Perto o bastante para tocar
oito
ERIC
Minha mãe adorava esse poema, “A ‘Esperança’ é uma Ave”. Suas letras bordadas em ponto de cruz ficavam penduradas no final do nosso corredor, e muito embora eu o visse todas as noites quando ia para a cama, era uma daquelas coisas que deixei de notar porque me acostumei com ele como parte do cenário.
Mas, então, ouvi a primeira estrofe, e me lembrei. E soube no mesmo instante que aquela bibliotecária estava vestida de Emily Dickinson.
No entanto, isso realmente não explica seu cabelo rebelde.
Ou as luvas.
Ou por que, quando olhei para ela, não consegui parar, como se seu rosto fosse um ímã e meus olhos, aço. Talvez porque tinha essa estranha qualidade — quase de fera. Como um gato escondido no fim de um beco que salta em movimentos bruscos e corre na direção oposta das pessoas. Para ser honesto, com aquele estilo ela parecia um pouco uma paciente de um hospital psiquiátrico.
Porém, mais tarde naquela noite, quando abro Crepúsculo e seu rosto surge, espontâneo, em minha mente pela terceira vez, tenho que admitir: talvez seja a louca mais linda que já vi.