O Jogo

Elle Kennedy · Capítulo 12 de 39

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O Jogo

Capítulo 11

 

ALLIE

 

Ainda estou encarando Dean quando meu telefone vibra na bolsa. Pego-o distraidamente e perco o fôlego ao ler a mensagem.

Ele: Lembra qdo tomei aquele shot d tequila nos seus peitos?

Ergo o olhar e me deparo com Dean piscando inocentemente para mim. Mas vejo seu braço movendo sob a mesa. Como era de se esperar, recebo outra mensagem.

Qdo virei o copo todo nos seus mamilos e lambi cada gota? Hmm. Ficando duro só d pensar.

Argh. Não acredito que ele está me mandando mensagens de sexo no bar. No meio do aniversário do amigo.

Cerro os dentes e respondo.

Eu: Guarde a lembrança c/ carinho, meu bem. Pq nunca mais vai acontecer.

Ele: Tá dizendo q não gostou qdo chupei seus mamilos?

Os tais mamilos se enrijecem. Sei que o bojo do sutiã esconde a reação traiçoeira, mas o jeito como o olhar convencido de Dean recai sobre meus seios me diz que ele sabe.

Inspiro e escrevo: Mais ou menos. Foi razoável.

Ele escancara mais o sorriso. “Que nada”, diz em resposta a algo que Wilkes acabou de perguntar. “Não tô preocupado. O goleiro de Yale não aguenta a tacada do G.” Acho que estão falando da partida contra o Yale, no próximo sábado, mas estou ocupada assistindo ao sutil movimento de braço de Dean. Está digitando outra coisa.

Ele: Hmm. Sei. E qdo te lambi inteira? Foi só razoável também?

Ignoro a pontada que sinto entre as pernas e faço uma cara feia para ele.

“Allie”, exclama Megan, exasperada.

“Desculpa. O quê?”

“Estava perguntando sobre a sua peça. Os ensaios começaram essa semana, não foi? Como tá indo?”

“Muito bem”, respondo, distraída. Não consigo ver se Dean ainda está digitando. Espero que não. “O cara que faz meu marido morto é um bom colega de trabalho. E a sua, como vai?”

“Uma merda.”

“Ah, que pena, amiga.” Sei que Meg não está feliz com o autor com quem está trabalhando, e não a culpo, porque ele é o cara mais metido do departamento de teatro. Só escreve coisas pretensiosas e exageradamente atormentadas. O sujeito acha que é o próprio Arthur Miller reencarnado.

“‘Slade’ gosta de reescrever cenas inteiras no meio do ensaio.” Ela desenha aspas no ar ao falar seu nome, o que faz Fitzy rir.

“Acho que você não sabe usar aspas”, ele informa a ela.

“Sei sim. ‘Slade’ não é o nome dele de verdade. É Joshua Sandeski.” Meg ri com desdém. “O cara se acha tanto que não sei como não caga pequenas réplicas marrons dele mesmo.”

Os rapazes gargalham diante da imagem repugnante que ela acabou de descrever.

“No primeiro dia de aula, a gente sentou em círculo e se apresentou pros atores colegas.” Ela olha para mim. “Lembra disso?”

“Ah, se lembro”, digo, secamente.

“Enfim”, continua ela para Fitzy, “o babaca se levantou e disse: ‘Me chamo Joshua Sandeski, mas meu nome artístico é Slade. Não respondo a nenhum outro nome.’ E ele não estava brincando. Toda vez que a professora esquecia e o chamava de Sandeski, ele simplesmente ignorava.”

“Essa é a coisa mais babaca que já ouvi”, comenta Dean.

Merda, seu braço está se movendo de novo.

“Acho corajoso”, discorda Hollis. “Quer saber? Que se dane. Vou dar uma de Slade e escolher um nome artístico pra mim também. A partir de agora, vocês só podem me chamar de ‘Thunder’.”

Espio discretamente a última mensagem, e minha respiração chega a falhar.

Ele: Meu pau tá tão duro agr. Tô louco pra entrar em vc.

Desta vez, não faço sua vontade. Se eu não responder, ele vai acabar parando, não vai?

Não.

As mensagens não param de aparecer, cada uma mais depravada que a anterior.

Da próxima vez, vou devagar. Saborear cada segundo.

Bem devagar, gata. Só entrar e sair…

Até você implorar por mais.

Pego meu copo e engulo um pouco d’água. Posso ouvir a risadinha baixa de Dean mesmo com a música ambiente a todo volume.

Mas não vou dar o q vc quer. Vou continuar enfiando, centímetro por centímetro.

E depois tirar d novo.

Toda vez q vc pedir pra eu meter com força, vou entrar mais devagar.

Vou t atormentar a noite inteira, gata.

A. Noite. Inteira.

Fico em pé de supetão, como se alguém tivesse tacado fogo no banco em que estou sentada. “Preciso ir ao banheiro”, exclamo.

Ignorando o sorriso imenso se expandindo na boca irritantemente sensual de Dean, me afasto da mesa tão depressa quanto minhas botas de salto me permitem.

Puta merda. Estou com tanto tesão que minhas coxas estão praticamente grudadas, e meu medo agora é que minha calça jeans esteja molhada na bunda. Para piorar a situação, Megan nem tocou na bebida, o que significa que não vai embora daqui tão cedo. E isso quer dizer que preciso me recompor e apagar todas as centelhas de desejo que estão queimando feito combustível de avião em meu sangue.

Espero muito que Dean pare com as mensagens quando eu voltar.

Se não, acho que posso acabar gozando na mesa.

 

Ele continua com as mensagens.

Eu continuo ignorando.

Nossa guerrinha de vontades segue por mais de uma hora, e não posso dizer que não estou impressionada com sua persistência. Para não falar na quantidade absurda de palavras sujas em seu vocabulário.

Quando vejo Dean se contorcendo visivelmente do outro lado da mesa, abro um sorriso insolente na direção dele e, por fim, escrevo uma resposta.

Eu: Vc tá só se torturando, gatinho. Melhor parar antes q exploda.

Acrescento um emoji que ilustra bem a situação — um vulcão em erupção.

Dean suspira e se levanta, mas não sem antes fazer uma reorganização estratégica lá embaixo. Acho que sou a única a reparar, e meu sorriso aumenta ainda mais.

“Vou trocar a música”, anuncia ao grupo. “Não aguento mais esse Aerosmith mela cueca.”

Enquanto ele se afasta, meus olhos me traem, pousando em sua bunda rígida. A calça preta a envolve como uma luva, o que me faz pensar: calças cargo em geral são assim tão apertadas? Não achei que fossem. Talvez Dean tenha um alfaiate que faça calças cargo especiais para exibir a bunda. Ele é tão vaidoso, com certeza seria capaz de uma coisa dessas.

De qualquer maneira, é uma bunda gostosa. Droga, tudo nele é gostoso. Não consigo não admirar a forma como seus ombros largos preenchem a camiseta Under Armour de manga comprida, ou como o cabelo louro está desarrumado com perfeição. Então o perco no meio da multidão e sinto uma pontada de alívio, porque, com ele fora de vista, tenho um tempo para acalmar meus hormônios em fúria. O alívio, no entanto, é apenas momentâneo. Dean volta à mesa lindo como sempre, e eu continuo me resumindo a uma pilha de nervos excitados.

Ele se reacomoda no exato instante em que a última música da seleção anterior acaba e a primeira escolhida por ele começa a retumbar nos alto-falantes.

“I Want You To Want Me”, de Cheap Trick.

Não consigo conter o ataque de risos, o que me rende um olhar desconfiado de Fitzy. “Perdi a piada?”, pergunta.

“Não. Às vezes dou risada sem motivo”, digo, animada. “Sou meio estranha.”

Megan intervém: “É verdade. Ela é.”

Engulo outra gargalhada e evito os olhos de Dean durante a música inteira. Não fico surpresa ao sentir meu telefone vibrar.

Ele: Podia ter tentado uma coisa mais sutil. Mas pq me enganar? Tô louco por vc, Allie.

Merda, ele me chamou de Allie. Está falando sério.

Ergo a cabeça, e a intensidade do seu olhar faz meu coração fraquejar e, em seguida, bater desenfreado. Dean já é um cara bonito pra caramba. Mas com tesão? É absolutamente espetacular.

Com os olhos verdes semifechados e baços, os lábios ligeiramente entreabertos, a garganta engolindo em seco, quase posso acreditar que ele está mesmo louco por mim. Literalmente enlouquecido de tanto desejo. Mas, pelo amor de Deus, estou falando de Dean. O cara é o tipo pra quem basta uma brisa qualquer na virilha para ficar duro. Sério, basta esbarrar nele, e aquele pau levanta. O cara é obcecado por sexo, e metade das meninas da faculdade está de prova, porque metade das meninas da faculdade já dormiu com ele.

Claro que é uma honra ser o objeto de toda essa energia sexual inebriante. Que mulher não gosta de se sentir desejável? Mas eu seria uma idiota de acreditar, mesmo por um segundo, que sou a única mulher para quem Dean Di Laurentis lança esse olhar lascivo. Não, não, sou só mais um furinho no cinto absurdamente comprido de Dean.

A lembrança me faz ficar em pé. “Não tô no clima de Cheap Trick hoje”, digo, fazendo charme. “Acho que vou trocar de novo.”

Caminho, decidida, até a jukebox do outro lado da sala. Não é uma daquelas máquinas antigas, mas uma moderna, com touchscreen e entrada tanto para dinheiro quanto para cartão. Boto uma nota de um dólar e estudo minhas opções. Nossa. Este troço tem quase todas as músicas que já foram compostas na história.

Sorrio quando o nome de uma cantora em particular salta aos meus olhos. Repasso sua discografia, seleciono a música que estava procurando e coloco na fila. A barra lateral na tela me diz que tem outra faixa na frente da minha, um sucesso da Kesha que arrasta um bando de alunos universitários para a pista. O que na verdade significa que eles começam a dançar no mesmo lugar em que já estão, porque a área na frente do palco de karaokê, que normalmente serve de pista, está tomada por um grupo de hipsters muito ocupados com os próprios celulares.

“Boa escolha”, comenta Tucker. Ele também não larga do telefone hoje, então me surpreende que de repente esteja puxando assunto.

“Não fui eu que botei essa”, comento.

“O que você escolheu, então?”, pergunta Dean, desconfiado.

“Daqui a pouco você descobre, lindinho.”

Três minutos depois, a introdução da minha música começa, e um coro de gritinhos femininos ecoa pelo bar.

Dean arregala os olhos para mim.

O que escolhi? “U & UR Hand”, da P!nk.

“Boa!” Megan baixa o copo na mesa com força e fica de pé num pulo, estendendo a mão para mim. “Vamos dançar.”

Não tenho tempo de dizer não, porque ela já está me arrastando para a multidão. Tudo bem, então. Acho que vamos dançar.

Com o baixo ressoando sob nossos calcanhares, jogamos os braços para o ar, rebolamos o quadril e nos esbaldamos. O cabelo ruivo de Meg acerta meu rosto quando ela rodopia. Também dou uma voltinha, porque assim posso espiar Dean. Ele está com uma expressão resignada, mas identifico também um ar de divertimento.

Quando chegamos à parte da música em que P!nk — que, por sinal, é uma DEUSA! — diz “bye-bye” para o babaca para quem está cantando, abro um sorriso meloso para Dean e dou um tchauzinho na sua direção.

Ele umedece o lábio inferior com a pontinha da língua, um sorriso lento curvando forçadamente a boca. Então responde com um aceno. Mandou bem, praticamente posso ouvi-lo dizer.

Meg e eu continuamos a dançar, e nossa dupla atrai cada vez mais atenção, e cada vez mais participantes. De repente, estamos cercadas por meninas curtindo a música tanto quanto nós. É praticamente um hino para toda mulher que já teve que lidar com um babaca nojento dando em cima dela num bar, ou batizando suas bebidas na esperança de conseguir transar, ou simplesmente sendo irritante quando ela está tentando se divertir com as amigas.

Uma menina asiática baixinha cheia de piercings no rosto e cabelo cor-de-rosa espetado bate com a bunda na minha, e logo estamos dançando de costas uma para a outra, batendo os quadris e compartilhando um momento de camaradagem feminina. Estou rindo e sem fôlego de tão animada, e, desta vez, quando procuro por Dean, ele não parece mais estar se divertindo.

Ai, droga.

Está excitado de novo.

Seus olhos sensuais acompanham cada movimento meu. Quando a música acaba, estou ardendo em chamas. Não do suor ou do exercício, mas do olhar de Dean me devorando feito fogo num campo de feno.

Quando Meg e eu voltamos para a mesa, viro o restante da minha água e levanto o cabelo para abanar o pescoço com uma das mãos. Meu telefone está em cima da mesa, e fico instintivamente rígida quando vejo a tela se acender. Um rápido olhar para Dean, e percebo que ele está com a mão embaixo da mesa de novo.

Mordo o lábio inferior e olho para o telefone.

Não leia, ordeno a mim mesma.

Eu leio.

Ele: Da próxima vez q resolver dar um showzinho desses pra mim, melhor estar pelada.