O Jogo
Capítulo 16
DEAN
“Você tem namorada?” Dakota saltita pela sala de equipamentos feito uma fadinha, enquanto empilho os capacetes na prateleira à minha frente.
Como o vestiário dos meninos não é exclusivo para o time de hóquei — é também utilizado por qualquer aluno da escola —, o equipamento tem que ser armazenado nessa sala. Como assistente técnico, é meu trabalho colocar tudo em ordem.
“E aí, tem ou não tem?”, insiste ela, quando demoro mais que dois segundos para responder.
Olho para Dakota por cima do ombro. “Não, não tenho. E você não deveria estar fazendo o dever de casa?” Não que eu me incomode com sua companhia. Dakota é muito divertida.
Ela sobe na tampa fechada de um grande recipiente de armazenamento e cruza as pernas. “Não tenho dever de casa hoje.” Enrolando a ponta do rabo de cavalo louro no dedo, ela masca um chiclete de forma barulhenta, sopra uma bolha cor-de-rosa grande, então acrescenta: “Por que não?”.
“Por que não o quê?” Coloco o último capacete na prateleira e me viro para ela.
“Por que você não tem namorada?”
“Porque não.”
“Você nunca teve uma namorada?”
“Tive, claro. Várias.” Bem, não depois que entrei para a faculdade, mas não conto essa parte para Dakota. No mínimo não seria adequado dizer para uma menina de dez anos que passei os últimos anos solteiro porque estava muito ocupado transando com todo rabo de saia que me dava bola na Briar.
E por falar em transar, se não der uma logo, juro por Deus que minhas bolas vão explodir. Acabei não vendo Allie no domingo, e ela também não pôde me encontrar ontem. Tem andado ocupada com os ensaios e falou alguma coisa sobre precisar gravar um teste para um papel, mas estou começando a me perguntar se ela está fugindo de mim. Espero que não, porque não estou pronto para esse… caso? Exatamente, caso. Não estou pronto para esse caso acabar.
“Sabe o meu irmão, Robbie?”, pergunta Dakota, em tom conspiratório.
Dou uma gargalhada. “Não, filha, não conheço o Robbie. Só treino o time dele.”
Suas bochechas ficam rosadas. “Ops. Claro. Pergunta idiota, né?”
“Você acha?”
Rindo, ela continua: “Enfim, você não pode contar pra ninguém, mas Robbie tem uma namorada!”.
Levanto as sobrancelhas para ela. “Ah, é? E como você sabe? Tá espionando seu irmão mais velho?”
“Não, ele me contou. Dã. Robbie me conta tudo. O nome dela é Lacey, e ela está no oitavo ano.” Dakota balança a cabeça, espantada. “Isso é um ano inteirinho a mais que ele.”
Tento conter o riso que está prestes a escapar. “Ah, então o Robbie arrumou uma mulher mais velha, foi? Bom pra ele.”
Dakota abaixa a voz para um sussurro e começa a me contar todos os detalhes sobre a namorada do oitavo ano do irmão. Escuto com atenção, tentando determinar exatamente quando foi que passar meu tempo com alunos do primário se tornou o ponto alto dos meus dias.
Não me levem a mal, o tempo que passei na Briar tem sido incrível. Meu time ganhou três campeonatos nacionais, e, em termos acadêmicos, sempre estive entre os melhores da turma. A única matéria em que tive problemas foi uma disciplina incompreensível de política no segundo ano, que terminei com nota oito. Mas não gosto de pensar nisso, porque me lembra de um monte de outras besteiras que prefiro esquecer. Apesar disso, não posso negar que tive uma carreira acadêmica de sucesso. Dei um show na prova de admissão. Passei na faculdade de direito de Harvard por mérito próprio, sem ter que depender do meu sobrenome.
Mas não me lembro de já ter ficado empolgado com as aulas. Não pulei de alegria quando recebi o resultado da prova de admissão. E certamente não estou dando piruetas com a perspectiva de ir para Harvard.
Sempre se presumiu que eu seguiria o caminho do direito. Não é uma coisa que meus pais me forçaram a fazer, mas não posso fingir que é algo que me deixa morto de amores. Não como meu irmão, que vive e respira o direito. Ele adora o trabalho na empresa e diz que toda vez que pisa num tribunal se sente vivo. Igual Garrett e Logan com o hóquei.
Já eu? Nunca tive essa sensação antes. Amar algo tanto que sinto o sangue ferver e o corpo todo borbulhar de vida.
Ou pelo menos não até sexta à noite, quando vi o Hurricanes deixar o líder da divisão no chinelo. E hoje de novo, quando passei uma série de troca de passes e vi todos os meninos no gelo a executarem com perfeição.
“Dean, você não tá ouvindo!”
A voz aguda de Dakota me desperta de meus pensamentos. “Desculpa. Viajei por um instante aqui. O que você estava dizendo?”
“Nada”, murmura ela.
Ela está obviamente muito chateada por ter sido ignorada, o que me faz imaginar que estava falando alguma coisa importante. Arrasto uma cadeira de metal na sua direção, coloco de costas para ela e sento com uma perna de cada lado, descansando os braços no encosto. “Me conta.”
Dakota faz um biquinho com o lábio inferior. “Fiz uma pergunta.”
“Certo, então pergunta de novo. Prometo que desta vez vou ouvir.”
“Você…”, o restante salta de sua boca a toda velocidade, “podiameensinarapatinar?”
“Pode falar um pouquinho mais devagar?”, peço, com um sorriso.
“Você podia me ensinar a patinar?”, repete ela.
Franzo a testa. “Você não sabe patinar?”
Dakota balança a cabeça de leve.
“Ca… caramba!” Estou horrorizado. Quem mora na Nova Inglaterra e não sabe patinar no gelo? É uma blasfêmia.
“Minha mãe só tinha dinheiro para mandar um de nós para a aula de patinação, e Robbie era mais velho, então foi ele. E meu irmão um dia vai ser um jogador famoso de hóquei, precisa saber patinar.”
Embora o tom de Dakota seja de defensiva, não deixo de notar a mágoa subjacente. Sinto um aperto no coração. Meus irmãos e eu nunca tivemos esse tipo de problema quando éramos crianças. Nossa família tinha bastante dinheiro, o que significa que não tivemos que fazer nenhum sacrifício. Summer fazia aula de balé e de natação. Nick e eu tivemos aula de patinação, íamos aos acampamentos de hóquei e tínhamos acesso a todo equipamento de que precisávamos.
Não menti para Allie na outra semana — a Vida de Dean é uma delícia. Sempre tive o que quis.
Agora, vendo o rosto transtornado de Dakota, me sinto um garoto mimado e ingrato.
“Então você não tem patins?”, pergunto, lentamente.
Ela nega de novo com a cabeça.
“Qual é o tamanho do seu pé?”
“Não sei. Pequeno?”
Rio. “Deixa eu ver um dos seus sapatos.”
Dakota tira depressa um tênis rosa-choque e passa para mim.
Depois de conferir a etiqueta, devolvo o sapato e caminho até o armário grande de metal onde ficam os patins dos meninos. A maioria é grande demais para ela, mas depois de vasculhar um pouco encontro um par de Bauers na prateleira de baixo que talvez caibam nela.
Ergo os patins pretos arranhados. “Experimenta esses.”
Seus grandes olhos azuis se enchem de horror. “Mas é de menino! Quero patins de menina.”
Outra risada ameaça saltar de minha garganta. Mas diante de sua expressão de tristeza, solto apenas um suspiro. “Tudo bem. Não se preocupe. Vou ver o que posso fazer, tá legal?” Coloco depressa os Bauers feios de menino de volta no armário e fecho a porta depressa, antes que ela comece a chorar.
O treinador Ellis escolhe esse momento para enfiar a cabeça na sala. “Sua mãe está aqui”, diz a Dakota.
Fico com medo de ele notar a expressão de tristeza em seu rosto e achar que estou fazendo alguma coisa de errado, mas, quando volto a olhar para ela, Dakota é toda sorrisos.
“Tchau, Dean!” Ela salta da caixa em que estava sentada e dispara pela porta.
Ellis sorri para mim. “Uma graça, né?”
Saio com ele da sala de equipamentos, e nós dois passamos alguns minutos discutindo o que queremos fazer no próximo treino dos meninos. Assim que terminamos, deixo a arena e dou uma olhada no telefone a caminho do carro. Tem uma mensagem de Garrett dizendo que vai dormir na Bristol House com Hannah, mas que deixou o jipe em casa, então vai precisar de carona para voltar do treino amanhã.
Quando entro em nossa cozinha dez minutos mais tarde, vejo um bilhete de Tucker na geladeira, avisando que vai passar a noite na casa de alguém. A não namorada misteriosa, suponho.
E depois? O último desertor. Logan aparece para pegar uma garrafa d’água e dizer que vai voltar tarde.
“Vai aonde?”, pergunto, vasculhando a geladeira.
“Boston. O pai da Grace comprou ingressos pra um negócio de orquestra aí. Nenhum de nós dois tá muito a fim de ir, mas ela disse que ele vai ficar chateado se não formos.”
Sorrio por cima do ombro. “Então você vai passar a noite ouvindo música clássica?”
“Pois é”, comenta ele, desanimado. “Mas vai ter um intervalo, e Grace prometeu que a gente pode se pegar na chapelaria do teatro.”
“Parece uma boa troca.”
“Também achei.”
Logan vai embora alguns minutos depois, e minha libido desesperada por sexo emerge diante da ideia de ter a casa só para mim. Na mesma hora, escrevo para Allie, que deve estar tão excitada quanto eu, pois responde imediatamente.
Ela: SIM! 3 dias de estresse = chego aí depois da academia. Mas me dá duas horas.
Eu: Queria pedir uma coisa.
Ela: ?
Eu: Pode trazer o Winston?
O pedido me rende um emoticon de gargalhada e um de piscadela, o que pode significar “Que engraçado, mas não” ou “Que engraçado, claro que levo”. Espero que seja o último.
Folheio um exemplar da Sports Illustrated na bancada da cozinha enquanto devoro meu jantar, que consiste em sobras de frango e brócolis. Toda semana a nutricionista do time manda um e-mail com uma lista de sugestões de planos de refeição, mas Tucker, o cozinheiro da casa, parece achar que a palavra “sugestão” significa “ordem”, porque se recusa a deixar entrar junk food nessa casa. Como ele é o único que se lembra de ir ao mercado e que realmente gosta de cozinhar, moramos na casa mais saudável do mundo.
Depois do jantar, tomo um banho, faço a barba e aparo um pouco os pelos lá embaixo. Então sento à minha mesa e começo o trabalho de relações internacionais, e ainda estou concentrado nele quando Allie toca a campainha. Salvo o arquivo, fecho o laptop e desço para abrir a porta.
Ela está ao telefone e gesticula um “Desculpa” com a boca, fazendo um sinal com um dedo de que vai precisar de um minuto ainda.
“Quer jantar?”, murmuro, assim que ela entra em casa. “Temos sobras.”
Allie cobre o bocal do telefone por um segundo. “Obrigada, já comi.” Então afasta a mão e continua a falar: “Não, ainda tô aqui, Ira. E, sim, já mandei o vídeo. Não entendi a pressa, se eles só vão decidir o elenco em fevereiro.”
Subimos até o segundo andar, e deixo-a andar na minha frente, para admirar sua bunda. Quando chegamos ao corredor, não me contenho e me aproximo por trás, esfregando a virilha dolorida contra sua bunda ao mesmo tempo que beijo seu pescoço.
Ela treme e me empurra. “Não sei”, diz, ao telefone. “Ainda tô na dúvida sobre esse papel.” Então faz uma pausa. “É, li o que eles me pediram. Minha amiga Megan fez a parte da Zoey fora da câmera.”
Percebo que ela não para de esfregar a base das costas. Toda vez que seus dedos tocam um determinado ponto, ela faz uma cara de dor. Ou talvez esteja só irritada com o que esse Ira está dizendo.
“Mandei por correio prioritário da agência da faculdade, deve chegar pra você amanhã à tarde.” Ela aperta o cóccix, massageando distraidamente. “Se achar que tenho que refazer, eu refaço. Mas fiz o melhor que pude com o que eles me deram… tá bom… tá bom, Ira… amanhã a gente se fala.”
Ela desliga o telefone e se vira para mim. “Meu agente tá me deixando louca”, reclama.
Nem sabia que Allie tinha um agente, então estou impressionado. “Por quê?”
“Quer que eu faça um teste para um piloto da Fox, mas não posso voar para Los Angeles no dia da seleção, então tive que gravar um vídeo para mandar pra eles. Agora ele tá preocupado que a câmera não vai transmitir o meu ‘encanto natural’. O que é ridículo, porque é isso que atores de televisão fazem: transmitem emoção pra uma câmera.”
Franzo a testa ao vê-la esfregando as costas de novo. “O que aconteceu?”
“Não sei”, murmura ela. “Acho que distendi alguma coisa. Tô tão estressada com a peça, e acho que forcei demais na academia hoje. Minhas costas estão me matando.”
“Quer uma massagem?”
“Nossa, e como. Por favor.”
Estou prestes a mandá-la deitar na cama, mas então tenho uma ideia melhor. “Tira a roupa”, ordeno. “Já volto.”
Depois de anos praticando esportes, aprendi um bocado sobre dor. Músculos tensos, costelas doloridas, joelhos arrebentados… Já tive de tudo e descobri há muito tempo que nada me alivia mais do que ficar de molho. Como uma visita à banheira de hidromassagem ou à sauna da arena não é uma opção, sigo com a melhor alternativa à disposição e preparo um banho escaldante.
Enquanto a banheira enche, procuro por algum sal ou óleo de banho no armário sob a pia. Encontro um frasco de espuma para banheira que imagino ser de Grace, porque Hannah tem o luxo de usar a suíte de Garrett. Quando nos mudamos para esta casa, o egoísta filho da mãe lançou mão de seus privilégios como capitão do time e reivindicou o quarto principal.
Logan, Tuck e eu somos forçados a dividir um banheiro no corredor, o que é bem evidente: as prateleiras estão lotadas de produtos masculinos, as toalhas estão sempre no chão, e o lixo contém uma quantidade alarmante de embalagens de camisinha.
Suspirando, recolho as toalhas descartadas. Logan deixou uma calça cáqui no toalheiro, mas simplesmente jogo as toalhas úmidas por cima, pego mais duas limpas no armário e coloco sobre a tampa do vaso sanitário.
Volto até o quarto e encontro Allie toda nua sentada na beirada da cama. Meu corpo responde, enrijecendo com a visão da pele lisa. Seus mamilos saltam numa saudação. Cara, quero chupar esses peitos.
Um sorriso irrompe quando noto o que ela está segurando. “Você trouxe!”
“Quando sua mensagem chegou, eu ainda estava no alojamento, então decidi conceder seu pedido.” Ela aponta ameaçadoramente o vibrador na minha direção. “Mas se você acha que vou enfiar o Winston em você, pode tirar o cavalinho da chuva.”
Engulo uma risada. “Não se preocupa. Prefiro Winston bem longe da minha bunda.”
“Ótimo.” Ela acaricia carinhosamente o brinquedo cor-de-rosa. “Não me leve a mal… se fosse qualquer outra coisa eu topava. Mas Winston, não. Ele é especial para mim.”
Espera, o quê?
“Esse é o seu problema? Você topa enfiar o que eu pedir em mim, desde que não seja o seu precioso Winston?”
“Se você pedir, claro.” Ela diz isso como se fosse a coisa mais natural no planeta. “Por que iria negar a você um pouco de prazer na próstata? É igual dizer para uma mulher que você não vai tocar o clitóris dela.”
“Como um homem que nunca experimentou a própria próstata, não posso comentar sobre a força da sua comparação.”
Seu queixo cai. “Nunca? Sério? Certo, a gente tem que mudar isso.”
“Passo.” Coloco-a de pé e aprecio a visão de seus seios nus balançando. “Anda, tem uma coisa que vai ajudar com a sua dor nas costas.”
Levo Allie até o banheiro, e seu rosto se ilumina quando ela vê o banho de espuma que preparei. “Ai, meu Deus. Isso é incrível.”
Pegando o vibrador de sua mão, empurro-a para a banheira. “Entra aí. Mas deixa um espacinho para mim.”
“Uuuh, vamos tomar banho juntos? Melhor ainda.” Ela mergulha um pé delicadamente na água e solta um gemido alto o suficiente para acordar o meu pau. Não que ele estivesse dormindo. Míni Dean está sempre em estado de alerta quando essa menina está por perto. “Quente e gostoso”, ronrona Allie.
Igual a ela.
Coloco Winston na borda da banheira e tiro a roupa. Allie espirra um pouco de água ao deslizar para a frente, para dar espaço para mim às suas costas.
O vapor à nossa volta tem o cheirinho de morango do banho de espuma. Aninho seu corpo escorregadio contra o meu peito nu, deixando escapar um ruído satisfeito. Minhas pernas são compridas demais para esta droga de banheira, então tenho que ficar com os joelhos para fora, mas não me importo, porque a bunda redonda de Allie está apertando o meu pau, e estou mais que disposto a lidar com um pouco de cãibras, se for para tê-la nesta posição.
“Tá, ainda sobre a sua bunda. Você não tem mesmo a menor curiosidade em saber como é?”
Levo as mãos até o seu cóccix e massageio a carne lisa e molhada. “Nem um pouco.”
“Ai, que delícia… faz assim…” Ela geme de novo e relaxa ao meu toque. “Nem um dedo? Deixa eu enfiar um dedinho para ver o que acontece.”
Bufo de rir. “Agradeço a oferta, mas não.”
“Você preferiria que fosse com um homem? Porque, gato, tenho uns amigos gays que fariam qualquer coisa para botar as mãos na sua bunda.”
Desta vez, solto um “Nem pensar”.
“Nunca achei que você fosse homofóbico”, provoca ela.
“Não sou homofóbico.”
“Mentiroso.”
“Não sou. Sério, não me importo se você é gay, hetero, bi ou seja lá qual for a sua categoria. Só não estou interessado em dar a bunda pra um cara. Peru não é a minha praia.”
“Como você sabe?”, desafia ela. “E se você ficasse com um cara e descobrisse que adora?”
“Vai por mim, não vai acontecer.”
“Como você pode ter tanta certeza se não tiver experimentado?” Dou de ombros, o que provoca um grito seu. “Ai, meu Deus, você já experimentou!” Ela se vira para me encarar, transbordando água da banheira. “Com quem? Como ele era? O que vocês fizeram? Conta tudo!”
“Não tem nada pra contar.”
“Mentira.” Ela corre uma das mãos sobre as pequenas bolhas brancas agarradas aos meus peitorais. “Vou fazer uma proposta. Se você me contar sobre a sua experiência gay…”, e faz uma pausa sedutora, “… eu conto sobre a minha experiência lésbica.”
E, de uma hora para a outra, estou mais duro que pedra. “Fechado”, digo, imediatamente.
Seu riso ecoa nos azulejos do banheiro. “Homens. Tão fáceis de manipular.”
“Claro que somos. É a nossa maior fraqueza — somos governados pela cabeça de baixo.” Deslizo as mãos por sua barriga ensaboada para segurar seus seios. Seus mamilos toda hora me espreitam, tentadores, por entre a espuma branca, e não consigo deixar de procurá-los com os dedos. Quando aperto as pontinhas, Allie emite um som gutural e fecha os olhos. “Nada disso”, reclamo, afastando as mãos. “Você não pode me atiçar com uma experiência lésbica e depois mudar de assunto.”
“Ah, é. Tinha esquecido.” Ela dá de ombros, o que faz umas gotinhas voarem das pontas do cabelo. “Beijei uma amiga no primeiro ano da escola. Ficamos bêbadas numa festa e decidimos experimentar.” Outro dar de ombros. “Não foi ruim.”
“Só um beijo?”
“É.”
“E ‘não foi ruim’?”, resmungo. “Que história mais decepcionante.”
“Poxa, foi mal se a minha experiência não fez jus aos seus padrões de perversão. Mas foi o que aconteceu. Certo, sua vez. Quando foi que você fez a sua tentativa gay?”
“Também aconteceu na escola”, confesso. “Um amigo e eu saímos com nossas namoradas uma vez, e elas nos desafiaram a nos beijar. Falamos que só se elas se beijassem antes. Não achei que fossem nos levar a sério, mas elas se pegaram feito duas atrizes pornô. Então eu e Jason tivemos que cumprir a palavra.”
“Você gostou?”
“Não foi horrível, mas não me deixou duro.”
“Teve língua?”
“Teve.”
“Bastante língua?”
“Não sei. Uma quantidade normal.”
Allie parece tão decepcionada com a minha história quanto eu com a dela. “E parou por aí? Vocês não tocaram a ponta do pau, nem fingiram que estavam lutando de espada?”
Rio forte o suficiente para fazer a água da banheira se agitar feito uma corredeira. “Não, mas agora meio que me arrependo. Parece a coisa mais engraçada do mundo.” Engasgo por entre as gargalhadas. “Espada de pica.”
Allie também tem uma crise de riso, mas a forma como seu corpo treme faz com que suas coxas ensaboadas deslizem ao longo de minha virilha, o que transforma rapidamente a minha diversão em excitação pura.
Ela ainda está rindo quando capturo sua boca num beijo faminto. Mas não por muito tempo. Logo, está ofegante contra os meus lábios, envolvendo minha nuca com as mãos enquanto enrosca a língua na minha.
Aperto seus quadris e puxo-a na minha direção até meu membro estar alinhado com a entrada dela. Ela solta um gemido quando o deslizo ao longo de sua carne molhada, esfregando a ponta sobre o clitóris.
“Dean…”
Mal ouço seu sussurro ofegante. Estou muito distraído com sua boceta quente e escorregadia e os peitos macios que estou apertando agora em minhas palmas.
“Dean.”
“Hmm?”
“Você ouviu isso?”
De repente, percebo que ela ficou rígida, e sua cabeça está inclinada na direção da porta fechada. Interrompo o movimento lento de meus quadris e ouço com atenção, mas a casa está em silêncio. “Não ouvi nada…”
Ai, Merda. Espera. Ouvi sim. O som inconfundível de alguém subindo a escada.
E depois:
“Cara, você não vai acreditar no que aconteceu!”
Num piscar de olhos, Allie está fora da banheira, escondendo o corpo nu e pingando atrás da porta, meio segundo antes de Logan abri-la.