O Problema dos Três Corpos
28. Segunda base Costa Vermelha
28. SEGUNDA BASE
COSTA VERMELHA
Passaram -se m ais três anos, e Evans parecia ter sum ido. Ye não sabia se ele estava m esm o em algum lugar do m undo tentando confirm ar a história dela, e tam bém não fazia ideia de com o ele faria essa confirm ação. Em bora um espaço de quatro anos-luz não fosse quase nada, considerando a escala do universo, ainda assim era um a distância inconcebível para a fragilidade da vida. Os dois m undos eram com o a nascente e a foz de um rio que atravessava o espaço sideral: qualquer relação entre as duas pontas seria extrem am ente atenuada.
Certo inverno, Ye foi convidada por um a universidade não m uito proem inente na Europa Ocidental para passar um sem estre com o professora visitante. Assim que ela desem barcou em Heathrow para a entrevista, um rapaz veio recebê-la. Em vez de sair do aeroporto, eles voltaram para a pista de pouso, e o rapaz a conduziu até um helicóptero.
Quando o helicóptero subiu no céu nublado de Londres, Ye teve um déj à-vu e pareceu voltar no tem po. Muitos anos antes, quando ela viaj ou de helicóptero pela prim eira vez, sua vida se transform ou. Aonde o destino a levaria dessa vez?
— Estam os indo para a Segunda Base Costa Verm elha.
O helicóptero foi até o litoral e continuou avançando Atlântico adentro. Meia hora depois, pousou em um navio im enso no m eio do m ar. Assim que viu o navio, Ye pensou no pico do Radar. Só nesse m om ento ela se deu conta de que o form ato do pico realm ente lem brava um navio gigante. O Atlântico parecia a floresta da cordilheira Grande Khingan, m as o que m ais a fazia pensar na Base Costa Verm elha era a im ensa antena parabólica no m eio do navio, erguida de um j eito que parecia um a vela redonda. O navio fora adaptado a partir de um petroleiro de sessenta m il toneladas, com o se fosse um a ilha de aço flutuante. Evans havia construído a base em um navio — talvez para que sem pre estivesse na m elhor posição possível para transm issões e recepções, ou talvez para não ser detectada. Mais tarde, ela descobriu que o nom e do navio era Juízo Final.
Ye saiu do helicóptero e ouviu um uivo fam iliar, o barulho da antena gigantesca cortando o vento sobre o oceano. O som a rem eteu outra vez ao passado. O am plo convés em baixo da antena estava abarrotado, com cerca de duas m il pessoas.
Evans foi até ela e disse, com solenidade.
— Com a frequência e as coordenadas que você inform ou, recebem os um a m ensagem de Trissolaris. Confirm am os tudo o que você m e disse.
Ye assentiu calm am ente com a cabeça.
— A grande Frota Trissolariana j á zarpou. O destino é o nosso sistem a solar, e eles chegarão daqui a quatrocentos e cinquenta anos.
Ye continuava calm a. Nada m ais a surpreendia.
Evans apontou para a m ultidão às suas costas.
— Você está olhando para os prim eiros m em bros da Organização Terra-Trissolaris. Nosso ideal é pedir que a civilização trissolariana reform e a civilização hum ana, que reprim a a loucura e o m al da hum anidade, para que a Terra possa voltar a ser um m undo harm onioso, próspero, puro. Cada vez m ais pessoas se identificam com nosso obj etivo, e a organização está crescendo a passos largos. Tem os m em bros no m undo inteiro.
— O que eu posso fazer? — perguntou Ye, com um tom delicado.
— Você será a com andante-chefe do Movim ento Terra-Trissolaris. É esse o desej o de todos os com batentes da OTT.
Ye ficou em silêncio por m ais alguns segundos. Depois, assentiu com um gesto lento da cabeça.
— Darei o m elhor de m im .
Evans ergueu o punho e gritou para a m ultidão:
— Elim inar a tirania hum ana!
Em m eio ao som das ondas no m ar e do vento que urrava j unto à antena, os com batentes da OTT gritaram em coro:
— O m undo pertence a Trissolaris!
Foi nesse dia que o Movim ento Terra-Trissolaris com eçou oficialm ente.