O Jogo
Capítulo 14
DEAN
Allie goza mais rápido do que eu esperava. Minha língua mal toca seu clitóris, e ela já está tremendo, gemendo e se esfregando contra a minha boca. Acho que a ideia de quase ser pega no flagra é tão excitante para ela quanto para mim.
Droga, queria ter conseguido levá-la ao clímax com Hannah ainda atrás da porta. Teria sido um tesão. Um segredinho sujo só nosso. Mas assim também é bom, Allie montada na minha cara como se fosse um jóquei, e eu, o seu cavalo de corrida.
Pensando bem, é melhor do que bom. Meu pau parece uma barra de ferro tentando arrebentar minha calça, e cada vez que seus músculos internos apertam mais os dois dedos que enfiei dentro dela, sinto uma contração no saco. Quando seu corpo enfim relaxa, dou uma última lambida provocante em seu clitóris e fico de pé.
“Tudo bem com você?” Sorrio ao ver sua expressão nebulosa.
“Tudo ótimo.” Allie parece sonolenta e saciada, mas fica alerta de novo quando levo as mãos ao meu zíper.
Deixo a calça cair no chão. Estou sem cueca, porque — o que foi que ela falou? Seria redundante. Quando meu pau surge, livre, seguro-o com a mão direita e faço um carinho muito necessário. Nossa, estou tão duro que dói.
Eu me delicio com a visão do seu corpo nu. Allie é mais baixa do que as meninas com quem costumo sair, mas, por mim, tudo bem. E de alguma forma é magra e curvilínea ao mesmo tempo. Absorvo cada detalhe delicioso, dos peitos empinados à pele lisa e pálida, passando pelo paraíso cor-de-rosa entre as pernas.
Estava quase achando que, de alguma forma, iria me decepcionar, e que uma semana inteira desejando esta menina teria exagerado seu poder de atração. Não foi o que aconteceu. Ainda bem que ela mudou de ideia, porque quero essa mulher tanto quanto antes.
Meu olhar pousa no rosto dela, descansando por um momento em sua boca sensual, em seguida retorna para o seu corpo completamente nu.
Gemo de frustração.
“O que foi?”, pergunta ela, a voz rouca.
“Tô tentando decidir o que quero mais — esses lábios bonitos no meu pau, ou a sua boceta apertada espremendo ele.” Acaricio de leve minha ereção enquanto analiso as duas igualmente tentadoras opções. “Me dá a sua boca.”
Seus olhos azuis se estreitam. “E se eu não quiser?”
Aperto a cabeça inchada antes de deslizar o punho até a base, sacudindo meu membro inteiro para ela. “Para de agir como se não tivesse gostado de me chupar na outra noite.”
Como ela não me responde, dou um passo à frente e aperto meu corpo nu contra o dela. Allie estremece. Pego sua mão e a envolvo em meu membro, e ela treme ainda mais.
Baixo a cabeça e sussurro em seu ouvido. “Por favor, gata, eu me comportei tão bem… Esperei uma semana inteira por isso. Não mereço uma recompensa pela paciência?” Acaricio a lateral do seu pescoço com os lábios. “Me comportei…”, beijo seu queixo, “… tão…”, beijo todo o caminho até a sua boca, “… bem.”
Allie emite um ruído ofegante e move a mão ao longo do meu pau. Em seguida, fica de joelhos sem dizer uma palavra. Meu pau se contorce de emoção. Ela abre os lábios. Umedece-os com a língua. Lambe-os de novo. Não consigo tirar os olhos da sua boca. Quero ela em mim, mas a dor no meu saco me adverte que, no instante em que houver a mínima sucção ali, não vou demorar a explodir.
Uma lambida. É tudo que Allie consegue fazer antes de eu a colocar de pé de novo. “Não, nada disso”, aviso, os dentes cerrados. “Vou gozar rápido demais.”
Vejo o ultraje em seus olhos. “Você vai me deixar na vontade?”
“Não importa. Quero sua boceta. Na cama.”
Fico meio que esperando ela reclamar, porque Allie parece gostar de brigar comigo, mas ela é surpreendentemente obediente. Num piscar de olhos, está deitada e abrindo as pernas sedutoramente.
Merda. Está muito molhada. Ainda sinto seu gosto na língua, e agora estou tentando me decidir se quero fazer com a boca de novo, porque, nossa, quero sentir seu gosto mais uma vez. Míni Dean adora e odeia a ideia ao mesmo tempo, me alertando que se a minha boca sequer tocá-la novamente, vou gozar sem estímulo por todo o lençol. E qual a graça disso?
Inspirando fundo, fico de joelhos na frente dela e me abaixo, me acomodando na suavidade de suas coxas. Allie agarra meu pau, e quase chego ao clímax. Não tinha notado as unhas vermelhas antes. São praticamente um pecado me arranhando a pele. Então ela esfrega a pontinha que já está molhada, e estremeço, empurrando a ponta do pau na direção de sua abertura.
“Camisinha”, ela me lembra.
Merda. Não acredito que quase esqueci de me vestir para a ocasião. Em geral, já faço isso no automático, igual a colocar o equipamento de proteção antes de entrar no rinque.
Passo o braço pela lateral da cama e apalpo o chão até encontrar minhas calças, por fim pesco o preservativo do bolso.
Um momento depois, estou entre suas pernas de novo. Observo seu rosto enquanto seguro meu pau e o aproximo dela. A ponta a toca, pedindo para entrar. Ela treme visivelmente. Com as faces coradas e o cabelo louro esparramado atrás de si, é a imagem mais sensual que já vi.
Entro em sua vagina apertada, e nós dois soltamos um suspiro feliz. Porra, adoro sexo. Não estou nem aí se quem criou os homens e as mulheres foi Deus, seleção natural ou marcianos verdes. Só sou eternamente grato a quem nos deu pênis e vaginas e um jeito divertido de usá-los.
Me abaixo para roçar os lábios de Allie com os meus, o que muda o ângulo de leve, me fazendo entrar mais fundo dentro dela. Sinto um arrepio de prazer pelo corpo. Me concentro nele. Afasto os quadris, em seguida, entro de novo. Bem devagar. Deliberadamente.
A respiração de Allie fica entrecortada. “Para de me provocar.”
“Você acha que isso é provocação?” Espalmo a mão em sua barriga lisa, o polegar tocando de leve seu clitóris.
Quando ela arqueia os quadris, afasto a mão, e ela geme de decepção. Rio. “Isso seria provocação.”
“Meu Deus. Eu te odeio. Me toca”, ordena ela. “Me toca e me come e me faz gozar de novo.”
Estreito os olhos. “Você não estava tão mandona da outra vez. Ou eu estava bêbado demais para lembrar?”
Allie se levanta numa demonstração impressionante de flexibilidade e passa os braços ao redor do meu pescoço. Está no meu colo agora, se esfregando em cima do meu pau. “Estava mais mandona. Mas só porque você precisava de muito mais instruções.”
“Mentira. Você gozou logo que eu te toquei.”
“Como sabe que eu não estava fingindo?”, provoca ela, e então balança os quadris, e nós dois gememos.
Continuo segurando-a com força pela cintura. “E você estava?” De repente, me lembro da confissão de Logan de que Grace fingiu um orgasmo na primeira vez que eles ficaram. Nunca mais dei sossego para ele depois daquilo. Agora estou horrorizado de que Allie poderia ter feito o mesmo. É uma atriz, afinal de contas…
Ela responde, “Não, não estava”, e fico aliviado. Meio a contragosto, ela acrescenta: “Você é bom de cama”.
“Sou excelente de cama”, corrijo, erguendo o quadril e arrancando dela um suspiro de prazer.
“Faz de novo”, implora.
“Faz pra mim.” Deito, de forma que ela fica montada em mim, e aperto um de seus mamilos. “Me cavalga até eu gozar.”
Seus lábios se curvam num sorriso malicioso. Ah, ela gosta dessa ideia. Apoiando as mãos em minha barriga, ela se ergue e afunda depressa em mim. Tem uma loura gostosa montada no meu pau, e estou no paraíso. Os peitos empinados balançam à medida que ela se mexe, e, quando seu cabelo cai sobre a testa, ela afasta as mechas douradas e mantém o olhar fixo no meu. Rebolando. Me esfregando. Me deixando louco.
“Me toca.” A expressão de “não me contrarie” me faz levar a mão até onde estamos unidos e esfregar, obediente, seu clitóris com o polegar. O prazer inunda seus olhos, mas as ordens não param por aí. “Mais devagar.” Sua respiração se acelera. “Em pequenos círculos. Não, sem apertar. De levinho… ai, meu Deus, assim, assim.”
Não vou mentir — gosto de como Allie não faz rodeios ao me explicar exatamente do que precisa. Afinal, ela conhece o próprio corpo muito melhor do que eu. Mas aprendo depressa. Em pouco tempo, suas palavras se tornam gemidos, e ela começa a comer meu pau para valer.
Está deitada em cima de mim agora, os lábios tão próximos do meu ouvido que cada ruído sensual que faz vai direto para o meu saco. Meus quadris se erguem de novo e de novo, e nossos corpos se chocam, enquanto nossas bocas se encontram num beijo molhado.
Ainda estamos nos beijando quando ela começa a gozar. Ela morde meu lábio inferior e solta um grito rouco, e a sensação alucinante de sua boceta me apertando desencadeia meu próprio clímax. Venho feito um foguete, o prazer borrando minha visão e nublando meu cérebro. Fico surpreso de que a camisinha não estoure com o tanto que eu gozo dentro dela.
“O quê…?” Ao dar conta de mim de novo, sinto um gosto mineral na boca. Toco o lábio. Meus dedos voltam sujos de sangue. Nossa. Allie me mordeu até tirar sangue. Contenho uma risada.
Diante do som abafado, ela levanta a cabeça. Seu cabelo está todo emaranhado, as pálpebras tão pesadas que estão quase fechadas. “O quê…?” Seu rosto fica tenso. “Ai! Você tá sangrando!”
Rio mais ainda. Estou tão feliz de não ter desistido dela. Uma menina que crava as unhas e morde e fode com total desprendimento. Nunca me diverti tanto na vida.
“Não foi nada”, asseguro.
Allie claramente não concorda. Ela sai de cima de mim, estende a mão para a mesinha de cabeceira e volta com um lenço, que aperta contra o meu lábio. “Desculpa. Tá doendo?”
“Nem um pouco”, respondo, feliz. Pego o lenço de sua mão e o atiro para fora da cama. Então me ajeito no colchão para deitar a cabeça no travesseiro e a puxo para junto de mim.
Allie aninha o corpo nu delicioso ao meu lado e repousa a cabeça no meu ombro. “Fonte infinita de desejos”, murmura.
“Hein?”
“Seu pau.” E suspira. “Uma força da natureza.”
“Pode apostar. Falei que tinha um pau e tanto.”
Sorrio para o teto e acaricio a lateral do seu seio. Ficamos ali em silêncio por um instante, ambos recuperando o fôlego. Por fim, ela murmura: “Então, que jogo das crianças é esse que você falou?”.
Levo um segundo para entender do que ela está falando. “Ah. O Hurricanes. Meu novo coordenador defensivo tá me forçando a trabalhar de voluntário na escola primária, então tô ajudando como assistente técnico do time de hóquei.”
“Parece divertido.”
“Não acredito que vou dizer isso, mas… é bem divertido.”
E o jogo de hoje foi muito mais emocionante do que eu tinha imaginado. O Hurricanes enfrentou o primeiro lugar da divisão deles, e todos os meninos no rinque jogaram num nível que me impressionou. Ah, e o gol da vitória foi um lançamento por cobertura de Robbie Olsen. Estaria mentindo se dissesse que meu peito não transbordou de orgulho.
“Todas as férias de verão, no colégio, trabalhava como voluntária num acampamento de teatro”, Allie me diz. “Era o máximo, fiquei arrasada quando o acampamento fechou. Era num teatro velho do Brooklyn, mas a área mudou de administração, e o município demoliu o prédio. Hoje o lugar é uma loja de computador.” Ela se senta abruptamente. “Ai, droga. Esqueci de uma coisa.”
Ela estica o corpo sobre o meu peito e se inclina em direção à cabeceira. Não consigo evitar e prendo um dos mamilos com a boca, chupando de leve. A sensação na língua é uma delícia. Puxo com mais força, e Allie estremece, antes de afastar minha cabeça. “Me dá um segundo. Não quero esquecer isso de novo.”
Ela pega o telefone, e a vejo abrir um aplicativo de lembretes. Digita uma coisa. De onde estou, parece ser “passagem de trem”.
“Passagem de trem?”
“Isso mesmo, seu enxerido.” Então coloca o telefone na mesa. “Tô fazendo um lembrete pra marcar minha passagem pra Nova York. Tenho que comprar com antecedência este ano, porque é difícil conseguir passagens pro feriado. Ano passado precisei pegar um trem mais tarde e só cheguei lá às quatro horas da manhã.”
“Vai passar a Ação de Graças com os pais?”
Ela deita ao meu lado de novo. “Só o meu pai.” Então faz uma pausa. “Minha mãe morreu.”
“Ah, sinto muito por ouvir isso.” Acaricio seu braço nu com a palma da mão. Então noto como é estranho ficar deitado na cama com ela, só conversando. Mas ainda estou fraco do esforço. Nem uma retroescavadeira poderia me levantar desta cama agora. “Você é próxima do seu pai?”, pergunto.
Ela move a cabeça contra o meu ombro, assentindo. “Bastante. Ele é o melhor homem do mundo.”
“O que ele faz?” Não sei por que todas essas perguntas. Não tenho o hábito de tentar conhecer melhor as meninas que levo para a cama. Mas Allie é diferente. Para começo de conversa, é a melhor amiga da Wellsy. Não parece certo dispensá-la com um “obrigado, até mais ver”.
“Era olheiro do Bruins”, revela ela.
“Não brinca!” Estou muito impressionado. “Deve saber de hóquei então. Ele jogava?”
“Jogou, na faculdade. Foi convocado no draft pelo Kings, só que estourou o ligamento do joelho no treino, então a carreira meio que terminou antes de começar. Mas acho que ele ficou aliviado. Sempre disse que era melhor em encontrar talentos do que em ser o talento.”
“Ainda assim, é um trabalho puxado”, argumento. “Devia viajar o tempo todo.”
“Viajava. Essa parte era uma merda, a quantidade de tempo que ele tinha que passar fora de casa. Mas eu e minha mãe dávamos conta. Depois que ela morreu, meu pai passou a me levar com ele quando podia, mas a maioria das vezes eu ficava com a minha tia, no Queens.”
“Ele tá aposentado agora?”
Ela se enrijece de leve. “Tá.” Outra pausa. “E você, vai fazer o que no Dia de Ação de Graças? De onde você é mesmo? Connecticut?”
“É. Greenwich. E Manhattan. Minha família se dividia entre as duas cidades, mas fiz o ensino médio em Connecticut.”
“Escola preparatória”, corrige ela.
Ajeito seu cabelo. “Ainda era considerada ensino médio.”
“Claro, mas aposto que você teve muito mais regalias lá do que eu, numa escola pública do Brooklyn. Riquinho mimado.” Sei por sua voz que está brincando. “E você não falou o que vai fazer no feriado.”
“Não sei ainda”, admito. “As datas pra mim vão ser uma merda. Vamos jogar contra Harvard dois dias depois do feriado.”
“E daí? Greenwich não é longe. Nem Manhattan. Você pode pegar um trem ou um avião e voltar a tempo pro jogo.”
“Minha família não vai estar nem em Greenwich, nem em Manhattan. Vão para a casa de St. Bart.”
Allie senta de novo, boquiaberta. Então começa a rir. “Ora, vejam só.” No instante seguinte, está falando num sotaque britânico impecável. “É evidente, meu caro, que minha família tem uma casa em St. Bart. Papai veleja muito bem, e mamãe adora tomar martínis em nossa praia privativa.”
Dou um beliscão em sua cintura. “Isso é inveja.”
“Claro que é inveja. Você tem uma casa em St. Bart. Isso é foda.” Sua expressão torna-se pensativa. “Seus pais são advogados, né?”
Faço que sim com a cabeça.
“Não sabia que advogados ganhavam tanto dinheiro a ponto de comprar casas de praia em ilhas tropicais.”
“Depende do advogado. Meu pai é um dos mais importantes criminalistas do país, então acho que tá indo muito bem”, digo, com ironia. “E minha mãe é especializada em direito imobiliário, que também é bastante lucrativo. Mas ambos vieram de famílias ricas também.”
“Deixa eu adivinhar. Vovôs Sebastian e Kendrick eram barões do petróleo?”
Por alguma razão, fico estupidamente satisfeito de que ela tenha se lembrado dos meus nomes do meio. “Não, não tem petróleo na nossa família. Vovô Seb tinha uma companhia de navegação. Bem, ainda tem, mas ela é gerida por um conselho administrativo agora. E vovô Kendrick era investidor imobiliário.”
“Tipo o Donald Trump?”
“Por aí. Você ia a Manhattan quando morava no Brooklyn?” Então franzo a testa, pois algo me ocorre. “Ei, como você não tem sotaque do Brooklyn?”
“Meus pais não são de Nova York. Talvez seja por isso… Meu pai é de Ohio. E minha mãe cresceu na Califórnia. Acho que falo igual a eles. De qualquer forma, claro que já fui a Manhattan — você acha que eu ficava me escondendo embaixo da ponte do Brooklyn, feito um monstro?”
Rio. “Andava pelo Upper East Side?”
“Claro. Tinha um amigo que morava no…” Ela arregala os olhos. “Minha nossa! No Heyward Plaza. Só agora que eu liguei o nome à pessoa.”
O assombro em seu rosto me faz sorrir.
“Você é dono do hotel Heyward Plaza?”, exclama Allie.
“Eu, pessoalmente, não. Mas acho que posso herdar um dia. Os Heywards, meus parentes por parte de mãe, são donos de imóveis no mundo todo. Em geral, hotéis, mas também temos um condomínio legal em Abu Dhabi que é todo de vidro. Fica…”
“Certo, você precisa parar de falar agora, porque tô ficando com vontade de socar você. Não tinha ideia de que você era esse tipo de rico. Agora não sei mais se é um tesão ou um banho de água fria.”
“Tesão”, digo, depressa. “Tudo a meu respeito te deixa com tesão, lembra?”
Ela solta uma gargalhada. “Aham. Se você diz.”
Abro um sorriso convencido e começo a apontar para as várias partes do meu corpo. “Meu rosto? Um tesão. Meu peito? Um tesão. Eu podia virar e mostrar a bunda, mas nós dois sabemos que a resposta vai ser ‘um tesão’, então vou pular essa parte. O pau? Um te-são. E não estamos nem falando das qualidades não físicas de Dean Di Laurentis.”
“Falar na terceira pessoa? Não é um tesão.”
Ignoro a provocação. “Sou simpático de cara. Meu senso de humor é de outro mundo — óbvio.”
“Óbvio”, repete ela, secamente.
“Sou extremamente hábil na arte da conversa.”
Ela concorda. “Quando o assunto é você, claro.”
“Claro.” Finjo pensar um pouco mais no assunto. “Ah, e tenho o dom de ler mentes. Sério. Sempre sei o que a outra pessoa tá pensando.”
“Ah, é? Então o que tô pensando agora?”, desafia Allie.
“Que você quer que eu cale a boca e te coma de novo.”
Ela balança a cabeça, espantada. “Caramba, acertou em cheio.”
Sorrio para ela e aponto a testa com o indicador. “Eu te disse. É um dom.”
“Parabéns.” Então suspira. “Quantas camisinhas você trouxe?”
“Uma.”
“Que falta de ambição, hein! Olha naquela gaveta ali. Deve ter algumas.”
Abro a gaveta da mesinha de cabeceira, que — olha só o que eu encontrei aqui — contém mais do que preservativos. Volto com um vibrador de silicone de mais de quinze centímetros num tom cômico de cor-de-rosa.
“Ah, quem é o seu amiguinho?” Balanço o vibrador para cima e para baixo, e ele é flexível o suficiente para sacudir igual a um pênis de verdade.
Allie o toma da minha mão. “Amiguinho? Olha direito ou você vai deixar Winston encabulado.”
“Winston? Está brincando comigo?”
“Vai dizer que ele não tem cara de Winston?”
Olho para o brinquedo cor-de-rosa. É ridiculamente feminino para algo num formato de pênis. E Winston é o nome mais feminino que já ouvi. “É. Acho que tem sim.”
Ela faz que sim com a cabeça, muito séria. “Tenho talento para escolher nome de pau.”
Na mesma hora, faço uma cara feia para ela. “Nem inventa de dar um apelido para o meu, ouviu?”
“Por quê? Tá com medo de eu arrumar um nome melhor que o que você já escolheu?” Seu tom é o mais doce do mundo.
“Quem disse que dei um nome?”
Allie inclina a cabeça, num desafio. “Jura que não deu?”
Me limito a dar de ombros.
“Rá! Sabia! Qual é o nome dele?”
Fico ainda mais sério.
“Anda, conta”, implora ela. “Prometo não zoar você.”
Depois de cinco segundos de um intenso debate interno, acabo cedendo. “Míni Dean.”
Isso arranca um uivo dela. “Meu Deus. Só podia ser. Você é tão convencido.”
Dou em beliscão em sua coxa em retaliação, mas ela só gargalha mais, então a giro de costas e calo sua boca com a minha. Allie abre os lábios para a minha língua, e logo estamos nos agarrando e nos esfregando feito dois gatos no cio.
Afasto os lábios dos seus e pergunto: “Quer me amarrar de novo?”.
“Não. Estava pensando em outra coisa.”
“Ah, mas eu queria tanto.”
“Não reclama, gato. Confia em mim, você vai gostar.”
É a sua vez de me girar, e solto um gemido quando ela começa a deixar um caminho de beijos em meu corpo. Um instante depois, sua boca quente envolve o meu pau, e… é verdade… Míni Dean não está reclamando nem um pouco.