O Jogo
Capítulo 18
ALLIE
Minha mãe era uma mulher bonita. Não estou dizendo isso porque sou filha dela e, portanto, a via por lentes cor-de-rosa. Estou dizendo porque é verdade — Eva Hayes era uma mulher bonita, impressionante e requintada. Foi modelo quando tinha uns vinte e poucos anos e, embora não fosse alta o suficiente para desfilar, era muito requisitada para ensaios fotográficos. Ainda tenho todos os catálogos e propagandas de revistas que ela fez num álbum de recortes que guardo na minha estante.
Herdei seu cabelo louro e os olhos azuis, mas minhas feições não são tão perfeitas quanto as dela. O rosto da minha mãe tinha aquela beleza clássica capaz de fazer homens, mulheres e crianças pararem para olhar sempre que ela passava.
Já eu, sou mais bonitinha do que exuberante.
Mas aprendi que a maquiagem e a roupa certa podem transformar qualquer garota bonitinha em mulher fatal.
Não sei qual é o meu plano. Em primeiro lugar, Dean e eu não estamos namorando. E como não quero que ninguém saiba que estamos tendo um caso, não posso entrar no Malone’s e derramar um copo de cerveja na cabeça dele.
O que posso fazer é mostrar a ele exatamente do que está abrindo mão.
Não vou mentir — dói que ele não tenha me dado um aviso-prévio como prometeu. E definitivamente me incomoda o fato de que ele esteja com outra pessoa hoje, enquanto eu ainda podia muito bem continuar saindo com ele. Mas sabia com quem estava me envolvendo quando comecei isso. Dean Heyward-Di Laurentis pega todo mundo. Ponto-final.
Meu ego, no entanto, se recusa a aceitar isso, o que é a razão pela qual, trinta minutos depois de saber da notícia, estou saltando de um táxi na frente do Malone’s.
Meu sobretudo me aquece, enquanto perambulo junto à porta do bar, debatendo meu plano de ação. Dois alunos saem, e fico satisfeita quando ambos param para dar uma conferida em mim. Rá. E isso porque a aprovação deles se baseou unicamente na minha maquiagem e no penteado “me coma”. Provavelmente estariam salivando se vissem o que há debaixo do meu casaco.
Pego o celular. Cheguei, digo a Hannah. Cadê vc?
Ela: Sinuca.
Inspirando fundo, entro e abro caminho em meio à multidão. A música vibra no chão sob meus saltos, à medida que passo pelas mesas à esquerda e sigo em direção ao corredor que comunica o salão principal à sala de jogos.
Tem mais uma meia dúzia de mesas baixas e altas nessa parte do bar. Vejo minha melhor amiga imediatamente. Está conversando com Logan e Hollis, enquanto Garrett contorna uma das mesas verdes segurando um taco de bilhar. Com uma garrafa de cerveja na mão, Fitzy assiste à jogada de Garrett, o próprio taco descansando na parede ao lado.
Finalmente avisto Dean. Está praticamente escondido num canto, conversando com uma morena curvilínea de calça skinny e suéter decotado.
Bonito suéter, meu bem, mas deixo isso no chinelo.
Desabotoo o casaco, tiro e seguro debaixo do braço. Então empino os ombros e caminho até a mesa de sinuca.
Um assovio corta a música, cortesia de Logan. “Nossa”, ele me dá uma cantada. “Você tá um arraso.” Seus olhos azuis brilham, cintilantes. “Qual é a ocasião?”
Sorrio, timidamente. “Só estava com vontade de me sentir bonita.”
Hannah bufa. “Amiga, você tá mais do que bonita. Acho que todos os homens do bar acabaram de armar a barraca.”
Dou de ombros. Só estou preocupada com uma barraca em particular. Será que Míni Dean já reparou em mim?
“E aí, quer dizer que vocês ganharam?”, pergunto a Logan.
“Pode apostar.”
“Legal. Então vocês estão dando a volta por cima.” Sei que o Grande Dean estava chateado com as três derrotas consecutivas.
“Bom, não exagera. Ganhamos de um time de segunda divisão. E foi por pouco.”
“Ei, Logan!”, grita Garrett. “Acha que consigo acertar essa?”
“Licença, senhoras. Meus serviços de melhor amigo e ás da sinuca estão sendo requisitados.” Ele se afasta.
Hannah se aproxima. “E aí, isso significa que está pronta para mergulhar de cabeça na piscina do namoro de novo?” Sorrindo, ela aponta para a minha roupa, que, para ser sincera, não diz exatamente “quero namorar”.
Diz “me coma”.
O vestido tubinho azul vai até o meio da coxa. Coloquei um sutiã de bojo, então meus peitos estão bem no alto. A maquiagem esfumada deixa meus olhos enormes. Os scarpins de salto treze fazem minhas pernas parecerem incrivelmente longas. Claro que elas quase congelaram no caminho do táxi até o bar, mas a busca pela beleza às vezes envolve sacrifícios. Essa é a lição número um no manual da sedução.
“Não, tô só testando as águas.”
Seu sorriso se alarga. “Bem, considere as águas testadas. Eu pegaria você.”
Fico tensa, de repente, ao sentir Dean se aproximando mesmo antes de vê-lo. “Tá bonita hoje, hein, gata”, diz, descontraído.
Mas ouço o tom de rispidez em sua voz, e seu descontentamento é inconfundível. O que é um absurdo, porque qual motivo ele tem para ficar irritado? Não era eu que estava me agarrando com outro.
“Obrigada. Quem é a sua amiga?”, pergunto, na voz mais doce que sou capaz de conjurar.
Ele faz cara de quem não entendeu. “Ahn?”
Aceno com a cabeça na direção da morena, que está nos avaliando com visível suspeita. Não acredito que Dean ainda tem a ousadia de agir como se não a conhecesse. Acabei de ver os dois conversando.
“Ah”, responde ele. “Polly? Paula? Não peguei o nome.”
Claro que não.
“Penelope”, esclarece Hannah. “Sentei ao lado dela durante o jogo. É louca pelo Dean. Passou o jogo inteiro falando de você.” Minha melhor amiga dá uma risadinha. “Teve uma hora que fui obrigada a interromper e avisar que você não é tudo isso que dizem que é.”
Concordo.
“Besteira. Sou melhor.” Mesmo ao protestar, Dean parece distraído. Posso senti-lo olhando para mim.
“Vou pegar uma bebida.” Me afasto da mesa.
“Ótima ideia”, diz Dean, numa voz excessivamente alegre. “Também tô precisando.”
Cerro os dentes, enquanto ele me segue. É muito difícil correr nestes saltos, então me contento com uma caminhada rápida e torço para me separar dele na multidão.
Nossa, que ideia ridícula a de vir aqui hoje. Não sei o que estava esperando, mas não foi isso. A única coisa que consegui foi ficar ainda mais tensa e irritada do que antes.
De repente, sou puxada para trás, e um ganido escapa da minha boca.
Os lábios de Dean roçam o meu ouvido, e ele rosna: “Se veio aqui pra me provocar, tá funcionando.”
Fecho a cara. Giro o corpo e o encaro de frente. “Ao contrário do que você pensa, o mundo não gira ao seu redor.” Só que ele tem razão. Foi por isso que vim, e agora me sinto uma completa idiota, porque não sou o tipo de garota que faz joguinhos.
Deveria ter ficado em casa. O ensaio me deixou de mau humor, e acabei deixando a ideia de Dean com outra pessoa me transformar numa personagem de uma comédia romântica. Vestir-se feito uma prostituta para chamar a atenção de um cara que não merece? Quem sou eu?
A aversão que sinto por mim mesma me faz voltar a andar. Aproximo-me do balcão do bar, onde um amontoado de homens abre caminho para mim como o mar Vermelho. Acho que é um dos benefícios da roupa sexy.
Peço um cosmopolitan, porque... por que não? Posso muito bem seguir adiante com a imagem que criei. Trouxe uma bolsinha de festa preta, mas quando abro para pegar o dinheiro surgem três mãos diferentes brandindo notas de vinte dólares no ar.
“Pode deixar…”
“Eu pago…”
“Deixa eu te pagar uma bebida…”
Dean faz um barulho alto e irritado. Quando me dou conta, está puxando a própria nota de vinte e enfiando na mão do barman. “Deixa comigo”, diz, bruscamente. Então encara meus outros pretendentes, que desviam os olhares.
“Vai fazer xixi em mim agora para marcar território?”, chio para ele.
Seus olhos se acendem. “Não sei… deveria? O que está acontecendo, Allie?”
“Nada.” Pego a bebida que o barman me oferece e me afasto depressa do bar.
Dean permanece colado em mim, então ando mais rápido, e, quando nos aproximamos de nossos amigos mais uma vez, respiro, aliviada. Certo. Agora ele não pode mais ficar me enchendo o saco com perguntas.
Penelope não demora a se juntar a nós, e minha coluna fica rígida quando envolve suas garras no antebraço nu de Dean. A camiseta preta dele está esticada sobre o peito musculoso e deixa os braços perfeitos à mostra. Os mesmos braços que estavam me prendendo contra a cama na outra noite, quando ele estava se movendo dentro de mim.
Dou um gole em minha bebida e tento prestar atenção em Hannah. Ela está falando dos ensaios para a sua apresentação e de como está feliz que a faculdade a tenha deixado cantar uma canção original sua, em vez de colocá-la para trabalhar com um aluno de composição.
“Estou pensando em mandar algumas demos para umas gravadoras”, admite ela.
“Sério?” Ela comentou há alguns meses que talvez passasse a se concentrar mais em compor do que em interpretar, mas não tinha percebido que era uma consideração séria.
“Sério.” Ela brinca com uma mecha do cabelo escuro, o que me chama a atenção para a presilha verde fluorescente. É o único toque de cor no visual inteiramente preto. “Adoro compor. Quer dizer, também adoro estar no palco, mas, ontem à noite, estava brincando com Dexter no piano durante o ensaio, e quando ele cantou uma das músicas em que estou trabalhando foi…”
Paro de ouvir. Sou uma amiga horrível, eu sei, mas não posso evitar. Estou distraída demais pelo abutre bicando Dean como se ele fosse uma carcaça suculenta. Correndo as unhas feitas para cima e para baixo ao longo do seu braço. Acariciando seus bíceps. Inclinando-se para sussurrar algo em seu ouvido.
Em sua defesa, ele não parece notar que Penelope está colada nele. Seus olhos estão fixos em mim, e cada vez mais baços.
Saboreio minha bebida e passo a hora seguinte fazendo o máximo para ser social. Mas estou só ficando mais e mais irritada — comigo.
Escalei Dean inadvertidamente para um papel que ele não deveria estar interpretando. Ele não é meu namorado. Eu não deveria mandar mensagens para ele depois de um dia ruim. Não deveria ficar chateada por ele não ter respondido, ou por estar falando com outra garota.
Embora, de novo, em sua defesa, ele não pareça nem um pouco interessado em Penelope. Toda vez que dou uma espiada neles, Dean está ao telefone e não presta um pingo de atenção nela.
Minha bolsa não para de tremer, o que me diz que ele provavelmente está me mandando mensagens. Mas meu telefone permanece na bolsa, porque estou ocupada demais lidando com a constatação de que, aparentemente, sou inútil sem um namorado.
Sou… codependente? É essa a palavra certa? E foi por isso que fiquei voltando para o Sean? Porque não consigo ficar sozinha? Também tive um namorado durante todo o ensino médio…
Certo. Talvez eu esteja exagerando. Só porque sempre tive um namorado não significa que tenho problemas, significa? Gosto de ter namorado. Gosto de andar de mãos dadas, beijar, ficar abraçadinha e ter para quem contar como foi o dia. Isso não significa que preciso de um o tempo todo.
Talvez eu só seja péssima em ter casos. Tenho certeza que muitas outras mulheres têm dificuldade em separar sentimentos de sexo.
Ainda assim, tudo isso é muito desanimador. Decidi que está na hora de ir embora. Não estou prestando atenção a uma palavra do que ninguém está dizendo, e agora meio que quero ir para casa e pesquisar “codependência” no Google, para ver se posso me autodiagnosticar.
Mas antes quero fazer xixi, então peço licença e caminho na direção do banheiro. Nem me incomodo de conferir se Dean está me seguindo, porque sei que está. Eu o vi, de rabo de olho, se desvencilhando de Penelope no momento em que me afastei da mesa.
Para minha frustração, a fila do banheiro feminino é inaceitavelmente longa. Não, não vou esperar trinta minutos para usar o banheiro. Não estou com tanta vontade assim. Mas sei que, se voltar, provavelmente vou dar de cara com Dean.
Sigo em frente, em direção à saída de emergência. Já saí por aqui antes, então não imagino que o alarme vá disparar, e não dispara. Assim que alcanço o beco nos fundos do Malone’s, o ar frio envolve minhas pernas e braços nus. Visto o casaco depressa, no mesmo instante em que a porta se abre e Dean emerge.
“Vai embora”, digo a ele.
Ele expande as narinas. “Não.”
“Tudo bem, então pode ficar aqui fora. Tô indo pra casa.” Me atrapalho com o fecho da bolsa. Preciso chamar um táxi e avisar Hannah que já fui. Dean toma a bolsa da minha mão, com um palavrão irritado. “Quer devolver a minha bolsa?”, exijo.
“Não. Não até você me explicar por que tá brava comigo.”
Não respondo.
“Para de agir feito uma criança e fala logo”, ordena ele.
“Por que você não vai procurar a Penelope?”, sugiro. “Tenho certeza de que ela vai ficar muito feliz de falar com você. Com sorte, ela pode até enfiar a língua de novo na sua goela.”
Ele leva um susto momentâneo. Então começa a rir. “É ciúme da Penelope?”
“Não é ciúme”, respondo friamente. “Só não gosto que mintam pra mim.”
Dean fica boquiaberto. “Quando foi que eu menti pra você?”
Sinto o rosto esquentar. Que ódio. Ódio dele. Ódio de mim, por ter dado a ele o poder de me fazer sentir tão… tão… Deus, nem sei como estou me sentindo agora.
“Você prometeu me avisar se fosse ficar com outra pessoa”, acuso.
“Não fiquei com ela.”
“Hannah falou que vocês estavam se beijando.”
“Não, ela estava me beijando. Ou tentando, pelo menos. Eu falei que não estava interessado.”
“Falou?” Minha indignação vacila, mas me forço a não amolecer. Não importa o que Dean fez ou deixou de fazer. Já deixei esse caso caminhar numa direção na qual não estou confortável, e agora é hora de voltar para o caminho certo.
“É, falei”, retruca ele, “porque ao contrário do que você acredita, sou um homem de palavra. E disse que não ficaria com ninguém.”
“Bem. Acredito em você.” Engulo em seco. “Posso ir agora?” Tento pegar minha bolsa, mas ele a mantém fora do meu alcance.
“Você ainda tá chateada comigo”, diz, categórico.
“Não estou.”
“Sou o rei da mentira, gata, sei direitinho quando alguém tá querendo me enganar”, retruca ele.
“Tá dizendo que essa historinha de que ‘foi ela que me beijou’ é mentira?”, revido.
“Não, tô dizendo que…” Ele cospe um palavrão exausto. Então expira, lentamente. “Tô dizendo que você não vai embora até me explicar o que tem de errado. E quer saber? Se alguém deveria estar chateado agora, sou eu.”
Meu queixo cai. “Como assim?”
“Faz dois dias que, graças à sua cena na banheira, tá todo mundo me sacaneando”, diz Dean, sombrio. “Ontem à noite, encontrei um frasco de lubrificante debaixo do meu travesseiro com um bilhete de Garrett dizendo ‘Para a sua bunda’. Logan comprou uma caixa de limonada rosa e fica só mostrando o polegar para mim toda vez que bebe um copo. Grace não consegue me encarar nos olhos sem rir. Agora tô levando esporro, e você não faz nem a gentileza de me dizer por quê.”
“Eu… Eu… argh, cansei disso.” As palavras saltam de minha boca antes que eu possa detê-las. “Esse caso acabou, tá legal? Já chega.”
Os ombros de Dean se enrijecem numa linha severa. “Por quê?”
“Porque tô falando que acabou.”
“E eu não tenho direito a uma opinião?”
“Não.”
“Até parece”, rebate ele. “Você não pode simplesmente terminar tudo assim sem me dar um bom motivo.”
Uma sensação de impotência invade minha garganta, porque não tenho um bom motivo.
Tive um dia ruim e você foi a primeira pessoa para quem liguei.
Dito em voz alta, isso soaria louco. Mas me conheço. Posso me ver caindo na armadilha do namorado, e preciso sair dela antes que a coisa se feche e estraçalhe meu pobre coração impotente.
“Você tá dizendo que não se sente mais atraída por mim? É isso?”
“Não, não é isso. Você sabe que me sinto. Mas…”
“Mas nada.” Ele se aproxima, e minha respiração fica presa nos meus pulmões. Seus olhos estão ardendo, suas feições, torcidas num olhar feroz. Nunca vi Dean irritado antes. É gostoso pra burro. “Que tal recapitular o que aconteceu essa noite, hein?”
Num piscar de olhos, estou contra a parede de tijolos, e sua boca está a centímetros da minha. Estamos meio que escondidos entre uma pilha de caixas de leite e uma caçamba de lixo que, por sorte, está vazia. Não que isso fizesse diferença, porque, mesmo que estivesse transbordando, eu ainda não seria capaz de sentir outra coisa que não o cheiro forte e masculino de Dean. Toda vez que inspiro, a fragrância viciante deixa meu cérebro mais e mais aéreo.
“Você ouviu que eu estava no bar com outra garota e ficou com ciúme. Acertei?”
Cerro os dentes.
“E aí ficou apavorada porque teve ciúme, não foi isso? Continuo no caminho certo?” Fico em silêncio, e ele prende meu queixo com a mão. “O que tá se passando nessa sua cabecinha linda? Acha que isso significa que você vai se apaixonar por mim? Que, porque me quer só para você, isso significa que vamos casar e ter filhos?”
Seu tom zombeteiro me irrita. “Deixa de ser idiota.”
Ele me ignora. “Bem, isso não significa nada, gata. Você ficou com ciúme. Grande coisa. Tem noção do ciúme que eu tô sentindo agora? Acha que gosto de ver todos os homens do bar babando nos seus peitos e enfiando a mão no bolso para reorganizar a ereção que você provocou aparecendo aqui vestida assim? Quero arrancar fora os olhos deles só de terem olhado pra você.”
Ergo o rosto para ele, surpresa.
“Verdade”, Dean me diz. “Mas eu tô perdendo a cabeça por causa disso? Não, porque isso não significa nada. Só que a gente ainda fica excitado um com o outro.”
Ele enfia a coxa entre as minhas pernas, se esfregando em mim de forma que posso sentir sua ereção.
“Ainda te excito, não é?”
O volume rígido pressionando minha barriga me distrai, me impedindo de responder. Sinto a calcinha ficando úmida. Nossa, estou ridiculamente molhada. E meus mamilos de repente estão incrivelmente sensíveis e doloridos contra a renda do sutiã.
“Tudo bem. Não precisa responder. Sei que ainda te excito.” Seus lábios tocam minha orelha, provocando uma onda de arrepios. “Se eu enfiar a mão debaixo desse vestido agora, nós dois sabemos o que vou descobrir. Que a sua boceta tá mais molhada do que nunca.”
Não consigo respirar. Porque não tem mais ar. Dean está roubando todo ele com suas provocações. E suas mãos estão despindo meu casaco dos ombros. Fico imóvel, fascinada demais pela intensidade brilhando em seus olhos. Ele deixa meu casaco cair na calçada suja, em seguida levanta a bainha do meu vestido e me segura por entre as pernas. A onda resultante de prazer é o que me faz despertar do transe.
Estamos em público, caramba, mas Dean não parece se importar. E, embora esteja frio aqui fora, seus dedos estão surpreendentemente quentes ao passar sob o elástico da minha calcinha.
Rindo, ele esfrega a umidade que encontra ali. “Isso. Foi o que eu pensei.”
Está zombando de mim de novo, e minha indignação volta a todo vapor. “Deixa de ser metido”, murmuro. “Eu ficaria molhada com qualquer um me esfregando desse jeito.”
“Até. Parece.” Seu polegar roça o meu clitóris. Quase caio por cima dele. “Sou eu. Você me quer.” Dean enfia um dedo dentro de mim, e meus músculos internos me traem, apertando-se em torno dele. “E, enquanto essa bocetinha faminta continuar pingando por mim, a gente não acabou.”
Ai, nossa. Ele está me apalpando pra valer agora. O prazer é insuportável, concentrado entre minhas pernas, pulsando em minhas veias. Não consigo pensar em outra coisa.
“Dean…” De alguma forma, me lembro de como falar. “Qualquer um pode passar aqui.”
“Ótimo. Que passem. Que vejam como você é safada.”
Meu gemido é tão alto que chega a ser embaraçoso. Dean enfia outro dedo e mexe os dois dentro de mim, curvando-os até atingir um local que faz pontinhos brancos surgirem em minha visão. Me esfrego contra sua mão, abandonando qualquer protesto e recebendo avidamente o que ele me oferece.
“Que tal dar um show completo? Quer que eu te coma aqui, contra a parede?”
Minha visão fica embaçada. Seus olhos estão brilhando de desejo inconfundível. Sua mão livre paira sobre o zíper da calça. Ele inclina a cabeça, esperando a minha resposta.
Não sei que feitiço esse cara lançou sobre mim, e sei que eu deveria afastar essa mão. Dizer a ele para deixar a calça fechada e parar de ser babaca. Estamos em público. Qualquer um pode nos ver.
Então por que meu coração está batendo ainda mais forte?
E por que estou baixando a cabeça para dizer que sim?
Vejo um lampejo de aprovação em seus olhos, juntamente com uma dose de necessidade pura. Seus dedos saem de mim, e ele me vira de frente para a parede.
Fico tensa ao ouvir vozes abafadas se aproximando da rua que passa além do beco. E se formos pegos? E se formos pegos por um policial? As pessoas vão para a cadeia por isso, não vão?
Sinto o hálito quente de Dean no pescoço, enquanto ele levanta o meu vestido até a cintura. O frio da noite deixa as minhas coxas arrepiadas.
Tenho que interromper isso. Talvez. Quem sabe. Mas não o faço.
Ouço o som de uma embalagem de plástico se rompendo, o barulho de roupas sendo remexidas, e sua ereção desliza entre as minhas nádegas. Seu membro se aproxima mais e mais até a ponta cutucar a minha abertura.
“É melhor gozar logo”, sussurra Dean, ao meu ouvido. “Você me deixou com tanto tesão que não vou durar muito.”
Não sei se vou durar mais que uns segundos. Meu clitóris está tão inchado que é uma agonia. Meus seios também. Nunca dei uma rapidinha do lado de fora de um bar antes, e tudo sobre esse momento é diferente, emocionante e apavorante. O elemento adicional de perigo, o risco de alguém nos ver, transformou meu corpo num fio desencapado à espera só de uma faísca para inflamá-lo.
E a faísca vem na forma de uma investida profunda de Dean.
O grito que irrompe com o meu clímax é interrompido por sua mão, cobrindo a minha boca. Para alguém que acabou de me provocar por dar um showzinho, ele está subitamente consciente do nosso ambiente.
Eu, por outro lado, nem lembro em que continente estamos. O orgasmo vara meu corpo e me deixa sem fôlego. Afundo-me no membro de Dean com cada espasmo incontrolável, e ele solta um gemido quase inaudível e enterra a cabeça entre meu pescoço e o ombro, entrando em mim por trás.
Ele não estava brincando. Goza tão rápido que não sei se devo ficar impressionada ou provocá-lo sobre isso. Entra em mim uma última vez e treme violentamente, as mãos apertando meus quadris com força.
Também estou tremendo, mas não sei se é por causa do orgasmo ou do vento frio em minha bunda.
Quando vozes mais altas varam o silêncio, pulo para longe de Dean e baixo o vestido sobre minhas coxas. Uma espiada por sobre a caçamba de lixo revela figuras sombrias caminhando na calçada. Ninguém se volta para o beco.
Visto o casaco depressa, enquanto Dean enfia o pênis ainda duro dentro das calças. Ele joga a camisinha no lixo e me lança um olhar cauteloso.
“O que foi?” Minha voz não soa como a minha voz. Está grave. Gutural.
Seu olhar percorre o meu corpo da cabeça aos pés antes de se fixar nos meus olhos. “A gente não acabou”, diz, rispidamente.
Mordo a parte de dentro da bochecha e digo: “Eu sei.”