Perto o bastante para tocar

Colleen Oakley · Capítulo 35 de 37

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Perto o bastante para tocar

Epílogo

SETE ANOS MAIS TARDE

— O que há de milagroso numa teia de aranha?

— perguntou a senhora Arable. — Eu não entendo por que

você diz que a teia é um milagre; é só uma teia.

— Você já tentou tecer uma? — perguntou o doutor Dorian.

E. B. White, A Teia de Charlotte

 

The New York Times

 

UMA DOENÇA RARA, UMA CURA RADICAL

por William Colton

 

Todos os dias nos últimos 18 meses, Jubilee Jenkins tomou chá. Mas não qualquer chá — uma infusão especial, formulada com uma mistura forte de ervas chinesas pela doutora Mei Zhang, de Nova York. A mesma mistura de ervas que Jenkins também aplicava como loção na pele duas vezes ao dia e na qual se banhava todas as noites.

Não, não é a última tendência em termos da fonte da

juventude, mas um tratamento para uma doença rara que deixou Jenkins, de 33 anos, à margem da sociedade pela maior parte da sua vida. Uma alergia. A seres humanos.

Pode parecer algo tirado de um romance de Michael

Crichton, mas é realidade para Jenkins, diagnosticada pela

primeira vez quando tinha apenas 6 anos. “Foi devastador”, disse ela. “Não pude ter uma infância normal, por medo de ser tocada.”

A doença (relatada pela primeira vez pelo The New York

Times há 28 anos) piorou quando ela ficou mais velha, confinando-se à sua casa durante quase toda a sua fase dos vinte anos. Então, ela conheceu a doutora Zhang e esta teve uma ideia: usar o sequenciamento genético para isolar a proteína humana que lhe faltava — aquela (ou aquelas) que seu corpo atacaria quando fosse detectada na sua pele após contato com outros — e para reintroduzi-la lentamente ao seu sistema sob a forma de imunoterapia, um tratamento que obteve certo êxito no caso de alergias alimentares graves.

A princípio, Jenkins resistiu. “Vivi a vida toda assim.”

Ela encolhe os ombros. “Acho que fiquei com medo.” Mas, então, algo a fez mudar de ideia. “Conheci uma pessoa”, diz ela, cabisbaixa. “Acho que ele me fez perceber que eu queria fazer parte deste mundo — com ou sem a minha alergia. Seria mais fácil viver nele sem ela.”

A equipe de geneticistas da doutora Zhang isolou a

proteína muito rapidamente — em cinco meses —, porém cinco anos de tratamento acumularam resultados frustrantes. “Ela podia tolerar quantidades ínfimas, mas, toda vez que tentávamos aumentá-las, ela reagia. Depois de alguns anos, finalmente conseguimos aumentar a dose, mas não estávamos nem um pouco perto de uma cura. Nem um pouco perto de uma situação na qual ela poderia receber um aperto de mão ou um abraço de alguém sem sofrer uma reação severa. E esse, obviamente, era o objetivo.”

Foi quando a doutora Zhang decidiu tentar um método

novo que vinha pesquisando havia mais de dez anos: HFAT-3, ou Tratamento de Alergia Alimentar com Ervas. É uma combinação de compostos e extratos herbáceos chineses que revelaram reduzir inflamações, bloquear a liberação de histamina — e até alterar a biologia molecular de células do sistema imunológico. Em outras palavras, eles reduzem a reação automática do corpo a um alérgeno

conhecido e podem até prevenir o choque anafilático.

“Meu tratamento com ervas funcionava muito bem —

um índice de cura de cerca de 80% — no caso de várias alergias alimentares. E pensei: Por que não? O que tínhamos a perder?”

Nada, mas elas tinham tudo a ganhar.

Em fevereiro desse ano, Jubilee recebeu a notícia com

que sonhava. “‘Você está curada’, foi o que a doutora Zhang disse. Não acreditei de verdade. Mesmo quando ela me abraçou”, disse a senhorita Jenkins. “É um milagre.”

Mas a doutora Zhang discorda. “É apenas ciência”, disse

ela. “E um pouquinho de sorte, na verdade.”