O Jogo

Elle Kennedy · Capítulo 26 de 39

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O Jogo

Capítulo 25

 

DEAN

 

“Cadê ela?” Forço minha entrada, antes mesmo de Garrett terminar de abrir a porta. Meu olhar a procura pela sala de estar, mas Allie não está aqui. Wellsy está, e fica de pé assim que me vê.

“Tá no quarto…”

Sigo na direção do quarto, apenas para ser interceptado pela morena baixinha.

“Espera um segundo”, ordena Hannah, plantando a palma da mão no meu peito. “Você só entra depois que me disser que merda tá acontecendo aqui.”

“Me diz você”, rebato, impaciente. “Foi você quem me ligou à uma da manhã e me disse para vir porque Allie precisava de mim. O que aconteceu?”

“Sean apareceu aqui”, explica Garrett, com ar sombrio. “Bêbado e batendo na porta e exigindo falar com ela. Eu deixei entrar…”

“Você deixou entrar?!”, exclamo.

“Ela me mandou”, resmunga ele. “Disse que dava conta.”

Hannah interrompe, cheia de raiva. “Você precisava ouvir a maneira como ele gritou com ela. Chamou de vagabunda, disse que ela podia ter alguma doença…”

O quê?

A fúria sobe por minha coluna, chegando em minha garganta sob a forma de um rosnado ameaçador. “Sai da minha frente”, digo a Hannah.

“Dean”, protesta ela, à medida que corro na direção do curto corredor. “O que você tá fazendo aqui…”

O martelar pesado de meus passos abafa sua pergunta. Irrompo no quarto de Allie e paro junto à porta ao vê-la encolhida na cama. Allie levanta a cabeça ao me ouvir entrar, e o olhar desolado em seus grandes olhos azuis parte meu coração em vários pedaços.

“Linda”, digo, baixinho.

Ouço um suspiro assustado atrás de mim. Rangendo os dentes, viro e bato a porta nas caras atônitas de Hannah e Garrett. Eles não existem para mim agora. Só Allie existe, e, antes que ela possa se dar conta, estou na cama, puxando-a em meus braços e aninhando-a junto ao meu corpo. Allie esconde o rosto em meu peito, e posso senti-la tremer.

“O que aconteceu?”

“Sean veio aqui.” A resposta é abafada contra meu casaco.

“Eu sei, o G. me contou. Mas por que ele veio aqui?” Lembro o nosso encontro com Paulson hoje de manhã e solto um palavrão. “Aquele amigo dele… Paulson contou que viu a gente junto?”

Ela faz que sim, batendo a cabeça na minha clavícula.

“Babaca”, murmuro. Então inspiro fundo e corro a mão por seu cabelo sedoso. “Imagino que Sean estava com raiva.”

“Ele…” Sua voz falha. “Ele me chamou de piranha imunda.”

Uma fúria em brasa me atinge feito uma entrada violenta no rinque. Preciso usar de toda a força para afastá-la, expurgá-la de meu corpo. Quero matar o desgraçado por dizer isso.

“Você… não é…”, inspiro de novo, “… uma piranha imunda. Tá me ouvindo, linda? Não é. Nunca foi. Não sei nem por que o filho da mãe diria…”

“Por sua causa”, sussurra ela.

Minhas mãos cerram em punhos contra seus ombros. “O quê?”

“Ele acha que você tem um monte de doença, porque… tem uma vida sexual ativa…”

“Tô limpo”, interrompo. Minha voz é baixa, tomada pela ansiedade. Merda, espero mesmo que ela acredite em mim agora. “Nunca fiz sexo desprotegido na vida, Allie. Fiz o teste antes de a temporada começar, mas posso fazer de novo se você…”, paro. Foda-se. Vou fazer de qualquer jeito, mesmo que ela não peça, só para esmagar qualquer semente de dúvida que aquele zero à esquerda do Sean possa ter plantado na sua cabeça.

“Confio em você, Dean. Sei que tá limpo, tá legal? Não foi a parte da doença que me chateou. Foi a outra parte. A maneira como olhou para mim…” Seu pequeno corpo estremece. “Estava com tanto nojo. Foi como se, naquele momento, ele realmente me visse como uma piranha e me odiasse por isso.”

A fissura em meu coração se rompe, enviando estilhaços até o meu estômago. Sean devia estar agradecendo à sua estrela da sorte por não estar aqui agora. Minha vontade é de envolver os dedos em seu pescoço e espremer a vida para fora dele.

“Linda…” Engulo a raiva. “Linda, olha para mim.”

Lentamente, Allie ergue os olhos até encontrar os meus.

“Não dou a mínima pro que o Sean diz, ou pro que ele pensa… você não fez nada para merecer um ataque verbal, entendeu? Você não é uma piranha. Você é…” Perfeita, quase digo, mas não tenho a chance, porque ela está tremendo de novo.

“Então por que me sinto como uma?” Ela pisca depressa, como se estivesse tentando não chorar. “Deus. Odeio isso. Eu te disse, não sou feita para fazer sexo casual.”

As palmas das minhas mãos ficam úmidas. Não quero que ela continue. Estou apavorado com o que ela vai dizer.

“Não sei se posso continuar com isso.”

Merda.

“É confuso demais… dormir com você, sem nem estarmos juntos…”

“Estamos juntos”, interrompo.

Ela se assusta. “O quê?”

Sinto como se alguém tivesse enfiado um punhado de cascalho na minha boca. Engulo em seco. “Estamos juntos”, repito.

Ela parece perplexa. “Estamos… por quê?”

“Porque estamos.” Uma resposta sem sentido, mas é tudo o que tenho. Não quero que isto acabe. Não posso explicar por quê, mas só sei que não quero que isto acabe.

“Você quer…” O sulco em sua testa se aprofunda. “Você quer namorar comigo?”

Meu batimento cardíaco torna-se errático. Faz anos que não tenho uma conversa assim com uma menina. Desde Miranda. Mas Allie não é Miranda. Allie é… ela é… merda, não consigo nem organizar os pensamentos. Exceto um. A certeza profunda de que não posso deixar isto acabar.

“Dean?”

Aperto-a com força, enterrando o rosto na curva do seu pescoço. “Quero ficar com você”, murmuro. “Então isso significa que estamos juntos, tá legal?”

Um riso instável faz cócegas na minha bochecha. “Você tá me assustando agora.”

“Eu tô me assustando.” Com um gemido, ergo a cabeça e seguro seu queixo delicado com ambas as mãos. “Por que você pediu pra Wellsy me chamar?”

Allie vacila. “Porque…” Ela morde o lábio. “Porque queria que você me dissesse que Sean tá errado. Porque precisava…” Ela hesita, como se estivesse tão assustada com isso quanto eu. Sua incerteza só me deixa mais seguro.

Deslizo o polegar ao longo da linha de seus lábios, suavizando a pequena marca que ela fez com o dente. “Você quer isso também. Ficar comigo?”

Allie permanece quieta por tanto tempo que fico nervoso de novo. Em seguida, assente com a cabeça.

“Me diz por quê”, peço, a voz rouca. “Preciso saber que não é só porque sexo casual faz você se sentir mal. Que não é só porque tá insegura sobre o que Sean disse.”

Allie desliza lentamente uma das mãos sobre minha bochecha. “Não é.” A ponta dos dedos toca a barba por fazer em meu queixo. “Quero estar com você porque parece certo.”

A tensão em meu peito se dissipa, substituída por uma estranha onda de calor que não poderia explicar nem que tentasse. Não falamos mais depois disso. O que é igualmente estranho, este longo e inexplicável silêncio que não precisa ser preenchido. Solto-a apenas o suficiente para tirar o suéter e a calça jeans. Estico o braço e desligo a lâmpada de cabeceira.

A escuridão cai sobre nós. Allie entra debaixo das cobertas. Sem uma palavra, desloca-se na cama para abrir espaço para mim.

Deito atrás dela, envolvendo seu corpo esbelto com um braço e puxando-a mais para perto. Ela faz um barulho contente e aconchega a bunda em minha virilha, as costas em meu peito. Seu cabelo faz cócegas em meu queixo. Adormeço com o som da sua respiração suave e a batida constante do seu coração sob a minha palma.

Na manhã seguinte, quando saio do quarto, Hannah e Garrett estão na cozinha. Estão segurando as canecas cor-de-rosa mais ridículas que já vi — a de Wellsy diz “Melhor amiga da Allie!”, numa letra cursiva roxa. E a de Garrett, “Melhor amiga da Han-Han!”.

Sufoco uma risada. Por que tenho a impressão de que essas canecas são coisa da Allie?

Como já estava esperando um interrogatório, não fico surpreso quando os dois me atacam no momento em que me veem.

“Que tipo de joguinho você tá fazendo com a minha melhor amiga?”

“Eu avisei especificamente para você manter o pau longe dela, cara.”

Sigo o aroma de café fresco até a bancada estreita. Não são nem nove horas. Ainda não estou acordado o suficiente para ter essa conversa.

Infelizmente, meu esforço obstinado em ignorá-los não tem efeito. Os dois continuam disparando perguntas na minha direção enquanto me sirvo de um pouco de café.

“Há quanto tempo isso tá acontecendo?”

“Por que você não me contou?”

“Por que ela não me contou?”

“Isso vai arruinar toda a nossa dinâmica de grupo, sabia?”

“Você acha?” Hannah volta a atenção para Garrett. “Se for só um caso, provavelmente não vai mudar nada.”

“Sua amiga não é do tipo que tem só um caso, amor. Ela adora um compromisso.”

A mesma observação que fiz sobre Allie no carro, a caminho de Nova York, mas ouvir Garrett dissecar os hábitos sexuais da minha namorada me faz ficar todo eriçado.

A minha namorada. Nossa. Nunca achei que diria isso. Mas é assim que as coisas são agora, e decidi deixar rolar.

“Ei, tenho uma ideia.” Eu me recosto contra a bancada e fito os dois por sobre a borda da minha caneca. “Que tal vocês cuidarem da sua vida?”

Wellsy deixa a mandíbula cair.

Garrett arregala os olhos.

Uma risada contida vem do corredor. Um momento depois, Allie aparece na sala. “Bom dia”, diz, casualmente.

Há uma pausa. “Bom dia”, responde Hannah.

Allie se aproxima da bancada e pega a cafeteira. Quando se inclina na ponta dos pés para alcançar uma caneca no armário de cima, não consigo me conter e dou um tapa na sua bunda saliente.

Hannah me lança um olhar mordaz.

Garrett balança a cabeça.

“O que foi?” Minha expressão é inocente.

Allie dá um gole no café, em seguida, abraça a caneca com ambas as mãos e fala para todos nós. “Certo. O negócio é o seguinte, pessoal.” Ela olha para Hannah. “Dean e eu estamos juntos. Pronto. É isso. Podem começar com as perguntas.”

Hannah fica de boca fechada. Para alguém com tantas dúvidas há tão poucos minutos, seu silêncio é surpreendente. Preocupante. Seus olhos verdes inquietos me dizem que não está feliz com este novo arranjo.

“Ninguém? Não tem nada que vocês queiram saber?” Allie leva a caneca aos lábios. “Tá bem, então.”

Escondo um sorriso e me volto para Garrett. “Hunter e eu temos uma hora a mais de gelo hoje. O treinador liberou. Quer vir com a gente?”

Ele esfrega a mão no queixo, coçando a barba escura por fazer. “Ainda tá ajudando o Davenport? Trabalhando mano a mano?”

Faço que sim. “Ele é dedicado, trabalha duro. Mas acho que umas dicas de outro atacante poderiam ajudar.”

Garrett concorda com a cabeça. “Beleza, vou também. Posso ajudar com o posicionamento dele durante as penalidades. Errou muito nesse jogo com o Burlington ontem.”

“Pelo menos a gente ganhou.”

“Verdade. Mas a campanha ainda tá uma merda.”

“É desolador, cara. Meus garotos do Hurricanes estão fazendo uma campanha melhor, e eles não têm nem quinze anos.”

“Seus garotos?” Ele sorri. “Cara, admita. Você tá apaixonado por esses meninos.”

“Vai à merda. Só me divirto treinando…”

“Vocês dois, fora!”, anuncia Wellsy, uma mistura de irritação e exasperação em seu rosto.

Garrett fica visivelmente magoado. “Tá me expulsando?”

“Desculpa, meu amor. Te amo com todo o meu coração, mas agora tá na hora de as meninas conversarem, e, na última vez que chequei, você não era menina. Portanto, você precisa ir.” Ela fecha a cara para mim. “Você também, Dean.”

Não sou nem maluco de discutir com Hannah Wells quando ela está determinada desse jeito. Ela quer a gente fora daqui, então é isso que vamos fazer.

Viro o café, coloco o copo vazio na pia e olho para Allie. “Te ligo mais tarde?”

“Beleza.” Ela caminha na minha direção e me dá um beijo na bochecha, mas de jeito nenhum vou sair daqui sem algo um pouco mais substancial. Capturando seu queixo em minha mão, deito sua cabeça para trás e pressiono a boca na dela. O beijo é profundo e apaixonando, além de envolver um monte de língua e durar o suficiente para fazer Hannah gritar.

“Tá legal, já chega!”, ordena ela.

Quando Allie e eu nos separamos, lanço um sorriso na direção de Wellsy. “Ah, relaxa, gata. Tô só dando um beijinho de língua na minha gata. Ninguém morreu.”

Hannah fica boquiaberta. Em seguida, aponta para a porta e rosna: “Fora”.

 

ALLIE

 

“A gata dele?”, exclama Hannah, no momento em que Dean e Garrett saem pela porta. “Quero uma explicação, Allison. Tô falando sério. Quero. Uma. Explicação.”

Engulo um pouco mais de cafeína. Se vamos ter esta conversa agora, preciso colocar o cérebro para funcionar. Embora, honestamente, não sei se consigo me explicar. Nem sei o que pensar dessa coisa com Dean.

Ele disse que sou sua gata, certo?

E isso significa que ele é o meu homem?

Porque somos um casal agora?

Resumindo: não esperava que a noite passada terminasse do jeito que terminou. Depois da maneira como Sean perdeu completamente o controle e me tratou como merda de cachorro na sola do seu sapato, eu deveria ter jurado nunca mais tocar em homem nenhum, mas, de alguma forma, terminei a noite ganhando um namorado. A vida às vezes é fascinante.

“Quando isso aconteceu?” A voz de Hannah se suaviza, à medida que ela analisa o meu rosto. “E por que você não me contou?”

Dou de ombros, sem jeito. “Estava com vergonha.”

“Com vergonha? Por quê?”

Suspirando, carrego a xícara de café para o sofá e desabo nele. Sento sobre as pernas cruzadas e espero Hannah se juntar a mim. “Porque… porque é o Dean. Dean Di Laurentis, o maior pegador da história.” Eu me sinto mal dizendo isso, mas sempre fui honesta com Hannah. “Ele é irritante e ridículo e não faz meu tipo nem um pouco.”

Ou pelo menos isso é o que eu costumava pensar, antes de conhecê-lo. Claro, ele continua sendo irritante e ridículo na maioria das vezes, mas Dean tem muito mais a oferecer do que eu jamais poderia ter imaginado.

Hannah franze os lábios. “Tá. Começa do começo. Quando aconteceu?”

“Quando você acha?”, pergunto, irônica. “Na noite em que dormi na casa deles.”

Seu rosto empalidece. “Ai, meu Deus. Então é minha culpa? Eu fiz isso com você?”

Dou uma gargalhada. “Não, eu fiz isso comigo mesma. Fiquei bêbada e acabei na cama dele. Tudo minha culpa.”

“E agora vocês estão juntos?” Ela parece pasma. “Como isso é possível? Você mesmo disse, ele é o maior pegador da história. Por que você ia querer namorar ele?”

“Porque gosto dele”, digo, simplesmente.

“Tem certeza de que não tá só tentando esquecer seu relacionamento com Sean?”

Dou de ombros. “Pode ter começado assim. Não nego que receber a atenção do Dean me fez sentir bem. Era… diferente da atenção do Sean. O Sean sempre precisava de mim, mas de uma forma que eu nunca era capaz de satisfazer. Nada do que eu fazia era bom o suficiente. Ele estava sempre com raiva e decepcionado, e parte de mim sabia que não éramos certos um para o outro, mas… Gosto de estar num relacionamento.” Essas últimas palavras pairam entre nós com o peso de uma bigorna. Nem sequer preciso olhar para Hannah para antecipar sua próxima pergunta.

“Tem certeza de que não tá entrando num relacionamento novo às pressas porque precisa estar com alguém?” Seu ceticismo está abrindo um buraco no que ontem à noite parecia certo, no que ainda hoje de manhã parecia certo.

Aflita, olho para ela. “Não sei. Tentei dizer não para o Dean. Depois da primeira noite…”, uma noite inesquecível, de virar a cabeça e não me deixar pensar em mais nada, “ele ficou me ligando e mandando mensagens, pedindo uma segunda rodada, e eu ficava rejeitando, até uma hora em que pareceu ridículo. Eu queria dormir com ele, ele queria dormir comigo, então por que não?”

“Mas não podia ser só sexo?”

Solto um gemido. “Eu tentei, de verdade, mas não fui feita pra isso, Han-Han. E não sei como aconteceu, mas comecei a gostar dele, mais do que só daquele pau mágico.” Ela dá uma risada, mas continuo. “Ele é bom para mim. É ótimo em ouvir os outros. É uma companhia divertida. O sexo é mais que surpreendente.”

Espera, acabei de botar o sexo em quarto nessa lista? Aparentemente sim. Mas isso é porque… bem, porque sexo não é mais a primeira coisa que me vem à cabeça quando penso em Dean. Não somos mais só dois corpos suados em busca do orgasmo. Assistimos juntos a uma série francesa da qual só entendemos uma a cada três palavras. Dançamos juntos. Nos divertimos. Ele encontrou minha amiga da escola. Meu pai…

“E ele é a primeira pessoa com quem você quer falar quando tá chateada”, acrescenta Hannah, muito perspicaz.

Aperto os lábios com força. Mesmo que quisesse, não posso negar o que aconteceu ontem. Meu primeiro instinto foi o de colocar os braços de Dean à minha volta, como se ele fosse a única pessoa capaz de consertar tudo. E ele consertou. Acalmou meu orgulho ferido, meus sentimentos machucados, e me apoiou a noite inteira. Eu não teria dormido um minuto da noite passada se ele não tivesse vindo.

“Tá preocupada que ele vai me machucar?”, pergunto, com um suspiro.

Hannah esfrega a borda da sua caneca de café algumas vezes antes de responder. “Não. Acho que tenho que me preocupar com o Dean. Ele não costuma ser a pessoa que está sempre lá para os outros. Não tô dizendo que é egoísta. É um bom amigo, mas sei que Garrett recorreria ao Logan antes de chamar o Dean.”

“Não sei por quê”, respondo, irritada. “O Dean daria a qualquer um a roupa do corpo. Sem questionamentos.”

“O Logan é de confiança.”

“E o Dean não é? Só porque é um pouco obcecado por sexo, isso não faz dele uma pessoa não confiável!” Bato a caneca na mesa, espirrando algumas gotas mornas de café.

Hannah começa a rir, e o som indesejável me segue até a cozinha, onde pego umas folhas de papel-toalha para limpar minha bagunça.

“Qual a graça?”, pergunto, jogando o papel sujo no lixo.

“Você e a sua defesa desnecessária do Dean.” Ela se levanta do sofá e se junta a mim na cozinha, apertando meu ombro de leve. “Olha, se quer ficar com o Dean, fique com o Dean. Só me preocupo porque você não é de dormir com caras só pra se divertir. Não tô dizendo que dormir com ele logo depois de terminar com o Sean é errado ou feio, de forma nenhuma. Só não é você.”

Murcho contra a bancada. “Sei que não. Continuo me dizendo isso, mas… que droga, gosto de estar com ele.”

“Tá apaixonada por ele?”

“Não. Não sinto aquela moleza quando se trata dele. Não como eu tinha com…” Deixo a frase morrer. Ia dizer não como eu tinha com o Sean, mas não consigo lembrar a última vez em que senti algo bom por Sean. Os únicos sentimentos de que me lembro são cautela, irritação, impaciência e, na noite passada, dor.

Hannah coloca outra caneca de café em minha mão. “Para de pensar demais e deixa rolar, para ver onde isso vai dar.”