O Diário da Escrava Amada

Anelise Vaz · Capítulo 35 de 56

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O Diário da Escrava Amada

Capítulo 39 · Regras e promessas quebradas

 

Semanas e mais semanas se passaram, tanto no diário quanto para vida real.

Hoje é um sábado e acabei de voltar do chá de bebê do meu terceiro irmão, ou melhor, da minha irmãzinha. Esta foi a novidade contada no evento. Ainda bem que o presente que demos foi totalmente agênero.

Era final de noite e mesmo cansado queria ler o diário. Kazuko foi com Takumi para tomarem banho e depois dormir. Eu fiquei na sala.

Nas leituras anteriores, lembrei do meu 23º aniversário, que teve de interessante só meu almoço com Kazuko, onde até cantar parabéns para mim cantou. A festa em si foi bem ruim.

E o trecho ao qual cheguei hoje foi o 19º aniversário dela. O mês de punição já terminara havia umas semanas. Então, ela tinha voltado a sair.

“Ai diário,

Se no ano passado tive o melhor aniversário da minha vida, neste ano foi o pior.

Não tenho do que reclamar do dia que passei na casa de minha mãe. Foi uma festa com tudo de melhor que recordava minha infância. Com toda a família. E para aproveitar ao máximo, sai pouco após o café. E claro, Makoto e Kana me perguntaram:

– Aonde vai tão cedo? – ela, venenosa

– Vou à casa de minha mãe. E só voltarei no final da tarde.

– Por que vai lá? – ele dessa vez

– É uma data especial.

Ele só assentiu. Eu estava meio chateada por ele não ter lembrado.

– Divirta-se com a sua gente. – soltou Kana

Não respondi. Ia sair, mas Keiko me chamou, deu-me um pequeno presente e me abraçou:

– Feliz aniversário, Kazuko. Espero que aproveite seu dia. – continuou, segurando meus ombros – Se não for incômodo, posso fazer um bolo para você?

– Pode! De chocolate.

Despedi-me dela e sai.

Peguei o transporte público e o trânsito estava tranquilo e logo cheguei.

– Filha, que bom que está aqui! – me apertou num abraço – Parabéns! Tudo de bom para você. Que seus sonhos se realizem.

– Obrigada, mãe. – sorri

– E como vão as coisas por lá?

– Na mesma. E bem, só a Keiko lembrou e me presentou. Nem abri ainda.

– Então foi até bom ter vindo para cá. Agora me ajude a terminar de arrumar.

O resto da manhã passei apenas com minha mãe. No início da tarde, os convidados começaram a aparecer. Foi um almoço e eu matei a saudade que estava da comida dela. Até Rin e Namie foram.

Comemos e depois todos resolveram perguntar sobre como estava minha vida de escrava, já que era a única pessoa que contava as experiências em tempo real. E claro, queriam saber onde estava meu “dono dos sonhos”.

– Trabalhando provavelmente. – respondi – E mais tarde estará com a namorada.

– Quê? Namorada? – gritaram todos, exceto mamãe, Rin e Namie

– Sim. Tem pouco mais de seis meses. Podemos não falar sobre ela? Não nos damos muito bem. – vi Rin fazer uma careta – E bem, acabamos até brigando.

– Brigar como, filha? – indagou minha mãe

– Fisicamente. Na verdade, eu apanhei mais do que qualquer outra coisa.

Apesar das facetas chocadas, acho que foi a coisa mais normal que me ocorreu nesta vida de escrava até então.

No final da tarde, cantamos parabéns, soprei as velas e cortamos o bolo. Estava perto da hora de partir, era próxima da hora do sol se pôr. Auxiliei minha mãe a organizar e limpar tudo. Peguei carona com Rin e Namie. Mas, não contava com uma coisa: engarrafamento. Era dia de semana e horário de pico. Uma viagem que levaria normalmente meia hora, estava durando um hora a mais.

– Será que o Makoto não reclamará de seu atraso? – Rin questionou

– Não! Acho que ele vai me dar um desconto por ser hoje.

– Melhor ligar para lá de qualquer forma. – Namie opinou

– Tem razão. Farei isso.

Peguei meu celular e liguei para a casa de Makoto, Keiko atendeu e disse que informaria imediatamente assim que ele chegasse.”

Ela só não contava com a Kana. Keiko tentou falar comigo assim que entrei, porém Kana interrompeu três vezes mandando trazer o jantar. Acabou que ela ficou ocupada depois disso, só pode falar quando eu mesmo perguntei, respondendo:

– Ela ligou, disse estar presa do trânsito, mas está de carona com a Rin.

Apenas assenti e Kana esbravejou:

– Isso é um absurdo! Ela claramente descumpriu a regra. Vai ver quando chegar

– Pelo menos ela avisou, Kana. – argumentei

– Pare de ser conivente com o que ela faz. Eu disse que um dia ela ia abusar. Olha só!

“Cheguei uma hora depois. Agradeci a carona e subi. Entrei e Kana me recebeu do pior jeito possível:

– Onde estava até essa hora, escrava? E ainda foi fazer compras. – pegou minha bolsa com os presentes e começou a tirar item por item – E que mal gosto, hein.

Parecia em câmera lenta. Uma puxada, uma cara de reprovação. O pior era Makoto assistindo a tudo e mastigando. Imagina o misto de tristeza e ódio que eu fiquei. Meu corpo e o fundo dos olhos arderam. Fechei-os e respirei forte. Não queria que aquilo continuasse a acontecer.

Tomei a bolsa dela e, antes de recolher os objetos que foram jogados no chão, falei com a voz mais fria que saiu de mim:

– Com licença, Kana, estes são meus presentes de aniversário e não quero me mexa neles.

Numa outra situação ela retrucaria, mas acho que ela ficou em choque com a frieza de minha fala. Dirigi-me a Makoto e peguei um pedaço de bolo e uns doces que levei para ele. Só que dessa vez não consegui mascarar as emoções.

– Trouxe isso para você, não sei nem o porquê. – uma lágrima solitária caiu – Obrigada por manter suas promessas. Agradeço por me dar o melhor e o pior aniversário da minha vida.

E simplesmente me virei e caminhei até o meu quarto, desabando no choro mesmo antes de atravessar a porta. Bati-a, larguei tudo em qualquer lugar e me joguei na cama.”

Assim que Kazuko saiu, Kana falou se aproximando:

– Ela enlouqueceu? Quem ela pensa que é para “não querer que eu mexa”? Vou coloca-la no lugar dela agora mesmo.

Ameaçou sair, mas a peguei pelo pulso antes.

– Ela está com raiva porque esqueci o aniversário dela, Kana. Deixe-a sozinha um pouco.

– Foda-se que é o aniversário dela. Ela claramente desobedeceu a uma regra e temos que verificar as coisas que ela trouxe consigo.

– Você quer xeretar, não apenas verificar.

Keiko passou carregando o bolo de chocolate. E Kana se enfureceu ainda mais.

– Até bolo? Sinceramente, Makoto, eu não te entendo. – bufou

– Ele não me pediu para fazer. – Keiko comentou

– Ora, menos mal. – ela sorriu – Só que você não vai levar isto para ela.

– Por que não? – indagou Keiko

– Ela está merecendo?

– É aniversário dela! Ela merece! E não se preocupe que via sobrar um pedaço para ti.

– Makoto! – gritou – Faça algo quanto a isso.

– O que? Concordo com ela. Pode levar! – Keiko saiu e Kana bufou de novo – Que foi? É só um bolo.

– É só um bolo, Makoto. Sim! Imagine. Ela chegou fora do horário estipulado e nos desrespeitou assim que chegou.

– Kana, para! Qual é o seu problema com ela?

– Ela é o problema! Uma escrava muito abusada pro meu gosto. E você aceita e dá liberdade a tudo o que ela faz.

– Vou puni-la por isso, mas só amanhã.

“Uns minutos depois, alguém bateu a porta.

– Makoto, vai embora! – esbravejei

– É a Keiko, Kazuko.

– Pode entrar. – levantei-me e enxuguei meu rosto e sorri ao ver o que ela trazia

– Espero que lhe anime um pouco.

– Caramba, Keiko, esqueci de abrir o presente. – corri e peguei-o na minha bolsa, sentei-me na frente dela e abri, era um colar com meu nome como pingente – Obrigada! – abracei-a

Então, ela me pediu para segurar o bolo, pegou um acendedor de velas. Cantamos juntas, eu assoprei e ela cortou dois pedaços e comemos nos pratos de sobremesa que ela trouxe. Claro que o primeiro pedaço foi a para a aniversariante.

– Se eu pudesse, te levaria para dormir lá em casa. – ela confessou – Pelo menos para ficar longe dela um pouco.

– Makoto não deixaria.

Conversamos sobre como foi meu dia e logo depois Keiko foi para casa.

Fiquei sozinha de novo e resolvi arrumar meu quarto para me distrair. Tomei um banho e vesti um pijama antes da sessão de arrumação. Fui tirando os presentes um a um e guardando-os. Maioria eram roupas.

De tão distraída até me assustei quando ouvi batidas na porta. Makoto entrou.

– Só vim falar com você antes de dormir. – cruzei os braços esperando ele continuar – Desculpe ter esquecido o se aniversário. Tenho estado tão ocupado.

– Como a Kana, é claro.

– Também! E bem, vou ter que te punir por ter chegado fora do horário... – senti que tinha algo mais a dizer

– E o que mais? Vai me punir por tê-la “destratado”?

– É! Pela sua grosseria com ela.

– Onde? – soltei, indignada – Realmente, Makoto, ela te manipula mais do que pensei. Daqui para frente só tende a piorar. Mas, tudo bem. Sei bem qual o meu lugar, apesar dela achar que não. Suspensão de liberdade diurna de novo?

– Sim! – suspirou – Era só isso. Boa noite!

– Ei, não está esquecendo nada?

Ele sorriu e ao me abraçar, falou:

– Feliz aniversário, Kazuko! Ficarei devendo seu presente por enquanto. E peço desculpas outra vez.

– Eu te perdoo, mas não significa que deixarei de ficar chateada,

Assim, ele se despediu e foi ao seu quarto.

Eu me senti péssima e culpada por estar loucamente apaixonada por ele. A culpa por perdoar, sendo que estava certa de agir da forma como agi.

E bem, usei o presente da Rin – o vibrador – de novo. Talvez para tentar controlar essa carência que estou. Contudo, o vazio ao fim foi o pior de todos. Chorei até cair no sono. Acordei com o travesseiro molhado e vim escrever aqui, precisava colocar para fora.

Voltarei a dormir agora.

Boa noite!”

Já estava tarde e terminei a leitura com um bocejo. Levantei e fui ao quarto e encontrei Kazuko colocando Takumi no berço. Ela sorriu quando me viu.

– Vou tomar banho para deitarmos.

– Tudo bem, te espero.

Apesar de ter quase apagado no banho, levei poucos minutos e sai. Desliguei a luz do quarto e somente o abajur do lado dela me guiou até a cama.

Ajeitei-me, dei um beijo de boa noite nela. Tudo ficou escuro e dormimos.