O Diário da Escrava Amada

Anelise Vaz · Capítulo 54 de 56

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O Diário da Escrava Amada

Capítulo 58 · Comprometidos

 

 

Hoje é sexta-feira e acho que já neste final de semana, eu termino a leitura do diário. Restam, com a que lerei hoje, apenas três passagens. De quando e o porquê elas foram escritas que terei que descobrir.

Terminei umas coisas do trabalho depois que cheguei em casa. Pois é, também odeio levar serviço para casa, mas eram coisas simples e rápidas. Logo que terminei, peguei o diário e comecei a leitura.

“Mais uma vez me sinto com vontade de escrever aqui.

Alguns meses se passaram desde a última vez, ainda estou com Makoto e nosso bebê cresce dentro de mim. Os últimos meses foram repletos de alegria, visitas a médicos, compras e planejamento.

Makoto está me dando além do que preciso. Ele ajuda com a dieta, para que o bebê tenha os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. Vai as consultas comigo e pergunta tanto quanto eu. E, em alguns momentos, até me dá uns leves esporros por tem horas em que até esqueço da minha barriga. Ele já está cumprindo bem seu papel de pai.

Uma coisa chata que tem acontecido, é claro, os comentários dos vizinhos. Todo mundo aqui já sabe que estou “grávida de um rico” e me chamam de tudo que eu possa ou não imaginar. E, apesar de tudo entre mim e Makoto, algumas inseguranças ainda me contaminam. Talvez por culpa dos conselhos de parentes, que dizem:

– Melhor tomar cuidado. Ele pode tomar o bebê quando nascer.

– Ele está com você só por causa deste bebê. E se você perder ele?

Eu tento apenas ignorar e passar por cima disso, mas lá no fundo, eles me afetam e me afligem, reforçando meus medos. Nem toquei neste assunto com Makoto, não queria preocupá-lo com essas, digamos, besteiras. Eu confio nele, mas sempre há a pulga atrás da orelha.

Minha mãe me ajuda tanto Makoto. São os olhos dele quando ele não está aqui. Ela quem me mantém certa na dieta, fazendo a comida.

Makoto e eu não tínhamos pensado ainda em como faríamos quando o bebê nascesse. Só levamos um dia de cada vez.

Por que disse isso no passado? É que, antes de ontem, tomamos um grande susto.

Makoto veio dormir aqui em casa comigo, como passou a fazer depois que engravidei. Durante a noite, senti um incômodo e me mexia na cama e nada fazia passar. Levantei para ir ao banheiro e vi sangue saindo. Eu já tinha passado por aquilo antes e me desesperei e logo comecei a chorar.

Deixei a porta do quarto aberta, pois a do banheiro é logo em frente. Logo Makoto veio ver o que estava acontecendo.”

Eu senti a falta dela na cama. Abri os olhos e vi a luz que vinha de fora. Tinham umas manchas no caminho, pelo que deu para perceber. Prestei atenção e pude ouvir o choro baixo dela. Senti que havia algo errado e fui lá verificar.

“– O que houve? – ele arregalou os olhos quando viu o sangue, não era tanto, mas o suficiente para nos alarmar

– Makoto... – foi só o que conseguir dizer

– Calma, Kazuko! – ele se abaixou para me olhar – Troca de roupa que iremos ao hospital agora mesmo. Eu vou avisar sua mãe.

Assenti e voltei ao quarto. Minha mãe se prontificou a ir conosco.

Entramos no carro e por ser madrugada não demoramos muito a chegar. Passei rápido pela triagem e por estar com um dos maiores níveis de emergência, logo me consultaram. O médico de plantão passou aquele gel gelado na minha barriga e começou com algumas perguntas: o que aconteceu, de quantas semanas estava.

Eu, Makoto e minha mãe estávamos aflitos. Conseguíamos ver perfeitamente o bebê, mas não fazíamos ideia de como estava, até que finalmente o médico ouviu o coração, que batia forte. Nos três respiramos e sorrimos aliviados. Então, o médico concluiu:

– Está tudo bem. A placenta só saiu um pouco do lugar e com isso é normal sangrar, mas fez bem em vir. Vamos te manter internada em observação até amanhã, por precaução.

– Obrigada! – sorri

– Outra coisa: Vocês querem saber o sexo? – perguntou o plantonista

– Dá para ver? – Makoto se empolgou

– Sim.

– Menino ou menina? – minha mãe dessa vez

– É um menino, com o coração bem forte.

E nós três gritamos de alegria e nos abraçamos. Agradecemos ao médico novamente, que sorriu comovido com nossa felicidade. Não demorou muito para eu ser levada até o quarto.

Eu fiquei sozinha um tempo, matutando meus pensamentos, sentindo todos os comentários escutados reverberarem no meu ser. Permiti-me chorar! Até que Makoto entrou e eu depressa tentei secar as lágrimas para esconder o que fazia. Ele me chamou:

– Kazuko... – se aproximou e sentou na poltrona ao lado da cama – Eu queria falar uma coisa importante com você.”

Saiko acabou me contando sobre todas as coisas que os vizinhos comentavam e sobre como ela via, nitidamente, que aquilo afetava a filha. Afirmando também que as coisas do jeito que estavam aumentavam o medo que ela tinha que eu levasse o bebê, porque até isso enfiaram na cabeça dela.

– Eu jamais faria isso. Você sabe, Saiko!

– Sei bem, Makoto. Mas o futuro de vocês está meio indefinido, especialmente com uma responsabilidade dessas. – Ia falar, porém ela prosseguiu – Sei também que estão juntos nisso, só acho que... Podem dar o próximo passo!

Peguei a aliança que estava carregando naqueles últimos dias, a mesma do dia do “casamento de mentira”.

– Só queria escolher o momento certo para isso. Só não o encontro!

– Uma boa hora é justamente agora! – e sorriu – Vai lá!

“– E o que seria?

– É um pedido. – ele olhou para sua mão e eu vi o anel que já conhecia – Têm dias que procuro a hora perfeita e ensaio isso, só me faltava a coragem para lhe perguntar. – estendeu o braço e mostrando o anel – Você quer se casar comigo, Kazuko?

Eu sorri e ri depois, olhando para ele. Quanto tempo não esperei para ouvi-lo perguntar isso?

– É claro que sim, Makoto.

Então ele colocou o anel no dedo anelar da minha mão direita.

– Desculpe, não tive tempo de comprar uma diferente.

– Tudo bem, eu gosto dessa.

E nos beijamos e justo nessa hora o bebê resolveu se mexer, pela primeira vez. Sorri novamente e puxei a mão de Makoto e pus em cima da barriga.

– Olha só quem finalmente resolveu se mexer.

Os olhos dele se iluminaram, ele fez carinho e conversou um pouco com o bebê. Depois, me indagou:

– Talvez seja cedo, mas tem alguma ideia de nome?

– Na verdade, já escolhi.

– E nem me pediu opinião.

– Já tivemos essa conversa, Makoto. O nome do próximo seria Takumi, então este é o Takumi – pus minha mão sob a dele

Ele sorriu sem mostrar os dentes e deixou uma lágrima cair.

– Você se lembra disso?

– Claro! Tem como esquecer?

Assim, a minha mãe entrou no quarto e quis saber das novidades. Ou seja, ela sabia do pedido do Makoto.

– Eu aceitei.

Só faltou ela dançar de alegria.

– E tem outra: decidimos o nome do bebê. – Makoto disse

– Rápido assim? E qual é?

– Takumi. – respondi

– Que nome mais lindo. Boa escolha!

Fiquei em observação até hoje e como não aconteceu mais nada, recebi alta. Makoto ficou de folga ontem e só me trouxe em casa, tomou banho e saiu para o trabalho hoje.

Eu ainda estou sem acreditar que vamos nos casar.

Bem, até qualquer dia.”

Eis que Kazuko apareceu, carregando Takumi.

– Hora do jantar, amor. – e riu – Ainda bem que o diário está acabando, assim volta a me dar atenção.

– Estou dando atenção ao seu eu do passado, oras.

– Não seja ridículo. Venha logo!

Capítulo 59

Casamento

 

Passei o resto da noite com Kazuko e Takumi, ficamos brincando e bem, o garoto já está praticamente correndo, então eu e Kazuko apagamos assim que ele dormiu.

Acordei tarde para meu horário habitual de sábado e claro, além da fome, veio a vontade de prosseguir com a leitura do diário. Como deixara no meu escritório, peguei e coloquei na mesa de centro da sala. A barriga tava roncando e tive que atender logo ao chamado dela.

Enquanto preparava o café da manhã na cozinha, Kazuko apareceu.

– Bom dia, amor. – me deu um beijo – Precisa de ajuda?

– Não! Tô acabando já. Pode arrumar a mesa para comermos.

– Claro. – sorriu

Cinco minutos depois, estávamos sentados juntos comendo. Ela me perguntou:

– E o diário? Tá terminando?

– Sim! Só tem mais dois dias que você escreveu.

– A penúltima é sobre nosso casamento.

– E a última?

– Obviamente, quando Takumi nasceu. Ou melhor, uns meses depois.

– Que ansiedade para ir ler logo.

– Não sei qual a graça de ler sobre algo que já sabe como vai acabar.

– A questão aqui é que estou vendo sob outro ponto de vista. Eu não tinha ideia de metade das coisas que pensava.

– E comigo era a mesma coisa em relação a você. Mas, você não fez um diário para eu saber o seu lado. E bem, nem comentou muito dele.

– Estava preso na leitura, quando terminar, escolho algumas partes para a gente discutir.

– Pode deixar. – ela riu e depois de uma breve pausa, completou – Vai lá logo, eu sei que quer. Eu arrumo aqui.

Sorri. Acho engraçado algumas vezes a maneira que a gente se entende. Não é muito convencional aos olhos de fora, suponho.

Num pulo levantei e com outro me sentei no sofá e peguei o caderno. Passei todas as folhas que lera até então e secretamente senti uma vontade de começar do início. Quão irônico é você não querer chegar ao final de uma etapa da sua vida, mesmo que recontada? Nostalgia é uma praga! É o que sinto, todas as vezes que leio as páginas deixadas pela Kazuko do passado. Parei onde seria o trecho do dia, ou melhor, de agora. Com certeza termino na hora de dormir.

“Mais um salto no tempo e eu volto aqui. Acho que deve ser porque encontro este diário entre minhas coisas e lembro do hábito que tive de escrever nele todo santo dia praticamente. Secretamente ou até no fundo mais profundo – com o perdão do pleonasmo – devo sentir falta de preencher as páginas, não das muitas vezes que estava mal ou aos prantos com a caneta na mão. Acho que, como uma promessa a minha mesma, eu vou completar as páginas.

Deve ter pouco mais de um mês desde a última vez que recordei de contar algo aqui. Minha barriga está um pouco maior e Takumi – sim, ficou mesmo este nome – se desenvolve bem. Atualmente as madrastas de Makoto estão organizando um chá de bebê. Só não correram tanto porque teve um casamento. Sim, eu e Makoto finalmente nos casamos. Admito que achei que este dia nunca chegaria. Fizemos uma coisa bem simples, porque queriamos antes do bebê nascer.

Toda a família ajudou nos preparativos. Minha mãe com o vestido, que tinha que acomodar esta barriga. Koishiro cedeu a casa dele para realizarmos a cerimônia e a recepção. Encomendamos um buffet, bolo, flores, pagamos juiz de paz e tudo mais.

Foi um dos melhores dias da minha vida! Era felicidade e ansiedade juntas! Mamãe me ajudou a me arrumar, a fazer um penteado e a me maquiar. A gente não parava de sorrir de alegria e várias vezes tivemos que segurar o choro, senão era adeus maquiagem.

Não chamamos muitas pessoas, além de nossas famílias, também Rin, Namie, Shoko, Keiko, Daisuke, Mio, Daiki, Aiko. Não devia ter nem cinquenta pessoas.

E claro, todas elas estavam me esperando lá fora, eu estava me tremendo toda. Ainda bem que minha mãe entrou comigo ou eu ia ter o primeiro desmaio da gravidez. E não acho que aquela ansiedade faça bem para o bebê. Respirei fundo e sai. De braço dado com minha mãe, fomos até o jardim do lado de fora. Lá estavam as cadeiras enfileiradas, fazendo um corredor no meio. Makoto me esperava no final, com um arco florido de fundo e o juiz de paz. Não teve música, fiz a caminhada ao altar ao som dos comentários, sorrisos e até lágrimas dos convidados. A Sra. Saiko – mais conhecida como mamãe – fez a simbólica entrega da noiva ao noivo e sentou numa das cadeiras vagas na primeira fila. Makoto sorriu e pegou na minha mão e a cerimônia começou:

– A todos aqui presentes, vamos unir em casamento Miyasaki Makoto e Hirasawa Kazuko.

O juiz discursou um pouco sobre a importância do casamento e foi logo para o bendito sim e claro que nós o dissemos. Depois assinamos os papéis e depois o famoso beijo, acompanhados dos aplausos de todos. E bem, a festa então começara.

As mesas para os convidados estavam do lado oposto da área externa da casa. Fomos todos para lá e nós mesmos nos servimos.

Eu mal tinha falado com Makoto, ele veio direito do trabalho (e junto com o chefe praticamente) e só o vi no altar. Como se fosse possível que a gente conversasse, cada hora um convidado diferente nos arrastava para outro lado distante. Tudo isso para nos felicitar e obviamente, da minha parte de convidados fui obrigada a escutar abrobrinhas:

– Nossa, prima, quem diria que você ia conquistar um cara rico assim. Conta o seu segredo?

– Segredo? – bufei – Não tem nenhum.

– Deixa de ser misteriosa. Conta logo!

– Talvez ser você mesma, prima.

– E para estar esperando um filho dele? Pelo que me lembro, ele te libertou.

– Cometi a loucura de ir a uma noite na dele, só isso.

– Quem diria. Logo você, Kazuko.”

Eu ouvi menos gracinhas, até porque escolhi as pessoas a dedo. Recordo-me da Yoko, esposa do meu chefe, falando que achava esquisito eu estar agora casado com a minha ex-escrava, mas ela aceitava.

Isso nada mais é, ao meu ver, do que preconceito velado. E tanto eu como Kazuko odíamos isso.

“– Não entendi. – cruzei os braços

– Você que era toda “anti-ricos” e casa com um.

– Para sua informação, as pessoas podem mudar de opinião e o Makoto é diferente do que se costuma ver dos ricos.

Nem quis ouvir a resposta, só sai, respirando fundo. Por que eu respondo essas perguntas imbecis? Haja paciência.

E por sorte, era hora dos brindes, ou seja, eu poderia ficar um pouco sentada em paz e do lado de Makoto. Quem abriu os brindes foi Koishiro. Até aquela altura, já havia escurecido e as luzes do quintal iluminavam a festa.

– Bem, boa noite, convidados. Estamos aqui hoje para celebrar a união deste casal que é fora dos padrões da nossa sociedade, mas não tão fora dos padrões, assim digamos, nesta família. – e todos riram, ele continuou – Eu me lembro bem do dia que recomendei a meu filho comprar uma escrava. Só para dar uma relaxada, já que só se preocupava com o trabalho. Eu já disse para a Kazuko e digo a vocês agora: acho que foi o melhor conselho que dei a ele. Modéstia a parte, é claro. – mais risos – Nunca sequer imaginei que fosse ser alguém como a Kazuko. Eu sei que você sofreu muito, mas de alguma forma, também trouxe alegria de volta ao meu filho. Você já faz parte da família e agora é mãe do meu neto. Eu não poderia estar mais feliz por vocês. Aos noivos!

Todos brindaram e foi a vez da minha mãe.

– Bem, boa noite. Eu não sou lá tão boa com discursos, mas vamos tentar. Eu passei pela dificuldade de ter que criar uma criança sozinha. Antes até tinha a minha mãe, porém, quando ela faleceu, ficamos apenas nós duas. Tive medo de minha filha ter o mesmo destino que eu e acabar virando escrava. Meu medo foi sendo adiado e adiado, até que, numa das tantas noites em que ela foi para o centro de escravos, chegou chorando e dizendo: “Eu fui comprada, mãe. Com 17 anos e fui comprada.” Chorei junto dela, não sabíamos o que ia acontecer. No dia seguinte, ela foi para a casa do dono e eu me vi sem chão. A única coisa que sempre protegi e houve o momento em que me tornei incapaz e a perdi. – pausa por conta do choro – Achei que fosse assim por um tempo. Só que uns meses depois, minha filha me ligava, vinha me visitar. Ela só estava morando em outra casa! Mesmo com todo mundo me falando: “Ele é um dono estranho. Nunca vi isso.” Eu não estranhei. Não quando ele quis fazer uma festa surpresa para ele. Eu percebi ai que pode ter sido a melhor coisa que aconteceu com ela. Mesmo que de uma forma esquisita. – e riu – Agora eles estão aqui, se casando e eu sou a vovó boba com o futuro netinho. Um brinde a nova família!

Alguns brindes na sequência, até que finalmente cortamos o bolo e todos começaram a ir embora. Eu e Makoto iríamos para um hotel passar a noite e de manhã seguiríamos viagem para outro país.

Assim que chegamos no quarto, finalmente pudemos conversar a sós e com calma.

– Enfim casados. – soltei

– E sozinhos. – ele completou se jogando na cama

Ficou um segundo de silêncio e eu disse:

– Makoto, sei que é nossa noite de núpcias, mas será que a gente pode só dormir? Estou cansada.

– Claro! – ele riu – Acho que não tem problema. Já fizemos o que se espera tantas vezes. Alias, agora a gente tem todo tempo do mundo para isso. – bocejou – E eu trabalhei o dia todo também.

– Só me ajuda a tirar o vestido.

Ele se levantou e desfez o laço do vestido. Era bem folgado e confortável, eu só estava querendo tirar mesmo. Ajudou-me a puxar por cima e jogou em algum canto.

Makoto já me vira várias vezes sem roupa, mas não quando grávida. Não estou lá tão bem com meu corpo assim. Corri e peguei logo um roupão assim que vi que ele me olhava.

– Ei, Kazuko, pode ficar assim, não precisa vestir nada.

– Não me sinto confortável assim!

– Por quê? Sempre te vi pelada, só que sem a barriga. – sorriu e se aproximou

– Não é isso. É que...

– Tudo bem. Não precisa explicar. Mas sabe, é a primeira vez que vejo assim, pelo menos com nosso filho aqui. – passou a mão na minha barriga – E está ainda mais linda do que antes e tenho certeza que ficará ainda mais depois.

Sei que ele falou só para me animar e foi fofo, admito. Ele me deu um beijo depois disso. Tomamos banho – separados – e fomos dormir.

De manhã, fomos ao aeroporto para pegar nosso voo. Eu estava meio apreensiva, pois nunca viajei de avião. Makoto viajou dessa forma algumas vezes e ele me tranquilizou, dizendo ser seguro. Só o medo deixa-nos sem ação até encararmos a situação em si. Quase sujamos a calça, mas a gente supera. Admito que a maior parte é realmente sem problema, só que o pouso e a decolagem, só lembrar do solavanco já tremo.

Foi muito diferente e interessante visitar outro país e ver os costumes e as pessoas de lá, todos são acolhedores. Lembro também de ter passado muito calor, não dava para ficar sem ar-condicionado para dormir.

Eu e Makoto aproveitamos muito. Uma pena que durou poucos dias, podia ficar fácil um mês.

Agora estou aqui no meu quarto – e de Makoto também – arrumando as minhas coisas agora que me mudei para cá. Foi assim que encontrei o diário e vim escrever.

Até quando encontrá-lo novamente.”

Confesso que fiquei com vontade de pular para a leitura da última anotação de uma vez, mas Takumi se aproximou e bateu na minha perna, me olhando e pedindo atenção. Eu não tenho como recusar algo para alguém com essa carinha para mim. Quem sabe quando crescer mais um pouco mais, ai aprendo a lhe dizer um não. Mas, uma brincadeira a gente não recusa.

Deixei o diário na mesa de centro e fui brincar com Takumi.