O Jogo
Capítulo 12
ALLIE
Megan e eu voltamos para o campus um pouco depois da meia-noite. Entro devagarinho no meu alojamento de dois quartos, e o lugar está envolto em sombras. Não há uma luz sequer vindo da porta de Hannah, o que me diz que ela já foi dormir.
Tentando não fazer barulho, pego meu nécessaire e vou até o banheiro que dividimos com as outras meninas do andar. Dez minutos depois, volto ao meu quarto na ponta dos pés e visto o pijama, em seguida, apago a luz e me enfio debaixo das cobertas.
Nunca tive dificuldade em pegar no sono — em geral apago no instante em que minha cabeça bate no travesseiro.
Esta noite, no entanto, o sono me escapa. As mensagens de Dean me deixaram toda excitada e agitada, e passo uma hora virando na cama, tentando encontrar uma posição confortável. Mas não estou confortável. Meus peitos doem e posso sentir minha pulsação latejando lá embaixo. Toda vez que viro, meus mamilos esfregam o colchão, e o atrito os faz doer ainda mais.
Culpa de Dean. Por que tinha que escrever aquelas coisas sacanas?
Um gemido me escapa. Viro de novo, tentando me acomodar de lado. Normalmente, gosto de dormir abraçando o cobertor com as coxas. Neste momento, ter algo enfiado lá embaixo é uma provocação insuportável, e meus quadris começam a se mexer involuntariamente contra o edredom.
“Que droga!” Minha voz torturada ecoa na escuridão. Viro de costas e levanto um joelho, porque, obviamente, não vou sentir sono até dar um jeito nisso.
“U & UR Hand” foi uma escolha para lá de profética.
Cerro os dentes e enfio a mão dentro da calça xadrez do pijama. Infelizmente, não sou daquelas que esfregam o clitóris algumas vezes e… pronto! Orgasmo! Não, preciso de uma história, uma fantasia maravilhosa que me leve ao limite. Ultimamente, elas têm envolvido uma celebridade por quem tenho uma paixonite: o perfeito do Ryan Gosling. E é Ryan que me salva nesses terríveis momentos de necessidade.
Cada história começa de um jeito. Estou num bar, e a gente dá em cima um do outro. Estou num quarto de hotel, e há uma confusão que nos obriga a dividir uma cama. Estou caminhando na praia em Malibu, e olha só com quem eu esbarro!
Mas elas sempre terminam do mesmo jeito — com Ry me comendo até cansar.
Opto pelo quarto de hotel, uma vez que me possibilita uma infinidade de cenários sexuais possíveis. Hoje à noite, estou dormindo sem roupas, porque o ar-condicionado pifou. Imagino que não precisaria de uma desculpa para dormir nua, mas gosto que minhas fantasias sejam minimamente coerentes com minha vida real, e, como não costumo dormir pelada na vida real, o ar-condicionado está quebrado.
Certo, onde eu estava? Esfrego o indicador no clitóris, me imaginando numa cama king-size. Estou pegando no sono, quando ouço um “bip”. Alguém passou um cartão na fechadura da porta. Fico indignada! Será que a recepção decidiu mandar a camareira no meio da noite? Quem poderia estar entrando no meu… olha, vejam só. É Ryan Gosling. Ele adentra o quarto, de peito nu, por algum motivo. O cós da calça jeans é tão baixo que é possível admirar as linhas de seu abdome descendo em direção à virilha.
Ele fica surpreso ao me ver na cama, e concordamos na mesma hora que houve algum erro, e o hotel fez uma reserva dupla. Então engatamos numa conversa de cinco minutos sobre nossas vidas, na qual Ryan revela que Eva Mendes terminou com ele.
Isso aí, minhas fantasias sexuais têm diálogo e conversa fiada.
Por fim, acabo saindo da cama e… ah, não! O lençol que cobria meu corpo nu escorrega até o tapete. Ryan arregala os olhos azuis, apreciando a vista. Seu pênis endurece visivelmente sob o zíper da calça.
Ele lambe os lábios e se aproxima.
Provocante, deslizo os dedos por entre os seios. Seus olhos ardem feito safiras líquidas.
Não, esmeraldas. Porque agora seus olhos ficaram verdes. Verdes? Mas por quê?
Na escuridão do quarto, solto baixinho um palavrão. Mas que merda.
Por que Dean está invadindo minha fantasia?
Meu dedo fica imóvel em meu clitóris. Que falta de educação. Ryan e eu estávamos prestes a começar. Dean não pode estragar isso.
Fecho os olhos bem apertados e me transporto de volta para a fantasia. Mas já não estou no hotel, e Ryan não está mais comigo. Estou numa arena de hóquei com Dean, e estamos nos beijando no gelo.
Sufocando outro gemido, afasto a cena da cabeça e, mais uma vez, obrigo minha mão a parar de se mexer. Para onde essa porcaria de fantasia vai? Gelo é frio. Quem iria querer morrer de frio no meio do sexo? E por que Dean está beijando meu corpo nu? O treino dele vai começar a qualquer minuto. O time inteiro vai entrar aqui e pegar a gente…
“Gosto da ideia de ser pego no flagra.”
O gemido me escapa antes que eu consiga me conter. A confissão rouca de Dean não faz parte da fantasia — é cem por cento verdadeira.
Na noite em que perguntei por que ele não transa no quarto, suas pálpebras ficaram pesadas, e sua voz exalava sexo puro ao dizer lentamente: “Gosto da ideia de ser pego no flagra”.
É isso aí, Dean Di Laurentis fica com tesão de imaginar que alguém pode pegá-lo fazendo sexo.
E a confissão terminou por aí? Claro que não, porque isso significaria que ele não teria feito de sua missão na vida me atormentar sexualmente. Não, ele completou a revelação com: “E quando me pegam, gosto que me assistam”.
Estou a fim de um exibicionista. Merda, talvez eu seja uma exibicionista também, porque, em vez de parar a fantasia, sigo adiante.
“Melhor gozar logo, gata.” Sinto a respiração de Dean fazendo cócegas em minhas coxas. “Senão os caras vão sair daquele vestiário e me ver com a cara enfiada em você.”
Minha respiração acelera. Aperto um dos seios, brincando de leve com o mamilo. Com a outra mão acaricio o clitóris em pequenos círculos. Ai, Deus. Estou tão molhada. E meu clitóris está inchado de desejo. Praticamente posso sentir a língua de Dean sobre ele.
“Ah, você gosta da ideia, né?” A ponta do seu dedo roça minha abertura. “Olha como tá molhada.”
Ele enfia o dedo em mim.
Não, eu enfio o dedo em mim. Meus seios foram abandonados, e agora estou com ambas as mãos entre as pernas. Esfregando meu clitóris com uma e enfiando o dedo com a outra, me derreto no colchão e imagino Dean me chupando.
“Vou te foder bem aqui no gelo, Allie.”
Meus dedos dos pés se retorcem. A pressão dentro de mim é insuportável.
Na fantasia, Dean fica de joelhos. Seu peito reluz sob as luzes brilhantes da arena. Seu pênis é longo e imponente. Ele envolve o punho em torno da base e se inclina para a frente, trazendo-o mais e mais perto de onde o quero.
E então ouço passos. Vozes. Risos. Os jogadores estão saindo do túnel do vestiário. Dean sorri maliciosamente. Então enfia o pau duro dentro de mim…
Gozo tão forte que esqueço de respirar. Fico esparramada na cama, ofegante, tremendo. Com o orgasmo se espalhando pelo meu corpo em ondas quentes e pulsantes, vejo estrelas piscando dentro de minhas pálpebras fechadas.
Ai, meu Deus.
Isso foi… foi… Nem tenho palavras para descrever.
E a parte triste? O clímax que me despedaçou não foi nem de perto tão poderoso quanto os que Dean me proporcionou pessoalmente.
Ainda estou tremendo com os efeitos do orgasmo ao procurar, no escuro, pela caixa de lenços de papel na mesinha de cabeceira. Pego dois lenços e me limpo entre as pernas. Não me lembro da última vez em que fiquei tão molhada durante uma sessão solo.
Pense em como ficaria ainda mais molhada se transasse comigo de novo…
Argh. Praticamente posso ouvir Dean me provocando. Me seduzindo…
Inspiro fundo. Certo. Sou uma pessoa pragmática. E gabaritei a disciplina de lógica argumentativa que fiz no primeiro ano. Então talvez só precise racionalizar essa situação.
Premissa I: Dean Di Laurentis é ótimo de cama. Premissa II: Ele quer transar comigo de novo. Premissa III: A ideia de transar com ele me excita.
Conclusão: Eu deveria transar com Dean.
Tá, essa foi fácil. Agora, vem a parte complicada.
Premissa I: Sexo casual me deixa desconfortável. Premissa II: Acabei de terminar um namoro longo e não estou pronta para começar outro relacionamento.
Premissa III: Mesmo que estivesse, não iria querer namorar um pegador como Dean.
Conclusão: Hmm…?
Tento outro raciocínio:
Premissa I: Não quero começar um relacionamento com Dean. Premissa II: Ele não quer começar um relacionamento comigo. Conclusão: Devemos fazer sexo casual.
Outra obviedade, só que ainda não resolvi o problema do sexo casual. Mas, pensando bem, a única pessoa aqui fazendo julgamentos sou eu mesma. Ter um caso com Dean vai fazer de mim uma vagabunda? Ele sem dúvida não acha isso. Nem meus amigos, embora eu certamente não esteja planejando contar a eles, caso decida ficar com Dean. O que me leva à pergunta: por que quero manter isso em segredo?
Mastigo a bochecha por dentro, refletindo sobre a questão. A resposta continua a me surpreender, mas a ideia de que todo mundo saiba que estou transando com Dean ainda me causa desconforto. Tudo bem. Vou ter que continuar mantendo isso em segredo. Talvez amanhã eu reflita um pouco mais sobre por que me sinto assim.
Ai… merda. Será que acabei de tomar uma decisão?
Já estou pegando o telefone, então… é, acho que sim.
Abro o contato de Dean e digito uma única palavra na caixa de mensagens: O.k.
É preciso dar crédito ao sujeito — ele sabe exatamente do que estou falando, pois digita de volta: Qdo?
Eu: Amanhã d noite? Hannah vai dormir na sua casa. Vc pode vir aqui. 20h?
Ele: O jogo das crianças começa às 18. Só vou poder às 21.
Eu: Jogo das crianças?
Ele: Não esquenta. Amanhã eu explico.
Ele: Pq vc mudou d ideia?
Por que mudei de ideia… Maluquice, talvez? Uma obsessão doentia por sexo? O pau maravilhoso dele?
Eu: Decidi q tava na hora d viver a vida d Dean.
Ele: Demorou. Então 21h tá bom?
Hesito.
Eu: Tá.
Deus, o que estou fazendo? Talvez tenha enlouquecido.
Há uma longa demora até sua próxima mensagem chegar. E, assim que a leio, uma gargalhada histérica salta de minha boca.
Ele: Eu levo a corda.