Origens da dialética do trabalho: estudo sobre a lógica do jovem Marx
CAPÍTULO III: A Negatividade Histórica do Trabalho
Capítulo III - A negatividade histórica
do trabalho
Vimos o jovem Marx outorgar ao fenômeno econômico um estatuto ontológico passageiro. Momento histórico alienado, esse fenômeno há de ser suprimido quando o comunismo recuperar a integridade nativa do gênero humano, obviamente num plano superior de intensidade e objetividade, pois a alienação terá tido ao menos o mérito de realizar por vias indiretas as potencialidades humanas iniciais. Se a crítica da economia política e da realidade econômica é externa e se faz do ponto de vista da sociabilidade primitiva, isso não quer dizer entretanto que Marx se propusesse desde logo voltar as costas aos pressupostos dessa ciência e fixar-se além de suas fronteiras. Nos Manuscritos Econômico-filosóficos ele pretende ao contrário, tomar como ponto de partida os postulados da economia clássica e, aceitando sua linguagem e suas leis, dar por supostas a propriedade privada, a separação do trabalho, do capital e da terra, assim como tantas outras categorias com que labora essa disciplina. Graças o exame desses conceitos e de suas consequências, deveria apreender a contradição básica do mundo moderno que nem mesmo aquela ciência, com todas as suas tergiversações ideológicas, fora capaz de negar: o fato de o trabalhador transformar-se numa mercadoria de ínfimo valor, de o
desenvolvimento da produção redundar na miséria do proletariado. 1 Somente após constatar a incapacidade da economia política em explicar a contradição fundamental é que mostraria como essa disciplina falhou em seus propósitos científicos precisamente porque não chegou a pôr em xeque o postulado da propriedade privada. Desse modo, todos os conceitos econômicos passariam pelo crivo da crítica positiva, a denunciar em todos eles. 1º) – as deformações operadas pela noção de propriedade privada; 2º) – o trabalho alienado como origem da propriedade privada e fundamento da alienação de todas as configurações sociais vinculadas a essa instituição. Com isso Marx pretende ir além do primeiro artigo