O Jogo
Capítulo 4
DEAN
Sempre fui popular. Não importa o quanto eu volte em minha memória, sempre me vejo cercado de amigos. E de meninas. Muitas e muitas meninas. As tímidas da escola primária, que me passavam bilhetinhos perguntando Você gosta de mim??? quando a professora estava de frente para o quadro. As do ensino médio, que brigavam pela minha atenção e faziam fila para me beijar no campo de lacrosse depois da aula.
E na faculdade? Nem sei por onde começar. Achava que sabia o significado do que é ser ímã de mulher antes de vir para a Briar, mas os últimos três anos ultrapassaram todas as expectativas sobre a minha atratividade. Quanto mais velho fico, mais as mulheres me desejam.
Então, não, não estou surpreso que Allie tenha se jogado em mim na noite passada. Isso era inevitável desde o instante em que ela anunciou que tenho “mamilos perfeitos”.
Mas o puro desgosto em seu rosto hoje de manhã, quando acordamos juntos na mesma cama, é novidade para mim.
“O maldito do Corsen não consegue parar nem um disco vindo a três quilômetros por hora em linha reta na direção dele.”
A queixa do meu colega de time me desperta dos meus pensamentos e me obriga a sufocar um gemido. Parece que o jovem Hunter não sabe nada de etiqueta de bar. Não é o melhor lugar para reclamar de uma partida de hóquei. É um lugar para se dar bem. Ponto-final.
Mas o garoto tem só dezoito anos. Um dia vai aprender.
“Cara, o jogo foi há dois dias”, digo ao calouro. “Esquece isso.”
Procuro por Tucker, mas meu colega de república não apareceu ainda. O bar hoje é território praticamente só da galera do hóquei. Vários dos meus colegas de time, um monte de torcedores e uma penca de marias-patins seminuas. Vários olhares femininos apreciativos disparam em nossa direção, mas Hunter não parece notar nenhum deles.
Está com as feições marcadas e mal tocou na bebida. “Isso é culpa sua, sabia?”, dispara, com um tom de acusação. “Eu nem queria jogar este ano, mas você tinha que me convencer a entrar pro time. Eu podia ter terminado a carreira como a estrela do ataque da escola em primeiro lugar no ranking do país. E agora sou um ala esquerda que não vale nada, num time que está indo ladeira abaixo.”
Saboreio minha cerveja. “Alguém já te falou que você não sabe perder?”
“Ah, nem vem. Até parece que você gosta de perder.”
“Claro que não gosto. Mas também sei que ganhar não é tudo. Ah, e por falar nisso, telhado de vidro, atirar pedras etc., etc.”
“O que você quer dizer com isso?”
“Que, em vez de culpar Corsen por entregar três gols, você devia estar se concentrando no fato de que não marcou nenhum. Isso aqui não é a escola, sr. Estrela do Time. Não é fácil driblar a defesa de times universitários.”
É duro, mas é verdade. E Hunter Davenport precisa ouvir. O treinador tem pegado leve com ele no treino, porque, tirando Garrett, Hunter é o único jogador do time capaz de crescer. Mas, ao contrário de Garrett, ele tem uma grande fraqueza: excesso de confiança. O garoto pensa que é o próximo Sidney Crosby.
“Você tá dizendo que não sou bom o suficiente para jogar nesse nível?” Mas, em vez de raiva, a expressão em seu rosto transmite angústia, o que só ressalta a sua grande qualidade: Hunter está sempre se esforçando para melhorar.
“Tô dizendo que você precisa de trabalho. Você cometeu alguns erros amadores anteontem. Como quando Fitzy estava em desvantagem numérica por causa da punição e você foi lá ajudar. Esse não é seu trabalho, cara. Você não pode entrar na ala do seu colega. Tem que confiar que os jogadores de centro vão ajudar o cara.”
Hunter dá um gole apressado na cerveja.
“E às vezes você é péssimo em antecipar as jogadas. Lembra quando o cara da defesa do Eastwood fez aquele passe que criou um contra-ataque? Você deveria ter previsto para quem ele ia passar, mas interpretou tudo errado.”
“Eu estava olhando pro disco o tempo todo”, protesta ele.
“Esquece o disco. Olha pro jogador, cara. Presta atenção em quem ele tá olhando, pra onde os seus colegas de time estão indo. Entenda pra quem ele vai dar o passe e, em seguida, roube o disco.”
Hunter fica em silêncio. Quando fala de novo, soa impressionado, ainda que a contragosto. “Você sabe um bocado do que tá falando, né?”
Dou de ombros. Sei que tenho uma reputação de não levar o hóquei tão a sério quanto meus colegas de time, e talvez haja alguma verdade nisso, mas não significa que não entendo a mecânica e as nuances do jogo.
O hóquei faz parte da minha vida desde sempre. Cresci jogando. Lacrosse também, mas funcionava mais como um jeito de passar a primavera até a temporada de hóquei começar de novo. Tanto meu pai como meu irmão mais velho jogaram hóquei em Harvard. Eu também poderia ter ido para lá, mas escolhi a Briar. Sempre seguia os passos deles, mas acho que só quis ser diferente ou algo assim.
Não me levem a mal, não jogo hóquei só porque eles jogavam. Amo o jogo. Só não sinto a mesma emoção que Garrett e Logan parecem experimentar toda vez que pisam no gelo.
Na verdade, me divirto mais nos treinos. Gosto das séries e dos treinos coletivos, de ter a oportunidade de melhorar e de ajudar meus colegas a melhorar. Não estou interessado em virar profissional depois da formatura, o que em muito agrada à minha família, porque os Heyward-Di Laurentis não viram atletas profissionais. Viram advogados. No outono que vem, vou para a faculdade de direito de Harvard, como todos os membros da família. Por mim, tudo bem, não tenho dúvidas de que vou ser bom. O carisma Di Laurentis que herdei do meu pai praticamente garante que vou sair convencendo juízes a torto e a direito.
“O que mais tô fazendo de errado?” Hunter soa mais curioso do que irritado.
Sorrio para ele. “Quer saber, que tal umas sessões só nós dois esta semana? Vou ver se o treinador libera um tempo extra de gelo.”
“Sério? Poxa, valeu mesmo. Obrigado…”
Eu o interrompo. “Mas só se você parar de falar de hóquei por hoje.” E gesticulo para o bar lotado. “Olhe à sua volta. Isto aqui é um banquete de mulher gostosa. É só escolher e se esbaldar, seu idiota.”
Hunter ri, mas seus olhos escuros se acendem à medida que ele começa a assimilar a vista. Várias garotas respondem com sorrisos de “me coma”, mas, em vez de chamá-las, ele olha para mim — ou melhor, para o meu pescoço — e solta uma risada. “Na verdade, talvez você devesse me apresentar à fera que te pegou na noite passada. A srta. Chupão parece divertida.”
Fico paralisado. De jeito nenhum vou deixar esse cara chegar perto de Allie. Ele pode ser novo, mas está bem encaminhado para se tornar um pegador ainda maior do que eu.
Mas, até aí, talvez eu devesse me preocupar mesmo é com o Hunter, já que, depois do desempenho da última noite, Allie Hayes provou que é plenamente capaz de deixar marcas num homem. Nossa. A menina transa muito.
Droga, e agora meu pau está ficando duro. Isso aconteceu o dia todo hoje, toda vez que penso em Allie. Foi a melhor transa que tive em muito tempo. Que merda, meus pulsos ainda estão doloridos de ter sido amarrados à cama, mas é o tipo de dor que só me faz querer mais.
Repetir uma transa em geral não faz meu estilo, mas, neste momento, meu pau está sedento para entrar naquela safada da Allie de novo.
“Desculpa, sr. Estrela. Mas não vai rolar”, digo a ele. “Encontre sua própria fera.”
“Tudo bem.” Sorrindo, ele dá mais uma olhada à sua volta. “Pronto. Acho que sei com quem vou pra casa hoje.”
Sigo seu olhar até o bar comprido de madeira, onde uma morena alta de costas para nós se debruça para pedir uma bebida. Está de saia preta curta e salto alto, os longos cabelos castanhos caindo pelas costas em ondas. O barman está praticamente babando, os olhos famintos encarando seu decote, o que me diz que ela deve ter uns peitos lindos. Daqui só vejo a bunda, e é uma visão e tanto.
Em geral, ficaria louco pela morena, mas hoje não estou no clima. Minha mente fica voltando para Allie. A boceta de Allie. Os peitos dela. Cara, que peitos. Um encaixe perfeito na mão, com mamilos rosa-claro que ficaram mais duros que gelo quando os chupei.
Suspiro e ajeito a calça na região da virilha. Nossa, tenho que parar de pensar na noite de ontem. Allie já deixou claro que está fazendo de tudo para esquecer.
“O que você acha?”, Hunter me pergunta.
Desvio os olhos da morena. “Pode ser um pouco demais para você.”
“Sou um jogador de hóquei. Ninguém é demais pra mim.”
“Verdade.” Rio. Foi a primeira coisa que ensinei a Hunter quando o abriguei debaixo da minha asa, no início da temporada. Ainda assim, a morena tem o corpo mais sensual que já vi. Uma mulher assim pode pegar qualquer um neste bar, e não sei se o calouro Hunter está entre suas principais opções, mesmo que esteja usando a jaqueta do time de hóquei da Briar.
Do outro lado da sala, a garota que estamos admirando se vira de repente. De uma hora para a outra, minha admiração se transforma em desgosto. “Ai, merda, não. Fica longe dessa mulher. Ela é tóxica.”
“Não parece tóxica pra mim”, comenta Hunter.
Que otário. Já eu sou mais experiente. Sabrina James é inegavelmente linda, mas prefiro jogar cera quente no saco antes de ficar com ela. Quer dizer, antes de ficar com ela de novo.
Pois é. Conhecimento de causa.
Alguém esbarra nas minhas costas, e, quando me viro, vejo Tucker chegando, a jaqueta preta e prata tão encharcada quanto o cabelo.
“Mano, tá caindo o mundo lá fora.” Ele agita o corpo inteiro feito um cachorro que acabou de sair de um lago.
“Ei, Totó, vai se secar em outro lugar”, reclamo, ao levar um banho de água gelada no rosto e nos olhos.
Hunter nem percebe que Tucker está molhando nossos sapatos. Está ocupado demais admirando Sabrina.
Tuck acompanha o olhar do calouro. “Delícia”, comenta, então sorri para mim. “E aí? Já decidiu que a presa é sua e ninguém tasca?”
Fico branco. “Tô fora. Essa aí é a Sabrina, cara. Já me enche o saco todo dia na aula. Não preciso dela me aporrinhando fora da faculdade.”
Sabrina e eu somos alunos de ciência política, o curso preparatório para a faculdade de direito, então somos colegas de sala em matérias demais para o meu gosto. Nós dois nos inscrevemos para a faculdade de direito de Harvard, o que não me deixa particularmente feliz. A ideia de passar mais dois anos fazendo as mesmas aulas que ela torna a opção do suicídio muito atraente.
“Espera aí, essa é a Sabrina?”, pergunta Tucker, surpreso. “Vejo essa menina no campus o tempo todo, mas não sabia que era dela que você sempre reclamava.”
“A própria.”
Seu sotaque arrastado do sul ganha força. “Que pena. Sem dúvida é uma gostosa.”
“Qual é o problema de vocês?”, se intromete Hunter. “Ela é sua ex?”
Estremeço de novo. “Nossa, não.”
“Então não tem problema nenhum se eu quiser tentar a minha sorte?”
“Você quer tentar a sorte? Disponha. Mas tô avisando, essa maluca vai te comer vivo.”
Sabrina vira a cabeça bruscamente na nossa direção. Deve ter algum tipo de radar interno que dispara toda vez que alguém a chama de maluca. Aposto que dispara o tempo todo.
Quando nossos olhares se encontram, ela abre um risinho para mim e me mostra o dedo médio antes de voltar a conversar com a amiga.
Hunter solta um gemido. “Já era. Ela não vai nem querer saber de mim agora que viu a gente junto. O que você fez pra ela, afinal?”
“Absolutamente nada”, respondo, sombrio.
“Mentira. Mulher nenhuma fuzila o cara com os olhos daquele jeito a menos que ele tenha feito uma merda bem grande. Você pegou?”
Tucker deixa o riso escapar. “O que você acha? Quer dizer, olha pra ela.”
“As aparências enganam”, murmuro.
Meu colega de república inclina a cabeça, desafiador. “Então você não transou com ela?”
Solto um suspiro. “Ah, transei. Mas faz muito tempo. E acho que essas coisas têm data de validade. Tipo, depois de três anos não conta mais.”
Eles riem. “Deixa eu adivinhar”, começa Tucker. “Você não ligou pra ela depois.”
“Não”, admito. “Mas, em minha defesa, é difícil ligar para uma garota quando, um, ela não te dá o número do telefone, e dois, quando você não lembra que pegou ela.”
Hunter fica boquiaberto. “Como você pode não lembrar dela?” Está praticamente salivando ao secar Sabrina de novo.
“Estávamos os dois chapados. Vai por mim, ela também não lembrava muita coisa.”
“Então é por isso que ela te odeia?”, insiste Hunter.
Dispenso a pergunta com um gesto da mão. “Na real… O problema foi por outra coisa. E agora vou mudar de assunto, porque, cacete, é sábado à noite e a gente devia estar se divertindo.”
Tucker ri. “Vou pegar uma cerveja. Alguém quer mais uma?”
“Tô de boa”, diz Hunter.
Enquanto Tuck caminha em direção ao bar, pego o celular e vejo as horas. Nove e meia. Dou uma olhada na minha lista de contatos, e Hunter volta a falar de hóquei. Acho que ainda tenho o celular de Allie, de quando ela estava organizando o aniversário da Hannah, na primavera. Ela me mandou um monte de mensagens de grupo, detalhando todos os pormenores da festa.
Sim, ainda tenho seu contato. Está em Amiga loura da Wellsy. Talvez eu devesse mudar para Garota sadomasô.
Digito uma mensagem rápida.
Eu: Chegou no alojamento direitinho?
É uma pergunta idiota, porque Allie saiu da minha casa hoje de manhã, então é claro que chegou direitinho. Ainda assim, fico surpreso que ela me responda imediatamente.
Ela: Cheguei. Tô aqui agr.
Eu: Merda d tempo hj. Mandou bem d ficar em casa.
Ela não responde. Fico olhando frustrado para a tela, então me pergunto por que estou tão incomodado. Sou o rei das noitadas casuais. Raramente quero um repeteco depois que durmo com uma menina, e se tem uma menina com quem não deveria fazer um repeteco é Allie.
Poucas coisas neste mundo me fazem me borrar de medo, mas a namorada de Garrett definitivamente está entre os três primeiros itens da lista. Wellsy não vai ficar feliz se descobrir que dormi com sua melhor amiga, e se Wellsy não está feliz, Garrett não está feliz, o que significa que vou ter que lidar com um G. reclamão e completamente decepcionado comigo. Logan vai imitar o amigo, e aí Grace vai engrossar o movimento “Dean é um babaca”, e, quando menos se espera, vou estar levando porrada de todos os lados. O que é motivo suficiente para ficar na minha, mas meu corpo sedento está teimando em dar uma de idiota.
Quero essa mulher de novo.
Uma vez só não vai fazer mal a ninguém, né? Merda, quem sabe duas vezes? Não sei de quantas vezes vou precisar para tirá-la da minha cabeça. Tudo o que sei é que sempre que penso nela, meu pau fica incrivelmente duro.
Ao meu lado, Hunter transferiu sua atenção para um grupo de meninas numa mesa próxima, e não consigo conter o orgulho quando, com um mísero aceno de cabeça, ele consegue que o trio venha até nós. O garoto é bom.
“Qual de vocês vai comprar uma rodada pra gente?”, provoca uma delas. É alta e loura e está com um vestidinho que bate no meio da coxa.
Assim que Hunter abre a boca para responder, todas as luzes do bar piscam ameaçadoramente.
Franzo a testa e me viro para Tucker, que acabou de se juntar ao grupo. “É o apocalipse lá fora ou algo assim?”
“Tá chovendo feio”, admite ele.
O pisca-pisca para. E tomo isso como uma deixa para ir embora, porque, se estamos lidando com uma possível queda de energia, prefiro estar em casa quando isso acontecer, e não na estrada. Além do mais, apesar de toda a minha conversa fiada sobre aproveitar a noite, realmente não estou no clima hoje.
“Bom, vou cair fora.” Dou um tapa no ombro do meu colega de república. “Vejo você em casa.” Não deixo de notar os beicinhos decepcionados das meninas, mas tenho certeza de que elas vão me esquecer assim que Hunter e Tuck exibirem seus encantos.
Um minuto depois, saio do bar e vejo que Tuck não estava de brincadeira. Nos dez segundos que levo para chegar ao carro, fico encharcado até os ossos, molhando todo o couro do revestimento interno da BMW . Os raios cruzando o céu são tão brilhantes que tornam meus faróis quase dispensáveis. Acho que dava para simplesmente deixar os flashes de luz branca iluminarem o caminho de casa.
Pego o celular de novo.
Eu: O tempo tá pior do q pensava. Fica c/ uma lanterna por perto, pro caso d faltar luz.
Ah, pelo amor de Deus. É como se eu estivesse escrevendo um guia de sobrevivência ruim. E por que estou mandando mensagens pra ela?
Allie responde com um Vlw pela dica, e depois: Sério, para d se preocupar cmg. Tô lendo no sofá. Debaixo do cobertor. Feito pinto no ninho.
Eu: No lixo.
Ela: ??
Eu: Pinto no lixo. É assim q se fala.
Passam-se cinco segundos inteiros de silêncio, até que o celular toca na minha mão. Atendo a chamada com um sorriso na cara.
“O que o pinto tá fazendo no lixo?”, pergunta ela.
Dou risada. “Sei lá, só sei que a expressão é assim.”
“Bom, prefiro a minha versão. No ninho pelo menos ele tá aconchegado.”
Sou distraído momentaneamente pelo martelar da chuva no para-brisa. Está mais forte agora, e, um segundo depois, as luzes do estacionamento se apagam.
Xingo baixinho quando a escuridão envolve meu carro. “Merda. Acabou de cair a luz do Malone’s”, digo a Allie. “Melhor ficar em casa, viu? Nada de sair vagando pelos corredores da Bristol House se faltar luz.”
“Por quê? Você acha que vai aparecer um serial killer no alojamento e vir atrás de mim?” Ela fica quieta por um instante. “E mesmo que isso acontecesse, eu provavelmente daria conta.”
Solto um riso de desdém. “Aham. Claro.”
“Ei, sou valente, tá!”, insiste ela. “Meu pai e eu fizemos um intensivão de defesa pessoal para pais e filhas quando eu tinha catorze anos.”
“Defesa pessoal para pais e filhas? Isso existe?”
“Não, mas a gente inventou. Ele viajava muito quando eu era criança, então, sempre que estava em casa, inventava um monte de atividades comigo. Mas como ele é o próprio sr. Machão, a gente só podia fazer coisa de menino. Tipo pescar, andar de bicicleta na lama ou aprender a descer a porrada um no outro. Bom, tenho que ir agora. Quero terminar de ler esta peça.” Ela faz uma pausa. “Dirija com cuidado.”
“Espera”, exclamo, antes que ela desligue.
“O que foi?”
Fico olhando para a chuva escorrendo pelo para-brisa e perguntando qual é o meu problema.
Então umedeço os lábios que ficaram secos de uma hora para a outra e digo: “Quero transar com você de novo”.
Do outro lado da linha, ouço Allie suspirar.
Meu corpo se enrijece de ansiedade. Penso na curva linda da sua bunda enchendo as minhas mãos. A forma como os mamilos se contraíram quando passei a língua neles. Sua boceta apertando meu pau.
Um gemido silencioso estremece meu peito. Meu Deus. Estou louco por essa garota. E agora estou prendendo o fôlego, esperando sua resposta.
Após uma longa pausa, com a voz irritada, Allie me diz: “Tchau, Dean”.
A chamada se encerra, e eu rosno de frustração.