O Jogo
Capítulo 13
ALLIE
Conheci meu agente, Ira Goldstein, através de um amigo do meu pai. Ele me representa desde que eu tinha doze anos, e o primeiro trabalho que arrumou para mim foi um comercial de cereal. Eu tinha uma única fala, que lembro até hoje:
“Como uma coisa TÃO GOSTOSA pode fazer TÃO BEM para você? HMM!”
Posso apostar que meu pai ainda tem um DVD do comercial guardado em algum lugar em casa. Espero que esteja no cofre em que ele guarda as armas, porque, caramba, não quero nunca que esse vídeo vaze para o mundo.
Ira se divide entre os escritórios da agência em Manhattan e em Los Angeles, então a maioria das nossas interações ocorre por telefone. Hoje ele está me ligando de Los Angeles.
“Bom dia!”, me saúda, na voz retumbante e jovial que aprendi a amar.
“Boa tarde”, corrijo. O ensaio terminou neste instante, e estou equilibrando o telefone no ombro enquanto visto o casaco na saída do auditório. “São duas horas na Costa Leste.”
“Ah, certo. Merda de fuso horário. Está me deixando senil. Nunca sei onde estou ou que horas são.”
Dou risada.
“Já conseguiu ler o piloto da Fox que mandei pra você?” Ira é o tipo de profissional que adoro, focado no trabalho e sem tempo para besteiras. É um tubarão, mas agentes têm que ser tubarões, e gosto dele mesmo quando está tentando me vender projetos que sei que só escolheu pelo dinheiro.
“Olhei por alto. Parece ter potencial.”
“Bem, olha de novo, e com atenção dessa vez. Falei com um dos produtores ontem à noite. Eles querem muito que você venha aqui fazer um teste para o papel.”
“Para qual personagem mesmo? Era Bonnie? Ou Sarah?”
“Espera aí. Deixa eu ver.” Ouço o barulho de papéis do outro lado da linha. Poucos segundos depois, ele está de volta. “Bonnie.”
Engulo a decepção. Droga. Queria que fosse Sarah. O piloto é uma comédia de trinta minutos sobre três meninas que se odiavam na escola, mas que são forçadas a dividir um quarto na faculdade. O seriado passa então a acompanhar o primeiro ano das três, à medida que elas vão aprendendo sobre o amor, a vida e a amizade e se envolvendo em todo tipo de confusão. O papel foi descrito para Ira e para mim como parte do elenco principal, mas uma atriz de televisão famosa já se comprometeu a fazer Zoey, então está na cara que eles estão planejando mantê-la como estrela.
As outras duas posições estão em aberto, mas eu teria preferido fazer um teste para o papel de Sarah, a puritana que precisa aprender a se soltar. Acho que poderia me divertir com isso.
Bonnie, por outro lado, é a cabeça-oca do trio. Tem algumas falas engraçadas, mas é mais burra que um jumento. A personalidade excêntrica e o QI de um dígito são suficientes para fazerem as mulheres regredirem uns mil anos na história.
Mas talvez eu esteja me preocupando à toa. Talvez os escritores tenham planejado uma trajetória substancial para Bonnie. Não faz sentido ter três personagens femininas principais, mas só desenvolver duas delas, faz?
“O papel é perfeito para você, querida.” Ira se empolga. “Você é capaz de fazer o tipo aéreo e bonitinho com o pé nas costas.”
Pois é. Sou. Mas não sei se quero. Todos os papéis que fiz foram o tipo aéreo e bonitinho. Seria bom ampliar meus horizontes, exercitar um pouco minhas capacidades como atriz.
Só que… estamos falando de um seriado de TV! Tenho uma chance de coestrelar um piloto que, a julgar pelo bafafá que já está gerando, sem dúvida vai render pelo menos uma temporada inteira.
“Vou ler de novo hoje à noite”, prometo. Então tento invocar um mínimo de entusiasmo sobre a possibilidade de fazer o papel de Bonnie, mas não estou me sentindo nem um pouquinho animada.
Aliás, já faz um tempo desde que li uma coisa que me empolgou. O último projeto que me deixou assim foi a peça que fiz para Brett Cavanaugh, no verão.
“A seleção começa em fevereiro”, me avisa Ira.
Franzo a testa. “Isso é daqui a quase três meses. Por que eles fecharam o papel de Zoey tão cedo?”
“Queriam garantir Kate Ashby antes que outra emissora a fisgasse. Os produtores estão encerrando a última temporada do outro seriado deles e depois vão começar a tocar este projeto. Querem que você pegue um voo no dia seis de fevereiro.”
Sinto um peso no estômago. “Não posso. Viúva estreia no dia oito. Nessa semana vamos fazer os ensaios gerais.”
“Viúva?”
“A peça que estou fazendo na faculdade.”
Ira suspira. “Alguma chance de eles liberarem você dos ensaios gerais?”
“De jeito nenhum.”
“Merda.”
Segue-se um silêncio. Ira faz isso com frequência, pensar profundamente por longos minutos. Acho que se esquece de que estamos no telefone, e não na mesma sala.
“Ira?”, pergunto.
“Desculpa, querida. Pensando…” Depois de outra pausa, sua voz energética retorna. “Tudo bem, deixa eu ligar para Virgil, meu assistente. Vou ver o que a gente pode fazer.”
Ele desliga sem se despedir, outro mau hábito seu. Insiste que não tem tempo para “essa porcaria”.
Dez minutos depois, estou caminhando pela calçada da Bristol House e passando minha carteirinha na roleta da entrada. Provavelmente não vou ter uma resposta de Ira hoje, e parte de mim está torcendo para que os produtores digam: Sinto muito. Se ela não puder fazer o teste no dia que a gente quer, vamos dar o papel para outra pessoa.
O que é uma maluquice, porque, mais uma vez… Seriado. De. TV.
Qual é o meu problema?
Muitos, aparentemente, porque não só estou considerando faltar em um teste que poderia alavancar minha carreira, como também estou pensando em transar com Dean Di Laurentis hoje à noite.
Pois é, nosso encontro continua tão de pé quanto a Torre Eiffel. Não mudei de ideia. Na verdade, estou — Deus tenha piedade da minha alma — ansiosa. Até deixei de ir à academia para me preparar.
Depois de engolir um sanduíche de queijo quente no almoço, chamo um táxi e sigo para o salão de beleza de Hastings.
Tanya, minha guru da manicure/ pedicure/ depilação, já está esperando por mim quando chego. Há muito tempo concluí que ela é uma sádica, porque seu entusiasmo por torturar minhas regiões baixas é assustador. Primeiro fazemos a depilação, porque não gosto de ficar me preocupando com uma iminente sessão de tortura com cera quente enquanto faço as unhas.
Uma vez que estou lisinha feito um bebê, Tanya passa um óleo calmante sobre a área sensível e sai da sala, enquanto visto a calcinha e a legging de novo. Em geral, minha pele leva algumas horas para perder a vermelhidão, mas Dean só vai chegar às nove, então tenho tempo o suficiente para me recuperar lá embaixo e estar pronta para a festa.
Deixo a sala de depilação e me junto a Tanya no salão das manicures. Uma hora depois, vou embora exibindo um esmalte vermelho vivo nas unhas dos pés e das mãos, porque acho que Dean vai gostar de ver minhas unhas vermelhas reluzentes alisando seu tanquinho. Pedi a Tanya para lixá-las um pouco mais curtas e redondas desta vez, para não deixá-lo todo arranhado de novo.
No táxi de volta para o alojamento, tento descobrir se estou animada ou decepcionada comigo mesma. Ainda não acredito que cedi à masculinidade potente de Dean, mas não posso negar que estou ansiosa por rever aquele pênis mágico.
A menos que… e se ele tiver perdido o charme? Quer dizer, quantas vezes dá para esfregar uma lâmpada mágica até que o gênio esgote seus poderes? Ou será que a lâmpada tem um número infinito de desejos?
Allison Jane Hayes e seus pensamentos de altíssimo nível.
Hmm. Talvez esse devesse ser o meu programa de televisão.
Quando enfim o relógio bate nove horas, estou pronta para mandar ver, como dizem.
Me embelezei dos pés à cabeça. Fiz depilação, as unhas, tomei banho e me perfumei, passei até uma prancha no cabelo depois de usar o secador, em vez de deixá-lo em seu estado natural semiondulado.
Parece um desperdício se dar todo esse trabalho em termos de beleza e depois não colocar um vestidinho preto ou uma lingerie sexy, mas acho que o safado do Dean vai rasgar minhas roupas no instante em que chegar aqui, por isso vesti uma calça de ginástica e uma camiseta. Sem sutiã (afinal de contas, pra quê?), mas estou de calcinha, porque não gosto de não usar nada lá embaixo, a menos que esteja me sentindo especialmente devassa. Às vezes, fazia isso quando Sean e eu íamos a um restaurante chique. Ele ficava louco de saber que estava sem nada…
Você não tem permissão para pensar em Sean quando está a minutos de dormir com outro homem!
Tarde demais. Sean está na minha cabeça agora. Ainda não concordei em encontrá-lo pessoalmente, mas sei que deveria dar logo uma resposta, antes que ele tente resolver o problema com sua sutileza de elefante. Sean faz muito isso.
Por exemplo: quando veio ao meu alojamento sem ser convidado.
O que me fez fugir para a segurança da casa de Garrett.
O que me levou para a cama de Dean.
Tá aí uma lição de moral que ele deveria aprender: Pressione a sua ex-namorada demais, e ela vai acabar dormindo com um pegador.
Ou talvez fosse melhor se ele ignorasse essa lição em particular. Além do mais, estou sendo injusta, porque não dormi com Dean por culpa de Sean. A decisão foi minha.
E estou prestes a tomar a mesma decisão de novo.
Dean está cinco minutos atrasado. Eu me ajeito impaciente no sofá, esperando por ele, incapaz de me concentrar no episódio de Solange que está passando na TV. Desde a noite em que Dean esteve aqui não vi outro episódio, e fico assustada ao perceber que, sem ele, a série não tem a mesma graça. Meio que gostei dos seus comentários e de como pausava o seriado de cinco em cinco minutos para dizer: “Allie-Cat, não tô entendendo porra nenhuma do que tá acontecendo!”.
Foi… fofo.
Minha nossa. Acabei mesmo de usar a palavra fofo para descrever Dean? Faço uma nota mental para nunca dizer isso em voz alta. Ele provavelmente vai me acusar de ter uma queda por ele.
Ouço passos pesados no corredor, o que faz a ansiedade subir em meu peito. Meu coração dá uma pirueta boba e indesejada diante das duas batidas fortes contra a minha porta. É um “bum” viril, e, quando abro a porta, Dean está de pé na minha frente. Está de calça jeans desbotada com um rasgo no joelho, um suéter verde-escuro de tricô por baixo da jaqueta da Briar e um gorro de lã preto.
“Oi.” De repente, me sinto desconfortável com toda esta situação.
“Oi.” Ele tira o gorro ao passar pela porta. Noto que está com o cabelo molhado, como se tivesse acabado de sair do chuveiro. Seu olhar recai sobre a televisão. “Ai, merda, o que eu perdi? Marie-Thérèse encontrou uma cópia do testamento do Claude?”
“Não sei. Comecei o episódio uns três minutos antes de você aparecer.”
“Ah, tá. Bem, se você assistir de novo sem mim, me escreve para me avisar o que aconteceu.” Ele joga o gorro e a jaqueta no sofá.
Pego os dois depressa. “Não, isso vem com a gente. As botas também”, acrescento, apontando para as Timberlands pretas que ele está descalçando.
“Para onde estamos indo?”
“Para o meu quarto. Não quero nenhuma evidência da sua presença nesta sala, caso você esqueça alguma coisa. Esta é uma operação secreta.”
“Você é quem manda, senhora Bond.”
No meu quarto, largo as coisas dele na cadeira. Então o clima fica estranho de novo, porque Dean está logo ali. A um metro e meio de distância. Sorrindo para mim.
“O que foi?”, murmuro, na defensiva.
Ele dá de ombros. “Nada.” Mas continua não fazendo um único movimento na minha direção.
“Você vai ficar aí parado? Vem aqui e faz alguma coisa, droga.”
Seus lábios se curvam num sorriso. “Fazer o quê?”
Fico ainda mais desconfortável. “Sei lá. Me dá um beijo. Tira a minha camisa. Qualquer coisa.”
Dean cruza os braços sobre o peito largo. “Nada disso. Se você me quer, vem pegar.”
Sinto a irritação subindo pela coluna. “Então vamos fazer joguinhos agora?”
“Joguinho coisa nenhuma.” Ele ergue uma sobrancelha loura-escura. “É só que ainda não tô convencido de que você não tá me sacaneando ou algo assim.”
“O quê? Acha que te chamei aqui pra zoar com você?” Abro um sorriso atrevido. “Gato, te chamei aqui para você me foder. Ponto.”
Ele dá uma risada, e o som profundo e rouco me atinge em cheio. Ah, que se dane. Se ele quer que eu tome a iniciativa, eu tomo a iniciativa. Nós dois queremos a mesma coisa.
Sem dizer palavra, percorro a distância entre nós e deslizo a palma da mão sobre sua bochecha.
Dean inspira de leve. Está com a barba feita, e me vejo com saudade dos pelos grossos por fazer. Gostei da sensação deles contra a minha pele na outra noite.
Mas, ao contrário da outra noite, estou completamente sóbria. Não posso usar o álcool como desculpa para o que estou fazendo agora.
Escorrego a mão até a parte de trás de sua cabeça e corro os dedos pelo cabelo úmido. Quando nossos olhos se encontram, puxo sua cabeça para baixo, e nossos lábios se tocam num beijo recatado. Sem língua. Sem urgência. É um estudo exploratório, como se nossas bocas estivessem matando a saudade. Por fim, me afasto e olho para ele.
Caramba. Seu olhar transmite um calor tão visceral e palpável que me faz ofegar. Quando me dou conta, a boca de Dean está sobre a minha de novo, e não tem nada de exploratório neste beijo.
É pura fome.
Sua língua invade os meus lábios num carinho profundo, punitivo. Ouço meu gemido, mas Dean engole o som desesperado com outro beijo ávido, as mãos quentes apertando meus quadris enquanto me beija até eu ficar sem fôlego.
Meu coração está aos pulos. Nossa, estou incrivelmente excitada. Ele também — sinto a prova disso quando ele agarra a minha bunda e me puxa contra ele, esfregando nossos corpos um contra o outro.
“Você me deixa tão duro”, rosna ele.
Ele gira os quadris, curvando-se de leve para encaixar o membro no encontro das minhas coxas. Então se move para a frente, e sua ereção esfrega o meu clitóris, provocando uma onda de prazer que percorre toda a minha espinha.
“Tira a roupa”, digo, ofegante. “Agora.”
Com outra risada, ele ignora o pedido frenético e me beija de novo. Seus lábios se mostram tão gananciosos quanto antes, profundamente dominantes, e bem quando concluo que este beijo frenético e apaixonado não pode ficar mais quente, Dean diminui o ritmo de repente. Sua língua faz cócegas em meu lábio inferior. Os dentes perfeitos dão uma mordidinha de leve. E ele enterra o rosto no meu pescoço e me enche de beijos suaves, com a boca aberta, que deixam arrepios em seu rastro.
Como ele não parece ter a menor pressa para tirar as roupas, decido fazer isso por ele. Seguro a bainha de seu suéter e ergo o tecido pesado. Quando alcanço sua clavícula, ele afasta a cabeça para me ajudar. No momento em que seu suéter se vai, corro, ansiosa, as palmas das mãos por sua pele quente e nua.
Ele faz um barulhinho rouco e enfia os dedos no meu cabelo, me observando com olhos famintos enquanto acaricio seu peito.
O cara é sarado. Estou praticamente ronronando de felicidade ao explorar as superfícies rígidas de seu peito. Percorro os peitorais esculpidos com o dedo indicador; em seguida, alcanço um dos mamilos e o aperto para baixo. Ele se contrai, a respiração ficando mais acelerada. Levo o mesmo dedo ao longo da linha de pelos louro-escuros que desce por sua cintura, então achato a palma da mão e acaricio o abdome definido.
Os lábios de Dean encontram meu pescoço novamente. Com dedos hábeis, ele puxa minha camisa para cima e a tira por minha cabeça.
Então inspira fundo. “Sem sutiã?”
“Parecia redundante.”
Dean envolve meus seios com as mãos, e sinto um prazer inflamar dentro de mim. Ele passa os polegares sobre os mamilos, e gemo baixinho. “Você não sabe o quanto quis brincar com esses peitos de novo.”
Minha cabeça deita de lado, e ele aproveita e lambe um caminho do meu pescoço até a minha orelha. Chupa de leve o lóbulo, e desabo contra o seu peito quente, me entregando à sensação. Dean continua a provocar meus mamilos, mas só com a ponta dos dedos. Mal está fazendo contato, e eles se enrijecem, doloridos, toda vez que seus dedos passam por eles.
“Encaixam certinho na minha mão.” Ele aperta ambos os seios, os polegares alisam a base de cada um. “E esses mamilos, gata. Porra.”
Ele abaixa a cabeça, e grito ao sentir sua língua sobre o meu mamilo direito. Depois da tortura daquela atenção superficial, a lambida firme e determinada é como um choque elétrico varando o meu corpo.
“Isso aí”, geme ele. “Acho que posso passar a noite toda chupando esses peitos.”
E ele segue adiante. Chupando, digo. Envolve o mamilo rígido com os lábios e suga com a boca quente, molhada.
“Ai, merda.” Solto um suspiro.
“Você gosta?” Sua respiração faz cócegas em meus seios à medida que ele beija um caminho até o outro mamilo.
“Aham.”
“Está ficando molhada?”
Murmuro algo ininteligível, porque ele está lambendo círculos provocantes ao redor do mamilo, e não lembro mais como formar palavras com a boca.
“O quê?”, provoca ele.
Solto mais disparates. “Mmrrmblerg.”
Dean ri. “Tá bom. Acho que vou ter que descobrir sozinho.” Ele enfia as duas mãos sob o elástico na minha cintura e baixa minha calça e a calcinha. Depois que as chuto para longe, ele não perde tempo em levar a mão entre minhas pernas.
Não estava esperando os dois dedos que ele enfia dentro de mim. “Ai, meu Deus”, gemo. A onda de prazer quase me derruba.
“Cacete. Você tá molhada. Pingando, gata.” Um grunhido escapa de sua boca. Seus olhos estão selvagens, cintilantes. “Se não lamber essa boceta agora, vou ficar louco.”
Achei que fosse me empurrar para cima da cama. Mas ele me surpreende me apoiando contra a porta. Ele fica de joelhos e abre minhas pernas, e tremo só de vê-lo olhando para mim, a luxúria escurecendo seu olhar. Ele lambe os lábios, e quase gozo ali mesmo.
Dean sorri com malícia ao ver minha expressão. “Quer minha boca em você? Minha língua?”
Faço que sim, trêmula.
Quando sua boca se aproxima de meu corpo, solto um som estrangulado.
Quando sua língua toca o meu clitóris, outra pessoa emite um som.
Não fui eu, nem Dean, e com a voz alegre de Hannah ecoando no corredor, nós dois ficamos imóveis. Eu, de pé, Dean, de joelhos, como se estivéssemos encenando uma pintura viva para uma plateia.
“Oi!”, grita Hannah. “Vim só pegar minha partitura. Esqueci de levar comigo para a casa do Garrett.”
Dean levanta ligeiramente a cabeça, mas seus lábios ainda estão a centímetros de mim. Quando os passos de Hannah se aproximam ameaçadoramente da porta do meu quarto, sou tomada pelo pânico.
“Allie?”
Aperto os lábios. Se não disser nada, talvez ela pense que saí.
Mas não. Não tem como ela não ver a luz debaixo da minha porta. E ela deve ter notado meu casaco, os sapatos e a bolsa na nossa área comum.
“Allie?” Ela bate à porta.
Completamente impotente, fito Dean. O brilho maligno em seus olhos me faz estreitar os meus. Não sei o que ele está planejando, mas eu… ai, Deus. Ele arrasta a ponta da língua sobre o meu clitóris, e agora meus olhos estão arregalados de horror, porque tenho certeza de que acabei de gemer.
“Estou ouvindo você aí”, acusa Hannah.
Sim, porque eu gemi.
Limpo a garganta. “Ah, é, tô aqui. Desculpe, eu estava…”
Dean vai beijando para cima e para baixo em minha abertura. Esqueço mais uma vez como falar. “Eu… ai, Deus”, arfo. “Não te ouvi antes.”
Há uma pausa. Uma pausa longa e preocupante.
“Allie…”, começa Hannah, então tosse e, por fim, continua: “Tô interrompendo você, hmm… numa viagem solitária para a capital do orgasmo?”
Os ombros de Dean começam a tremer incontrolavelmente. Seu riso abafado vibra contra o meu clitóris, e o efeito resultante rivaliza com as boas vibrações de todos os brinquedos sexuais na minha mesinha de cabeceira.
Um “Isso!” rouco salta de minha garganta. Foi dirigido a Dean, mas é claro que Hannah não sabe.
“Merda”, ela deixa escapar. “Foi mal! Saindo agora! Juro!”
Seus passos apressados se afastam pelo corredor. Ouço-a na sala de estar. Em seguida, a porta da frente se fecha.
Meu coração ainda está aos pulos quando baixo os olhos para Dean.
“Achei que ela não ia embora nunca”, murmura ele.