei

– É verdade! – sorriu e olhou para o lado, vendo algo que deixei na mesa de cabeceira na noite anterior – O que é isso?

– Um vibrador, Makoto. – estava quase me escondendo

– Eu sei. Mas onde conseguiu?

– A Rin me deu de presente no ano passado.

– Então quer dizer que a senhorita está tendo prazer sem mim? – ironizou

Ao completar a fala, ele tirou a gravata e usou-a para amarrar minhas mãos na cama.

– Ei, Makoto, o que está fazendo?

– Eu vou te dar uma lição!

Ele me perguntou como se limpava aquilo. Respondi que simplesmente com água e sabão. E ele foi ao banheiro para tal.

Pensei: Ele vai mesmo usar isso em mim? A resposta foi sim.

Makoto tirou a minha calcinha e me mandou manter as pernas abertas. E sem problema algum, ele soube ligar e começou a usar o vibrador em mim. Estimulou um pouco a área externa, antes de colocar dentro.

Não era tão diferente de quando eu mesma uso, porém só por Makoto estar fazendo já me deixava gemendo e muito. Minhas pernas não paravam quietas e eu não queria que acabasse, tinha meses que eu não recordava dessa sensação. Parecia que a qualquer momento minha alma ia sair do meu corpo. Cada segundo ficava mais em êxtase. Houve um momento que senti um calor subir pela espinha, meu corpo se contorcer e depois veio um relaxamento completo. Makoto riu na sequência e eu nem liguei, até que ele retirou o vibrador de mim, colocou no criado-mudo e tirou suas roupas.

– Você me deixou numa situação tensa aqui. Não posso ir trabalhar nesse estado.

Sorri para ele enquanto subia na cama e depois me beijou. E sem enrolação nenhuma penetrou e começou o movimento de vai e vem. E eu mal tinha me recuperado do vibrador, então gemia talvez mais que antes. Contudo, senti algo me incomodar em meus pulsos.

– Makoto, será que pode me desamarrar?

Imediatamente ele esticou o braço e desfez o laço. Agora livre, abracei-o, deixando nossos corpos ainda mais próximos. Não demorou muito para ele gozar.

Jogando-se do outro lado da cama, Makoto respirou e disse:

– Droga, vou precisar de um banho.

Se virou para mim e já respondi, pois sabia o que ele ia perguntar.

– Sim. Ainda estou tomando o remédio. Não se preocupe.

– Tudo bem. Só não era isso que ia falar. É que tem tanto tempo que não me sinto satisfeito assim... E tão bem!

– Você tirou um peso.

– Verdade!

– Desculpa perguntar esse tipo de coisa, mas era mesmo tão ruim assim?

– No começo até era bom, mas como tempo foi ficando mais entediante e repetitivo.

– Entendi. Lamento por isso.

– Não precisa. Eu que me enfiei nessa merda e eu mesmo sai. – ele levantou – Vem comigo?

Assenti e logo estávamos embaixo do chuveiro. Ele se banhou depressa ou se atrasaria. Despediu-se de mim dando-me um beijo na testa.

Fazia meses que me sinto bem assim. E estou animada de novo para Makoto chegar em casa. Até a Keiko notou.

Falando nela, vou ajuda-la a terminar o jantar.

Até!”

- Bom dia, Makoto. – ela falou me abraçando por trás – Sempre lendo o diário. Não vejo a hor de acabar.

- Já te disse que parece aquele tipo de livro impossível de parar de ler. Mesmo que eu já saiba a história.

Ela sorriu e completou:

- Vamos comer. Eu e Takumi estamos com fome!