O Problema dos Três Corpos
35. As ruínas
Ninguém acreditou que Ye Wenj ie fosse capaz de escalar o pico do Radar por conta própria, m as ela foi m esm o assim . Ye não aceitou nenhum a aj uda no cam inho e só parou para descansar algum as vezes nas guaritas abandonadas. Consum iu sem dó a própria vitalidade, vitalidade que não poderia ser renovada.
Quando descobriu a verdade sobre a civilização trissolariana, Ye se entregou ao silêncio. Ela falava raram ente, m as fez um pedido: queria visitar as ruínas da Base Costa Verm elha.
Quando o grupo de visitantes subiu ao pico do Radar, o cum e estava bem acim a das nuvens. Depois de um dia inteiro de cam inhada em m eio a um a neblina densa, ver o sol forte no oeste e o céu azul lim po foi com o abrir as cortinas de um m undo novo. No cum e da m ontanha, as nuvens eram um m ar branco e prateado, e as ondas pareciam abstrações da cordilheira Grande Khingan m ais abaixo.
As ruínas que os visitantes haviam im aginado não existiam . A base fora totalm ente desm ontada, e restava apenas um m atagal no cum e. As fundações e as estradas foram enterradas, e o lugar todo parecia desolado. Era com o se a Costa Verm elha nunca tivesse existido.
Mas Ye logo descobriu algo. Ela foi até um a pedra alta e afastou as trepadeiras que a cobriam , revelando um a superfície enferruj ada cheia de m anchas. Só então os visitantes entenderam que a pedra, na verdade, era um a base grande de m etal.
— Esta era a base da antena — disse Ye. O prim eiro grito da Terra que alcançou os ouvidos de um m undo extraterrestre tinha sido enviado da antena que existira ali na direção do sol, que então o am plificou e transm itiu para o universo inteiro.
Eles encontraram um a placa de pedra pequena do lado da base, quase com pletam ente perdida na gram a.
BASE COSTA VERMELHA (1968-1987)
ACADEMIA CHINESA DE CIÊNCIAS 1989.03.21
A placa era m inúscula. Não parecia m uito um m em orial, e sim um a tentativa de esquecim ento.
Ye foi até a beira do penhasco. Certa vez, com as próprias m ãos, ela havia tirado ali a vida de dois soldados. Ela não observava o m ar de nuvens, com o os outros, m as voltou o olhar para um a direção. Abaixo das nuvens havia um vilarej o cham ado Qij iatun.
O coração de Ye batia com dificuldade, com o a corda de um instrum ento m usical que estivesse prestes a se partir. Seus olhos com eçaram a ficar encobertos com um a neblina negra. Ela usou as últim as forças para continuar de pé. Antes que a escuridão levasse tudo em bora, queria ver o pôr do sol da Base Costa Verm elha pela últim a vez.
No horizonte ocidental, o sol descia lentam ente no m ar de nuvens e parecia derreter. O astro rubro se dissolveu nas nuvens e se espalhou pelo céu, ilum inando um a grande porção do firm am ento com um m agnífico tom verm elho de sangue.
— Meu pôr do sol — sussurrou Ye. — E o ocaso da hum anidade.